A dinâmica dos mercados de combustível

Nasci e ainda vivi no tempo em que o petróleo e seus derivados, bem como a distribuição de combustível, eram pertença do Estado. Assim foi com Salazar, com Marcelo Caetano, durante o PREC.
Os enormes benefícios com que tentaram convencer de que a privatização dos combustíveis e sua distribuição seria um desígnio do livre mercado, de uma economia desenvolvida que promovia uma salutar concorrência e, daí, uma redução dos preços, vingou, felizmente para muitos.

Ora, felizmente para os que acreditam numa economia desregulada, passámos os últimos dias, às tantas mais uma vez felizmente para os mesmos, com uma luz sempre acesa a alumiar-nos o sinal de reserva dos veículos, enquanto as empresas privadas da distribuição se degladiavam com os seus trabalhadores e vice-versa.
Eu, por mim, aguardo ansiosamente e também talvez mui felizmente, pelo momento em que a fúria de mudança do petróleo para a energia eléctrica que varre o poder na União Europeia, devolva ao Estado a posse da produção e distribuição da energia para os transportes, muito embora não ao Estado português, mas à China, através da EDP!
Vai ser um momento lindo, certamente inolvidável, quiçá o dealbar de um novo paradigma, mui seguro para a soberania nacional e europeia!

Comments

  1. Nuno M. P. Abreu says:

    Será que um Estado, que se personifica num chicote de um homem, chame-se ele Salazar, Marcelo, ou Vasco Gonçalves, é melhor estado do que aquele em que hoje vivemos?
    Será que o direito à greve que foi exercido e que conduziu à actual crise não existiria se a distribuição dos combustíveis pertencesse ao Estado?
    Os funcionários públicos não fazem greve?
    O que tem a ver desregulação com privatização? A economia privada não pode e deve ser regulada?
    Uma coisa eu sei mas fico sem saber se é isto que pretende. Numa economia planeada. de génese comunista, não existe o direito à greve, não existem crises porque elas constituem o “status quo” dessas sociedades. Vivem “Pobretes mas alegretes” como diz o povo.

    • Paulo Marques says:

      Entre Merkel e Estaline (não digo Cunhal porque mal o conheço) há um vasto mundo de opções políticas em que haja greves e regulação. Caminhando pelo primeiro caminho é que vamos deixando de ter quer um, quer o outro, uma vez que atrapalham as espectactivas de lucro, como se escreve nos tratados.

    • ZE LOPES says:

      Vá atão ó Abreu!

      Colabore lá num estudo científico!

      Quando o chicote lhe cair em cima diga, por favor, por favor mas de forma audível, nada de truques, exprima simplesmente a seguinte expressão, que se destaca em destaque :

      “Ai!” (eventuamente acrescentando: “que já me deram!”).

      Ficamos a aguardar.

      Oferecemo-nos com a maior consideração.

      Ao cuidado de V. Exas.

      Humildemente nos subescrevemos.

      Yours faithfully,

      Os próprios.

      • Nuno M. P. Abreu says:

        Isto é areia de mais para a minha camionete!
        Nasci já no tempo da 2ª guerra mundial. Não entendo essa linguagem codificada da “juventude” de hoje! De qualquer forma muito obrigado pela sua declaração de fidelidade, embora dela não necessite muito já que tenho quatro cães que são do mais fiel que há.

  2. joão lopes says:

    Para já,ficamos a conhecer a Antram,o seu presidente e dono da distribuidora paulo Duarte,que escolheu de forma consciente pagar muito mal aos seus empregados(na folha e por baixo da mesa),com horários desumanos,com chantagens de todo o tipo.Pode sempre sempre usar os seus muitos lucros,isto é,as notas,para colocar no deposito para ver se o motor pega…

  3. Luís Lavoura says:

    A EDP não é a única produtora de energia elétrica para Portugal. Muita da energia elétrica consumida em Portugal não é produzida pela EDP.
    Mesmo que a EDP decidisse deixar subitamente de produzir eletricidade em Portugal, creio que, entre a que é produzida em Portugal por outras empresas, e a que se pode importar de Espanha (ou eventualmente França e Marrocos), Portugal não ficaria sem luz.

    • Julio Rolo Santos says:

      Em seu entender com a crise da EDP os portugueses não ficariam às escuras? E se fosse a REN entrar em colapso? A privatização da EDP foi um autêntico negócio para o Sr. Mexia e uma dor de dentes para os consumidores. Hoje estamos a pagar um preço especulativo da energia e, parece-me mesmo, que quem dita as leis de mercado em termos de energia elétrica são os chineses pendurados no sr. Mexia.Os comercializadores estrangeiros da energia elétrica em Portugal não praticam preços inferiores aos da EDP porque quem comando o mercado interno é esta empresa. e o resto são cantigas.

  4. Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

    A privatização requer, numa sociedade equilibrada, uma consciência social profunda. E digo sociedade equilibrada, porque Portugal nunca o foi, nem é. Resta saber se alguma vez será.
    Privatizar é substituir um modo de gestão, mas não será nunca, seguramente, a entrada num outro modo de gestão baseado no caos da procura dos lucros de qualquer forma. É, repito, um modo de gestão e a gestão é um processo que deverá respeitar todas as partes envolvidas.

    Portugal, como qualquer país do terceiro mundo aproveita a fase da privatização para desregular ainda mais o que já está desregulado, criando uma teia de ligações a que se convencionou chamar “cartel”. E é exactamente este o problema das actuais privatizações: os privados cartelizam-se como forma de obterem os maiores lucros. Os derivados do petróleo são, disso, um dos melhores exemplos. Quando a concorrência ditaria a baixa de preços, eis que eles sobem desmesuradamente.
    Portugal passa assim a ser a excepção que confirma a regra que estabelece que a concorrência actua, normalmente, sobre a baixa de custo custo das matérias transaccionadas.
    Dentro desta via do lucro grande, os “gestores” privados – normalmente pessoas sem qualquer preparação e só muito raramente com escrúpulos – jogam com os salários dos seus colaboradores duma forma obscena.
    Era assim que o capitalismo liberal procedia no século XIX durante a industrialização, o que levou os operários às muitas greves e conflitos sociais.
    Esta “democracia” redescobriu a história e pior, tenta repetir aquilo que se sabe como acabará.
    E, ainda que a função do estado não seja legislar a actividade privada, o mesmo estado tem a obrigação de combater o “esclavagismo industrial e comercial” a que se assiste e, dizendo-se “socialista”, mais para isso deveria olhar, para evitar que estes parasitas armados em gestores, venham re-inventar doenças sociais que se anunciam cada vez mais próximas.

    NOTA: O sr ministro dos Negócios Estrangeiros, tem excelentes “papers” sobre o movimento operário do século XIX. Creio é que esqueceu a história, como esqueceu o que é o socialismo.

  5. Julio Rolo Santos says:

    Todos sabemos que o Estado é um péssimo gestor da coisa pública mas os privados são uns autênticos gananciosos da coisa pública e quem fica a perder, quem é, quem é?

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