17,6%

Foi o resultado dos Democratas da Suécia, nas Legislativas deste Domingo. Apesar da ironia presente na nomenclatura, trata-se de um partido de extrema-direita, alinhado com os seus congéneres da nova vaga fascista que ameaça a Europa. Uma vaga que já governa Itália, Hungria, Áustria e Polónia, com as melhorias que lhe são conhecidas no sistema democrático, e que espreita em França, na Alemanha e na Holanda, para não falar da malta do Brexit, que se deixou levar pelos Nigel Farages desta vida.

A extrema-direita anda por aí, armada e preparada, e as raízes de outros tempos, hoje reforçadas por uma crise interminável e pelo farol laranja que emana merda do outro lado do Atlântico, começam a ganhar muito terreno no Velho Continente, o último bastião do mais aproximado que temos a uma democracia minimamente decente. E não estão sozinhos. A banca gosta destes novos fascistas, a indústria do armamento faz contas a potenciais aumentos de vendas, as organizações racistas e xenófobas rejubilam e os nazis americanos até enviaram para cá o Bannon, para dar um empurrãozinho ao movimento.

Já Putin, que ainda no outro dia esteve no casamento de uma ministra fascista do governo austríaco, onde dançou com a noiva, perante a admiração e os aplausos de vários “lideres do mundo livre”, deve passar a vida em grandes festas, a rebentar aqueles tubos de confettis e a beber Armand de Brignac da garrafa. Ou de um umbigo qualquer. A vida corre-lhe de feição e até um reality show já tem. Em Moscow. Kremlin. Putin., podemos ver o dia a dia do imperador da Federação Russa e arredores, função que agora acumula com a de regente das províncias dos Estados Unidos da América, sempre másculo e brilhante. O Grande Irmão orwelliano em todo o seu esplendor.

Alegro-me com o resultado das eleições suecas. Como me alegrei com os resultados em França, na Alemanha ou na Holanda, apesar dos vencedores. Porque nenhuma ameaça, no futuro próximo, é maior do que ascensão do ódio e da violência. E eles andam aí, armados, preparados e a subir a escada do poder, com o precioso auxílio da corrupção, do terrorismo virtual, de Vladimir Putin e dos fascistas americanos que tomaram oficialmente conta do Partido Repúblico. Corremos o risco de acordar tarde demais. Outra vez.

Comments

  1. Miguel Bessa says:

    Continuem a chamar lhe nomes e a não perceber que é quem chama fascista a todos os que apenas querem viver em segurança e sem ter de pagar pelos benefícios de quem não se quer integrar que é totalitário!

    • Fernando Antunes says:

      Não se trata de chamar nomes, trata-se de definir as coisas pelo que são, mas as palavras não são o mais importante aqui. Fascismo normalmente define-se (entre outras coisas) por uma pulsão securitária, que trata os migrantes como criminosos (ou mesmo sem ser imigrantes — houve uma cena hilariante há uns meses atrás em que apoiantes do Trump disseram a um indígena americano para voltar para a terra dele — you’re not welcome here!); e por uma ideologia de exclusão — visível em frases como “não ter de pagar benefícios a quem não se quer integrar”. É o miserabilismo intelectual do medo. No caso dos apoiantes do Trump que descrevi acima, burrice pura.

      Não gostar da palavra é irrelevante. Salazar não gostava da palavra, mas em que é que isso muda o essencial?

      • João Mendes says:

        Excatamente, Fernando Antunes. Sem tirar nem pôr!

      • Miguel Bessa says:

        Havia o redutium ad hitler e agora existe o redution ad Trump. Até os suecos que eram o modelo da integração agora são apoiantes de Trump.

        PS. Quantos exemplos de ridículo quer de apoiantes da Hillary?

        • João Mendes says:

          Mas você acha que eu tenho alguma simpatia pela Hillary Clinton? Não podia estar mais enganado. O meu candidato chamava-se Bernie Sanders.

          Quanto aos suecos, felizmente, apenas 17,6 são potenciais trumpistas. Não todos. Em lado nenhum viu isso escrito neste texto.

