Que é feito da integridade

Estranho muito as duas primeiras frases deste texto, mas, quanto ao demais do mesmo, parece-me bem louvável que este senhor Inspector da Polícia Judiciária venha assumir publicamente um posicionamento do tipo “o rei vai nu” e alertar para as consequências dessa nudez.

O nível de compadrio assumiu proporções nunca antes vistas, ou, pelo menos, reveladas. A troca de favores (tráfico de influências) assume-se como o comportamento normativo no interior de determinadas organizações político partidárias, que servem apenas agendas próprias dos seus integrantes e olvidam o compromisso da causa pública.

Esta cultura de caciquismo, que se perpetua no tempo e vai gerando “jobs for the boys” tem de cessar, sob pena de um futuro absolutamente comprometido!“

O incrível é que toda a gente sabe, toda a gente denuncia, ele há investigações, queixas e arguidos, mas as “más práticas” continuam a todos os níveis.

Não há, mas não há mesmo, jeito maneira de as enterrar? Agradeço que me enviem só respostas sérias e construtivas.

Comments

  1. Miguel Bessa says:

    Há uma muito boa. E simples de tão lógica. Retirar os pequenos e alguns greves poderes ao estado.
    Menos poder para distribuir consequentemente menos tachos para os amigos. Menos direções gerais e comissões.
    Não é contraditório que tanto nos queixemos dos serviços prestados pelo estado e a solução seja sempre mais dinheiro para o mesmo prestador?
    Se o seu servidor de internet não funciona você vai pagar mais ou muda? O estado faz mal algo, solução dar mais dinheiro aos mesmos e impedir um privado de tentar ter lucros através de prestar o mesmo serviço mas melhor! E Bora lá fazer mais uma comissão para burocratizar esse dinheiro.

    • ZE LOPES says:

      Ora aqui está mais uma cantiga de trolla liberteiro!

      Só há corrupçãp porque há Estado. Retiremos-lhe os serviços e os poderes e entreguemo-los a privados que a corrupção se transforma, por passe de Luís de Matos em “negócio normal”.

      “O estado faz mal algo, solução dar mais dinheiro aos mesmos e impedir um privado de tentar ter lucros através de prestar o mesmo serviço mas melhor!”. Mas que brilhante afirmação (ponto de exclamação incluído!). Só uma perguntinha: e quando não dá lucro, quem irá prestar o serviço? Ou V. Exa. conhece uns multimilionários fofinhos que, num rebate de conscienciazinha liberteira resolvam “investir” em servicinhos necessários aos pobrezinhos, mesmo com prejuízozinho? Isto sem dar emprego aos amiginhos e familiarzinhos, ou lá volta a corrupção zinha…

      • Miguel Bessa says:

        Se não der lucro é porque o serviço não é necessário ou está a ser cobrado demasiado pelo seu valor.
        Isto obviamente não inclui deveres que são do estado, como a segurança (ui a nossa proteção civil) mas inclui serviços ao público como os comboios por exemplo.
        “conhece uns multimilionários fofinhos que, num rebate de conscienciazinha liberteira resolvam “investir” em servicinhos necessários aos pobrezinhos”. Por acaso conheço. Eu. Você. Todos nós. Pagamos para a CP ter prejuízo e não prestar serviço. Nem se ganha de um lado nem do outro.
        Roubo não é a propriedade. Roubo é virem me ao bolso só porque votaram em me vir ao bolso.

        • ZE LOPES says:

          “Se não der lucro é porque o serviço não é necessário ou está a ser cobrado demasiado pelo seu valor.”

          Hã? Hã? Hã?

