A fúria do mar

Há várias façanhas pelas quais os portugueses são conhecidos mundialmente. Terá sido, aliás, Mário Cesariny um dos primeiros a descobri-lo e a demonstrá-lo com evidência científica e surrealista, na sua “pena capital”:

quando acabava de ser identificada a casa onde viveu
Miguel Cervantes, em Alcalá de Henares,
eu saía para o campo com Rufino Tamayo
enquanto um português vivia trinta anos com uma bala
alojada num pulmão
chegava eu ao conhecimento das coisas

A verdade, é que parece haver uma tendência, nos portugueses, para uma certa satisfação pelos extremos e um cultivo alegre do espanto perante fenómenos ou acontecimentos totalmente insusceptíveis de o gerar ou, em gerando-o, mais tendentes, num “povo normal”, a suscitar uma reacção de cautela, previdência e algum recato. Não se trata de uma realidade circunscrita espacialmente à zona do Entroncamento, ou da Cova da Iria, mas, pelo contrário, presente em qualquer lugar onde chegue a alma lusa. A capacidade portuguesa para fazer do banal, extraordinário, e do extraordinário, banal, é algo do nosso quotidiano morno e acontece onde quer que estejamos e sejam quais forem as circunstâncias do tempo e do lugar.

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United Stupids of America

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É curioso que a administração norte-americana se empenhe tanto em manter potenciais terroristas afastados do país, usando o pretexto para criar legislação xenófoba, quando luta activamente por manter a vida facilitada aos terroristas que, nascidos e criados em solo americano, decidem metralhar uma escola ou um concerto com uma arma semiautomática. Não, não é nada curioso. É só estúpido. E talvez, mas só mesmo talvez, tenha algo que ver com os vários massacres que acontecem, todos os anos, na land of the free. [Read more…]

A sério que é à séria?

lingua_portuguesa_televisaoIsaac Pereira

É um erro habitual na forma de falar, sobretudo na região de Lisboa, e em especial, ali para os lados da Assembleia da República. Mas a forma de falar também já se transpôs para a escrita. Frequentemente faz a sua aparição nos jornais e nas têvês, e agora também nos sítios “on-line”.
Isto sim, é a língua no seu esplendor mais virulento.

A expressão “à séria“, possui requintes de modo “chique-burlesco”, e é tão risivelmente paroquial e provincial que até faz um asno cantarolar. É uma espécie de modinha ou coisa que o não valha, assim, como dizer, tão “fin de siécle”, não achas ó Ramalho Ortigão?

Só escrevo isto para que te previnas. Quando leres ou ouvires alguém dizer que “isto” ou “aquilo” é uma coisa “à séria“, passa um raspanete à senhora membrana auricular e, para não chorares, esfrega a retina dos teus meninos olhinhos.