        • ZE LOPES says:

          Eu quero exemplos!

          Quantos: os mesmos de Trump, menos um. Já estou a contabilizar V. Exa!

      • JgMenos says:

        Esplendido corretês só perturbado por um excesso retórico.:«É o miserabilismo intelectual do medo.»

        O intelecto está antes demais dotado para identificar perigos, e não há qualquer miserabilismo nessa função.
        Desprezá-la é tão só estúpido.

        • Fernando Antunes says:

          O medo não é sinal de inteligência, pois é, antes de mais, instintivo — e portanto, comum ao mais irracional e elementar dos animais.

          O dote da racionalidade humana é precisamente o que nos permite ultrapassar barreiras, descobrir soluções, construir a ponte para chegar ao lado de lá. Ao contrário da sua noção de estupidez, o elemento básico do processamento de informação no cérebro humano é a capacidade associativa. A fobia em relação aos refugiados, aos negros, aos comunas, ou aos químicos na água que tornam os sapos ‘gay’ (mais uma brilhante teoria da conspiração de Alex Jones), não conduz a nenhum tipo de sociedade inteligente.

          Até vou mais longe: repare que continua a existir polémica na América entre “criacionismo” e “evolucionismo”, ao ponto do criacionismo ser mesmo leccionado nalgumas escolas privadas, penso que em dois ou três Estados, como uma espécie de “escolha livre”. Evolução — no sentido darwinista ou no que você lhe quiser dar (tecnológico, científico, comercial, cultural) — sempre foi e será sinal de abertura, integração e adaptação; o que não tem nada a ver com o movimento neo-fascista que vemos a crescer na Europa, que mostra uma tendência de involução e declínio.

          • JgMenos says:

            O instinto é inteligência induzida ao longo de milénios de perigos e desastres.

            O medo é tão só o reconhecimento do perigo seja o processo inteligente e ou meramente instintivo.

            O que se faz a partir daí é que decide do carácter, ideologia e inteligência do autor.

            Ignorar perigos é a norma dos que cultivam a ‘doutrina dos coitadinhos’, seres irracionais que fazem disso gala com grande espalhafato narcísico.

          • Fernando Antunes says:

            “Ignorar perigos” é precisamente o que este artigo não faz. É o espectro que assombra a Europa, o Brasil, etc — fascismo.

        • Paulo Marques says:

          “não há qualquer miserabilismo nessa função.”
          A porrada de ansiolíticos vendidos por ano são pura ficção, portanto.

          • JgMenos says:

            Quando os problemas são tratados com slogans nada mais natural que afogar os medos em drogas.

          • Paulo Marques says:

            Nada de errado com o ver perigos que não existem – fomenta o capitalismo e tudo, imagino.

        • ZE LOPES says:

          “O intelecto está antes demais dotado para identificar perigos, e não há qualquer miserabilismo nessa função”.

          Nem mais! E a prova disso é que V. Exa. tem sobrevivido! Mas atenção: nunca o desligue nem por um bocadinho! Os esquerdalhos estão á coca! Até são capazes de lhe meter ratos pelas fisgas da porta! Um horror!

    • Paulo Marques says:

      “Continuem a chamar lhe nomes”
      Quais nomes, vocês até gostam.

      “a todos os que apenas querem viver em segurança”
      E hostilizar continentes inteiros trás segurança a quem se borra por ver melanina?

      “e sem ter de pagar pelos benefícios de quem não se quer integrar”
      Prefere pagar rendas a quem não faz nada na vida.

  2. Luís Lavoura says:

    De acordo com o Eduardo Pitta do blogue “Da literatura”, o partido Democratas da Suécia “quer fechar as fronteiras a emigrantes; quer o exército a assegurar a ordem pública nos subúrbios das grandes cidades; quer agravar o sistema penal; quer o fim da iniciativa privada na Saúde, na Educação, na distribuição de Energia e na rede viária; quer o encerramento das escolas privadas e religiosas; quer diminuir a carga fiscal dos altos rendimentos; e também quer um referendo para tirar o país da UE.”
    Agora eu pergunto ao João Mendes, em que é que estas coisas todas definem um partido como sendo de “extrema-direita”. É que, eu nisto tudo dificilmente vejo extema-direita.
    De facto, até me parece que o João Mendes possivelmente concordaria com algumas destas coisas…

    • Ana Maria says:

      Tem razão. Essas não são ideias de Direita. São ideias NAZIS !

