E se em vez de guerra comercial, apostarmos no livre mercado?

Uma guerra comercial não cria riqueza, destrói valor. O caminho para a resolução das disputas comerciais entre EUA e UE não pode e seguramente não será resolvido, aumentando taxas que levarão inevitavelmente à resposta do outro lado, numa espiral que nada traz de bom aos consumidores de ambos os lados. A solução para a disputa passará pela redução das taxas, ou de preferência a sua total eliminação. Não existe comércio mais justo que o comércio livre…

Comments

  1. ZE LOPES says:

    “Não existe comércio mais justo que o comércio livre…”

    Anotei as reticências…

    Para as aves de rapina não há vida mais justa que a morte…

    São pontos de vista…

    • ZE LOPES says:

      De qualquer modo, durante a minha vida, há três coisas que eu nunca vi: um homem a parir, um defunto a ressuscitar e o “comércio livre justo” a funcionar…

  2. ZE LOPES says:

    Mas, se quer defender com eficácia o seu ponto de vista sobre o assunto, sugiro que convoque uma manifestação. Estou certo que o povão liberteiro irá comparecer em massa.

    . Sugiro algumas palavras de ordem:

    “O comércio livre é fixe, o desemprego que se lixe!”.

    (Variante): “o comércio livre é fixe a miséria que se lixe!”

    “Se ficares no desemprego, aguenta-te à bronca, labrego!”.

    • António de Almeida says:

      O seu ponto de partida é simples, o Estado deve retirar dinheiro da economia para “corrigir” o que entenderem. Mas isso é o que o Estado vem fazendo há anos com os resultados miseráveis que se conhecem. Não é sobre comércio, é sobre fundos, mas vai dar ao mesmo, leia hoje o João Miguel Tavares, está lá tudo e pelo vistos gostam… https://www.publico.pt/2018/07/26/politica/opiniao/o-estado-come-tudo-e-nao-deixa-nada-1839099
      O socialismo acaba quando não existir mais dinheiro nos bolsos alheios e com uma carga fiscal que já ameaça os 50% do rendimento médio, o delírio será insustentável e colocará um ponto final na pândega que nos trouxe aqui…

      • ZE LOPES says:

        Sim, pândega, mas não para todos. Por exemplo os 1% que acumulam 90 e tantos por cento da riqueza estão cada vez mais pândegos…

        Já agora: o que é que eu alguma vez escrevi ou disse que lhe dê a arrogância de determinar o meu “ponto de partida”? O liberteirismo já deu em omnisciência?

        Alguma vez lhe passou pela cabeça que o comércio, para ser livre, tem que antes de tudo que ser justo? Eu não sei o que V. Exa. faz na vida, nem me interessa mas, se tivesse passado pela situação desesperada que viveu muita gente (no Vale do Ave, na zona da Covilhã, de Mira de Aire, de Coimbra, por esse país fora…) com a liberalização do comércio de vestuário em troca da abertura do comércio de automóveis e TGVs da China aos alemães, saberia o que é isso de “comércio livre”.

        Se V. Exa. acha que os resultados da redistribuição do rendimento são “miseráveis”, imagine o que aconteceria se não existisse. Acha que é “miserável” ter um Serviço Nacional de Saúde a funcionar? Oxalá não tenha V. Exa. de se aproximar desse “miserável” porque ter contraído alguma doença “difícil” que o levaria, a si e á sua família, à falência (bem, tenho de reconhecer que há sempre uma alternativa: o suicídio!) como é frequente nos países em que esse sector está entregue a privados, como os EUA!

        Consulte os dados relativos ao risco de pobreza na UE antes e depois das transferências sociais! Faça o mesmo para países com cargas fiscais paradisíacas para liberteiros como V. Exa. e veja a diferença!

        Sim, até porque há países ótimos para se viver, onde quase não se paga impostos: Honduras, Guatemala, Nicarágua, Porto Rico, México, Paquistão…É pena os bilhetes de avião estarem tão caros…

        Há dinheiro mal gasto? Claro! O Estado é frequentemente utilizado por hordas de liberteiros anti-impostos para negociatas de cariz duvidoso, sté criminoso! Por exemplo, armas. Parece que liberteiros como Trump querem que cada país da NATO gaste – pasme-se – 4% do PIB em “defesa” (as aspas são propositadas). Ou seja, na compra de armas que as multinacionais americanas produzem…pelos vistos, os impostos já vão ser úteis para alguma coisa…

        4% do PIB? Ah! Ah! ! Até era por aí mesmo que se deria começar a aliviar a “carga fiscal”. Comandos, Fuzileiros, Rangers, submarinos, tanques…

        • António de Almeida says:

          Colocar Trump e libertário na mesma frase é um exercício que está para lá das minhas capacidades…

          • ZE LOPES says:

            Ai é? Há liberteiros “puros” e impuros?

          • Paulo Marques says:

            Zé, há uma enorme diferença entre libertários e neo-liberais. Os segundos são hipócritas por natureza, usando o estado a seu bel prazer quando convém e criticando o tamanho quando não convém. Os primeiros acham sempre que está no caminho.
            Na prática, porque não há capitalismo sem estado, os primeiros acabam a fazer o mesmo triste papel que o PCP fazia relativamente à União Soviética.

