Adolf Twitler, uma besta no comando

O acordo nuclear com o Irão sentou o regime xiita à mesa com o Conselho de Segurança da ONU e com representantes da União Europeia. E, questões ideológicas à parte, terá sido das poucas grandes vitórias da diplomacia internacional em muitos anos, algo que seria impensável uma década antes. Uma aproximação ao Irão.

Porém, o planeta é hoje governado por Adolf Twitler, um mitómano ensandecido que está aí para que a humanidade possa contemplar o produto acabado do capitalismo selvagem: um bronco com muito dinheiro, sem um pingo de honestidade, sem respeito por ninguém, sem noção do ridículo, com acesso directo ao maior arsenal militar e nuclear do mundo.

Com uma besta destas no comando, tudo pode acontecer. Mexicanos? Vêm para cá para violar as nossas filhas. Vamos construir um muro e eles é que o vão pagar. Alterações Climáticas? Fake news! Abaixo o Acordo de Paris. Controlo de venda e porte de arma? Armem os professores! Make NRA great again! Putin? Parabéns pela reeleição fraudulenta, senhor czar. E, já agora, obrigado pela minha! Mas vou ter que espetar com uns mísseis no seu amigo sírio, que aquilo ainda não está destruído o suficiente. It’s gonna be huge!

A última foi o anúncio do abandono dos EUA do acordo nuclear com o Irão. Um acordo histórico, que poderia abrir a porta para uma convivência mais saudável numa das regiões mais instáveis do globo, mas que tinha a marca da Administração Obama e como tal tinha que ser abatida. Apesar do Irão estar a cumprir o acordo e de as restantes partes envolvidas manifestarem a intenção de se manterem fiéis à sua palavra. Mas o que é que isso interessa? Os gajos são árabes, logo radicais, e os nossos amigos da Arábia Saudita, que são árabes mas não são radicais, mais os israelitas, ficam mais descansados e compram-nos mais armas.

A decisão é tão estúpida que foi o próprio Emmanuel Macron, o mais recente BFF de Trump, a tomar a dianteira para criticar a decisão norte-americana, através do Twitter, para garantir que Trump consegue absorver o conteúdo da mensagem. Falando em nome da França, Reino Unido e Alemanha, os signatários europeus do acordo nuclear, Macron “lamentou” o veredito, e deu garantias de que os parceiros europeus envolvidos no acordo continuam comprometidos com a pacificação das relações. Relações essas que também têm as suas vantagens, até porque dinheiro de ditadores também é dinheiro.

É possível que as consequências da estupidez endémica desta extrema-direita pateta da qual Trump faz parte se façam sentir muito em breve. Aliás, o presidente iraniano já fez saber que uma delas será a reactivação do programa de enriquecimento de urânio. Onde durante dois anos existia diplomacia, abertura e inspecções independentes da Agência Internacional de Energia Atómica, dez no total, que revelaram um cumprimento escrupuloso do contrato por parte dos iranianos, existe agora desconfiança, incerteza e tensão. Porquê? Porque somos governados por Adolf Twitler. E o mundo, mais do que ser um lugar mais inseguro desde então, é agora tremendamente imprevisível. Onde é que os americanos estavam com a cabeça quando elegeram este anormal? Make America Goofy Again indeed, Jorge.

and now

Comments

  1. Mario Reis says:

    Trump o fantoche de Israel e da mui democratica arabia saudita

  2. Paulo Marques says:

    O Obama assinou? Então rasga essa merda – Pato Donald

  3. Bento Caeiro says:

    Como tenho dito e agora se comprova, com a saída dos EUA do acordo nuclear com o Irão, aí temos o “Trio da Desgraça”, com os seus desgraçados dirigentes – EUA, comandada pelo Trump; A sunita Arábia Saudita, entidade que está por detrás da maior parte dos movimento islâmicos radicais e o regime sionista de Israel – sim com o tal dirigente da encenação ridícula sobre o arsenal do Irão.
    Também, agora, se vê que não é por acaso que Israel tem vindo a apoiar o Daesh, sendo este combatido pelos Xiitas do Irão. Mas o mais surpreendente disto tudo é aliança dos EUA com o reino saudita – aqueles que mais têm contribuído para o movimento anti-americano: Bin Laden, Al-Qaeda, torres gémeas, Daesh e outras situações mais. Obviamente que, não somos ingénuos, os interesses é que mandam. Apesar de Trump não estar a analisar bem a situação e irá ter o efeito contrário ao pretendido. Assim o queiram a UE e a Rússia.
    Há males, como se costuma dizer, que vêm por bem. Também, os xiitas e o Irão são de longe mais fiáveis que os sunitas e a Arábia Saudita. Quanto a Israel, o pior de todos – joga com todos – só não divulga é o seu programa nuclear.
    Já sabemos: pôr a questão é anti-semitismo. Pois! Não será antes, Anti-sionismo? Até porque os árabes também são semitas – já os iranianos são persas.

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