      • Luís Lavoura says:

        “o fim da iniciativa privada na Saúde, na Educação, na distribuição de Energia e na rede viária” é uma ideia comunista.
        “o encerramento das escolas privadas e religiosas” é uma ideia comunista e não só.
        “diminuir a carga fiscal dos altos rendimentos” é uma ideia compartilhado por muita direita, e também por muitos liberais.
        “um referendo para tirar o país da UE” é uma ideia de muitíssima gente de muitos quadrantes.

        • Paulo Marques says:

          “o fim da iniciativa privada na Saúde, na Educação, na distribuição de Energia e na rede viária”, “o encerramento das escolas privadas e religiosas”, “um referendo para tirar o país da UE” são ideias de quem sabe fazer contas e não gosta de rendas que retirem enormes quantidades de capacidade produtiva ao mesmo tempo que destroem a soberania.

          Já “diminuir a carga fiscal dos altos rendimentos” é um puro disparate classista.

      • Miguel Bessa says:

        Realmente Ana. Entre as ideias do social nacionalismo alemão e o comunismo a diferença é zero.

        • ZE LOPES says:

          Social nacionalismo alemão? Isso tem a ver com o Partido Zina, não tem? Sim, aquele que era comandado por um tal Lerhit, não é?

          Tou a ver! Não há diferença nenhuma para o comunismo. Foi lamentável é terem enviado tantos para os concentros de campação. Talvez, por distração compreensível, por não terem notado que não havia diferença.

      • JgMenos says:

        Usam termos como fascista e nazi com se fossem pedras. sem qualquer preocupação de rigor ideológico.

        Do totalitarismo comunista derivaram a ‘Verdadeira Democracia’ que traduz que todo o não esquerdalho não é democrata. E vão mais além: ser democrata não implica reconhecer a liberdade de que outros pensem diferente, os cânones esquerdalhos são imperativos.

        • ZE LOPES says:

          “Usam termos como fascista e nazi com se fossem pedras”. E é normal! Para mim, ouvir um fascista ou uma pedra é a mesma coisa!

    • João Mendes says:

      Luís Lavoura, a história demonstra bem que, quando não são poder, os partidos de extrema-direita até velhinhas ajuda a atravessar a estrada. Chegados ao poder, a tendência é para eliminar a oposição, a liberdade de expressão e todos os mecanismos democráticos como as eleições livres.Até o Orbán já teve um discurso europeísta e recebeu financiamento do Soros, quando a ameaça era o comunismo. Não seja ingénuo, meu caro. Para já, tudo o que vai ouvir é o que interessa que se dissemine pela opinião pública. Mas já sabemos como isto acaba, não sabemos?

      • Miguel Bessa says:

        Aquilo que sabemos é como acabam os países socialistas / comunistas / fascistas. Tudo igual.
        A questão é não perceber que classificar tudo o que não concorde com um multiculturalismo á pressão como fascista aliena e entrega na extrema direita um conjunto de pessoas que não são fascistas!
        Se porque não quero que a minha filha seja violada (dia a dia das suecas) sou acusado de fascista. Se não quero em Portugal as facas ataquem pessoas que vão sossegadas na rua sou fascista. Então que seja. O normal para a extrema esquerda tornou se fascismo.

        • João Mendes says:

          O Miguel não gosta de generalizações, mas fala dos socialistas como se de totalitários se tratassem. E antes que me acuse de estar a defender os meus, deixe-me que lhe clarifique a minha predileção por um sistema social-democrata.

          Quanto ao seu discurso hiperbólico sobre violações e facadas, não sei o que lhe diga. Já parou para pensar que existem milhares de brancos caucasianos a violar e a esfaquear por essa Europa fora?