        • Nascimento says:

          Está ver mal a” coisa” é que para o asno o que importa é os coitados dos que fazem parte de 1 % !
          Uma autentica luta de classes decorre entre Eles…não é ó asno?
          Olha ó palerma( desculpem , mas não consigo mesmo ser bem ” educado”, era ” fácil”, mas não me apetece, e quando leio o que este e outros merdosos rabiscam…)mas, ouve lá então a História nada te diz ó Toninho? quando é que houve mais progresso nesta Europa ? não foi quando existiu no pós guerra mais trabalho, mais educação mais acesso á saúde, etc, etc? Tu , meu zarolho do CaR… que vens para aqui dizer mal dos serviços públicos, mas, se te tentarem ir á bunda gritas pela Policia! Ou não?A não ser que aprecies! Quando te der uma boa caganeira ( espero que pra breve, e á noitinha…), vais pró GRUPO CUF?A posto que não! VAIS PARA O S. N. DE SAUDE MAIS PRÓXIMO OU SEJA UM HOSPITAL DO ESTADO!
          Gajos como tu dão nojo. Mil vezes um facho que um LIBERALOIDE MODERNAÇO… um NI-NI….

          Ps. Se um dos teus GURUS é um medroso sopinha de manssinha, um ninguém lambe botas, que ” cresceu” á pala de outro medroso chamado SÓCAS, um tal de Tavares….ahahahhah temos HOMEM! GANDA TONI!

      • Paulo Marques says:

        O JMT preferia que fossem para os mesmos que lhe pagam os ordenados, porque é para isso que ele serve, para servir os donos enquanto as infrastructuras públicas caem aos pedaços.

        • ZE LOPES says:

          Pois, pois. pelas regras do “livre mercado” o “Público” já deveria ter falido há muito tempo. Porque é que se mantém assim em atividade um ineficiente “perdócio”? A fazer concorrência desleal a jornais lucrativos como o “Correio da Manha”? Digam lá, ó liberteiros & liberalotes!

          Já para não falar na “agência de emprego” chamada “Observador” (por onde transitam os proseiros liberlotes ao serviço dos Mexias, Carrapatosos, De Bottons e quejandos.

  3. Ana Moreno says:

    António, recomendo a leitura do comunicado sobre a reunião Trump/Juncker aqui: http://europa.eu/rapid/press-release_STATEMENT-18-4687_en.htm
    Como pode ver, a linda e enganadora fórmula “comércio livre” acarreta a chamada “cooperação regulatória”, a qual significa um ataque a muitas das proteções existentes nas nossas sociedades europeias, à custa de lutas seculares ou de uma consciência ambiental/social menos bárbara. No comunicado, pode ver-se o que está em marcha: “We will also work to reduce barriers and increase trade in services, chemicals, pharmaceuticals, medical products, as well as soybeans.” Ou seja, vão ser pressionados os padrões europeus nestas áreas até a coisa funcionar sem “barreiras ao comércio”. Os sistemas europeu e americano baseiam-se em princípios totalmente opostos (princípio da precaução vs. comprovação de danos) e verifica-se que os acordos de comércio (CETA, JEFTA) têm estado a destruir o princípio de precaução europeu. Fico por aqui, mas “The European Union wants to import more liquefied natural gas (LNG)” é uma “óptima” notícia em termos ambientais.
    Saudações aventadoras 🙂

    • Fernando says:

      António de Almeida não acredita em protecções, provavelmente nem acredita nos manuais de instruções e avisos que vêm com os produtos, deve achar que é heresia e intervenção do Estado para minar o “comercio livre”…

      • António de Almeida says:

        Manuais de instruções são uma obrigação do fabricante, mas também um interesse, no sentido de proporcionar o melhor uso do bem ou serviço, o que acabará por fidelizar o cliente, além de ser a melhor publicidade que pode obter. Se estiver a pensar adquirir uma viatura, acreditará mais na miúda gira da publicidade ou no seu amigo que está satisfeito com o produto? Também são um direito do consumidor, por exemplo ser alertado para efeitos secundários num medicamento ou alertas de manuseamento…
        Se fala em avisos do tipo “fumar mata”, considero ridículo. Mas se fala em alerta de perigo tóxico, por exemplo nos sprays, não deixar ao alcance de crianças, é um imperativo necessário. Os EUA têm menor regulação do que a UE, mas onde mesmo é que as companhias sofrem sanções mais pesadas e são obrigadas a pagar chorudas indemnizações ao consumidor?

        • Fernando says:

          Ainda bem que se refere aos EUA, sabe que nos EUA os consumidores não têm o direito a saber se os produtos alimentares têm organismos geneticamente modificados?

          Sabe quem se opõe à inclusão da informação desta informação nos rótulos? Os libertários, os seguidores de Ayn Rand!

          E assim, os que gostam de fazer crer que são pela “liberdade”, protegem os interesses da Monsanto. Sim, eles são pela liberdade, a liberdade daqueles que muito têm e muito podem, já a liberdade de todos os outros nem tanto…

          • ZE LOPES says:

            Está a subestimar o António Almeida! Ele conhece qualquer produto geneticamente modificado pelo cheiro! Ainda na semana passada devolveu um Porshe novinho porque desconfiou do pivete a Citroen dois cavalos.Não foram precisos rótulos para nada!

    • António de Almeida says:

      Cara Ana
      É conhecido que sou um defensor do comércio livre e redução de impostos sobre trabalho ou capitais. Dito isto, não morro de amores pela U.E., porque não existe propriamente uma União entre países europeus. Trump recebeu Juncker, mas não são pares, porque o 1º pode obrigar os EUA, o 2º é uma espécie de mordomo, que terá que consultar os patrões, que não é apenas um…
      Associo proteccionismo aos anos 20 e 30, com o resultado que se conhece. E não faltam hoje em dia vozes na UE que associam o nacionalismo ao proteccionismo. E fora da UE, Trump é outro exemplo do que afirmo, quando falam em liberalismo associado a tal personagem, nem argumento, rio e passo à frente, mas foi eleito e até 2020 há que aturar a criatura, oxalá que os Dems tenham aprendido a lição, mas temo que não…
      No pós-guerra a UE (passo à frente das designações anteriores), nasceu pela percepção dos países europeus que é melhor negociar que guerrear entre si. E encontraram um forte financiamento nos EUA, que assegurou a segurança face à ameaça a Leste. Vale a pena recordar o que foram os dias negros do bloqueio a Berlim. E os discursos de Kennedy ou Obama. Isto para considerar que entre UE e EUA, mas também Canadá ou Austrália, desejavelmente nem deveriam existir barreiras, por razões históricas. No interior da UE elas já não existem, trata-se apenas de alargar o espaço geográfico.
      Acontece que à medida que o projecto europeu se foi desenvolvendo, criou um nível de burocracia como jamais existiu, estarão incluídas muitas das questões que levantou, ambientais e outras, mas também coisas inacreditáveis como as recentes tentativas de controlar e regular a internet. Nesta altura não me reconheço na UE, mesmo que admita que o brexit possa não ter sido a melhor solução, há que repensar a mesma. Ou acabará por inevitavelmente se desintegrar. Por isso falamos por estes dias em crise de valores, princípios, etc. A meu ver os políticos colocaram o carro à frente dos bois e começaram a casa pelo telhado.

