A guerra dos mundos

Sandro Morais

Antes da missa da manhã deste Domingo, várias árvores tombadas pelo vento e dezenas de horas consecutivas de reportagem televisiva, com o depoimento em directo de inúmeros especialistas em ventanias e chuva verdadeiramente torrencial e molhada, caindo do céu aos trambolhões como canivetes, repórteres entrevistando as ondas do mar, o monstro de Loch Ness e duas ou três telhas voando do cimo das casas como pássaros insanos, fizeram de Leslie, esse mortífero cataclismo tropical, o mais eloquente retrato de um país sitiado, não pelo Outono, que na Terra já não há estações, mas pela mais pungente e dolorosa imbecilidade, jamais vista, aliás, neste cruel mundo de Deus.

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Viva a república

Finalmente aparecem as caixas de robalos de Vara

Passado este tempo, o peixe será, certamente, material altamente explosivo.

Chamusca

A PJ descobriu as armas roubadas de Tancos. Lá se vai metade do património político do CDS.

Então, Expresso, esse relatório de Tancos?

Há duas semanas, Pedro Santos Guerreiro justificava o Expresso com o argumento de, na edição a seguir, voltar ao tema Tancos com informação relevante. A montanha pariu um rato na edição que se seguiu e nesta nem a isso chegou.

Vamos aguardar. Para já, é mais um caso para juntar à lista composta pelos dossiers WikiLeaks, Panamá Papers e mortos de Pedrogão Grande. Naturalmente que se trata de jornalismo de referência. É uma questão apenas de determinar qual é o referencial.

The Geringonça – Coreia do Norte connection

Fotografia: KCNA/Reuters

Podia ser o título de uma daquelas páginas alucinadas de Facebook, inspiradas pelo trabalho não menos alucinado dos spin doctors espirituais da alt-right tuga, controladas por personagens sinistras, afectas à ala mais radical que se instalou na cúpula do PSD, mas não é. Sou apenas eu, que sou um simples parvo, a criar uma conspiração baseada na conspiração do momento, alimentada e promovida pelos mesmos marmanjos que deram ao país grandes êxitos como a lista alternativa de vítimas mortais dos incêndios de Pedrógão. Vocês sabem quem eles são. [Read more…]

Os relatórios são todos iguais, mas uns são mais iguais do que os outros

Era uma vez um relatório órfão e tão franciscano que para o título lhe bastaram duas palavras. Estava destinado a alimento da criação de ácaros, tal como sucedera aos irmãos, até ter sido salvo pelas luzes da ribalta. Agora vive os seus dias de glória, sendo aclamado como sendo O Relatório e já nascem canções sobre o material nuclear roubado e por ele relatado. Eis o destino dos Eleitos, quando O Jornalista estende a mão ao que parecia primus inter pares. Poderão existir outros, mas este é O Único.

Jornalismo de referência

O Expresso nunca disse que este relatório era oficial nem que era final.” – Pedro Santos Guerreiro sobre a notícia que levou o líder da oposição dizer que é preciso ler o Expresso para saber o que se passa no país.

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Na mesma linha, também se pode ler o Aventar para saber o se diz nesse relatório.

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E relatório diz:

RELATÓRIO TANCOS
Desaparecimento de armamento militar
Julho (?) de 2017

Parece que não tem autor. É possível que tenha páginas impressas por baixo da capa.

Já que aqui estamos, ó Pedro Santos Guerreiro, e os Panama Papers? Já houve tempo para  cruzar os dados e sabermos quem são esses jornalistas avençados? E os cables da Wikikeaks?

O Expresso e o relatório-fantasma de Tancos

Na edição impressa desta semana, o Expresso lança a polémica que promete marcar a narrativa da máquina de propaganda da direita nos próximos dias, com uma manchete onde se pode ler que “Relatório das secretas sobre Tancos arrasa ministro e militares”.

Tem início um incêndio nas redes sociais. Spin masters da direita a carburar a todo o gás. O Gorjão a ter orgasmos múltiplos. Pedro Passos Coelho, indignado, a cuspir nos pratos onde come desde 2011 e a questionar quem ainda o ouve – e o Expresso até lhe fez o frete de lhe dar destaque durante toda a tarde de ontem na edição online – se é preciso comprar o Expresso para saber o que se passa no país. [Read more…]

Em cada esquina um José Gomes Ferreira

Pedro Passos Coelho está indignado, coitado. A censura soviética que grassa asfixia a democracia e coiso e tal. Só era escusado ser tão ingrato para com jornais como o Sol, o i e o Correio da Manhã, que tanto têm lutado pela causa passista. Mas a luta continua e o revolucionário líder do PSD não baixará os braços.

Já agora, que jornal temos que comprar para saber o que se passa com o caso Miguel Macedo?

E lições de moral sobre o caso Portucale, deputado Carlos Costa Neves? Também tem alguma para dar?