          Já reparei que o seu nome, e até o modo como escreve o expõe, pelo que não deve deixar de repousar enquanto alguém limpa o pó e areia as panelas e vir para aqui fazer afirmações destas! A V. Exa. falta-lhe um Ca antes do apelido. Deve ser um sinal da Providência, ou dos seus paizinhos, para nos orientar…

          Deixe lá os comboios! E a “proteção civil”.(lá iremos, lá iremos…)

          V. Exa. nunca esteve doente? E acha que o serviço do Hospital lhe é cobrado por inteiro? V. Exa. pensa que poderia existir um serviço de saúde integralmente pago pelos utentes,, lucros incuídos?

          Presumo que V. Exa. nunca foi atacado por nenhuma doença oncológica daquelas em que os tratamentos são de 5000 euros por mês. Nem um familiar seu. Desculpe lá mas…: o serviço não é necessário? Deixa-se morrer os seus filhos, se os tem? E acha que funciona se não for pago? E quem terá de pagar? V. Exa?

          V. Exa. deve ter ido aos sites liberalotes e acha que a lei da oferta e da procura resolve tudo! A crise de 1929 e todas as seguintes foram provocadas pelos gajos que V. Exa. idolatra! Por exemplo, Jean Baptiste Say que dizia que o equilíbrio existia sempre: se um produto estivesse a um preço alto e não obtivesse procura teria forçosamente de baixar…Pois. Eu não sei o que V. Exa. faz mas…e se isto se aplicasse aos salários? Hã? Ao SEU salário!

          BESSA: arranje a CA antes de voltar para aqui.

          Tá bem?

          • ZE LOPES says:

            Olha, Bessa! Acabo de ver na net o refrão do samba- enredo da Escola de Camba de Cá Gadeira, que me parece uma homenagem a V. Exa. É assim:

            “Prá quê pagar, um impostão,
            Se comboio, aqui não pára não!
            Mais valeria a privado entregar,
            E ele viria de pronto me buscar,
            A minha casa para me… conhecer!”

            Lindo, né?

    • Paulo Marques says:

      Correu tão bem com o SIRESP…

      “Não é contraditório que tanto nos queixemos dos serviços prestados” da EDP, fornecedores de comunicações, bancos, auto-estradas e a inevitabilidade “seja sempre mais dinheiro para o mesmo prestador?”

  2. Odete Santos says:

    Recomendo a leitura do blogue ” O Economista Português” que em 14 de Maio escreveu ” Após Dez Posts a estudar Luvas & Dez por cento o Economista Português Propõe um Plano de Nove Medidas Justificadas Para Acabar com a Corrupção Portuguesa”. A meu ver este conjunto de textos deveriam ser divulgados e discutidos.

  3. Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

    Não Ana, não há modo de dar a volta a isto no actual regime em que vivemos.
    Ainda ontem discuti imenso esta questão.
    Todo o sistema está podre, baseado numa informação onde o contraditório raramente está presente. Basta ouvir a SIC, a TVI e mesmo a RTP. Dá-se cobertura a figuras tétricas da nossa política tais como Sócrates, Marques Mendes ou Paulo Portas. Há um enxame de “desinformadores profissionais” que pintam o mundo à sua cor e canalizam opiniões.
    Depois o sistema vive agravado com uma população inculta que fala em democracia, mas que a associa ao “vale tudo”.
    Discutem o futebol como se dele dependesse as suas vidas. A maioria do povo português, por motivos de falta de educação cívica (da política, nem se fala) é manifestamente ignorante e pratica a postura da não mudança porque dá trabalho. Dá trabalho pensar e dá trabalho ler e estudar. Por isso consomem televisão onde pelo facto do contraditório nunca estar presente, gerem as suas decisões pelo “Listener’s digest”.
    Este povo tem os políticos que merece e por isso, eles nunca mudam.
    Este povo não tem coragem de dizer NÃO a uma classe política que os suga e orienta os seus negócios. Prefere votar sempre no “Arco”, alternadamente – a chusma dos indecisos, a causa dos nossos males – e prefere auto-flagelar-se continuamente em vez de procurar soluções de raiz, ainda que essa solução passe – e na minha óptica passa – por votar NULO. Não têm coragem. Estão adaptadas ao meio quais amibas que sobrevivem, só porque respiram…