        • Paulo Marques says:

          “Aquilo que sabemos é como acabam os países socialistas / comunistas / fascistas.”

          Com intervenções estrangeiras que acabam com um ditador (ora um paranóico, ora um fantoche).

          “Se porque não quero que a minha filha seja violada (dia a dia das suecas) sou acusado de fascista. ”
          Não, além de ser porque acha que é o dia a dia, é porque acha que isso desaparece e não existe sem estrangeiros.

      • Luís Lavoura says:

        João Mendes, usando o seu brilhante raciocínio, todo e qualquer partido que você queira pode ser apodado de “extrema-direita”. O que você diz é que no futuro eles vão ser ditadores, você sabe, você tem a certeza de que o serão, e portanto toma a liberdade de desde já dizer que são de “extrema-direita”. E desta forma pode apodar todo e qualquer partido de ser de extrema-direita – basta-lhe dizer que no futuro, se tomarem o poder, se comportarão como ditadores.
        Ou seja, aquilo que você diz, lamento, é uma tontice completa.

  3. Pimba na Marreta says:

    Na Finlândia, os fascistas Verdadeiros Finlandeses (equivalente aos “Democratas” Suecos ) levaram também 17% dos votos na última eleic,äo, e entraram na coligac,äo governamental com os partidos Liberais e Conservadores, facilitando o implementac,äo de políticas à Passos Coelho… e detendo o Ministério dos Negócios Esrangeiros (deve ser a maior ironia nisto tudo, um partido xenófobo com essa pasta).

    Visto meterem-se num governo elitista, perderam apoio popular, houve uma cisäo interna, mas conseguiram evitar eleic,öes (e a previsível queda do impopular governo), por via da criac,äo de um novo partido, o Futuro Azul… tipo fascistas, mas menos que os outros.

    Neste momento os dois partidos têm conjuntamente 9% das intenc,öes de voto. Menos mal.

    Veremos se na Suécia os Conservadores näo se importam de fazer uma coisa semelhante para se agarrarem ao poder, ou se mantém a cintura sanitária.

    • João Mendes says:

      A esmagadora maioria da direita europeia convive sem problemas com os novos fascistas. Não é á toa que Orbán faz parte do mesmo PPE que os “nossos” PSD e CDS.

  4. JgMenos says:

    «Porque nenhuma ameaça, no futuro próximo, é maior do que ascensão do ódio e da violência.»

    Há maiores propaladores de ódios do que a esquerdalhada?
    Há maior violência do que a extorsão para manter chulos e acomodados.
    Há maior estupidez do que ficar à espera que a África e o Mundo se despeje na Europa dos subsidiados?

    • Paulo Marques says:

      “Há maiores propaladores de ódios do que a esquerdalhada?”
      Assim olhando para a quantidade de mortos no médio oriente desde 2003, só para ter um exemplo, sem dúvida.

      “Há maior violência do que a extorsão para manter chulos e acomodados.”
      Olhando para o quão defende monopólios privados e banqueiros, não sabia que se importava.

      “Há maior estupidez do que ficar à espera que a África e o Mundo se despeje na Europa dos subsidiados?”
      Foder continuadamente várias regiões durante séculos (algo que nunca parou) e esperar que não haja consequências é capaz de ser um bocadinho mais estúpido.

      • JgMenos says:

        Há maior cretinice do que supor que pelo facto de a África ter retornado a um universo de sobas e corruptos a Europa tem que os acolher e sustentar?

        • ZE LOPES says:

          Os sobas e corruptos estudaram na Europa, são titeres de multinacionais da Europa, põem o dinheiro em bancos europeus e até investem na Europa.

          • ZE LOPES says:

            Ah! E compram armas na Europa! Para exércitos treinados na Europa ou por europeus!

        • Paulo Marques says:

          Há, a Europa vender armamento para forçar políticas económicas inviáveis e comprar recursos a preços de saldo e achar que as consequências são problema dos outros.

  5. Aónio Lourenço says:

    «Porque nenhuma ameaça, no futuro próximo, é maior do que ascensão do ódio e da violência. »

    Frase lapidar!

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