Alcouce, sim, mas com cedilha, claro

I’m a scientist. I never apologize for the truth.

Sheldon

***

Depois de uma introdução com terramotos para encher chouriços, Cristina Ferreira disse a Marisa Matias que não se conseguia fixar o nome da localidade onde a entrevistada cresceu.  Note-se que Ferreira não disse “é um nome difícil de eu memorizar/é um nome difícil para mim de memorizar/é um nome que eu não consigo memorizar”. Não. Ferreira disse: “é um nome difícil de memorizar” — ou seja, para ela, para mim, para si, caro leitor do Aventar. E Ferreira terá alguma razão, pelo menos, no que diz respeito à equipa daquele programa, a julgar pela memória grafémica do autor daquele Alcouçe, que não terá lido com cuidado qualquer biografia da entrevistada e, pior, não aprendeu a regra cacecicocu [kasɛsikɔku]. Isto é inadmissível, num programa em que o salário da apresentadora parece ser o assunto mais candente. em vez de se discutir o salário (ou a péssima remuneração) e o curriculum (ou a licenciatura na University of Westfield Online) do redactor dos rodapés e dos oráculos.

Quanto ao sítio do costume,

tudo bem.

***

O riso da criada

Enquanto Daniel Adrião fala na Comissão Nacional do PS, na mesa uns consultam o horóscopo online, outros, mais estultos, riem e mostram os dentes. Parecem a criada do Tales.

Esta gente é muito poderosa. Mas muito fraquinha.

Contentores políticos

Conheço bem o “Joãozinho”, nome pelo qual é conhecida a ala pediátrica do São João. Já o conhecia antes de ser arma de arremesso eleitoral. Desde que aqueles contentores foram montados, que nunca teve condições para ser ala pediátrica de coisa nenhuma. É uma das maiores vergonhas nacionais e é ilustrativo do SNS cativado do ministro Centeno, que os alemães e os burocratas europeus tanto elogiam. Mas ver o Dr. Negrão, líder da bancada parlamentar do PSD, expressar a sua indignação, porque hoje desceu à terra e descobriu o Joãozinho, é de uma hipocrisia revoltante. Aquilo naquelas condições há anos, durante os quais o partido do senhor nunca mexeu a ponta de uma palha para corrigir situação, e o cavalheiro só agora deu conta. Mais vergonhoso do que a situação no São João, só mesmo a mediocridade da esmagadora maioria da nossa classe política. Temos contentores provisórios onde devíamos ter estadistas.

Afinal, há coincidências

No dia em que um ex-advogado de Trump foi ao Congresso dos EUA lançar mais lenha na fogueira, calhou Trump e o ditador da Coreia do Norte encontrarem-se para mais um número de coreografia. Os dois eventos não têm relação alguma. Seguramente. Apear de o primeiro estar planeado há qb tempo e o segundo ter caído do nada.

Alguém que avise a Margarida Rebelo Pinto. Afinal, há coincidências.

Adenda
Não houve acordo mas o objectivo de criar uma diversão foi atingido.

A cimeira entre o Presidente dos Estados Unidos e o líder da Coreia do Norte terminou esta quinta-feira, em Hanói, sem que fosse alcançado “qualquer acordo”, anunciou a porta-voz da Casa Branca.”

Ao usar a Coreia do Norte como um instrumento dos seus objectivos pessoais, Trump está a transformar Kim Jong-un num seu par, com um protagonismo que não existia antes desta administração americana. Ou seja, nada mudou na Coreia do Norte e o respectivo líder ficou mais forte. Estamos pior, portanto.

Sobre a suposta nomeação para o Prémio Nobel da Paz, só pode ser devaneio de quem está a engolir a conversa de um narcisista gabarolas.

