Demissão dos Secretários poderá afectar Saúde Pública

Vamos lendo e ouvindo que enquanto, para uns, a coisa não mereceria tamanho estardalhaço, para outros, isto é tudo um bando de corruptos, mas tenho para mim que nem uma coisa nem outra. É verdade que acho estes pedidos de demissão muito tardios, mas, simultaneamente, não vejo mal algum que um governante aceite brindes de empresas privadas, desde que se demita antes!
Sim, por mais simbólico que o brinde seja, não deve um funcionário ou representante do Estado aceitá-lo, não por desmerecimento, mas por princípio e regra de vida, embora saiba que essa coisa de princípios é coisas caduca e muito fora de moda.

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No entanto, a decisão de constituir como arguidos, que se advinha por parte do Ministério Público, poderá acarretar uma razia avassaladora entre os profissionais de medicina, colocando em sério risco todos os sistemas de saúde pública aquém e além fronteiras!
A fazer jurisprudência em caso de condenação, o que irá acontecer [Read more…]

A ironia do geringoncismo

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A confirmarem-se as previsões, é possível que o ano de 2016 termine com uma grande ironia: o défice mais baixo das últimas décadas será conseguido por um governo socialista apoiado pelo PCP e BE. Na novilíngua do radicalismo neoliberal, um Processo Revolucionário Em Curso com vista à estalinização do país. Uma perigosa e infame Geringonça, preparada para instalar um totalitarismo soviético que espanta investidores, aumenta brutalmente os impostos e persegue impiedosamente o ensino privado. O precipício. [Read more…]

Ironias

A música dos Sétima Legião, da qual certamente muitos se lembram, faz hoje de banda sonora em anúncios publicitários do Lidl.
Há uma certa ironia nisso.

Mário Soares

Sobre a coerência política de Mário Soares, a recordar este texto de Clara Ferreira Alves

Escândalo no exame nacional de Português do 12º ano

Da prova hoje realizada constavam uns versos de um tal Camões, vetusto decassilabista, onde, pasme-se, abundavam os erros ortográficos.

Cos e co, algũa, assovia, hómidos, hórridos todo um baxo trato humano à ortografia superiormente ditada por todas as normas ortográficas.

Uma vergonha. Depois disto tudo pode acontecer. É  certo que em letra mais pequena se avisava ter-se usado a edição de um tal de Costa Pimpão, que não faço ideia de quem seja mas certamente não andou na escola,  está mal, deviam  ter escolhido outra, em português de lei. Esta gente deve pensar que a ortographia é uma convenção qualquer de somenos importância. Cáfila de traidores.

Câmara comunista desaloja Cáritas

Hoje todos os telejornais vão abrir assim:

Uma câmara de maioria comunista mandou desalojar a Cáritas Diocesana de um edifício propriedade do município, depois de se recusar a negociar a sua permanência em virtude de “ter em estudo um projecto social para aquele local“.

Esta atitude causou a indignação da população e da hierarquia católica, revoltada esta com o que classifica como “um ataque à religião e à livre iniciativa da sociedade civil em prol dos mais desfavorecidos”.

Um porta-voz do governo lamentou a impossibilidade de intervir neste caso, mas garantiu: “em breve tomaremos as medidas legislativas adequadas para impedir que um autarca possa violar desta forma vários preceitos constitucionais“.

Entretanto e no decorrer da desocupação, um morador local, utente dos serviços prestados pela Cáritas, regou-se com gasolina, mas a rápida intervenção policial evitou o pior.

a utilidade das hierarquias e dos títulos

Dois factos apenas acordaram em mim este título para o presente ensaio.

Se falo de hierarquia, estou a falar de préstimo ou do que há de útil, de meritório ou de proveitoso em alguma pessoa ou coisa, vantagem; serventia, pessoa ou objecto útil. Esses dois factos que lembro, por ordem cronológica, advêm de ideias de divertimento, prestadas, sem saberem, por pessoas que se relacionaram comigo. Uma das pessoas estudava direito e, até  à obtenção da sua licenciatura, secretariava o ISCTE. Pessoa empenhada, tinha, em minha opinião, duas metades: se falava com um docente, nós, Doutores e de alta patente, em frente de pessoas da sua secretaria éramos, meu amigo. Na companhia de só um de nós tratava-nos por Senhor Doutor, mas em público, [Read more…]

o som de um ninho vazio…

o dia em que amar coverte-se numa constante ironia

Para os meus discípulos de Etnopsicologia da Infância.