    Pina Moura dizia que a ética republicana é regulada pela lei. Tudo o que se faz dentro da lei, é legal…
    Esta é a meia verdade que vem tolhendo o país. Todos sabemos que a lei é cozinhada entre estes “legalistas republicanos” e os escritórios de advogados,onde esta chusma tem representatividade e interesses. Isto faz com que a situação, que em muitos casos configura um crime, se torna legal. Como dizia uma procuradora, …”da lei original desapareceram umas vírgulas, o que arranjou a situação no sentido da defesa do prevaricador”.
    A promiscuidade é doentia e a confusão voluntária entre “lobby” e corrupção ou tráfico de influências, é chocante. O lobby ultrapassou, há muito, a designação de fatalidade, para se tornar num acto e lugar comum.

    Acresce que a entidade que tem o poder de modificar esta corrente, passeia-se entre discursos cheios de nada e umas selfies – ultimamente anda mais silencioso – e parece ter esquecido que é o garante pelo bom funcionamento das instituições onde a Justiça assume o papel de relevo.

    Como resolver o problema?
    Só há uma forma, tendo-se chegado à situação que se chegou. É a ruptura com o sistema o que se consegue no dia em que massivamente o povo português for capaz de dizer alto e bom som que não quer mais estes políticos e estas políticas. E isso pode ser feito em eleições pois a figura do voto branco (perigoso na minha óptica) e o nulo estão previstos na constituição. Mas nunca a abstenção, pois ligado a esta está a irresponsabilidade de muita gente, o que é visível quando as eleições se processavam em períodos de férias ou de fins de semana prolongados. Era um “ver se te avias” para o Algarve e as eleições que se lixassem. Por isso, ponderadas que foram as enormes taxas de abstenção, deixou-se de fazer eleições nessas datas.
    Está a ver como quando lhes toca, os políticos mudam o paradigma?

    A ruptura do sistema, não é fácil. Mas quando a revolução francesa se deu em 1789, o sistema que dominava teria ainda mais força que o actual, porque na altura predominava o boato e hoje, se quisermos, estamos muito mais bem informados (se quisermos, repito).
    Eu sou dos que pensa que a mudança virá. E todos vamos sofrer, porque não arriscámos, no passado qualquer mudança mais forte. Há uma enorme falta de coragem, uma adaptação doentia de um povo cheio de ideias pré-concebidas sobre tudo e muito pouco activo, excepto no futebol.

    O problema já não são os políticos. O político é um dado de entrada e faz parte do problema e não da solução. O político é uma casta que entrou agora no sistema da auto-protecção, só admitindo os que têm mentalidade de rebanho.
    O sistema está podre. Mas claramente, está a dar as últimas e daí, o regresso aos nacionalismos, a que vamos assistindo e que sempre constituíram uma forma de travar movimentos.

    Resta-nos a capacidade de pensar, decidir ao nosso nível e esperar.
    Se “isto” é uma democracia, o poder está no povo. Mas é preciso exercê-lo e, em democracia, o exercício é feito na hora de votar. Mas com consciência e não subjugado ao princípio do “His master’s voice”.

    • Ana Moreno says:

      Caro Ernesto, grata pela resposta. Faz sempre bem saber – e de alguém com bem mais conhecimento do sistema do que eu – que há quem acredite “que a mudança virá”. Desejo que sim, mas tenho muitas dúvidas, exactamente por essa “falta de coragem” e, diria, de interesse e do trabalho que dá. E, tal como diz, dos “desinformadores profissionais”. Mas não creio que votos nulos ou em branco tenham algum efeito: “Os votos em branco e os votos nulos não são considerados votos validamente expressos, não tendo por essa razão influência no apuramento do número de votos obtidos por cada candidatura e na sua conversão em mandatos.” isto é do portal do eleitor: https://www.portaldoeleitor.pt/Paginas/PerguntasFrequentes.aspx
      Talvez não votando nos partidos grandes e já cheios de vícios de poder… mas sobretudo, uma coisa sei: democracia não é ir votar de tanto em tantos anos; é no dia a dia, quando nos empenhamos em causas cívicas, nos informamos sobre o que fazem os políticos da nossa localidade – e não só informar, mas sempre que possível intervir – , é consumimos conscientemente… certo? 🙂

      • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

        Ana Moreno.
        A democracia cria-se numa base de formação cívica das pessoas. Esse é o ponto fundamental. O votar é, apenas um acto em que as pessoas deveriam exprimir de um modo consciente, repito, consciente, as suas inclinações.
        O problema de fundo é que mais de metade das pessoas não tem, nem quer ter a formação que lhes permitiria, como bem diz … ” empenhar-nos em causas cívicas, nos informarmos sobre o que fazem os políticos da nossa localidade – e não só informar, mas sempre que possível intervir …”.
        Para intervir, é preciso conhecer.

        A corda por mais resistente que seja, estica, estica, estica e um dia parte… Uma lei universal.
        Eis porque me acredito que a mudança virá. A história está cheio de casos destes e com sistemas muito mais fortes que aquele que os actuais corruptos construíram. Tudo o que é anti-natura, soçobrará, mais tarde ou mais cedo.

        Pessoalmente deixei de votar em partidos sejam eles grandes ou pequenos. Não me revejo em socialistas que às terças quintas e sábados são neoliberais, não me revejo na direita nem extrema direita e não me revejo nos actuais partidos ditos de esquerda (BE e PCP) que manifestamente espreitam a oportunidade de se tornarem “Califa no lugar do Califa” como diziam Goscinny e Tabary na sua banda desenhada. Mas ainda assim voto, pois é um dever cívico que respeito.
        Como tudo na vida, somos nós que escolhemos as companhias.
        Naquilo que me diz sobre a qualidade dos votos, registo, no que me indica, uma afronta clara à democracia ( eu sei que não é da sua responsabilidade). O considerar como um voto nulo ou branco, um voto “não validamente expresso” é, à partida, uma afronta à democracia. É um convite a votar em partidos esteja ou não de acordo com eles… E o grave é que uma denúncia expressa de uma forma cívica, é menosprezada pois, como diz … “Os votos em branco e os votos nulos não são considerados votos validamente expressos …” É isto uma democracia?

        Sabe o que mais dói?
        É que a denúncia deveria, numa sociedade que se regulasse por leis, verdadeiras leis, ser um forte impulso para a mobilização tendente à correcção. Termina-se sendo um acto de profunda “kalimerização” por parte de quem o faz.
        Isto é o sistema que acaba por descredibilizar quem denuncia, em detrimento do denunciado.

        E concluo: estou atento e activo, na certeza que o sistema ou procede à fractura ideológica ou tem os dias contados.
        É que as pessoas podem ser preguiçosas, mas quando lhes tocar fortemente, elas mexem-se… E já faltou mais.
        Cumprimentos.

        • Ana Moreno says:

          “A corda por mais resistente que seja, estica, estica, estica e um dia parte… Uma lei universal.
          Eis porque me acredito que a mudança virá.” Mas este sistema mais parece um elástico de invencível maleabilidade e flexibilidade 🙁
          Sem dúvida, os instrumentos de participação são rombos e anacrónicos, mas – e isto é trágico – só nos resta usá-los , votando e intervindo de forma organizada…
          “E já faltou mais”… Que a razão esteja TODA consigo, Ernesto Martins Vaz Ribeiro 🙂

          • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

            A corda também é elástica com a particularidade de ter um baixo coeficiente de elasticidade. Por isso rompe, a certa altura. O elástico adapta-se e, após sucessivas violações do seu estado natural, é capaz de retomar a sua antiga forma, corrigindo-se. É assim que a democracia funciona.
            A corda, de cada vez que se assiste a uma violação, estica, mas não se reabilita, tal como os regimes corruptos. São esses sucessivos “puxões” que degeneram o sistema que, a certa altura, rebenta mesmo.
            Partilho completamente o seu raciocínio sobre a necessidade de votar e intervir de forma organizada.