Nunca mais chega a “ajuda humanitária”

Sendo a notícia de 2013, não consta que, entretanto, tenham chegado à Coreia do Norte camiões com bifes e aspirinas. Nem que um qualquer Quim tenha sido “reconhecido” como presidente interino, encarregue de marcar eleições livres. Impressiona até que Paulo Rangel não tenha perdido nenhum avião para Pyongyang. É isto, afinal, a “arte da versatilidade”, de que falava o senhor Ministro dos Negócios Estrangeiros. Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. A Coreia do Norte parece que não tem petróleo, nem ouro, nem coltan. Dizem que tem bombas atómicas. A carvão.

É só isto, obrigada

 

E que dizer do ‘casar bem’ de Rodrigues? Reparem ainda que a esfera doméstica da opinadora do facebook não inclui cozinhar ou limpar casas de banho. Não, é decorar e receber. O trabalho doméstico é feito pela criada. Ora, claro que escreveu para o mundo upstairs (malgrado usar o piroso ‘esposa’). Mas queriam que se preocupasse com a vida da criadagem?

E agora o choque com a realidade. Portugal é um país onde as mulheres têm uma alta participação no mercado laboral. Porque, com salários baixos, são necessários dois ordenados e, como foi mostrado na apresentação do recente estudo da FFMS sobre as mulheres portuguesas, apreciamos a independência financeira. (As mulheres portuguesas têm a sorte de não conhecerem ‘a Mulher’ de Rodrigues.) Por outro lado, temos muitas famílias monoparentais sustentadas pela mãe.

Ora Joana Rodrigues legitimiza um mundo onde as mulheres têm menores rendimentos que os homens. Se esta defesa é problemática nos casais com dois baixos ordenados, nas famílias monoparentais é infame. É uma defesa do empobrecimento de famílias e de menores oportunidades para as crianças.

Geralmente quem tem atividade política persegue a sua visão própria de bem comum. Que uma tendência (mesmo que irrelevante) de um partido político defenda a pobreza e a infelicidade alheia é algo que nunca tinha visto. É repugnante. Mas são só os integristas católicos a fazer política. Estrebucham furiosamente contra uma medida que aumenta a participação política feminina, contra a igualdade salarial, chamam nomes às feministas, mas, olha, distraem-se de dizer coisas sobre pobreza (que incide mais sobre mulheres), violência sexual ou doméstica. Prioridades. Quem quer saber se as mulheres downstairs levam umas traulitadas ou são molestadas?

 

Maria João Marques no Observador a propósito do artigo de Joana Bento Rodrigues que me escuso a citar para não dar audiências.

Masculino Feminino

[Helena Ferro de Gouveia]

  1. Circula por aí um vídeo intitulado “não tenho género, tenho sexo”.
    O vídeo parte logo do pressuposto errado de que o sexo é binário – mulher, homem – só que a natureza demonstra o contrário e países evoluídos e civilizados como a Alemanha permitem o terceiro sexo na identificação, o neutro, para hermafroditas e não só. A ciência é uma maçada de facto.

  2. Os mais recentes estudos do cérebro demonstram que não existe um cérebro masculino e feminino, existe um cérebro condicionado posteriormente pela teoria da congruência de papéis. A ciência de facto é uma maçada.

3. O exército britânico, norte-americano e israelita concluíram que as mulheres têm exactamente as mesmas capacidades que os homens para combate, a mesma resistência ao stress, a mesma capacidade de matar e a mesma resistência física. Nem todos os homens por serem homens podem integrar tropas de elite, algumas mulheres e apesar de serem mulheres têm a capacidade e a competência para o fazer. A biologia aqui não risca nada. A ciência de facto é uma maçada.
[Read more…]

“Os pobres fizeram-se para a gente os transformar em classe média”

Alexandre Soares dos Santos

 

A frase é atribuída a Alexandre Soares dos Santos, líder do grupo Jerónimo Martins, alegadamente proferida numa entrevista que concedeu recentemente ao jornal Observador. É daquelas frases que falam por si, como se costuma dizer, não necessitando de grande indagação hermenêutica. “Os pobres fizeram-se para a gente os transformar…”, como se transforma um porco num chouriço, ou qualquer sub-produto, coisa mal acabada, imperfeita, material de desperdício, em algo um pouco mais limpo, consistente e organizado do ponto de vista da sua forma e da sua função – a “classe média”.

