Pedro, lobo e o país sem plano de emergência

Evolução da tempestade Leslie [fonte: IPMA clicar na imagem para ampliar]

Em diversos locais do distrito de Coimbra, tais como Soure e Figueira da Foz, há um apagão eléctrico generalizado. Não é novidade. Em 2013 Soure teve uma situação semelhante e esteve 4 dias sem electricidade. Vamos ver quanto tempo demorará a entrar em acção um plano de emergência – ou a constatarmos que, passados 5 anos, nada mudou.

Entretanto, o Presidente da Câmara Municipal de Soure, Mário Jorge Nunes, vai decretar estado de calamidade pública no concelho. A Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC), num ponto de situação às 09:00, deu a dimensão da catástrofe.

As 1.890 ocorrências registadas pela Protecção Civil dividem-se em 1.218 quedas de árvores, 53 movimentos de massas, 98 inundações, 441 quedas de estruturas e 75 limpezas de vias. A ANPC registou ainda 27 feridos ligeiros, três pessoas assistidas no local, 61 desalojados (…) [SAPO]

Depois deste comunicado soube-se que há duas vítimas mortais.

Há muitos danos, sim. Tudo situações que não se desejam a ninguém. Mas, ao declarar estado de calamidade, Mário Jorge Nunes cavalga, na minha opinião, a mesma onda de pânico que as televisões procuram encontrar em cada árvore derrubada. E, como se compreende, se há uma calamidade, todas as falhas ficam justificadas.

Perante esta declaração, é de esperar, novamente, que as mesmas dúvidas quanto às responsabilidades das seguradoras se coloquem. A Associação Portuguesa de Seguradoras assegura que as “seguradoras cobrem os riscos e pagam os sinistros abrangidos pelas cláusulas dos contratos de seguro contratualizados, mesmo que seja declarada a calamidade pública”.

Mas quem veja que a desresponsabilização por parte das seguradoras é uma possibilidade. “A partir do momento em que se declarar a calamidade pública, permite-se que as seguradoras interpretem estar-se perante uma situação de força maior, o que fica fora da cobertura das apólices e, legitimamente, leva as companhias a recusar pagar indemnizações”. São bem-vindos testemunhos dos leitores quanto à relação com as seguradoras em situações semelhantes. Lendo as cláusulas de alguns seguros (Logo, Tranquilidade, AXA, Lusitania, … ), parece haver uma tendência para não cobrir os danos em caso de calamidade.

Para terminar, uma nota sobre a Protecção Civil. Frio, calor e chuva normais na respectiva época do ano têm sido motivo para grande alarme por parte desta entidade. Não surpreende, portanto, que quando há uma situação para levar a sério seja preciso dizer que é mesmo a sério, tal como se pode ler numa mensagem de uma das freguesias afectadas por esta tempestade (ver galeria em baixo). Era bom não se estar sempre a gritar pelo lobo.

Comments

  1. Teresa Almeida says:

    Soure e Figueira da Foz são concelhos do DISTRITO de Coimbra, não ‘localidades’ do concelho…


  2. enfim, uma ” lufada de ar fresco ” ( c/ todo o devido respeito pelas vítimas) veio pôr em polvorosa, Instituições ditas democráticas, personalidades afins, T.V.s alarves em notícias onde calha encontrarem-se e N opiniões ( como esta) que ao terem a veleidade de serem incólumes , mais acrescentam achas para uma fogueira que arderá por vários dias ou semanas. Enquanto, não surgir + uma telenovela qualquer que continue a entreter os rebanhos consentidos & assumidos como tal, pois quiçá, é essa a finalidade pretendida por forças, que atrás das cortinas +/- visíveis, continuam a gerir os nossos destinos, deles.

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