Legislar contra a greve e contra a Educação

O ministério da Educação, independentemente dos governos, tem como único objectivo reduzir a despesa. Graças a essa obsessão, o edifício educativo público do país tem vindo a ser sistematicamente destruído desde 2005, devido a uma colaboração frutuosa entre gente de ideologias aparentemente diferentes.

Os professores têm sido roubados por todos os governos e, na minha opinião, protestam pouco e mal, permitindo que se lhes veja o cu. O governo prepara-se para manter o roubo de tempo de serviço, mesmo após uma greve gigantesca.

Nada preocupado com os professores, o governo procurou sempre encontrar meios de limitar o exercício da greve, tendo chegado ao ponto de transformar provisoriamente os conselhos de turma em órgãos administrativos, quando eram aquilo que deveriam ser: reuniões de natureza pedagógica.

No querido mês de Agosto, mês da predilecção do ministério da educação, saiu, então, uma portaria que torna definitiva essa alteração. Desta maneira, consegue-se retirar aos professores a possibilidade de voltarem a recorrer à greve às avaliações e desvaloriza-se um órgão pedagógico. Faz sentido: democracia e Educação não são prioridades do ministério.

Entretanto, no futuro, os professores só poderão fazer greve prolongada às aulas. No dia em que isso acontecer, os alunos serão verdadeiramente prejudicados, ao contrário do que aconteceu até agora. São opções.