      Saudações aventadoras 🙂

      • Paulo Marques says:

        “E encontraram um forte financiamento nos EUA, que assegurou a segurança face à ameaça a Leste.”

        Encontram o pleno emprego, que tanto jeito deu nos fins dos anos 30, que assegurou a manutenção do capitalismo face à revolta de não haver emprego para bem da estabilidade económica. Depois da próxima crise da TINA, pode ser que lá voltemos.

        “o brexit possa não ter sido a melhor solução”
        O brexit é a melhor solução, é preciso é saber o que se faz. Tal como o proteccionismo, a Alemanha e a França explicam como se faz.

  4. Paulo Marques says:

    O comércio livre não existe, mas folgo em saber que defende o fim da guerra comercial contra Venezuela e Cuba.

    • António de Almeida says:

      Vamos por partes, conheço Cuba e nunca fui à Venezuela. Em Cuba nada falta, quantas vezes bebi por lá coca-cola, misturada no rum é claro, mas se tiver dinheiro compra o que lhe apetecer. Na Venezuela o problema é outro, não há dinheiro, porque o governo decidiu preços por decreto e isso não funciona. Mas a resposta é sim, sou contra embargos comerciais que nunca produzem o efeito desejado. Quer maior exemplo que a droga? Um embargo à escala global não trava o consumo, quem quer comprar algo, acaba sempre por conseguir…

      • Paulo Marques says:

        Os preços foram fixados para responder a intervenção estrangeira, não fossem os capitalistas apoiados pela América e se o Maduro flutuasse o raio da moeda estavam muito melhores sem precisar de vender o país ao desbarato.

        • António de Almeida says:

          Assim estão óptimos, não há rigorosamente nada para venda, o pouco que se produz, é vendido no mercado negro. Uma coisa lhe garanto meu caro, a trabalhar para aquecer, prefiro morrer de frio. Boa parte dos empresários de lá, partiram. E fizeram muito bem, quem quiser socialismo que o pague…

          • Paulo Marques says:

            Os armazéns estão cheios, mas não há nada para venda de capitalistas que no entanto não ficam mais pobres, e a culpa é do socialismo. Tá certo. Porque nos recém-neoliberais Brazil e Argentina passou tudo a paraíso. Tá certo.

  5. Fernando says:

    O comércio livre existe!

    A ideologia do comércio livre consiste em permitir tudo (mesmo tudo!) a quem tem o capital. Sim, aqueles com o capital têm a liberdade de comprar terra, o trabalho de pessoas e as pessoas em si mesmo em casos mais extremos de comercio livre….

    Aqueles que não têm o capital, aqueles que não têm acesso aos offshore bem podem fantasiar com a “liberdade” que o mercado lhes concede, mas a realidade é que não são assim tão livres quanto julgam…

    Nós precisamos de mais ética, o comércio já é bastante livre…

  6. António de Almeida says:

    Ética precisamos sempre. É o que nos distingue, eu tenho a minha, o Fernando terá a sua, cada empresa idem e por aí fora. E comércio livre não significa a lei do mais forte, aliás, é precisamente o contrário, porque quanto maior a regulação, maior a interferência dos poderosos junto dos reguladores, normalmente multinacionais, políticos e advogados…

    • Fernando says:

      O que nos distingue António é que eu sei bem qual é o incentivo do comércio livre/ capitalismo desregulado, o incentivo é o lucro a qualquer custo, que se lixe a dignidade humana, que se lixem os direitos dos animais, que se lixe o ambiente!

      Não pense que o Estado Social”, a democracia, as protecções ao trabalhador e ao consumidor são conspirações marxistas, advém da necessidade das pessoas se protegerem da predação daqueles que muito têm e muito podem.

      • António de Almeida says:

        Sendo eu consumidor qual é o meu incentivo? Não será a poupança? Posso comprar o par de sapatos que eu quiser, ou tenho que me cingir às marcas que o governo me permitir? Ou se insistir em comprar o que quero, devo ser penalizado por via de taxa? Não aceito.
        Da mesma forma, posso ouvir a música que quero? Ou tenho que pagar mais para comprar um artista norte-americano ou australiano?
        Ao contrário do que muita gente julga, o lucro das empresas, principalmente das multinacionais, esse está sempre garantido. Passam as taxas para o preço. O consumidor é que acaba sempre pagando.

        • Paulo Marques says:

          “Sendo eu consumidor qual é o meu incentivo?”
          Imensos. O mais barato, o mais bonito, o mais na moda, o que dê mais prestígio, o mais simples, o mais pretensioso, o com o autor com mais potencial, doação para uma causa, porque é amarelo, porque não é vermelho, porque o vizinho tem um igual, dá pontos no cartão, apareceu na televisão… às vezes nem o cliente sabe, porque é humano.
          Mas sim, restringir comodidades, há falta de uma externelidade grave, é uma perda de tempo e de recursos, o problema é decidir o que é grave e o que não é. Mas as taxas e multas, por muito que o Banco Mundial venda o contrário, está longe de ser a única escolha.