[Read more…]

Mais um fracasso do socialismo

Fracassou na Venezuela, em rigor fracassou onde quer que tenha sido implementado.

O estado a que a justiça chegou e o canto da sereia de cabeça rapada

Após a decisão do juiz Neto de Moura, que mandou retirar a pulseira electrónica ao indivíduo condenado a 2 anos e 8 meses de pena suspensa por rebentar o tímpano da mulher ao soco, a vítima que a Justiça Portuguesa se recusa a auxiliar foi novamente ameaçada pelo agressor.

Chegará o dia em que ninguém mais acreditará nesta espécie de justiça, fraca com os fortes e forte com os fracos, permissiva com a violência exercida sobre os mais frágeis, mas também com a corrupção e com outras formas de criminalidade que engordam as carteiras de uma certa elite de traficantes de influências e poder.

Nesse dia, suspeito, aparecerão por aí uns tipos sinistros, de suástica no braço e crucifixo ao peito, a prometer justiça divina, respeito e ordem, mas apenas para aqueles que pensarem como eles. Não sei quanto a vocês, mas eu vou sentir saudades da liberdade. Resta saber quanto tempo irá a maioria aguentar o estado a que isto chegou, sem se render ao canto da sereia de cabeça rapada.

Portugal, um país de brandos costumes onde se espancam mulheres ao abrigo da lei

nm

Extracto do acórdão do Tribunal da Relação do Porto assinado pelo juiz Neto de Moura

Em Portugal, um indivíduo que deseje rebentar com o tímpano da sua mulher ao soco pode fazê-lo, sem que tal resulte em consequências particularmente relevantes para a sua existência. Foi o que aconteceu recentemente com um desses indivíduos, a quem foi aplicada pena suspensa de dois anos e oito meses, e ao qual o célebre juiz desembargador Neto de Moura decidiu retirar a pulseira electrónica, porque, na República das Bananas Portuguesas, a aplicação da pulseira electrónica, em casos como este, segundo pude apurar, depende da vontade da indivíduo que se entretém a espancar da sua mulher. O que, convenhamos, faz todo o sentido. Era o que mais faltava, um homem não poder rebentar com o tímpano da mulher ao soco, no recato do lar, e ainda ser forçado a usar uma pulseira electrónica, como se de um criminoso se tratasse. Se não se põe mão nelas, qualquer dia querem salários e direitos iguais. O que nos vale são mulheres como Joana Bento Rodrigues, que estão cá para nos recordar que o lugar da mulher é na cozinha.

Mesmo assim, o homem vai a votos e ganha.

É limpinho. 

Porto, 22 de Fevereiro de 2019

Foto: Francisco Miguel Valada.

Uma lufada de ar fresco

mais que necessária, depois do enjoo provocado por este expoente de tacanhice feminina.
Para a huelga, estão convidados todos os homens de bem.

Paula Et al.

Bairro Social em Vila Nova de Gaia. 

O episódio ocorrido recentemente na cidade do Porto, envolvendo uma cidadã que recebeu ordem de despejo da Câmara Municipal, é apenas uma amostra daquilo que todos os dias acontece longe da vista. Neste caso concreto, há uma pessoa que, além de ter ficado sem casa, está a ser usada como arma de arremesso político, vendo exposta a sua vida e a sua intimidade na praça pública. A nossa política é isto. Alcançou este nível.

[Read more…]

O Dr. Rui Rio parece desconhecer a Constituição

O Dr. Rui Rio no Twiter

 

Parece que o Dr. Rui Rio quer ser Primeiro-Ministro de Portugal. Todos temos os nossos sonhos e anseios, esperando que, se o Dr. Rui Rio concretizar os seus, não os passe a taxar como é previsível. Entretanto, pode ir estudando a Constituição da República, documento onde poderá descobrir que o Ministério Público não é um órgão de soberania. Quanto ao resto, como diria o outro, “tire as mãos do MP”.

