Sandro Morais
Antes da missa da manhã deste Domingo, várias árvores tombadas pelo vento e dezenas de horas consecutivas de reportagem televisiva, com o depoimento em directo de inúmeros especialistas em ventanias e chuva verdadeiramente torrencial e molhada, caindo do céu aos trambolhões como canivetes, repórteres entrevistando as ondas do mar, o monstro de Loch Ness e duas ou três telhas voando do cimo das casas como pássaros insanos, fizeram de Leslie, esse mortífero cataclismo tropical, o mais eloquente retrato de um país sitiado, não pelo Outono, que na Terra já não há estações, mas pela mais pungente e dolorosa imbecilidade, jamais vista, aliás, neste cruel mundo de Deus.
Quem instala e estimula tanta estupidez letal? Ora, os mesmos que nos tentam convencer que houve um assalto aos paióis de Tancos, donde roubaram fisgas, granadas da segunda guerra e peças de origem para chaimite, pelo mesmo buraco da rede por onde escapou também a dignidade devida a qualquer Estado soberano. Para mitigar a desgraça moral, o ministro da Defesa fez o que devia e podia – mandou tapar o buraco e foi-se embora. Se todos fizéssemos o mesmo o mundo não notava.







e leslie era fraco, a sério aconteceu o ano passado em Porto Rico com a Maria, é sorte de termos água fria em Portugal, e lisboetas e cominbricenses ainda dizem que a água do Algarve…
“duas ou três telhas voando do cimo das casas como pássaros insanos”
Independentemente da imbecilidade das reportagens televisivas, vê-se que o autor não mora na Figueira da Foz; provavelmente estaria mesmo ocupado demais para escrever este texto.
também na Figueira da Foz ninguém se preparou, claro que os toldos das esplanadas voaram, o que estavam lá a fazer, sou falta de hábito de tempestades? Habituem-se vai passar a ser mais normal, o ano passado o Ofélia, este ano o Leslie, o clima está a mudar, e os homens são responsáveis.
Estive hoje na Figueira da Foz, nomeadamente Buarcos e não encontrei nada de especial. Na estrada sim, entre Coimbra e a F Foz, centenas de choupos esgalhados
Deixa andar.
Foi na parvonia, umas choupanas pelo ar, e uns milheirais abaixo, nada que preocupe. Apenas uns pássaros insanos.
É tudo menos estupidez… Faz parte dos mecanismos ao serviço da estratégia global de implementação do medo permanente, o acagaçamento firme, conatante, rigoroso das massas, que assim se deixam cada vez mais fazer.
O medo induz adrenalina, e os adrenalidados são compradores compulsivos e procuram refugio debaixo das saias dos bolsonaros de serviço.