          • António de Almeida says:

            “Sendo eu consumidor qual é o meu incentivo?”
            Imensos. O mais barato, o mais bonito, o mais na moda, o que dê mais prestígio, o mais simples, o mais pretensioso, o com o autor com mais potencial, doação para uma causa, porque é amarelo, porque não é vermelho, porque o vizinho tem um igual, dá pontos no cartão, apareceu na televisão… às vezes nem o cliente sabe, porque é humano.

            Certo, mas quando compro um carro, as razões para escolher aquela marca e modelo são subjectivas. Já o preço é bem objectivo, compro onde conseguir o melhor preço. É igual se quiser comprar um relógio, telefone ou electrodoméstico, posso até escolher o mais caro do mercado, mas compro na loja onde o conseguir pelo menor preço. E quando falarmos de objectos de fácil transporte, posso comprar em muitos lugares fora de Portugal e até fora da U.E.

          • Paulo Marques says:

            Fácil transporte é sempre relativo, mas Portugal não tem qualquer soberania nessa matéria, tudo o que entra na UE tem que ser tratado da mesma forma, incluindo os preços em Euros que fazem tudo incomportável para nós.
            Quer que discorde do ISV? Discordo, é arbitrário, mas também é dos poucos impostos progressivos que são permitidos pela TINA, e como Scwarze Null über alles, também não vai a lado nenhum.

    • Paulo Marques says:

      ” comércio livre não significa a lei do mais forte, aliás, é precisamente o contrário”
      É o que se vê na Internet, sem regulação apareceram monopólios que levam tudo à frente.

      • António de Almeida says:

        A internet tem introduzido concorrência, a Alibaba veio concorrer com a Amazon, a Google tem concorrência, a Microsoft idem…

        • ZE LOPES says:

          Ou seja: este Mundo é Lindo! Lindo! Tão Lindo! Mesmo Lindo! Lindo, Lindo! Lindo, Lindo, Lindo! Uns, como a Alibaba “introduzem”, outros vão concorrendo!!!

          Ou seja, como dizem os “Almeidés Français”, “Le capitalisme est bel, les hommes est que donne cap d’el”!

        • Paulo Marques says:

          Quase não há concorrência em coisa nenhuma, estamos a falar de meia dúzia de gigantes que dominam segmentos diferentes até o dia em que comem mais um e passam a haver menos. Qualquer que seja a área, há uma percentagem a partir da qual quase ninguém olha para as alternativas “porque são esquisitas”, “dão muito trabalho”, “são diferentes” e auto-alimentam-se.
          E depois começam a usar a sua dominância para outras áreas, oferecendo facilidades e ofertas a quem já está habituado ao serviço anterior, para garantir que não há concorrência.

          O Alibaba não fornece compras diárias (o alvo da Amazon não são meia dúzia de livros por mês, é usar o Prime todos os dias) e muito menos tem uma infraestrutura automatizada da Cloud, não compete com a Amazon.
          Só os maluquinhos que se preocupam com a privacidade é que não usam o Google, Gmail, Youtube e o Android para lá caminha (a concorrência só vende para ricos). Concorrência, onde?
          A MS continua a practicamente controlar todos os sistemas empresariais (a Oracle e a Sap nunca mais morrem, prova que não existe Deus) e a depender de entusiastas fanáticos nas empresas para o manter – nada mudou.

  7. Luís Lavoura says:

    Caro António de Almeida,
    essa coisa do “comércio livre” é uma utopia que só se realiza nos casos em que o vendedor e o comprador têm perfeita confiança um no outro. Por exemplo, eu posso comprar cerveja ao cervejeiro da minha rua confiando que a cerveja não tem água a mais, ou posso comprar pão a um amigo meu confiando que ele não misturou serradura nele. Mas, na prática do comércio internacional, os produtores e os vendedores não se conhecem mutuamente nem podem ter confiança um no outro, pelo que há e tem que haver regulações que garantem que os produtos transacionados são de confiança. Havendo regulações, de uma forma ou de outra o comércio deixa de ser perfeitamente livre. Em particular, eu posso não confiar na agência regulatória do país do vendedor, não confiar na seriedade das regulações dela.

    • António de Almeida says:

      Caro Luís Lavoura
      É rigorosamente verdade o que escreve, mas fica ultrapassado por existirem patentes, direitos, registos, marcas, etc… Em muitos casos nem preciso agência reguladora, basta-me um Tribunal que funcione, mesmo no país do outro. Quando compro um bem ou serviço, nomeadamente na hora de decidir a quem compro, uma série de variantes entram em campo, se tenho assim tanto receio e me falta capacidade para ir ao país do fabricante, melhor encontrar um representante no meu país, mesmo sabendo que estou a colocar um intermediário no negócio. Se compro um par de sapatos made in China, Portugal, Itália, França ou USA, provavelmente terei diferentes motivações, pode ser status, qualidade, preço, etc. Mas quero ter liberdade de escolha. E não quero que seja o governo a taxar um deles fortemente, ao ponto de distorcer o mercado, fazendo por exemplo que o mais barato à partida, deixa de o ser por decisão política.
      Na indústria automóvel por exemplo, os japoneses têm fábricas na Europa e EUA, os americanos na Europa e Japão, os europeus no Japão e EUA e todos na China. O maior exportador de automóveis dos EUA é a BMW. As multinacionais contornam as taxas com a instalação de fábricas. Durante anos fui fã da Honda, hoje não sou, porque razão haveria de ser penalizado, já não basta toda a tributação associada ao automóvel, ainda teria que suportar um extra por comprar modelo nipónico? Por ser montado em Inglaterra, já não sofre penalização. Paga o que está definido, que em Portugal é um absurdo…

      • ZE LOPES says:

        “basta-me um Tribunal que funcione, mesmo no país do outro” Hã? E funciona com os impostos roubados a quem?.