 

O MINISTÉRIO PÚBLICO

O Ministério Público (MP) é um órgão constitucional com competência para exercer a ação penal, participar na execução da política criminal definida pelos órgãos de soberania, representar o Estado e defender a legalidade democrática e os interesses que a lei determinar (artigo 219.º/1, CRP).

Gozando de estatuto próprio, o MP está organizado como uma magistratura processualmente autónoma, em dois sentidos: no da não interferência de outros poderes na sua atuação, e no da sua conceção como magistratura distinta, orientada por um princípio de separação e paralelismo relativamente à magistratura judicial (artigos 219.º/2, CRP; 2.º/1, 75.º/1, Estatuto do Ministério Público/EMP). Essa autonomia define-se pela vinculação a critérios de legalidade e objectividade e pela exclusiva sujeição dos seus magistrados às diretivas, ordens e instruções previstas no EMP (artigo 2.º).

Julian Assange nomeado para o Nobel da Paz 2019

Julian Assange

 

No passado dia 23 de Fevereiro completaram-se 3.000 dias sobre a detenção de Julian Assange no Reino Unido. Está nomeado para o Nobel da Paz 2019. É um exemplo invulgar de força, determinação e coragem. Coragem, Julian!

Nossa Senhora da Censura

Fotografia Fecebook/Gate 7

Devido à intervenção da Igreja, o cortejo do Carnaval de Torres Vedras vai ficar privado da imagem de Nossa Senhora da Bola, criação satírica de Bruno Melo. Ou seja, quem se mete com a Igreja continua a levar. [Read more…]

Controlo social digital e lucro, um paradoxo da modernidade

Os governos mantiverem sempre um controlo apertado sobre a capacidade dos indivíduos se organizarem em grupos. De uma forma mais ou menos descarada, a liberdade de associação tem sido sujeita a regulamentação e exercícios de força que funcionam como diques reivindicativos.

Por exemplo, a criação de ordens profissionais está subordinada a legislação específica; as manifestações de rua estão dependentes de determinados procedimentos; houve alturas nas quais as pessoas não se podiam juntar em grupos; e durante muito tempo, o acesso a canais de comunicação com as massas estavam sujeitos a diversos impedimentos, legais e económicos.

Sem querer discutir a necessidade e justeza de tais medidas, é factual que algumas existiram e outras continuam a existir. Excepto quando passamos para as chamadas redes sociais.

[Read more…]

Maravilhosa globalização

Mais um avanço na “prossecução de uma agenda comercial ambiciosa”, pela mão da ainda mais ambiciosa comissária para o comércio, Cecilia Malmström – desta vez na Reunião informal de Ministros do Comércio da UE, que teve lugar a 21 e 22 de Fevereiro, em Bucareste.

Na Conferência de imprensa da Presidência romena e da Comissão Europeia, Malmström – a quem, pela eficácia e competência dos seus gloriosos feitos em prol da globalização, as multinacionais deveriam atribuir um prémio – enumerou os últimos sucessos alcançados e mostrou-se confiante quanto aos que ainda quer alcançar.

Os acordos UE-Japão e UE-Singapura já cá cantam, em fila de espera estão Mexico, Chile, Indonésia, Austrália, Nova Zelândia, Tunísia, Mercosul, além de muito trabalhinho na Organização Mundial do Comércio.

Claro que um dos assuntos mais melindrosos que tem estado no topo da sua agenda são as negociações UE-USA. Depois de, no ano passado, Trump ter avançado com tarifas sobre alumínio e aço e ameaçar impor tarifas aos automóveis europeus, realizou-se em Julho o encontro com Juncker em que este, para apaziguar o loiraço, prometeu aumentar as importações de soja e gás liquefeito pela UE.

Sementes de soja geneticamente modificada e gás liquefeito maioritariamente proveniente do super poluente fracking, se já tinham as portas abertas, elas passaram a estar escancaradas.

Desde então, está a ser preparado o mandato para se chegar a um pequeno “deal”. As negociações do ambicioso TTIP mantêm-se congeladas (só que, como o mandato nunca foi revogado…), mas a comissão quer obter dos ministros do comércio um mandato para negociar em matéria de produtos industriais e cooperação regulatória.

