Government mob

São frequentes os casos de nepotismo em países do terceiro-mundo. Em Portugal longe vão os tempos em que um secretário-geral do PS, em vésperas de se tornar primeiro-ministro, alertou os correligionários que governar não era distribuir jobs pelos boys.
Nos últimos 24 anos, o PS governou 17, governando também a maioria das autarquias. A Juventude Socialista tornou-se na maior incubadora de empregos pagos pelo erário público, aos quais há que somar um infindável rol de pareceres, estudos, ajustes directos e afins.

O despudor do PS chega ao ponto de colocar o inenarrável Carlos César a defender a normalidade do estado a que chegámos, quando é sabido que o antigo presidente do governo regional açoriano empregou mais de uma dezena familiares no arquipélago. Imaginemos que alguém se lembraria de chamar Isaltino Morais ou Valentim Loureiro para defender a transparência no exercício do poder autárquico, será equivalente à credibilidade de Carlos César para falar sobre transparência nas nomeações de familiares para cargos políticos.
Preencher de forma tentacular o Estado nos seus diferentes níveis, é algo próprio de uma organização fundada há muito tempo na Sicília e mais tarde levada para os EUA. Mas para um país que se afirma republicano e laico, é intolerável, inadmissível, vergonhoso até. Que os portugueses o permitam mantendo esta gente no poder, também diz muito de quem somos…

Comments

  1. Julio Rolo Santos says:

    São só estes, e os outros? Todos os partidos que têm estado no poder só olham para si e para os seus e só depois é que olham para os outros. O titular deste artigo tem dúvidas disso? Se não, porquê o espanto relativamente a este governo? Se sim, é ingénuo ou fa-lo de má fé.

    • JgMenos says:

      Fá-lo de má-fé, só pode!

      Tuda a gente sabe, já se viu antes, não tem novidade, no fascismo não era tanto mas também era.

      Vai daí é comer calar ou é má-fé.

      Tá visto.

      • ZE LOPES says:

        No fascismo? Sim, mas com exceção de Salazar. Alguém viu algum filho de Salazar subir na vida à conta do progenitor? Ora essa! Nem outro colateral: o Cerejeira não subiu mais que cardeal e, mesmo assim, foi em segredo. Quando Salazar descobriu ficou irritado, e teve um profundo desgosto. Dizem que foi por isso que não teve mais descendência.

        Aliás, o único que ainda tentou foi um sobrinho-neto, que pensou que melhorava a pensão de reforma por lhe ter guardado as botas, mas não foi longe.


    • Não é infelizmente um exclusivo PS. Mas agora a prática foi elevada a um nível jamais anteriormente alcançado. Tornou-se chacota nacional até…


    • !!! mas porque o PS se arvora em esquerda, é que é mais chocante e amoral esta vergonhosa prática do actual governo !! para além de outros jobs e amiguismos partidários e jotas .

      Como afirma António de Almeida,

      ” …Preencher de forma tentacular o Estado nos seus diferentes níveis, é algo próprio de uma organização fundada há muito tempo na Sicília e mais tarde levada para os EUA. Mas para um país que se afirma republicano e laico, é intolerável, inadmissível, vergonhoso até. Que os portugueses o permitam mantendo esta gente no poder, também diz muito de quem somos… “

      • António de Almeida says:

        Um dos maiores problemas portugueses é olharmos para a política numa lógica própria do futebol. Quem se afirma de direita, desculpa o que possam fazer PSD ou CDS no governo, acenando com o perigo do regresso do PS ao governo. Mas quem se afirma de esquerda, segue exactamente a lógica inversa, não se pode criticar o PS porque isso é abrir portas à direita. E assim vai Portugal, eternamente à espera, cada vez mais parasitado pelos mesmos de sempre, num alternância que já fede…

    • Nascimento says:

      Tá maluco? de ” má -fé”??????? Quem? o Toninho?Não senhor. O Toninho, esteve de férias a ordenhar renas numa quinta biológica.Onde? Nã sei, e também isso agora ( depois do mal feito) já está prontes, pá! Olha, vai daí ficou assim…uma espécie de Coisa, tá a ver?Pois.

  2. Nuno M. P. Abreu says:

    Concordo inteiramente com os fundamentos deste artigo. Há dezassete anos, Guterres foi-se embora dizendo tentar evitar com isso que o pais mergulhasse num pântano. Infelizmente o pântano foi ganhando dimensões até que, já com lama pelo nariz, nos foi lançada uma bóia, cobrando por ela bem caro.
    Feliz da vida, apareceu o Costa, que aproveitando um verão económico, que sempre surge após uma tempestade deflacionária,,desatou a prometer secar as águas e começou a construir castelos sobre a superfície pantanal, momentaneamente endurecida. Abrigou neles a família, os jotinhas dos anos oitenta que passaram a vida, de terra em terra, agitando bandeiras, sem tempo para aprenderam algo de substantivo. Mas por maior que sejam as alterações climáticas, mais tarde ou mais cedo, surgirão tempestades, o pântano ressurgirá bem mais profundo, e os jotinhas, já pais de filhos, estenderão a mão de novo à procura de uma bóia salvadora que poderá, então, não estar disponível.

