A Cómoda

Há um erro gigantesco e utilíssimo que todos aprendemos na escola, erro esse que teve e tem a função de nos ajudar a ver o mundo como uma cómoda de quarto, cheia de gavetas.

Uma das gavetas é para as peúgas, outra para as camisolas, outra para as ceroulas, e por aí adiante. As pessoas que percebem desses assuntos chamam-lhe “especialização”, arte que consiste em compartimentar, o mais possível, a realidade, de maneira a fazer dela uma espécie de trama infinita, e infinitesimal, infinitamente segmentada, infinitamente dividida em realidades sempre mais pequenas, micro-gavetas da velha cómoda onde se guardam fibras microscópicas das peúgas, cuja utilidade temos esperança de vir a descobrir.

Este erro gigantesco e utilíssimo é o que vem a constituir o fundamento, a estrutura, não apenas da nossa cosmovisão – uma cómoda do tamanho do Universo -, mas de coisas bem mais terrenas, como a nossa organização social, as nossas teorias do conhecimento, a base doutrinal comum a todas as ciências, a todas as artes e até – daí a sua utilidade – do governo dos países e do mundo.

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Não, a austeridade não acabou!

[Santana Castilho*]

Os argumentos de Costa e Centeno dizem uma coisa, mas os factos dizem outra: a austeridade não só não acabou, como se agravou para os funcionários públicos, devido à manutenção dos salários nominais em 2018 e 2019. Os professores e todos os funcionários do Estado estão sujeitos a uma austeridade salarial clara e todos os portugueses sofrem uma impiedosa austeridade fiscal, via impostos indirectos.

Qualquer trabalhador do sector público pode fazer o seguinte cálculo: considere o valor da remuneração auferida em Dezembro de 2017; considere o valor da remuneração resultante do descongelamento das carreiras e do aumento faseado, tal como previsto, durante os anos de 2018 e 2019; ao valor do aumento registado no fim de 2019 subtraia o valor da inflacção no período em análise; verificará que o que melhorou não chega para anular a erosão do poder de compra do seu salário nominal. Recorde-se que a erosão aludida começou com o agravamento do IRS em 2013, prosseguiu com a sobretaxa e a revisão dos escalões e acentuou-se com a subida dos descontos da ADSE (de 1,5 para 3,5%) e da CGA (de 10 para 11%), subidas estas que não foram revertidas. [Read more…]

Director do futebol do Sporting detido no âmbito de investigação de corrupção

André Geraldes e outras três pessoas ligadas ao Sporting foram hoje detidas pela PJ, suspeitos de dirigir um esquema de compra de árbitros para garantir a conquista do campeonato nacional de andebol.

O brunodecarvalhização do Sporting

Fotografia: Miguel A. Lopes/EPA

Olhando para aquilo que foi a época futebolística do Sporting, a coisa não correu assim tão mal. Os leões ganharam a Taça da Liga, estão na final da Taça de Portugal, fizeram uma campanha muito digna na Liga dos Campeões, apesar do fosso que existe entre o Sporting (e qualquer equipa portuguesa) e equipas como o Barcelona ou Juventus, e por pouco não conseguiu o segundo lugar da Liga Portuguesa. Apesar de Bruno de Carvalho.

Para quem quer ser campeão, claro, tudo isto poderá saber a pouco. Ou a nada. Mas também podia ter sido muito pior. Não obstante, estes resultados não justificam, nem de perto, aquilo que ontem se passou. Nada justifica. Por isso é que o lugar das pessoas que ontem invadiram a academia de Alcochete, armados como criminosos que são, e que agrediram técnicos e jogadores, é a prisão. Algo que, muito provavelmente, não irá acontecer. O que é uma pena. O lugar dos delinquentes é na cadeia, para bem dos restantes, aqueles que vivem dentro de certos limites de civilidade, e que têm o direito a viver sem o medo constante de ser aterrorizado e espancado por grunhos acéfalos. [Read more…]