130 anos da “Abolição” da Escravidão no Brasil

Hoje fanfarrões tentam evocar uma comemoração; 130 anos da escritura da Lei Áurea que terminaria com a escravidão no Brasil. Não há nada a comemorar.

Vamos aos dados atuais. Nos últimos 20 anos mais de 52 mil pessoas foram resgatadas por fiscais da Secretaria de Inspeção do Trabalho. Em 2017 foram 556 casos de
resgate e os numeros podem ser maiores dado o deficit de fiscais e poucas perspectivas apresentadas pelo governo golpista que congelou investimentos no país.
“Nós temos poucos recursos. O orçamento foi ao longo dos anos diminuindo. Nós temos no nosso quadro, em média, 2.350 auditores no Brasil todo, e o nosso déficit é de 1.250.  Mas não conseguimos até hoje a liberação de 2018, do concurso de 2018”, disse a secretária de Inspeção do Trabalho, Maria Jensen em entrevista ao G1.

Os dados sociais do Brasil continuam atestando que a população descendente de escravizados no país continuam em situação similar a de seus antepassados: moradias precarias, sem saneamento, maiories vitimas da violência, subempregos e informalidade e ainda baixo acesso a educação superior.
Para que foi assinada a lei aurea então?

O historiador Luiz Felipe de Alencastro, um dos maiores pesquisadores da escravidão no Brasil dá uma pista: a reforma agrária.

Segundo Alencastro o crescia no Brasil republicano o debate sobre a repartição das terras nacionais. Um dos grandes propagadores dessa idéia foi abolicionista André Rebouças, engenheiro negro, baiano, de grande prestígio (vale uma pesquisa sobre a saga da familia rebouças). Sua ideia era criar um imposto sobre fazendas improdutivas e distribuir as terras para ex-escravos.

Os Irmão Antônio e André Rebouças foram os primeiros engenheiros negros brasileiros.

A ideia de reforma agraria deixou até abolicionistas moderados em polvorosa. Daí então veio a Lei Aurea. Não é à toa que hoje muitos casos de trabalhadores em situação analogas a escravidão se encontram em grandes fazendas cujos latifundiários perserguem e matam ativistas que lutam pelo direito a terras e fiscais e jornalistas por os denunciarem.

Comments

  1. Miguel Bessa says:

    Que asco! Falta de noção travestida de sensibilidade: ” população descendente de escravizados no país continuam em situação similar a de seus antepassados: moradias precarias, sem saneamento, maiories vitimas da violência, subempregos “. Não. Viver com dificuldades, por muitas que sejam, não é ser escravo.
    Viver melhor ou pior vai existir sempre (excepto nos paraísos tipo Venezuela onde vivem todos na miséria). Escravatura é algo completamente diferente.


  2. Falta esclarecer se a Lei Áurea não precipitou, de certa forma, a implantação da República pelo descontentamento dos fazendeiros que preferiram apoiá-la em vez de uma monarquia mais amiga dos descamisados.

  3. Antonio Medeiros says:

    Entendo este assunto com outra visão: Na governador de Minas Gerais era o Sr. Aécio Neves e foram mandados t5res fiscais do trabalho a verificar trabalho escravo na região norte de Minas Gerais. Eles foram assassinados por mando de um grande fazendeiro da região e seu irmão de sobrenome Mânica. Houve até prisão deles,porém foram soltos dali a pouco e, pasmem, os deputados do estado o condecoraram.Ora, que vergonha! – e pasmem, estes foram eleitos e reeleitos. E o governador? Merece crédito? E agora, este , que é senador, envolvido em escándalos mil está a preparar o pupilo dele, também envolvido em recebimentos de furto da Petrobrás para ser o novo Governador de Minas.Pode-se perceber que, apoiados por uma imprensa imunda, estes crimes continuarão até a barbárie no povo brasileiro,que vive numa condição de miseráveis.Ainda há gente no Brasil trabalhando em regime de escravidão e naõ são somente negros.O governo deste Temer, apoiado pelo The Donald tentou recentemente dificultar a caracterização de crimes deste tipo.Necessitamos no Brasil de denúncias como o fazemos Aventadores e principalmente levar isto ao povo inculto por acçao dos governos anteriores que venderam as companhias brasileiras e sumiram com o dinheiro.

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