    • Julio Rolo Santos says:

      E essa boia salvadora será Passos Coelho? Não creio mas, num país de esquecidos e masoquistas, tudo é possivel. Cortar salários, aumentar impostos e passar os horários de trabalho de trinta e cinco horas semanais para quarenta horas semanais, negando essa intenção em eleições que lhe deram maioria relativa e que lhe permitiu formar governo com o CDS, como moleta, é ser coerente?


      • Não tem de ser preto ou branco. Criticar o actual governo não implica ter saudades do anterior…

        • ZE LOPES says:

          Sim, até porque os saudosos já são tantos que consta que o fado de abertura da serenata da Queima das Fitas deste ano será em homenagem a Passos e Portas:

          “Portas, que enfim partiste,
          Ouvindo irrevogáveis queixas.
          Por favor manda saudades,
          Que é coisa que cá não deixas.

          Passos, enfim partiste,
          Deixando saudades mil,
          Se por aí ind’houver CTT,
          Manda um bilhete postil”.

  3. Fernando says:

    Opinião para fazer entender que o nepotismo é exclusivo do socialismo ou qualquer coisa esquerda…

    Sem esquerda e socialismo não haveria nepotismo, e a economia cresceria 50% ao ano!!
    Assim, o Diabo é o que nos espera com este maldito socialismo colectivista que corrompe o individuo e a sua iniciativa…

    Nos EUA, país do capitalismo custe o que custar, país do “mercado-livre” o actual Presidente meteu a filha e genro a lidar com assuntos do Estado.
    Nepotismo? Nah, nepotismo só acontece em fins-de-mundo socialistas como Portugal ou a Coreia do Norte…


    • Muitos dos que criticaram Trump por essa nomeação estão calados face a esta vergonhosa prática do actual governo. Decerto já ouviu que no Estado Novo, Salazar estava rodeado de famílias que apoiavam o regime. Ao que parece a história repete-se, só que as famílias não detêm indústria, ocupam os lugares-chave na administração.

  4. Paulo Marques says:

    Tudo certo, eu só não percebo porque se acha que é um exclusivo nacional.
    Aliás, não percebo outra coisa, porque é que acha que os «pareceres, estudos» estão mais ligados ao PS do que à direita.


    • Já somos motivo de chacota na imprensa europeia. Lembra-se do caso da mulher de François Fillon? Do genro de Trump? Será que em Portugal consideram normal estas práticas?

      • Paulo Marques says:

        Somos motivos de chacota na imprensa europeia porque dá mais jeito rir dos atrasadinhos do que questionar as regras europeias face às infindáveis intervenções directas do governo Alemão na economia privada, só para dar um exemplo.

        • António de Almeida says:

          Trabalhei numa multinacional onde existe uma política, não se contratam familiares directos de empregados. Se dois funcionários decidem casar, obviamente que não despedem nenhum, mas não lhes é permitido trabalhar na mesma área de actividade, para que funcionalmente não fiquem ligados. Infelizmente o Estado é o que sabemos… (há países europeus onde estas práticas também não são permitidas…)

          • ZE LOPES says:

            Ainda bem que existem multinacionais com regras limpas e claras! Assim, se algum empregado tiver a ilusão de colocar lá o seu filho, fica a saber que o melhor será mandá-lo à nascença para um orfanato a fim de não lhe prejudicar a carreira.

            Outra questão: as/os amantes contam, ou só quando aparecem na capa da “Caras”?

            Já agora: tambem há alguma coisa sobre heranças das ações, ou aí o regime continua monárquico e desregulamentado?

          • Paulo Marques says:

            Ou é uma multinacional pequenina, ou está a omitir alguma coisa.
            Além do facto de algumas das pessoas neste caso terem sido admitidas por concurso, não por nomeação. Outro facto é que a elite nacional é pequena, e só se nomeia para o governo quem se conhece e confia.

      • Julio Rolo Santos says:

        Certamente que ninguém aprova estas práticas o que eu reprovo é ver pessoas olharem e reprovarem só o lado que lhes convém.

  5. ZE LOPES says:

    Para os liberteiros e liberaleiros só no Estado é que há nepotismo. No setor privado anda tudo ao “mérito”, sendo que o supremo grau do “mérito” é ser filho de um pai rico. Segundo Piketty, aliás, caminhamos para uma “sociedade de herdeiros”. Tudo normal! Menos no Estado, a não ser que sejam “dos nossos”!

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