Politicamente correcto

A insistência histérica e descontrolada da esquerda no politicamente correcto, mais não é que o estertor de uma ideologia (socialismo) que sempre se revelou desumana (o termo correcto deveria ser anti-humana) e ilógica, apesar de atractiva para quem precisa de desculpar e camuflar a sua própria inépcia.

Depois da evidente falência mundial do socialismo como política económica, o politicamente correcto revelou-se a bóia de salvação à qual a esquerda se agarrou com unhas e dentes. E aquilo que poderia ser uma ideia positiva por ser, essencialmente, inclusiva foi, completamente, inutilizada pelo fascismo (perdoem-me a incongruência, mas é a caracterização mais expressiva e verdadeira) intrínseco a toda argumentação de esquerda agravado pelo absurdo exagero comunista usual em quem sabe estar sob “prazo de validade”. A inclusividade além de ter passado a ser ditatorial e avassaladora, tornou-se, essencialmente, a exclusividade das maiorias. E é este desconforto (eufemismo) em que as pessoas “normais” foram colocadas, obrigadas a ser o que não são e, principalmente, a não ser o que realmente são, que leva à procura de soluções radicais, visíveis e imediatas. As vitórias de forças políticas que há algum tempo seriam consideradas, no mínimo, patéticas são apenas o prenúncio de algo muito mais destruturante.

 

Comments

  1. Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

    Se substituir as palavras “esquerda”, “socialismo” e “fascismo” por “direita”, “capitalismo” e “comunismo”, tem o retrato da sociedade actual.
    O politicamente correcto é apenas a bóia de salvação de uma comunidade política completamente podre e anquilosada.

  2. Fernando Antunes says:

    Para quê ser politicamente correcto quando se pode incitar ao ódio, ser racista, xenófobo, misógino, imbecil, e ganhar eleições numa América ou num Brasil, certo?

    • Manuel Silva says:

      Fernando:
      Parou no início da lista porquê
      Filipinas; Hungria; Áustria; Polónia; Itália; França.
      É esta a onda em que se vive e viverá durante muito tempo mais,infelizmente.
      Enquanto as consequências não se fizerem sentir, a onda não acalmará.

      • Fernando Manuel Rodrigues says:

        E Suécia, e mais se lhe hão-de seguir (quiçá a própria Alemanha).

        A onda é a consequência. E enquanto a esquerda persistir na imbecilidade do “politicamente correcto” e das “causas fracturantes” vai alienando cada vez mais gente para os partidos da extrema-direita, que tem um discurso que acolhe as suas preocupações, em vez das preocupações de meia-dúzia de gentinha barulhenta a armar ao fino.

        Bem podem berrar aos quatro-ventos que vem aí o fascismo – cada vez mais gente acha o “fascismo” o menor dos males.

        A publicação acima é bem o exemplo da “cegueira”. Reparem só no chorrilho de “mimos”: racista, xenófobo, misógino, imbecil. Faltou o “fascista”. Parafraseando Galileu Galilei: “Eppur si vence”.

        • Fernando Manuel Rodrigues says:

          “Eppure vince”.

        • Paulo Marques says:

          Ou isso ou porque desistiu de melhorar a vida das pessoas a partir de 79, quando o primeiro ministro britânico criou a TINA, criando descendência em Miterrand que nos enfiou na EMU de empobrecimento permanente.
          Ao menos a direita tradicional é consistente e diz que o capital manda e pronto, mas também começa a cair porque o resultado económico é o mesmo, por muito que faça uma causa do anti-PC.

      • Fernando Antunes says:

        Creio que se trata de um fenómeno cíclico.

        Aconteceu no início do século XX a mesmíssima coisa, na Europa, com os resultados que se conhecem. O que se está a passar agora e o que se passou então fazem parte do mesmo processo reactivo do grande capital após um crash financeiro (o de 2008 repetindo aquele de 1929, sobre o qual escreveu Steinbeck em “Vinhas da Ira”).

  3. Manuel Silva says:

    O seu post é espectacular,.
    Mas só tem um pequeno problema: está construído sobre uma fantasia que habita a sua cabeça.

  4. Paulo Marques says:

    Bom, bom é o politicamente correcto da peste grisalha, dos funcionários públicos preguiçosos, dos desempregados que não querem trabalhar, dos banqueiros muito sérios, dos políticos eurófilos muito responsáveis, da bancarrota sem super-superávits, de que o privado é eficiente, que o mercado é racional, que existe um mercado concorrencial de trabalho, que os milenials só querem borga, que a Autoeuropa só não foi à falência por milagre, e por aí fora.
    Agora, tratar as mulheres com respeito? Onde já se viu tal coisa. Aceitar que os neo-liberais não acertam uma conta? Loucura comunista.

  5. JgMenos says:

    Mas se é pelo linguajar que se reconhecem…

    Se é o linguajar que os retira da solidão de uma ideologia sem expressão conhecida em tudo que não seja miséria ou prepotência…

    Tirar-lhes o linguajar é condená-los ao desespero!