Um deal que Trump, claro está, exige que seja justo. A atribuição do mandato de negociação à comissão está a ser promovida pela Alemanha e contrariada pela França, produzindo uma pequena escaramuça entre ambos os países.

Valha-nos, que apesar da enorme pressão dos EUA, neste pretendido mandato a agricultura fica de fora. Gregg Doud, o negociador-chefe do USTR em matéria de agricultura resfolegou: “Nem consigo expressar a minha frustração em relação à agricultura europeia e à forma como lidam com coisas como a biotecnologia; a forma como lidam com coisas como o frango com cloro e hormonas na carne de bovino.”

A frustração do sr. Doud é uma nítida expressão do que está em jogo. Normas de protecção ambiental, social ou do consumidor são, obviamente, empecilhos aos negócios, que se querem livres.

Um dos mandatos que a comissão enseja obter agora refere-se pois à cooperação regulatória UE-EUA, estando sobre a mesa as chamadas “avaliações da conformidade”. Claro, à porta fechada e com ouvido nos grandes lobbies.

Maravilhoso “comércio livre”. Que felizes seremos um dia, nesse imenso mercado global, em que os parlamentos serão teatrinhos encantadores…

O camarada Espártaco

Morreu Arnaldo Matos. Percebeu muito cedo o poder da comunicação. Os painéis, os murais, as pichagens nas paredes, os comunicados porta a porta, etc. Agitação e Propaganda.

Recentemente descobriu o Twitter.

Já em 1975, enquanto Secretário-Geral do MRPP tinha lançado uma grande campanha de angariação de fundos para a aquisição de meios técnicos de impressão.

O slogan: “A revolução precisa de fundos como a boca precisa de pão!”

Aqui fica um testemunho dessa campanha (e não, o original do talão não vai para o Ephemera do Pacheco Pereira).

Paula, despejada e sem talento

Paula

Foto via Esquerda.net

Paula, uma reclusa a cumprir pena por tráfico de droga em Santa Cruz do Bispo, foi despejada pela CM do Porto, apesar de, segundo pude apurar, nunca ter deixado de pagar a renda e as contas. Foi despejada porque a autarquia quis e tem poder para o fazer. Mandou retirar os seus bens da habitação, no chiquérrimo Bairro do Lagarteiro, trocou a fechadura e deixou mais uma casa vazia, numa cidade de preços exorbitantes onde tantos dormem na rua. Agora, Paula e os seus três filhos ficaram sem tecto. É a sociedade civil a fazer o seu papel e a reinserção social a funcionar em pleno. [Read more…]

Da arte de ser versátil ou de bem cavalgar toda a sela

 

Camiões com “ajuda humanitária” incendiados em território colombiano.

 

A política externa de qualquer país não se conduz através de comunicados ou anúncios públicos. Há mesmo ocasiões em que esses anúncios são instrumentos diplomáticos que servem para marcar posições de princípio opostas às acções e decisões que de facto estão a ser implementadas.

Posto isto, e verificando-se que está em marcha um plano de invasão da Venezuela, em violação do Direito Internacional e da Carta da Nações Unidas – organização actualmente presidida por um português -, espera-se que o governo de Portugal esteja, de facto, a agir de acordo com a legalidade, apesar da declaração de apoio a um auto-proclamado presidente que se comporta como um agente subversivo de terceira categoria, ao serviço do invasor e em violação ostensiva do Direito Internacional.

