A absoluta cretinice da Microsoft

Talvez já tenham passado por esta situação. Estão a trabalhar num computador com Windows e uma actualização automática diz que está pronta para ser instalada, sendo necessário re-iniciar o computador. Nesse momento, estariam a escrever algum texto e carregaram na tecla de espaços, o que equivale a clicar no botão pré-seleccionado da caixa de diálogo entretanto apresentada – esse mesmo botão que diz ao Windows para avançar com a actualização. E assim se perde todo o trabalho que ainda não estivesse guardado.

Não é um padrão isolado. Na verdade, todo o conceito de o computador poder tomar a iniciativa de apresentar caixas de diálogo que ficam em primeiro plano, sem decorrerem de uma acção directa do próprio utilizador e que, por isso, podem acidentalmente conduzir a uma escolha errada, como no caso anterior, é um tremendo erro de design. Como é que é possível não existir alguém com dois dedos testa numa empresa destas que não veja quão errado e perigoso é este procedimento?  “Quer instalar este vírus” – sim, por favor. “Quer limpar o disco e colocar os seus vídeos caseiros no Facebook?” – vamos a isso e sem demora. “Quer re-iniciar o computador e perder todo o seu trabalho?” Claro que sim, feito duas vezes fica melhor. Os exemplos são caricaturais, mas a perigo é real. Sem se querer, pode-se estar a concordar com acções com sérias consequências, muito para além da perda de alguns parágrafos de texto.

Como se já não fosse suficientemente mau, o Windows decide, também, re-iniciar para instalar actualizações sempre que o utilizador não responde activamente a dizer que não quer proceder. Portanto, um computador que fique a executar uma tarefa durante a noite verá o trabalho perdido se o procedimento imaginado por alguns cretinos da Microsoft for executado.

Só uma empresa surda para os seus clientes não ouve o que estes lhes diz. Com o Windows 10, este padrão melhorou um pouco, sem no entanto estar verdadeiramente resolvido. Na verdade, até piorou em certos aspectos, como por exemplo, o utilizador deixar de ter uma palavra a dizer quanto a aceitar ou não as actualizações.

O problema não se limita apenas ao Windows (sistema operativo) mas sim a todas as aplicações Windows. Qualquer aplicação deste sistema operativo pode livremente colocar-se no topo de todas as outras, capturando o teclado e, assim, podendo conduzir a este mesmo cenário de levar o utilizador a dar respostas erradas às questões que essa aplicação esteja a colocar. Esta falha de segurança deveria estar corrigida ao nível do próprio sistema operativo, impedido que as aplicações se coloquem em primeiro plano, excepto por acção do utilizador.

Sim, há Linux, MacOS e outros sistemas operativos. Mas nem sempre são uma opção.

[como configurar as actualizações automáticas]
[Design Patterns for Replacing Modal Windows]

 

Comments

  1. Paulo Marques says:

    A Microsoft nunca desistiu de ser dona de (e fazer o que quiser com) todos os computadores que compramos.

  2. Hélder says:

    É um facto que para a Microsoft, não somos donos do software e por consequência do hardware. Todo o conceito de subscrições de software é lenha para alimentar essa fogueira, e o próprio Windows 10 já inaugura a filosofia “Windows as a service”.

    No entanto, para algumas pessoas é mesmo preciso instalar actualizações à força, porque doutra forma nunca o farão e colocam tudo em risco.

    O ano passado descobri que uma colega de trabalho, ainda estava a usar um portátil com Windows 7. Até aqui tudo bem, o Windows 7 ainda era suportado oficialmente. Só que ela não tinha sequer o SP1 instalado. Ou seja, desde 2010 para cá, não instalara nenhuma actualização!

    Eu sou o primeiro a defender os nossos direitos enquanto utilizadores finais do software, mas também acho que os “anti-actualizações” são o equivalente digital dos “anti-vacinas”.

    • j. manuel cordeiro says:

      Só para o caso de não ter ficado claro, o post não é “anti-actualizações”.

      Sobre as actualizações obrigatórias, a situação é um pouco mais complexa. Recentemente, as actualizações têm vindo repletas de erros. Não é aceitável não se poder recusar uma actualização e, simultaneamente, passar a ter um computador que deixou de funcionar devido a essas actualizações.

      O panorama poderia ser diferente. Por exemplo, no Android e no Linux as actualizações não são um problema.

      [editado]


      • Por acaso as distribuições de Linux que eu conheço também são bastante chatinhas com as actualizações.

  3. Carlos Correia says:
  4. Golden says:

    Sempre pude recusar, nao sabe configurar o seu windows, nao o instale, é melhor do que se vir queixar por algo que é exclusivamente de sua culpa… No meu caso o windows faz a pergunta se quero instalainstalar agora ou mais tarde e apenas caso escolha instalar agora é que ele se “intromete” a dar um lembrete de que deve guarda o que esta a fazer e nao continuar a trabalhar sob risco de perder trabalho… Voce é informado apenas escolhe nao ler, o problema é seu.

    • j. manuel cordeiro says:

      Vejo que precisa de ultrapassar essa dificuldade funcional de saber interpretar textos.

  5. j. manuel cordeiro says:

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