Cretinices do dia

O ministro que tem a pasta da educação, Tiago Brandão Rodrigues de sua graça, afirmou hoje de manhã que as negociações informais tinham falhado e que, assim, não valia a pena ir para negociações formais. Aqui está um conceito novo: negociações informais. Mas, mesmo assim, são a valer. Só que não contam porque são informais. Mas contam porque não houve cedências (formais) e, portanto, nada muda do que poderia mudar nas negociações formais. Enfim, está atribuído metade do troféu da cretinice.

António Costa andou estes anos todos a falar em reposições mas agora o que tem para oferecer são 2 anos e uns meses de recuperação de tempo de serviço dos professores, em vez dos 9 anos. Deverá ter havido um mal entendido do lado dos professores, pois estes não perceberam que as reposições eram ao nível dos balanços dos bancos. Nestes sim, houve reposição e da boa.

O PSD quer pagar aos portugueses 10 mil euros por cada filho. Está, finalmente, encontrado o valor de uma vida humana, pelo menos julgando pelo título do artigo do Público, o qual deixa para o corpo da notícia o detalhe de o plano de Rui Rio também passar por acabar com o abono de família e que o pilim é para chegar ao longo de 18 anos. Não deve andar longe do abono de família que deixaria de existir. Vamos ver exactamente o que é que esta iniciativa significará, pois sabemos das vontades de criar um sistema paralelo à Segurança Social com o esquema, perdão, negócio, perdão, ideia do cheque-ensino.

A segunda metade do troféu da cretinice vai para Assunção Cristas, partilhada com o Observador e restante trupe de direita, que agora suspira de amores pela FENPROF, falando até num avanço por a proposta de recuperar 2 anos e 9 meses de tempo de serviço ainda estar, afinal, em cima da mesa. Bastaram dois anos para que se tenham esquecido que, durante o governo PAF, os sindicatos eram a raiz dos males do país. Aliás, durante estes dois anos foi um tal suspirar de ansiedade por uma grevezinha dos professores que até admira como é que os direitolas não convidaram os amarelos para a fazerem.

Comments

  1. Rui Naldinho says:

    Para além da cretinice deste Ministro, coisa a que nos habituámos há muito, desde o tempo em que Dias Loureiro, como Ministro da Administração Interna, punha polícias a bater em polícias, com alguns incautos à espera de promoção a fazer de cães de fila do chefe, já percebi onde está a maioria absoluta do PS, nas próximas eleições. Em lado nenhum.
    Não estou a dizer que o PS vai deixar de ter uma maioria absoluta por causa desta guerra com os professores. Até porque esta guerra a ser ganha pelos professores, levantaria um coro de reivindicações de outras classes profissionais.
    O que está aqui em causa é de novo e sempre, a capacidade deste PS continuar a mentir-nos, prometendo aquilo que já sabia não poder dar.

    • Rui Naldinho says:

      “É uma estratégia e está a ser seguida meticulosamente”, escreve Francisco Louçã no Expresso Diário. Três dissidências: primeiro, “o Governo arrumou a negociação com as entidades patronais (e a UGT, o hábito faz o monge) sobre o Código do Trabalho”; segundo, “estando o Governo a acompanhar o trabalho de António Arnaut e João Semedo para uma nova Lei de Bases da Saúde, resolveu opor-lhes uma comissão, chefiada por Maria de Belém, com um mandato prolongado e resultados previsíveis”; terceiro, a resposta agressiva do ministro da Educação aos sindicados “é simplesmente uma provocação”. Louçã conclui: “Duas seriam dificilmente coincidência. Três é intenção. (…) Agora é que começou a campanha eleitoral de 2019”.
      Há quem ainda saiba saltar à corda, esticando-a.

  2. Paulo Marques says:

    Tanto tempo a falar do Tiaguinho, e nenhum para a traição mais que esperada do Vieirinha?

  3. Bento Caeiro says:

    Segundo notícias recentes sobre o nível de conhecimentos dos alunos, uma grande parte não sabe ler e nem consegue identificar Portugal no mapa.

    Será que isto tem alguma coisa a ver com os professores que têm ou, antes, será porque as suas massas encefálicas estão a sofrer algum processo de retrocesso e já não conseguem aprender o que os seus excelentes professores lhes terão para ensinar?
    Se for o primeiro caso, então ter-se-á de fazer alguma coisa: por exemplo deixar de exigir que aprendam a ler e que saibam alguma coisa de geografia.
    No caso de retrocesso, nada a fazer; a não ser que regridam tão rapidamente que, não estando ainda aptos – outro aspecto do estudo: inaptidão física – a subir e a descer das árvores, se tenha de colocar escadotes e colchões junto às árvores – para os ajudar a subir e a descer, e, ainda, a proteger-los das quedas que, certamente, vão dar.

    • Mónica says:

      Bla, bla, bla lá vem a falta de originalidade e de vergonha do Sr. Bento que nem sabe que a prova em causa não pedia para situar nada no mapa! Investigue antes de falar e de acreditar nos títulos das notícias.