            Todos os dias assistimos a insultos ao conceito de liberdade e democracia na ordem mundial.
            O último, data de ontem e são as carpideiras de um abutre de guerra que faleceu, a quem chamam herói, depois de todo o apoio que deu ao Estado Islâmico e à Al-Qaeda, responsáveis por crimes monstruosos, mesmo no seu país. Esta gente vive na senda da destruição e esta decrépita Europa assobia para o lado, enquanto trava, agora, a batalha da emigração.
            Tudo está ligado e tudo terá um fim, pois a situação é insustentável. E já não falo em povos. Falo em ordem mundial, completamente subvertida por doutrinas extremistas vindas do outro lado do Atlântico a que muita gente continua a chamar a terra da liberdade…

  4. Ana A. says:

    A sociedade materialista em que vivemos chegou até aqui, porque fomos “treinados” para ser competitivos, TER sempre cada vez mais, a qualquer custo, em detrimento do SER, e o “Outro” não é mais do que, aquele que nos poderá lançar para o “sucesso”, ou, a pedra na engrenagem que é preciso remover!

    Permita-me pois, Ana, que partilhe consigo um excerto de um texto de um autor que me é muito caro.

    “A Paisagem Humana

    Se até uma estrela longínqua está ligada a ti, o que devo pensar de uma paisagem viva, na qual os veados se esquivam das árvores velhas e os animais selvagens lambem os seus filhotes suavemente? O que devo pensar da paisagem humana, na qual convivendo a opulência e a miséria, umas criancas riem e outras não encontram forças para expressar o seu pranto?

    Porque se dizes: “Chegámos a outros planetas”, deves declarar também: “Massacrámos e escravizámos povos inteiros, atestámos as prisões com gente que pedia liberdade, mentimos desde o amanhecer até à noite… falseámos o nosso afecto, a nossa acção. Atentámos contra a vida a cada passo, porque criámos sofrimento”.
    Nesta paisagem humana conheço o meu caminho. O que acontecerá se nos cruzarmos em direcção oposta? Eu renuncio a todo o bando que proclame um ideal mais alto do que a vida e a toda a causa que, para se impôr, gere sofrimento. Assim, antes de me acusares de não fazer parte de facções, examina as tuas mãos, não vás nelas descobrir o sangue dos cúmplices. Se crês que é valente comprometer-se com aquelas, que dirás desse a quem todos os bandos assassinos acusam de não se comprometer? Quero uma causa digna da paisagem humana: a que se compromete a superar a dor e o sofrimento.
    Nego todo o direito à acusação que provenha de um bando em cuja história (recente ou antiga) figure a supressão da vida.
    Nego todo o direito à suspeita que provenha daqueles que ocultam os seus rostos suspeitos.
    Nego todo o direito a bloquear os novos caminhos que o ser humano necessita percorrer, mesmo que se ponha como máximo argumento a urgência actual.
    Nem mesmo o pior dos criminosos me é estranho. E se o reconheço na paisagem, reconheço-o em mim. Assim, quero superar aquilo que em mim e em todo o homem luta por suprimir a vida. Quero superar o abismo!

    Todo o mundo a que aspiras, toda a justiça que reclamas, todo o amor que buscas, todo o ser humano que quiseres seguir ou destruir, também estão em ti. Tudo o que mude em ti, mudará a tua orientação na paisagem em que vives. De maneira que se necessitas de algo novo, deverás superar o velho que domina o teu interior.

    E como farás isso?