Foto via Dinheiro Vivo

Carlos Costa Neves, que foi quase ministro daquele segundo governo Passos/Portas que morreu à nascença, foi o escolhido para comentar a entrevista de Azeredo Lopes, no que ao caso Tancos diz respeito:

Não sabemos bem como é que podemos classificar esta situação, porque ela é de tal maneira grave, que as palavras “ridículo”, ou que a palavra “um jogo”, ou que a palavra “não saber para onde é que se vai”, não chega. (…) Nesta próxima semana, o PSD, na Assembleia da República, e no exercício daquilo que são as suas responsabilidades em democracia, vai tudo fazer para que isto se esclareça, e para que sejam assumidas responsabilidades. Há responsabilidades políticas neste caso e nós não deixaremos de partilhar com os portugueses aquilo que se souber.

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Realidades adulteradas

Santana Castilho *

1. Logo que António Costa voltou de férias e se reuniu com os chefes militares, o país ficou a saber que o furto de material bélico em Tancos não foi grave. A António Costa, sagaz que é, bastou pedir ao Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas, ao Chefe do Estado-Maior do Exército, ao ministro da Defesa e ao ministro dos Negócios Estrangeiros, precipitados que foram, que lessem o duplicado da guia de transporte, deixado pelos ladrões na porta d’armas do aquartelamento de Tancos, para poderem concluir que tudo estava fora de prazo e nem para palitar dentes servia. Dir-se-á que António Costa substituiu a metáfora das vacas voadoras pela metáfora dos moluscos contorcionistas, isto é, o optimismo irritante pelo realismo conveniente. Um senão, que não é pequeno: para se redimir e tornar o roubo poucochinho, Costa rasteirou Marcelo. Marcelo, que nos disse que a coisa era grande antes de ele, Costa, tempestade passada, reaparecer para nos dizer que a coisa era pequena. Marcelo, que foi a Tancos quando ele, Costa, estava a banhos. Marcelo, que respondeu quando ele, Costa, desapareceu. Marcelo, que não é António José Seguro, como Costa sabe.

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Afinal as vacas não voam

Santana Castilho*

Seria divertido, não fora uma espécie de vomitório, analisar comportamentos políticos e institucionais ao longo dos tempos. A direita, que ontem gritava a necessidade de reduzir as “gorduras” do Estado e tesourava sem critério tudo o que era público (Educação e Saúde que o digam) apresenta-se agora a protestar com vigor contra a redução do financiamento dos serviços do Estado. O CDS conservador, pouco dado noutros tempos à justiça dos descamisados, é agora o primeiro a exigir demissões, enquanto a tradicional esquerda radical ajeita a gravata da contenção responsável e abotoa com classe o paletó da responsabilidade de Estado. O Ministério Público, esse decantador enigmaticamente vagaroso de processos que poderiam inspirar J. K. Rowling, acaba de fulminar, um ano depois, três secretários de Estado do PS, que aceitaram da Galp uma viagem rapidinha para ver a bola. Talvez possamos agora admitir que um procurador persistente, algum dia, nos venha garantir que a viagem em jacto privado para o Brasil, mais a semana de férias para si próprio e família, que o então primeiro-ministro Durão Barroso, do PSD, aceitou do empresário João Pereira Coutinho, sempre estiveram ética e legalmente separadas da venda da Quinta da Falagueira, que o Estado fez, uma semana depois, ao irmão do generoso amigo de Durão Barroso.

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A Comissão

Imagem: internet

 

A Comissão de Defesa Nacional exerce as suas competências em todas as matérias de Defesa Nacional e das Forças Armadas, designadamente fiscalizando e acompanhando a actividade do Governo. Além disso, é responsável pela organização de um vasto conjunto de eventos, entre os quais se contam conferências, audições, cursos e visitas.

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Já nem as desgraças salvam os profetas

A 16 de Junho de 2017, um dia antes da tragédia de Pedrógão Grande, a Aximage publicou uma sondagem encomendada pelo Negócios e Correio da Manhã. Long story short: PSD e CDS-PP em mínimos históricos (24,6% e 4,6% respectivamente, conquistando apenas 29,2% dos inquiridos), PS a subir em flecha, à custa, essencialmente, de eleitorado perdido pela direita, BE e PCP ligeiramente abaixo dos resultados das Legislativas. Segundo este estudo, à data acima, a Geringonça consegue 61,2% da amostra analisada. É uma sondagem, vale o que vale, mas não deixa de ser esmagadora. [Read more…]

Estava a correr tão bem!

Recorte: vídeo RTP

Marco António Costa lamenta que tenha havido fugas de informação na reunião à porta fechada. Bolas, estava a correr tão bem e logo o CEME havia de vir dizer que a «situação reflecte um problema de comando e disse ter registado “erros estruturais inadmissíveis” que só podem ser assacados ao comando.» É que não dá jeito nenhum ele ter afirmado que “as responsabilidades são militares e não políticas“. Que as culpas caem apenas nas estruturas militares intermédias. E que as falhas na vedação e na vídeo-vigilância não justificam um furto desta dimensão. Só deveria ter existido fuga de informação se o ministro tivesse levado porrada. Assim, não. Muito bem MAC!