      • Paulo Marques says:

        E depender de bens essenciais estrangeiros, como comida ou energia, fica o estado dependente de outro país para continuar a existir. Exemplos não faltam de como essa escolha correu mal.

        • António de Almeida says:

          O grau de dependência poderá viabilizar ou não a sobrevivência dos Estados. Defendo o direito à auto-determinação, foi assim com Timor, Kosovo, é assim com a Catalunha. Mas ninguém pode esperar que outros paguem a conta. Quando decidi sair de casa dos meus pais, paguei a renda…

          • ZE LOPES says:

            …de casa, enquanto lá esteve? A título de indemnização por o terem aturado e educado? E decidido sair sem aviso prévio de, pelo menos, cinco anos? Não creio!

          • ZE LOPES says:

            Não creio que o que pagou fosse suficiente! Até porque não indemnizou os seus paizinhos como devia um menino tão bem comportadinho como v: Exa!!

            Porque V. Exa. me desculpe! Não há mama grátis! Nem almoços, nem jantares, nem fatinhos de anjo para as procissões nem deslocações aos comícios do MRPP, etc. etc. etc.

          • Paulo Marques says:

            Pagou renda quando saiu? Esse é um negócio estranho, normalmente é quando se entra…
            A conta de quê, homem, quando são os estados (soberanos) que decidem o que é e quando vale a sua moeda?
            E bem lembrado com Timor, empobrece à custa de peritos estrangeiros que ficam com o dinheiro para “modernizar” a economia e os cidadãos ficarem com pouco mais que autoestradas depois de acabar o petróleo. Viva o mercado livre.

          • António de Almeida says:

            Paulo Marques
            Leia-se quando saí de casa dos pais, passei a pagar renda, com o dinheiro do meu salário, porque os meus pais não subsidiaram a minha independência…

      • Luís Lavoura says:

        António de Almeida, eu também concordo com quase tudo o que você escreve, mas insisto que comércio livre é coisa que em rigor não existe. O problema regulatório subsiste. Por exemplo essa coisa de “patentes, direitos, registos, marcas” é tudo regulado pelos Estados – nada tem de liberdade. Para que as marcas tenham proteção é preciso que os Estados eliminem a liberdade de os chineses fazerem contrafações. Para que as patentes existam é preciso que os Estados reprimam a liberdade de quem as viole. E em tudo é necessário que os Estados se ponham de acordo sobre quais as patentes, quais as regulamentações, quais as marcas, etc que devem ser protegidas, quando e como.
        Por exemplo, se Trump diz que os europeus vão passar a comprar muita soja americana, talvez queira dizer que eles vão ter que abdicar da sua recusa à soja geneticamente modificada, isto é, que as pessoas vão passar a consumir contra a sua vontade soja geneticamente modificada porque o Estado europeu deixou de reconhecer uma regulamentação que a discrimina.

        • António de Almeida says:

          Caro Luís Lavoura, sim, concordamos na maioria das coisas, quando defendo o Estado mínimo, estou a admitir algumas regras, ou leis, chamemos-lhe o que entendermos, e justiça para a aplicar.
          Concordo que possa ser comercializada soja geneticamente modificada e outros transgénicos, aliás discordo é da sua proibição, mas exijo enquanto consumidor a informação sobre origens e características do produto.
          Quando compro um peixe de captura em alto mar ou criado em aquacultura, sei que pago um preço diferente, mas posso escolher, se compro carne de porco de criação intensiva, ibérico ou ibérico de bolota, sei que pago um preço diferente consoante a esscolha, mas quero continuar a poder escolher. Da mesma forma quando compro um medicamento patenteado ou genérico e por aí fora.
          O meu ponto é que as normais diferenças de preços se justifiquem pelo produto e não por decisão política, através da fiscalidade. Enquanto consumidor faço as minhas escolhas e de forma alguma preciso que o Estado me salve, seja regulamentando o sal no pão, o teor de açúcar num refrigerante ou de alcóol numa espirituosa. Temos direito à informação, uma vez informados, que sejamos livres para escolher…
          Cumprimentos

          • Luís Lavoura says:

            Eu acho que o António de Almeida se deveria inscrever no partido Iniciativa Liberal, se é que não está nele já.

          • António de Almeida says:

            Inscrevi-me na Juventude Popular no final da adolescência. Durei lá 2 meses…

          • ZE LOPES says:

            “Quando compro um peixe de captura em alto mar ou criado em aquacultura, sei que pago um preço diferente, mas posso escolher, se compro carne de porco de criação intensiva, ibérico ou ibérico de bolota, sei que pago um preço diferente consoante a escolha, mas quero continuar a poder escolher”.

            Ora bem! Não existisse ele “decisão política” , regulação e fiscalização e V, Exa, sabia tanto se um peixe vinha do alto mar ou do esgoto ali do lado ou se o porco era alimentado a bolota ou a poias de avestruz.

            O mesmo para os medicamentos. Entre dois comprimidos azuis saberia lá se era viagra ou caganita de cabra! Faço notar que o tráfico de supostos genéricos de medicamentos desse tipo na Europa é alarmante e pode matar muita gente.

            Mas, pelo que tenho visto nas suas últimas respostas, a sanha liberaleira de V. Exa. resume-se a entradas de leão e saídas de sendeiro.

      • Paulo Marques says:

        “É rigorosamente verdade o que escreve, mas fica ultrapassado por existirem patentes, direitos, registos, marcas, etc… ”
        A seguir à financeira, deve ser o ramo legal mais corrupto e mais confuso que existe. A boa ideia para a protecção legal já é péssima para o produto do lado (ver o novo tratado pan-asiático, demolidor para o software livre… se a interpretação fosse clara, coisa que também não é). Tanto protege como eterniza, e mesmo pessoas sérias que não pensam só no próprio bolso não tem visões iguais do como devia ser.