[Read more…]

La famiglia

Esta semana assisti a duas reportagens que indignariam cidadãos em qualquer país, desde que existisse dignidade como é óbvio. A triste verdade é ser mais fácil em Portugal que as pessoas se indignem com a contratação da filha e genro de Donald Trump, ou qualquer falta de ética dos filhos de Bolsonaro, do que se incomodarem com a triste realidade de quem nos governa. Para os socialistas, o partido parece ser o Estado, seguramente que o Estado pertence ao partido.
Num concurso público para contratação de funcionários, a câmara municipal de Elvas conseguiu preencher um terço das vagas com familiares do presidente da câmara ou vereadores. Em Pedrógão Grande, além da contratação de funcionários com laços familiares, ficámos a saber que até a ajuda dos portugueses às vítimas de incêndios, foi desviada para amigos e familiares, não faltando quem aproveitasse para trocar de frigorífico ou televisão à custa da generosidade dos portugueses. [Read more…]

A desigualdade salarial entre homens e mulheres

Fiquei tão escandalizado com a desigualdade salarial que existe em Portugal entre homens e mulheres – parece que, em média, são 157 euros por mês -, que até me esqueci da desigualdade salarial que existe entre as mulheres que vivem no Bairro da Jamaica e as que vivem na Quinta da Marinha.

Genealogia da moral

Abundam nas redes sociais – nestas redes inclui-se toda a comunicação social, que também é uma rede – referências críticas às últimas remodelações governamentais, designadamente a aspectos relacionados com os laços familiares que unem certos membros do Governo da República.

[Read more…]

Progenitor 1 nosso que estais no céu

A forma como rezam alguns cristãos que rezam tem todo o ar de segregação de género. Ou de espécie, ou lá o que é. É preciso resolver isso, Dra. Isabel.

É oficial: a extrema-direita tem sede de sangue e já não o esconde

O editor de um jornal do Alabama, de seu nome Goodloe Sutton, afirmou, em artigo de opinião publicado no seu jornal, que “É tempo de o KKK voltar a atacar de noite”, que “Os democratas planeiam aumentar os impostos no Alabama. Esse ideologia socialista-comunista soa bem aos ignorantes, incultos e simplórios” e ainda que “Se pudéssemos fazer com que o Klan subisse lá e limpasse Washington DC, ficaríamos melhor. Vamos tirar as cordas do cânhamo, enrolá-los num tronco alto e enforcá-los a todos”.

Este, meus caros, é o pensamento dominante entre os apoiantes de Trump, mas também de Bolsonaro, ou Viktor Orban. É aquilo com que sonham os Marios Machados que as TVIs desta vida humanizam, que, podendo, enforcarão também todos quantos não pensarem como eles. E sim, existem uns quanto alegados democratas, que não só não se incomodam com este tipo de declarações, como estão prontos para negociar com esta gente. Muitos deles estão no CDS-PP, alguns no PSD, e outros ainda, mais oportunistas e com maior sede de poder, saíram de um destes partidos e fundaram o seu próprio estabelecimento de extrema-direita.

Os democratas de todo o mundo, de esquerda e de direita, têm de abrir a pestana e decidir de que lado estão, porque a democracia precisa urgentemente da sua ajuda. Entre um fascista, um apologista da violência e da discriminação, e um democrata, não pode haver a mínima margem de dúvida. Ou, qualquer dia, sem darmos por ela, estaremos de mãos atadas de frente para o cadafalso.

Reféns da nossa irrelevância militar

GF

Quase 30 anos depois do fim da Guerra Fria, o palerma americano e o czar russo entretêm-se a rasgar contratos de não proliferação e a falar abertamente sobre a instalação de mísseis na Europa, como quem fala de um corte numa prestação social. E nós aqui no meio, reféns da na nossa irrelevância militar, a ser tomados de assalto por fascistas apoiados pelos dois.

Aposentados (se conseguirem) e empobrecidos

Aposentado chora, em evento do dia do trabalhador, realizado em São Paulo, 1995.

O evento foi organizado pelo sindicato dos bancários em manifestação contra o texto da reforma da previdência elaborado pelo governo FHC.

A imagem virou símbolo do drama terrível de muitos trabalhadores aposentados que contribuíram a vida toda, e ao se aposentarem, não recebem o mínimo nem para os remédios.

A história se repete com a proposta de Jair Bolsonaro (que se aposentou aos 33) enviada ao congresso.

Fontes Iconografia Historica e Sindicato dos Bancários de São Paulo