Essa direita extrema, não assumida mas activa

A história é sobre uma alegação falsa, na qual uma fotografia ilustraria a recém-nomeada procuradora-geral da República num jantar em casa de José Sócrates.

Chegou a ser divulgado na página do PSD de Serpa, no Facebook. Um dia depois, a mesma página lamentava o que fizera: “O PSD de Serpa partilhou uma notícia de um blogue que se revelou ser falsa. Por isso pedimos as nossas desculpas por ter partilhado informação que neste momento continua a circular e a ser notícia nas redes sociais. [DN]

Não há um verdadeiro pedido de desculpas, mas sim uma justificação do acto. Afirma-se que houve uma “notícia” e “informação”, quando na verdade nenhuma delas existiu. Veio de um local de publicação anónima, onde a verdade é secundária, mas isso não suscitou reserva alguma. O que os sujeitos do PSD fizeram, relatado pelo CM, em nada difere dos actos praticados nesses esgotos da laia do “itugga”, o tal “blogue” em causa, e de páginas do Facebook tais como a “Direita Política“, mantida por João Pedro Rosas Fernandes, segundo a investigação do DN.

O PSD de Serpa não quis validar algo que publicou na sua página, colocando o partido ao nível do lixo político. Os actos falam por si mesmos e a leviandade aqui patente prova o perigo que esta gente é para o país. Ao colocarem os eventuais dividendos políticos à frente da credibilidade das instituições, estão a alimentar o populismo e a criar palco para que os fenómenos de extrema-direita cresçam em Portugal. Repare-se, por exemplo, no que se passa no Brasil. O golpe de Temer e a percepção da ausência de uma alternativa séria para o país, alimentada por uma rede de fake news, chegou para que Bolsonaro esteja à beira da vitória. O sentimento de que o Estado não está a funcionar, que é a mensagem que se pretenderia realçar com essa inexistente participação num jantar em casa de Sócrates, será o catalisador para que um populista se posicione como falso salvador da nação.

O que não é claro é se estes peões ao serviço da extrema-direita o fazem por convicção, sendo, nesse caso, infiltrados no partido ou se são meros oportunistas que acham que assim trilham o caminho que os levará ao poder. Olhando novamente para o Brasil, vemos que a segunda hipótese é uma ilusão, pois quem facturou com com a campanha montada pelos partidários de Temer foi Bolsonaro. Claro que nada impede os oportunistas de saltarem para outro barco se lhes cheirar a poder, o que ainda torna esta gente mais perigosa.

Comments

  1. Rui Naldinho says:

    Há na verdade uma direita desesperada pelo Diabo. Um Diabo que lhes foi prometido pelo seu intérprete maior, PPCoelho, mas que tarda em aparecer. Essa direita sabe que o Poder só lhes regressará às mãos, depois de uma nova crise de regime. Mas também sabe que há uma esquerda que no curto prazo terá mais juízo do que no passado, não alimentando tão cedo os desígnios da direita. Logo, todas as armas são susceptíveis de ser usadas com fins inconfessáveis.

  2. JgMenos says:

    ‘há uma esquerda que no curto prazo terá mais juízo do que no passado’
    Se juízo for políticas de direita, nada a obstar, pelo menos perde algum ímpeto o linguajar idiota que sempre a caracteriza.

    Quanto ao Diabo, treteiro, há dois pontos a considerar.
    1 – O Diabo não veio porque mudaram políticas,
    2 – não cumpriram o orçamentado, nem na receita (lembram-se do perdão fiscal, e da reversão do imposto sobre o combustível?) nem na despesa (investimento miserável, cativações e mais).

    E porque são trafulhas e vigaristas descarados, gabam-se de não terem feito orçamentos rectificativos!

    • ZE LOPES says:

      Eh! Pá! Não posso crer! JgMenos acaba de obter mais um título! O de DIT (Dono dos Infernos Todos!). Simplesmente diabólico! Será que vai haver orçamento para pagar as suas satânicas mordomias todas?

    • Paulo Marques says:

      Comparar o incumprimento formal com os disparates completos do anterior governo só lembra aos acólitos do diabo.

      • JgMenos says:

        É tudo dinheiro de contribuinte. Ou não?

        • ZE LOPES says:

          E não é que JgMenos acaba de conseguir mais um título? DCT (Dono dos Contribuintes Todos)! Quem é que vai pagar isto? Desculpem lá mas, para isto, já dei!

        • Paulo Marques says:

          O dinheiro é do estado para distribuir como entender para atingir os objectivos que tem, pode haver riqueze, mas não há dinheiro sem estado – por muito que a eurolândia torne a coisa mais complexa, o fundamental é o mesmo.
          Um dos governos atingiu os objectivos, o outro não, pelo menos os públicos. Não faz com que concorde muito com o que continua a ser uma política neo-liberal, mas sempre é bastante mais transparente no miserabilismo.

  3. Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

    O problema é claramente da lei vigente que não prevê sanções contra esta escumalha.

    Regredimos relativamente à Idade Média onde a pessoa acusada de levantar boatos – considerado crime grave na altura – era tratada da mesma forma que o ladrão, com a diferença de lhe cortarem a língua em vez da mão que havia roubado. E era ainda sujeito ao escárnio, exposição e chicoteado em público.

    Ponham os nossos legisladores a fabricar leis tipo “medieval” (quero dizer, leis que ataquem estes problemas na raiz) em vez de se preocuparem, com a execução de leis que protegem banqueiros e interesses de compatibilidades políticos e veremos como o mundo se defende desta corja.

  4. Paulo Marques says:

    Olhando para o resto da Europa, também… o que mais une a extrema-direita eleita, além de um, apesar de tudo, limitado racismo, é o anti-europeísmo a favor das pessoas – coisa que a esquerda desistiu.
    http://bilbo.economicoutlook.net/blog/?p=40650

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