É só para sublinhar o que já se sabia

President Trump has abandoned his live-on-television promise to work for gun control measures that are opposed by the National Rifle Association, instead bowing to the gun group and embracing its agenda of armed teachers and incremental improvements to the existing background check system.” NYT, 12/03/2018

A questão das armas nos EUA não se resolve sem que o financiamento partidário deixe de ser controlado pelo meio empresarial. Devemos olhar para os outros e pensar para onde caminhamos

Preparem-se que isto não é para estômagos fracos

 

Qual é o país, qual é ele, parecido com a Emma Watson?

Now… I actually changed my mind, just about a year after saying this particular dumb thing.

Paul Krugman

‘Health of the economy’ is defined in such a way that the economy can be extremely healthy while just about everybody is starving to death. Those two things are uncorrelated.

Noam Chomsky

I’d rather ride a horse than drive a car.

— Sam Shepard

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Quanto ao país parecido com a Emma Watson, efectivamente, o país é… Portugal!

Há cerca de uma semana, Emma Watson «usou tatuagem com erro ortográfico».

No outro dia (muito obrigado ao extraordinário leitor do costume), o jornal A Bola voltou a impressionar-nos com questões de alfaiataria, confrontando o porta-voz do FCP com um fato a usar.

Sim, porque o original da revista Sábado não tem fatos.

No mesmo jornal, também houve estes aborrecimentos com uma grafia (‘factor’) problemática em traduções, como sabemos desde os “human fator issues”:

Hoje, temos o panorama habitual, no sítio do costume.

Pegando num dos assuntos da semana passada, [Read more…]

Marcelo, o pastor

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Isaac Pereira

Em Oliveira do Hospital, Marcelo Rebelo de Sousa comprou uma ovelha, e negra, ainda por cima. Chamou-lhe Oliveirinha. Depois abraçou um pastor rosado que lhe disse do alto do bigode:
– Morreram-me vinte e cinco cabeças. A vida de pastor é dura.
O presidente dos afectos abraçou-o, como não poderia deixar-se ser, e disse, afagando-lhe o pêlo:
– Eu sei. Eu sei.
E foi nesse momento que fiquei a saber que Marcelo já foi pastor.

Rui Pedro Braz no país da corrupção e do tráfico de influências

Rui Pedro Brás, que tem um curioso vinculo contratual com o SL Benfica, apesar de ser apresentado ao grande público como um comentador isento, brindou-nos com este belo momento de televisão. É triste, causa vergonha alheia, mas não diz mentira nenhuma. E sempre ficamos a saber que este adepto e colaborador do emblema lisboeta não consegue levar certas coisas em tempo útil sem ter que pedir um favor a alguém. “É a forma das coisas funcionarem”, remata. Há coisas fantásticas, não há?

“As pessoas já não acreditam nos fatos”,

diz Chomsky. Em Portugal, começaram a acreditar. Quando? Em Janeiro de 2012.

Um certo odor a fascismo no CDS-PP

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Assunção Cristas, tal como muitos dos seus principais oficiais, não perde uma oportunidade para aludir ao radicalismo das esquerdas. Para agitar com o papão comunista. Para apelar aos instintos mais básicos do eleitorado, instigando a desconfiança e o medo na sua forma mais primária. Uma constante da vida.

Sempre achei este discurso de uma finíssima ironia. Não porque não exista nos partidos de esquerda o tal radicalismo que lhes é apontado, que é discutível, mas porque o CDS-PP foi precisamente o partido que deu guarida a vários salazaristas no pós-25 de Abril, alguns dos quais exerceram funções governativas durante o Estado Novo. Adriano Moreira, que foi este fim de semana homenageado e aplaudido de pé pelo congresso centrista, foi ministro de Salazar antes de ser eleito terceiro presidente do CDS-PP, entre 85 e 88. E escusado será dizer que alguém que aceita o convite para integrar o governo não-eleito de um fascista opressor valida as práticas em vigor.  [Read more…]

Aquele momento em que o guarda-redes do Paços é abalroado por uma força sobrenatural

O que não invalida que o FC Porto tinha obrigação de vencer a partida. Pena que o tempo útil de jogo não tenha ido além dos 15, 20 minutos.

Ao centro

Há uns valentes anos fiz este boneco enquadrado numa série a satirizar os partidos. Estava-se no rescaldo  à despenalização do aborto e o CDS, Partido do Centro Democrático e Social, agora também Partido Popular, comprovou que o “C” era mais de Cristão do que de “Centro”. O partido que foi umas vezes liberal, outras conservador, já foi contra e a favor do euro e da “europa”,  que foi o partido dos pensionistas e o partido do corte das pensões, que já foi, no fundo, toda a coisa e o seu oposto, tem no posicionamento beato o seu real âmago, essa cola que segura a cataventice política que tem sido o seu rumo. Consistentemente, Cristas afirmou neste fim-de-semana que “o meu CDS tem a democracia-cristã no eixo da roda“. Mas que não haja ilusões, se passarmos a ter muitos eleitores judeus, muçulmanos e protestantes, o mais certo é que também esta roda se furará. Entretanto, temos um partido que acumula com congregação religiosa, esse paradoxo no país onde o Estado é laico.