      • Bento Caeiro says:

        Como se vê, eu tenho falta de originalidade, mas ela é que copiou a expressão que eu utilizei para responder, em outro artigo, à sua turma (Mónica e Cebolinha Nabais).
        Mas a Mónica, como é óbvio, não respondeu ao essencial que é: apesar das tecnologias e de tantas escolas de professores que formam professores que formam prof… (uf), o nível de conhecimentos e de iliteracia dos alunos cresce e, quando sabem ler – quando, friso – não percebem nada do que lhes é colocado na sua frente.
        Espera aí! Lembrei-me, agora, também conheci muitos professores, saídos dessas fornadas que tinham essa mesma dificuldade.
        Está explicada a coisa. Já não precisa responder. Mas, lá reivindicativos os stores são. Lá isso são, e que tal o manguito do Bordalo?!!!

    • j. manuel cordeiro says:

      “Será que isto tem alguma coisa a ver com os professores que têm ”

      No sistema educativo há várias variáveis. Pais, alunos, professores e Ministério da Educação, por exemplo. Esta última, em particular, tem um peso particularmente forte, dado o seu papel em definir se os alunos podem passar com ou sem negativas, em determinar os currículos e, especialmente, essa moda do ensinar-brincando em que se evita que os pobres coitados dos alunos fiquem expostos à terrível tarefa de saber a tabuada de cor – só para citar um exemplo. É sintomático algumas pessoas olharem apenas para uma das variáveis, os professores. Não vou gastar mais tempo neste peditório.

      • Bento Caeiro says:

        Manuel, é tal e qual a gastronomia. Uns com poucos ingredientes: um pouco de pão duro, água, umas ervas, um pingo de azeite, um ovo, fazem um prato delicioso; pelo contrário, outros nem com os mais ricos ingredientes fazem alguma coisa de jeito.
        O material, a criança, o aluno, está lá, o que falta é o empenho e, a mais das vezes, o jeito e a vontade dos ditos professores.
        Seria bom que essas pessoas, que agora tiram esses cursos de professores, vissem as condições em que trabalhavam os professores até há 4 décadas – só para saberem como era e de como era difícil trabalhar. Mas trabalhavam e com disciplina.
        Cá por mim, o professor de hoje, enquanto classe – individualmente, há excepções – tem o que pediu e o que merece.

    • Paulo Marques says:

      E há algum país onde não encontre “estudos” desses? Eu estaria mais preocupado com os licenciados, por exemplo de economia que acreditam em teorias que nunca acertam previsões.

  4. ilda says:

    O Governo argumenta com a avaliação para eliminar tempo de serviço (o ministro da educação recuperou o discurso das finanças, SE do emprego público, de Outubro de 2017). É inaceitável. São razões financeiras e ponto final. Se não existe financiamento, não se aplique a supressão apenas aos professores e negoceie-se. É difícil? Nunca ouvi dizer que a democracia não é exigente. O Governo diz que exclui por causa dos pontos. Diz o Governo que nas outras carreiras se obtém um ponto por ano até ao necessário à mudança de categoria e que nos professores é por menção qualitativa. Neste contexto, a distinção é uma falácia destinada à manipulação mediática. A menção é obtida, com quotas, numa escala de 0 a 10 pontos (por exemplo: 7.51 pontos é bom e 8.53 pontos é muito bom) e a mudança de categoria acontece também ao fim de x anos (algumas categorias obedecem a vagas). Era preferível o Governo pedir desculpa aos professores por os excluir como os anteriores e dizer a verdade: os professores são muitos.

    Importa sublinhar, e prevendo já o argumentário habitual do “arremesso ao professor”, que a sucessão de “reformas estruturais” deixou o Estado, e a sociedade, sem norte e a avaliação do desempenho é um espelho: no Estado (SIADAP) é um fingimento e em 95% das empresas não existe.

  5. pata negra says:

    Diga lá outra vez senhor Costa: 600 milhões?
    Nós sabemos como surgiu esse número:
    – Ó pá dizemos 1000 milhões!
    – Ó pá esse é um número muito elevado, da ordem das fraudes bancárias!
    – Então dizemos 200 milhões!
    – Isso soa a pouco, parece mais um ordenado de administrador!
    – 600 milhões?
    – Parece-me bem! Agora arranjem variáveis para alcançar esses resultado!

    Diga lá outra vez senhor Costa: 600 milhões só este ano?
    Dos 120 000 professores não chegarão a 100 mil os que estão na carreira, sendo que alguns destes estão presos em alguns escalões por questões de avaliação e existência de vagas.

    600 milhões a dividir por 100 mil, dá 6 mil euros por ano, 500 por mês! Quererá dizer portanto que os professores, se não lhe roubassem tempo de serviço, teriam em média um aumento de 500 euros por mês por subirem, em vez de um, dois escalões. Ora, como a variação entre escalões anda, em média à volta dos 160 euros ilíquidos, como o descongelamento é apenas de 25%, os 160 passam a ser só 40. Como parte é devolvido às contas públicas através de impostos, vamos falar com os poucos professores que já receberam mais algum:

    Com que então seu privilegiado, já te descongelaram o salário?
    Grande coisa, fiquei a receber mais 20 euros!

    Senhor Costa: 20x12x100000 dá 24 milhões!

    É claro que as minhas contas podem não ser muito rigorosas porque não disponho de dados exatos. No entanto servem para provar que a vossa mentira é grande demais para não saberem que estão a mentir. Pior ainda, sabem que o povo acredita!

    Que roubem, ainda é como o outro, agora que roubem e mintam, já me parece demais.

    Por isso, Senhor António Costa, da minha parte, pode até substituir o Brandão pela Maria de Lurdes: ACABOU!

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