  8. Rui Naldinho says:

    Se é verdade que o protecionismo não nos tirará da estagnação, o comércio livre criará ainda mais desigualdades sociais entre os Estados, e dentro destes, entre as pessoas. A ideia de um comércio regulado talvez faça mais sentido, mas isso pressupõe algumas regras de circulação de bens, fiscais e de justiça social. Ora, isso é o que os defensores do livre comércio não desejam, pois significa liberdade com regras, onde a inovação tecnologica faça o seu caminho, o marketing, a eficiência energética, até o pragmatismo entra nesta equação.
    Não, os defensores do livre comércio querem maioria das vezes, é desregulação, livre arbítrio, fuga fiscal, etc, etc, tudo a bem da humanidade.
    Basta olharmos como as empresas monopolistas no sector dos transportes, energia, telecomunicações, se comportam cá no burgo, para percebermos melhor como a concorrência para esta gente assenta acima de tudo no garantismo da renda.

  9. António de Almeida says:

    Caro Rui
    Dar como exemplo empresas monopolistas numa discussão de livre mercado, é um excelente exemplo do que não é desejável, o rentismo.
    Lembra-se do Portugal antes de 1985? Esperávamos meses pelo que havia lá fora, pagávamos caro pelo que não tinha valor. Como escrevi noutra resposta, as empresas, principalmente as multinacionais, passam as taxas para o preço. A questão é pagarmos o razoável ou um valor absurdo por decisão política.

    • Paulo Marques says:

      É razoável pagar, no mínimo, meio ordenado médio por um electrodoméstico ou 1/4 por um telefone? É razoável ter que passar horas no trânsito? São opções, cujos efeitos piores ainda vamos sentir.

      • António de Almeida says:

        Em 1995 paguei 120cts (hoje seriam 600 euros em conversão automática, mas representaria muito mais), por um telefone Erickson, muito engraçado, pequeno, mas que nem um sms enviava ou recebia. Só dava mesmo para atender e fazer chamadas e também tinha alarme. Nem existiam tarifários pré-pagos e quando chegou a conta foram mais 58cts. Como o salário não chegava, tive que pedir emprestado e paguei. A culpa foi da operadora? Foi do fabricante? Ou foi minha que quis algo exclusivo? Claro que foi minha. Mas paguei, ninguém tem que pagar as minhas contas…

        • Paulo Marques says:

          Pronto, ter telefone e electrodomésticos em 2018 é viver acima das nossas possibilidades, já sei. É como a renda, os caixotes tão baratos.

          • António de Almeida says:

            Um electrodoméstico não se compra todos meses, um telefone também não. Cada um deve gastar o dinheiro onde quer, mas há que fazer escolhas, não existem direitos nestas matérias… ou se vamos por aí, quero um Ferrari e são não me for concedido esse direito, fico deprimido. E passa a ser um problema de saúde…

          • ZE LOPES says:

            Tem V. Exa. toda a razão, Almeida. Conheci um tipo que se suicidou quando descobriu que o tejadilho do Ferrari estava amolgado. Como o habitáculo era muito exiguo, entrou em depressão. O seguro de saude era VIP, mas não cobria depressões nem anticiclones. Pelo menos, lá devolveu à família o valor dos “valiuns” e da garrafa de rum.

          • Paulo Marques says:

            O ponto é que não é assim tão simples… Obviamente, menosprezo as condições reais de quando não era consciente, mas uma coisa era comprar um frigorífico para décadas que se sabia que durava. Hoje em dia não são todos os meses, mas também não se sabe quanto dura e o “tem-se a qualidade que se paga” já teve dias muito melhores. Não falta electrónica com plano de obsolescência que não custa menos por isso.
            O que não tem nada a ver com um telemóvel em 95, luxo que quase ninguém o tinha em país nenhum. Não ter um frigorífico ou uma máquina de lavar roupa custa tempo e mais dinheiro, e não ter telemóvel às vezes significa não ter emprego.

  10. Ana Moreno says:

    Caro António,
    acha mesmo que o consumo a preços baratos, independentemente das condições em que se produz, é o expoente máximo da felicidade/liberdade? Acha que devemos abdicar de protecções laborais e ambientais e transformar tudo em mercadoria barata? Há que seguir este modelo insustentável de crescimento até à destruição do planeta? Há que submeter os governos às multinacionais através de sistemas de justiça paralela?
    Saudações aventadoras e um abraço

    • António de Almeida says:

      Cara Ana
      Sou apologista, não é mérito meu, mas cultura de empresas para onde trabalhei e trabalho, de práticas de responsabilidade social. Não é possível criar riqueza, isolados numa ilha com pobreza à volta.
      Há protecções laborais e protecções laborais, seguramente que não defendo a escravatura, nem tão pouco os regimes laborais do início do século XX. Mas também não acredito na rigidez, por exemplo, o que aconteceu a empregos tipo dactilógrafos e outros? O que aconteceu à Kodak vs Fuji? Pessoas e empresas têm que se requalificar e reinventar.
      O que não acredito mesmo nada é no Estado, porque sempre que existe uma política, existe um burocrata contratado pelo político para a implementar.
      Acredito na Justiça, sei que a Ana é uma pessoa preocupada com o ambiente, muito mais que eu, admito-o, mas veja por exemplo a questão do amianto nas escolas que andam por aí às voltas e nunca mais resolvem. Depois pense um pouco como funcionam essas coisas nos EUA, que se alguém ficar doente por causa de outrem, mesmo que envolva poderosas companhias, a coisa é capaz de acabar no Tribunal com pesadas indemnizações. E olhe que ao contrário do que se pensa, não estão a favor dos poderosos, embora se cometam muitos exageros, como indemnizar alguém por publicidade enganosa, vítima de ter bebido Red Bull durante anos sem ganhar asas, também deve ter visto o Erin Brokovich, que não é uma ficção hollywodesca apesar de ter partes romanceadas. Um caso daqueles na Europa iria longe? Em Portugal definitivamente não iria a lugar algum…
      Da mesma forma quando falamos na Monsanto, trangénicos, etc, das duas uma, ou aquilo não tem perigo algum, ou mais dia menos dia, alguém vai pagar e muito.
      O resto é simples, preciso algum equilíbrio, obviamente se quero comprar algo caro, por exemplo um iphone, estou disposto a pagar, mas quero o máximo, pelo mínimo do preço. Mas também não quero uma falsificação, ou fabrico com menor desempenho, por isso para tudo é necessário equilíbrio.
      E veja que até concordo que se fazemos um investimento, devemos levar a cabo um estudo de impacto ambiental, mas sério, por exemplo, seguramente não gosto nem defendo que se construa tipo Torremolinos, Benalmadena ou Benidorm, julgo que conhece. O equilíbrio é muito mais interessante, mas posso ser eu que acredito no bom senso e só compro o que me parece bem. E quem me conhece muitas vezes me critica porque não compro o mais barato.
      Voltando ao início, quando falamos em responsabilidade social, não sei se estará recordada, mas nos anos 90 foi descoberto que a Nike tinha uns miúdos na indonésia a fabricar as bolas de futebol com que patrocinavam à época os melhores futebolistas do mundo. Isto foi fortemente censurado, a Nike obrigada a mudar práticas, hoje desconheço em absoluto a realidade. Este tipo de activismo para mim faz sentido, mesmo que eu não o pratique, não ficarei imune. As companhias porque não gostam de perder dinheiro, evitam algumas práticas e praticam responsabilidade social, umas mais que outras.
      O que não acredito mesmo nada é algo do género, temos que vestir pior, porque há uns tipos que fabricam roupa no nosso país que não podem ficar sem emprego, por isso vamos taxar a roupa fabricada no país vizinho, assim os nossos cidadãos vão comprar a que produzimos no nosso país. Esse caminho é errado a meu ver, se o vizinho produz melhor que eu, o que ele faz que eu não faço? e posso fazer?
      Seguramente que detestaria voltar aos tempos da minha adolescência que os discos demoravam a chegar a Portugal, alguma roupa de marca era um exclusivo de poucas lojas elegantes e caras. Eu nasci ainda nos tempos do Estado novo e cresci já no pós-revolução, mas apesar da libertação o país estava ainda influenciado pelo tacanho e sua lei de condicionamento industrial, que ainda muitos hoje à esquerda e à direita apreciam, porque lhes era mais fácil, porque temem a competição, a inovação, a concorrência.
      Costumo dizer a brincar, apesar do enorme degaste e por vezes angústias ou no mínimo contratempo que me provoca, a concorrência é o meu maior aliado, porque no dia em que a empresa para onde trabalho ficar sem concorrência, o meu salário cai abruptamente ou fico sem emprego, mesmo que os lucros aumentem e os consumidores acabem penalizados…

      Saudações aventadoras

      • Ana Moreno says:

        Olá António e obrigada pela resposta 🙂 O que vejo é o contrário, estes governos vendidos que temos a passarem o poder para as multis, criando comissões regulatórias onde elas estão presentes e que funcionam à margem dos parlamentos (supostamente só emitindo recomendações, mas às quais na prática depois não há escapa), a ignorância sistemática das externalidades (ou seja, esses preços módicos que pagamos não incluem outros custos que deveriam entrar no preço mas que caem nos ombros dos cidadãos em geral e/ou do ambiente) e a criação de uma justiça paralela especial para limitar o poder legislativo do estado. E tudo isto oferecido de mão beijada por governos que não merecem esse nome.
        A responsabilidade social das empresas tem vindo a ser reforçada por via de maior consciência dos compradores, mas mesmo assim, a maioria dos compradores pouco olha a esses detalhes. Basta ver t-shirts a 2 euros, produzidas no outro extremo do globo, para sabermos que isso não é possível, que algo está muito errado. Mas é barato e há muito quem compre; não falo de quem não tem escolha, mas de quem – e somos nós, os que temos laptops e comentamos – tendo-a, prefere comprar 2 dessas a apenas uma, com mais garantias. Ou nenhuma, se já temos suficientes.
        Trazer carne de suíno desde o Canadá quando a Europa já tem sobreprodução faz algum sentido??? Porque é que essa carne é mais barata? Devido ao modo intenssíssimo de produção, que passa por cima dos padrões de bem-estar animal europeus e porque o transporte não custa o que devia custar em função dos danos que causa para o meio ambiente. Isto está bem?
        Além de tudo isto, acredito que a ideia de que comprar mais e mais traz felicidade é a produto de manipulação, porque é disso que o sistema precisa. E a nossa abundância é obtida à custa da exploração praticada lá longe.
        Um bom resto de dia para si 🙂

        • António de Almeida says:

          Ana
          Se pensar na história do sec. XX, não encontro um bom governo. A economia planificada resultante da revolução de Outubro resultou em ditadura, falta de liberdade, morte e falência, enquanto uma elite dirigente mantinha privilégios. O sistema capitalista resultou em oligarquia, plutocracia, promiscuidade entre políticos, agentes económicos e financeiros.
          Se alguém me tentar provocar um dano, ele será tão potencialmente menor, quanto menor for o seu poder. Aplicando este princípio à política, defendo e acredito que governos fracos provocam danos menores. Simultaneamente porque não quer dizer que voltemos à idade da pedra, acredito em forte poder judicial, mas independente. Veja a ira de Trump quando tomou posse perante as derrotas que coleccionou na Justiça. Imagine se o mesmo Trump dispusesse dos juízes a seu bel-prazer. Podem dizer que o liberalismo não tem aplicação prática, seja, também temos direito à nossa utopia.
          O que não quero é uma camada obscura de burocratas regulando todos os aspectos da nossa vida e decidindo por nós…

          • Paulo Marques says:

            E os governos do século XIX que permitiam as company towns e os railway barons já eram bons? É que entre os dois, a escolha é trivial.
            Sendo que o poder não desaparece e acumular-se, ou escolhe entre dar o poder a esses ou ao estado, a concorrência perfeita e os consumidores racionais são um mito que o neo-liberalismo nos faz o favor de destruir.