    Começarás por perceber que ainda que mudes de lugar, levas contigo a tua paisagem interna.”
    – (“Humanizar A Terra – A Paisagem Humana” de SILO”

    • Ana Moreno says:

      Obrigada, Ana A., pela partilha e partilho de muitas ideias. Mas acredito que é preciso ligarmos com empenho as nossas paisagens internas às dos outros, para que surja algo concretamente melhor à nossa volta, nem tudo são bandos, certo?

      “A sociedade materialista em que vivemos chegou até aqui, porque fomos “treinados” para ser competitivos, TER sempre cada vez mais”, é mesmo isso, um mecanismo destruidor em todas as frentes. As náuseas que dá vermos a publicidade por aí espalhada a torto e a direito, sempre a apelar ao individualismo e à competição, a prometer os ganhos do “teu” projecto, a propagar que és estúpido se pagas mais – não interessa sob que condições a barateza é produzida. Assusta-me que as crianças estejam a aprender a ver o mundo por este canudo. Assusta-me muita coisa que anda a ser ensinada às crianças e por elas vivida.


      • Sim, Ana, é mesmo, que conheço bem até de bem perto (família) vários jovens que sendo e tendo sido inteligentes alunos excelentes e interessados em temas como filosofia ou artes, por ex., optam pelo curso superior de Economia quando chega esse momento de ” escolha ” de um futuro “sustentável” para eles… o que me deixou estupefacta pois não condiz com o perfil de uma outra sensibilidade demonstrada .
        Acho que isto dá que pensar e concluir que realmente estão ” a ser treinados para serem competitivos ” sendo já a preocupação de ordem material que prevalece, um deles até justificou a escolha afirmando :
        …” é porque eu gosto muito de dinheiro” !!
        ( mau grado outras razões, que as há, que eu sei, mas que aqui e agora não interessa. )

        Quando o futuro sustentável para eles deveria ser de outra ordem de preocupações bem mais abrangente como sabemos e temos consciência, Ana, centram-se na preocupação económica de forma individualista mesmo sabendo nós que Economia em curso superior de formação abrange muitas outras áreas sociais interessantes e necessárias, ….depende aliás da orientação ideológica desse Curso e da instituição e mestres que o administram, e de que maneira !


  5. Continua a votar…

    • ZE LOPES says:

      Ora aqui está (finalmente!) um bom conselho! Sim, porque isto de ficar em casa com a desculpa que tem de passear as iguanas não tem resultado! Até porque, como sabe, os SALAFRÀRIOS continuam a ser eleitos independentemente do número de ESCRAVOS BOÇAIS que neles votam.

      É calaro que há alternativas. Por exemplo o lançamento de uma bomba nuclear comandada por Trump, ou até um simples terramoto comandado a partir de Telavive poderiam fazer muito mais por esta SOCIEDADE DESGRAÇADA. Mas tal não está ao alcance do nosso modesto alcance pelo que, por tal, só poderemos rezar.

      Grato pela atenção, fico à espera das notícias de V. EXA.

      Não devem tardar, já que me preparo para ir à casa de banho.

      Atenciosamente,

      ZE LOPES.

    • Ana Moreno says:

      voz0db, não votar é a tal coisa, também não adianta. Já imagino que pense: nada adianta. Mas não é bem assim, olhe lá o dramatismo dos resultados da extrema-direita. Trágico é que, nestes tempos, só em torno de ideias populistas, xenófobas, egoístas e retrógadas se consigam juntar energias…


  6. Apesar de achar que o Inspector da Judiciária diz a verdade, sinto-me um bocado defraudado, afinal não é ele e os seus colegas que deveriam estar na linha da frente do combate? Não servirá o artigo para se desculpar qual pilates e dar uma de populista? Já sabemos tudo o que está no artigo, é mais chover no molhado, falta a acção, mudar as leis, sublimar do estado de corno manso… É um artigo típico para massajar os orgulho ferido de cornos mansos e permitir que os DDTs passem como é normal pelos pingos da chuva, enquanto dizemos muito bem e “sentimos” que alguém nos “defende”, a banda continua a tocar e o respeitinho continua….

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