Duas ou três coisinhas sobre Martine

A presença anunciada de Marine Le Pen na Web Summit está a ser contestada pelos talibãs do politicamente correcto, os patrulheiros da opinião no Portugal do sec. XXI. Refiro-me à ala folclórica do PS e suas eminências pardas, Isabel Moreira e João Galamba, Rui Tavares do Livre, que nestas ocasiões procuram mostrar que estão vivos, além do SOS racismo do sr. Ba, o tal que há pouco tempo nos queria retirar uma estátua do padre António Vieira, também o BE pela voz de um tal Fabian Figueiredo, já veio ameaçar com protesto. Até ver, deixo de fora desta paródia o PCP, pelo menos ainda não dei conta que algum dos seus dirigentes já tenha contribuído para este peditório, o que a confirmar-se, uma vez mais, goste-se ou não, há que reconhecer que é um partido institucional e responsável. [Read more…]

Pânico, disse o Correio da Manhã

No passado Domingo, dei comigo a espetar-me de frente com esta chocante machete do Correio da Manhã: durante 55 minutos, entre as 21:40h e as 22:35h, hora a que foi publicada a peça, uma falha na rede multibanco impossibilitou levantamentos e pagamentos com cartão. Pânico, disse o Correio da Manhã. Pânico, pois claro! Toda a gente de bem sabe que 55 minutos sem multibanco equivale a um país paralisado, mergulhado no caos absoluto. Inevitavelmente, fiquei logo cheio de medo.

Na falta de florestas a arder, que tantos euros rendem ao sensacionalismo imbecil, o Correio da Manhã precisava de uma polémica. Foi a falha no multibanco, poderia perfeitamente ter sido um surto ervas daninhas em Vila Real de Santo António. Porque o jornalismo do Correio da Manhã é isto: exagero, manipulação, mentira e instrumentalização das emoções mais primárias de quem ainda perde tempo a ler essa anedota jornalística. E Portugal adora este jornalismo de esgoto, não é mesmo?

A fortuna de Evo Morales e outros crimes sem importância

Há pouco mais de uma semana, um dos temas quentes na imprensa portuguesa foi o estratosférico saldo bancário acumulado pelo presidente da Bolívia, Evo Morales, que passou de 21.276 mil dólares, em 2006, ano em que foi eleito pela primeira vez, para os actuais 58.681. Apesar de não faltarem em Portugal presidentes de junta que em menos de um ano desviam bem mais do que esse valor, através de ajustes directos para família, amigos e esquemas que revertem para os próprios ou para futuras campanhas, às claras e perante o silêncio generalizado da esmagadora maioria da população, a fortuna de Evo Morales foi por cá motivo de grandes discussões filosóficas e linchamentos virtuais que duraram vários dias. [Read more…]