    • Carlos Almeida says:

      Vem agora o “Jesuita”, cujos post já nem chamo linguajar, mas aquela coisa que com a devido respeito faz muita falta para estrumar os campos, criticar o “linguajar” !
      É preciso muita lata e falta de respeito pelos outros.
      O que é demais é moléstia, sr padre.

      Então quando a direita portuguesa, em Junho de 74, era toda ” Democratica e Social” ou ” Democratica e Popular”, quando todos nós sabíamos donde vinham meses atrás, não estava a ser Politicamente Correcta ?

      • JgMenos says:

        A propósito de linguajar vem falar de ‘grandes títulos’.

        Não sei se tem idade para saber o que se passava em Junho de 74, mas saiba que Social e Popular eram termos não estranhos ao dizer e viver político dos anos antecedentes.
        Só a Democracia era novidade e logo se adivinhou que estava ameaçada pela comunada e pelos esquerdalhos oportunistas.

        • Paulo Marques says:

          Quinta-feira é dia de o Menos gostar de Democracia? Respondo-lhe amanhã, então.

        • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

          Pois é.
          Recordo as palavras de Nuno Rodrigues dos Santos, na altura Presidente da Comissão Política Nacional do PSD, numa entrevista dada ao Diário de Notícias a seguir ao PREC:
          “Continuaremos a situar-nos na área do Centro Esquerda”.
          Se quiser envio-lhe o recorte da notícia e até pode aproveitar para ver quem era o personagem revolucionário.
          Sempre é cultural e dá excelentes pistas sobre os seus anunciados …”esquerdalhos oportunistas”…
          Ter memória é importante, mas para alguns é muito difícil usá-la.
          Fique bem.

        • Carlos Almeida says:

          O caríssimo JgMenos, dá cada uma !

          “Não sei se tem idade para saber o que se passava em Junho de 74, mas saiba que Social e Popular eram termos não estranhos ao dizer e viver político dos anos antecedentes.”

          Deve achar que eu falava de alguma coisa que não tivesse vivido. Engana-se.

          Mas numa das 2 palavras que eu citei, quando falei dos Partidos oportunistas depois de Abril de 74, tem razão:
          A palavra “Popular”, já existia antes do 25 de Abril, mas não era facto era uma palavra muito popular, pois fazia parte do nome do partido de Marcelo Caetano, a Acção Nacional Popular, herdeira da União Nacional, conforme a Wikipedia.

          Da Wikipedia >>>> https://pt.wikipedia.org/wiki/A%C3%A7%C3%A3o_Nacional_Popular

          “A Acção Nacional Popular (ANP) foi uma organização política portuguesa do período do Estado Novo.
          A ANP resultou da redenominação e reorganização da União Nacional, por decisão tomada pelo V e último congresso desta organização política, realizado em Fevereiro de 1970, no Estoril, sendo já Marcello Caetano o Presidente do Conselho de Ministros de Portugal.
          Dissolução
          Na sequência da Revolução de 25 de Abril, a Acção Nacional Popular foi dissolvida pelo Decreto-Lei n.º 172/74, de 25 de abril[2], tendo a sua liquidação sido regulada pelo Decreto n.º 283/74, de 26 de junho[3].

          Mas se o slogan “Popular” era popular nos herdeiros do Marcelo Caetano, a palavra Social, era uma palavra tabu, durante o regime “autoritário de Salazar/Caetano”, vulgo regime fascista. Foi utilizada pela direita depois do 25 de Abril, como mascara para as suas verdadeiras intenções.

          Tomara que a insinuação do caríssimo JgMenos, relativamente à minha idade em Julho de 74 fosse verdadeira, mas infelizmente não.

          • JgMenos says:

            Social era tão tabu que até criaram a Segurança Social!!!

        • Carlos Almeida says:

          O caríssimo JgMenos tenta desviar para o que lhe convêm. A Segurança Social foi criada após o 25 de Abril, embora tivessem existido desde muito cedo as instituições com finalidades Sociais, como por exemplo as Santas Casas da Misericórdia, controladas pela padralhada, para aliviar as pressões.

          Mesmo no site da SS podemos ler:

          O vigoroso associativismo operário do século XIX esteve na base do rápido crescimento do número de associações de socorros mútuos e seus associados. Apesar de terem preenchido um papel importante tanto na prestação de cuidados médicos e de fornecimento de medicamentos, como na atribuição de prestações pecuniárias em situações de incapacidade temporária ou permanente para o trabalho e de subsídios de funeral, a proteção assegurada era insuficiente, designadamente em matéria de velhice, o que levou à criação, ainda nos finais do século XIX, das primeiras caixas de aposentações.

          Mas não é disso que estamos a falar.

    • Paulo Marques says:

      90 anos de välfärd, 70 de Breton Woods e 20 de eurozona e o argumento não sai do disparate para justificar o injustificável.

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