Posto isto, vamos lá voltar à ordem do dia. Os nossos cortes eram bons e estes são maus. Se nós tivéssemos tido maioria para governar nada disto teria acontecido, até porque já o paiol já teria sido vendido aos chineses, para enfeitar a REN e a EDP, e o exército já estaria entregue à Securitas, que são muito bons a montar alarmes. Portanto, vamos lá insistir na demissão dos ministros e fazer de conta que nos esquecemos da lapa Paula Teixeira da Cruz.

Contratar mercenários para proteger a tropa

Escrevi um texto há quase dois anos acerca do facto de haver empresas privadas de segurança a tratar da segurança de forças de segurança do Estado. Parece um trocadilho, mas é também a realidade a ser mais tristemente cómica do que qualquer comédia. Confirma-se: não deve faltar muito para que um arremedo de ficção seja menos verosímil do que a verdade.

Dois anos depois, um paiol foi assaltado nas calmas, tão nas calmas que poderia ter sido eu o assaltante. Ainda por cima, verifica-se que, mais uma vez, o Estado comprou serviços, pagando a privados aquilo que deveria resolver com recursos próprios. Os engravatados que governam os governos chamam a isso outsourcing, que é uma coisa tão externa que só pode ser dita em inglês.

Tenho horror a simplismos, mas parece-me demasiado óbvio que também este problema resulta das negociatas feitas em nome do Estado por gente que dele se apropriou para o vender aos bocadinhos, numa actualização da metáfora em que a raposa toma conta do galinheiro. É assim nas Forças Armadas, é assim na Educação, é assim na Saúde. Ou como escreveu Saramago: “privatize-se também/a puta que os pariu a todos.”

Assunção Cristas, uma indignada de ocasião

A líder do CDS-PP pediu ontem a demissão de Azeredo Lopes e Constança Urbano de Sousa. Cristas afirmou que “Não é possível restaurar a quebra de confiança que neste momento existe no Estado nos domínios da Defesa e da Segurança” sem que António Costa demita os ministros da Defesa e da Administração Interna, que “não souberam estar à altura das suas responsabilidades“, motivo que leva a candidata à CM de Lisboa a concluir que as suas demissões são “inevitáveis“. “Num e noutro caso, – prossegue Assunção Cristaso Governo tem fugido às suas responsabilidades e mostra-se incapaz de assumir os erros e tirar conclusões“. Por fim, Cristas afirma ainda esperar por “uma atitude firme por parte dos ministros em causa ou do primeiro-ministro, assumindo as suas responsabilidades e respetivas consequências políticas. Não o fizeram. Instámos o primeiro-ministro a retirar essas consequências. Não o fez. Passaram-se dias de um silêncio ensurdecedor“. And the blá blá blá goes on.

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Tancos estava mesmo a pedi-las, não estava, senhor ministro?

Uma quantidade armamento militar, demasiadamente grande para ser ignorada, foi roubada, com aparente facilidade, do paiol de Tancos. Centenas de explosivos e munições, entre outros materiais que desconheço, presentes numa longa lista apresentada por um jornal espanhol que não é assinada por Sebastião Pereira, estão agora no mercado negro, à espera de comprador, seja ele um terrorista, um traficante de droga ou um mercenário a soldo. [Read more…]

Tancos, um buraco na rede

A Comissão de Defesa Nacional é a 3ª Comissão Parlamentar Permanente da Assembleia da República e integra 23 membros efectivos e 18 suplentes, dos quais 9 são do PSD, 9 do PS, 2 do BE, 2 do CDS-PP e 1 do PCP.

A Comissão, presidida pelo Dr. Marco António Costa, exerce as suas competências em todas as matérias de Defesa Nacional e das Forças Armadas e dos Assuntos do Mar integrados no âmbito do Ministério da Defesa Nacional, designadamente acompanhando e fiscalizando a actividade do Governo.

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"Não vás correr para a rua…"

Posso ser eu a armar-me em esquisito mas acho um tanto ou quanto parvo colocar mais de meia centena de marmanjos a correr, juntinhos, por uma estrada comum, onde circulam automóveis comuns, ainda para mais em horas de fraca visibilidade. Resultado: 16 feridos.

 

Não sei o que os senhores responsáveis pelo batalhão pretendiam com este exercício mas convinha alguém lembrar que fazer uma coisa daquelas não é inteligente. Aliás, deve ser dos primeiros ensinamentos que qualquer pai ou mãe dá aos filhos pequeninos. "Não vás correr para a rua, senão vem um carro e pode atropelar-te".

 

O Ministério da Defesa já abriu o inevitável inquérito. Por mim, devem colocar uma associação de pais a dirigi-lo.