        • Cara Ana
          Ao ler esta notícia, não pude deixar de me lembrar de si e da nossa troca de argumentos:
          https://observador.pt/2018/08/11/monsanto-condenada-a-pagar-290-milhoes-de-dolares-a-doente-com-cancro/
          Quem me dera que os Tribunais europeus fossem os americanos…
          Este tipo de sentença são o melhor dissuasor, poderia dar alguns exemplos, assim de repente TWA e Swissair, a vida humana tem preço, mas é demasiado alto mesmo para poderosas companhias.
          Saudações aventadoras

      • Paulo Marques says:

        ” por exemplo, o que aconteceu a empregos tipo dactilógrafos e outros? O que aconteceu à Kodak vs Fuji? Pessoas e empresas têm que se requalificar e reinventar.”

        Isso necessita que alguém as requalifique, e não que sejam descartadas para o desemprego permanente. Quando a economia se baseia em desemprego alto, é a receita para o desastre.
        Também não se pode obrigar as empresas a ficar com empregados que não precisa, mas era bom que cumprissem o seu papel de cuidar da procura que necessitam para sobreviver – e isso é automático com o pleno emprego.

        “Da mesma forma quando falamos na Monsanto, trangénicos, etc, das duas uma, ou aquilo não tem perigo algum, ou mais dia menos dia, alguém vai pagar e muito.”
        Ou das três, qualquer dia comemos todos e é impossível fazer um estudo sobre o assunto porque não há grupo comparativo. Eu acredito na ciência, mas a minha IBS tem muitas dúvidas sobre tudo o que é comida…
        E pagar depois de destruir a vida a alguém não é substituto para uma vida desperdiçada.

        ” há uns tipos que fabricam roupa no nosso país que não podem ficar sem emprego, por isso vamos taxar a roupa fabricada no país vizinho,”
        Regra geral, é estúpido, mas faria sentido fazê-lo a curto prazo (neste caso era mesmo curto) enquanto se reformava a economia. Hoje em dia espera-se que a economia se reforme todos os dias, como se as coisas não levassem tempo. Outro motivo seria se esse produto tivesse fraca qualidade e só servisse para encher aterros, levando o mercado inteiro atrás em busca do preço (alguém disse China?). Ou porque o país copiava de cima abaixo tudo o que vende, destruindo a competitividade de todas as empresas (agora ouvi China, de certeza).
        É que nem se pode culpar a China, limitou-se a aproveitar as evidentes lacunas do capitalismo para mandar no mundo enquanto o antigo regime agradecia. Agora vêm-se queixar que é injusto aquilo que promoveram, e não, não é credível e também não é com tarifas cegas a coisas à qual já não há substituição. É preciso saber aproveitar que nos mandam recursos e tempo a preços baixos para aproveitar melhor os nossos para o nosso próprio crescimento sustentado.

        • António de Almeida says:

          Sempre gostei de colocar no mesmo barco empresários e trabalhadores, porque quando uma empresa encerra, o primeiro perde a propriedade e fonte de lucro, o segundo perde salário e emprego. Muitas vezes existe falta de visão e erros pagam-se caros, mas quando cometidos, não compete aos Estados salvar o que não tem salvação.
          Os texteis portugueses afinal conseguem vender nos mercados internacionais. O calçado português afinal é bom. O Estado só precisa sair da frente dos empresários. Veja o futebol, quando deixou de haver limitação de estrangeiros, era um pavor que os nossos futebolistas iriam acabar, seríamos invadidos, etc. Afinal parece que hoje não temos é dinheiro para pagar aos nossos melhores…

          • Paulo Marques says:

            Ainda bem que não falei em salvar empresas ou postos de trabalho específicos, mas em partilha de benefícios e empregabilidade então. A perda de propriedade, com as devidas excepções, nem sequer é comparável com a perda de propriedade dos trabalhadores.
            Conseguem vender depois de se tornarem noutra coisa completamente diferente e irreconhecível, deixando imensas zonas do país empobrecidas e cheias de desempregados e subempregados- não é bem o que chamaria um sucesso sócio-político. Independentemente da necessidade e inevitabilidade da mudança do negócio a médio prazo, os custos foram enormes para o país.


  11. Nascimento educado …. deixem-me rir além de educado tem enormes problemas cognitivos…

  12. Aónio Lourenço says:

    “De qualquer modo, durante a minha vida, há três coisas que eu nunca vi: um homem a parir, um defunto a ressuscitar e o “comércio livre justo” a funcionar…”

    E a pensar que diria “socialismo a prosperar”! Conhece alguma sociedade socialista que tenha prosperado e respeitado os direitos humanos? Vede o índice de desenvolvimento humano da ONU e no top 50 estão países onde funcionam economias de mercado livre! Será coincidência!?

    Os comunas não têm cura! é patológico!

    • ZE LOPES says:

      Presumo que V. Exa, Sr. Aónio, já viu pelo menos um homem a parir e uma data de defuntos a ressuscitar. E o “comércio livre” a funcionar. Vivaaaa!

      Já agora ,se quiser brindar como forma de comemoração, é só mandar uns 150 reais que a gente manda uma garrafita de vinho.