Exploração infantil do bem

À falta de mão-de-obra nos EUA, os decisores políticos responderam com a flexibilização do trabalho infantil.

Migrantes que vêm para trabalhar?
Deusmelivreeguarde!
Construam um muro e deixem esses violadores do lado de lá, plamôrdeDeus!

Facilitar a contratação de crianças menores de 16 anos com salários miseráveis?
É o mercado livre, estúpido! [Read more…]

Putin e o mercado livre

O documentário que passou ontem na CNN, Putin: o Caminho da Guerra, não é apenas claro sobre a natureza totalitária e monstruosa de Vladimir Putin. É todo um tratado sobre a hipocrisia do Ocidente, que sempre soube quem ela era e quais eram os seus métodos, mas preferiu assobiar para o lado.

E porquê?

Para evitar a fuga dos rublos e, sobretudo, para garantir que a economia russa se mantinha perfeitamente integrada nessa ilusão predatória a que chamam “mercado livre”. Porque os interesses das grandes multinacionais europeias e americanas não poderiam ser afectados por temas menores, como os direitos humanos. [Read more…]

Credit Suisse e Deutsche Bank à beira do colapso porque a maralha voltou a viver acima das suas possibilidades

Crescem as suspeitas de que o Credit Suisse e o Deutsche Bank estarão à beira do colapso. E que o eventual colapso, apoiado na queda abrupta do valor das acções (as do Credit Suisse caíram cerca de 75%, desde Fevereiro de 2021) e na subida à pique dos credit default swaps, para valores superiores aos registados durante a crise de 2008, poderá ter consequências mais desastrosas que a queda do Lehman Brothers.

Lembram-se da queda do Lehman Brothers?

Foi aquele banco americano, ícone maior da superioridade do extremo-capitalismo neoliberal, que se desmoronou e levou com ele a economia mundial. Ou, traduzido para conservador-liberal, o Sócrates a governar e o povinho a comer bifes à maluco. A tradução para facho é parecida, basta acrescentar o termo “vergonha” em qualquer ponto da frase.

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O Equilíbrio do Terror #4 – SWIFT: a bomba atómica financeira que pode eventualmente incomodar os verdadeiros donos disto tudo

Durante estes dois longos dias, muito se tem falado na possibilidade de utilizar a bomba atómica das sanções: banir a Federação Russa do SWIFT, um sistema integrado de comunicação de transacções transnacionais, que engloba mais de 11 mil instituições financeiras. O resultado prático da utilização deste nuke, long story short, seria a exclusão da Rússia do sistema financeiro internacional, mainstream, obrigando as suas empresas e bancos, bem como os seus fornecedores internacionais, e encontrar alternativas para as suas operações.

Diz quem percebe da poda que seria inútil recorrer a este instrumento de dissuasão, na medida em que Putin poderia optar, por exemplo, por criar uma cryptomoeda, ou aproximar-se ainda mais da China, que funcionaria como seu pivot na economia internacional. Mas eu, que percebo poucos destas podas, apesar de já ter assistido a umas quantas em Sobreposta, terei a ousadia de contrariar os especialistas. Por um lado porque Putin não invadiu a Ucrânia sem ter a lição bem estudada, como de resto nos vem provando, e já terá a crypto-opção em cima da mesa. Se nós temos esta informação, ele também a terá, prévia e devidamente estudada. Por outro lado, porque a aproximação à China está mais que consumada, como revelam os acordos para compra de petróleo e gás russo, firmados esta semana, para não falar na narrativa dominante na imprensa chinesa, toda ela controlada pelo comité central do PCC, assente na ideia de uma luta comum das duas potencias contra a opressão ocidental. [Read more…]

E se em vez de guerra comercial, apostarmos no livre mercado?

Uma guerra comercial não cria riqueza, destrói valor. O caminho para a resolução das disputas comerciais entre EUA e UE não pode e seguramente não será resolvido, aumentando taxas que levarão inevitavelmente à resposta do outro lado, numa espiral que nada traz de bom aos consumidores de ambos os lados. A solução para a disputa passará pela redução das taxas, ou de preferência a sua total eliminação. Não existe comércio mais justo que o comércio livre…

Democracia sim, mas a minha

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Anda a blogo-direita histérica por ter encontrado uma frase, com meses, de um deputado do PCP, perfeitamente óbvia e natural, basta não acreditar no fim da história para a entender.  Ao mesmo tempo e nos mesmos espaço,  no meio dela encontro esta afriamção, fresquinha, de Luís Naves:

Uma democracia implica muitos outros elementos, tais como mercado livre, imprensa plural, diversidade de opiniões,

A ideia de que só há democracia com “mercado livre“, muito respeitável no séc. XIX, vale no séc. XXI a responsabilidade directa pela crise europeia e não só: foi a liberdade dada aos mercados financeiros que a produziu, no dominó da salvação dos bancos e outros fundos mais que tóxicos. O resto é propaganda de treta. Mesmo que assim não fosse temos de convir que é um sentido muito restritivo de democracia: e se o povo votar contra o livre mercado, optando por um pacato programa social-democrata? não é democracia? e se amanhã o PCP for o partido mais votado, não pode formar governo, chama-se a NATO?

Vindo de quem recentemente defendeu com unhas e dentes Viktor Órban, o proto-nazi húngaro não nego que eleito mas questiono em que condições de “imprensa plural” (habitual sinónimo de pluralmente na posse dos donos dos mercados, como entre nós), não será de espantar. Depois admirem-se de a história continuar no sentido de um dia levaram com um safanões na propriedade privada, essa deusa que só não se adora quando se trata de arcar com o prejuízo bancário dos que nos têm governado.

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