Falava ao telefone com uma antiga estudante minha, amiga que age como entende e ajuda-me em todo o que é possível. Dizia-me, logo de manhã ao telefone, que um homem é uma pessoa atroz. Perguntei porque. A resposta foi simples: nada fazemos para as agradar. Comecei a pensar: o que será que agrada a uma mulher, além da intimidade sexual? O carinho gratuito, o amor sem parar, as flores elegantes, dizer que é bonita, acompanhar no minuto da tristeza? Passear para namorar? Devo dizeres que enquanto os anos passam, a minha experiência com as Senhoras são cada vez pior e difícil: mais tempo passa, menos agradamos. Procurei no dicionário a palavra atroz, e fiquei espantado e ferido: cruel e desumano, que excede quanto é imaginável, monstruoso. Não sabia que eu era assim! Bem ao contrário. Pensava ter sido gentil, um cravo, uma rosa branca de carinho, simplesmente, um ser masculino que seduz. Enganei-me. A ironia da frase, reiteradamente referido, desapontou-me. Especialmente, por não me considerar machista. No final, ficamos sós e não prestamos. Como acontece quando os descendentes crescem e formam as suas famílias: devemo-nos habituar a esse som de ninho vazio, sem descendentes, sem companheira. E mais nada acrescento nestes andares, cada ideia minha, será mais uma ironia que amedronta. É melhor pensar na ideia do cabeçalho do texto, que é bem mais triste.

 Confesso que a frase do título não é minha. Antes fosse. É a frase de Mac Kinsey ou Clare McMillan, a mulher do Biólogo, Entomólogo e Sexólogo, o Professor Doutor Alfred Kinsey, o autor do denominado Relatório Kinsey, sobre a sexualidade da

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Futaventar: abrir hostilidades

Daqui a pouco, o Glorioso tem um jogo a feijões e não me importo de, adiantadamente, aconteça o que acontecer, dar o flanco.

Já o pessoal do Aventar vai ter um sábado muito preenchido. Desejo-lhes um dia bem passado e que se divirtam. Eu estarei a uns milhares de quilómetros de distância e não poderei acompanhá-los. À noite, para digerir, haverá águias contra dragões, que não poderei também acompanhar.

Espero que tenham todos um dia em cheio, mas que os dragões acabem com uma ligeira azia…

Despediram o poeta?

Depois de resultados pouco mais do que inconsequentes, o poeta da Polícia Judiciária responsável pelos nomes de operações como:

 

Noite Branca

Tridente

Apito Dourado

Furacão

Mãos Limpas

Primavera Adiada

Voo Picado

Erva Daninha

Espada Preto

Face Oculta

 

parece ter sido despedido. Ao que consta foi agora nomeado um cozinheiro para a função, cuja primeira criação foi hoje apresentada. Trata-se, nem mais, nem menos, da

 

Operação Paella

 

Com os pés assentes no chão e, literalmente, as mãos na massa, a Judiciária espera agora que as novas receitas se traduzam em refeições substantivas que possam ser cozinhadas e consumidas até ao fim. 

 

 

 

Modesta proposta para combater o desemprego

Vi numa reportagem um senhor panificador que resumiu o grande problema nacional assim: as pessoas querem emprego e isso não temos, temos é trabalho mas isso  não querem.

Fez-se-me luz. O desemprego tem aumentado porque as pessoas andam à procura de trabalho das 9 às 17, como dizia o panificador, e não estão dispostas a trabalhar noite fora a troco de um mínimo da salário e um saco de carcaças.

O trabalho induca, liberta, é saudável. A mania de alguns, insistindo em serem remuneradas, terem um contrato, e outras mariquices, é que estraga tudo, já para não falar na questão semântica: temos mais de 10% de desempregados, mas é falso que abundem os desemtrabalhados.

Mesmo os poucos empregos que foram criados não podem chegar para todos porque os todos são muitos. Vamos lá baixar o número dos muitos: limite-se o acesso ao trabalho, sobretudo ao emprego, às mulheres – enfermeiras, telefonistas, professoras e assistentes de bordo, vá que não vá. Admito ainda meia-dúzia de excepções para profissões pouco masculinas como as de mulher-polícia, costureira, mulher-a-dias e vendedora de sardinhas na praça.

Não se trata de um regresso ao antigamente salazarista: dispenso as senhoras da obrigatoriedade de autorização superior para contraírem matrimónio, como se usou nesses tempos.

Resguardadas no remanso do lar, as portuguesas não só libertavam ocupações laborais para os homens como asseguravam a perpetuação da família, essa nobre instituição vilmente ameaçada nos dias de hoje. As que não quisessem casar com homens sempre podiam ser freiras, há sempre solução para tudo, o que é preciso é boa vontade, não acham?

Um anúncio contra a estupidez

 

 

Este anúncio foi considerado o "melhor anúncio governamental europeu de prevenção da sida".

A minha dúvida é se será o mais eficaz. Leiam a caixa de comentários no youtube e vejam como aparece gente que leu a mensagem ao contrário.

É um velho problema na comunicação humana, o raio da ironia. Podem dizer que a culpa é do ensino mas não é: nenhum sistema educativo pode resolver o facto de existir gente muito pouco inteligente. Tapada. Bloqueada. E momentos infelizes todos nós temos.

Por essa mesma razão ainda gosto mais do vídeo: pelo menos um dos comentadores teve de exercitar o cerebrozinho, e abrir os olhos para a evidência de a vida ter mais cores para lá do preto, do branco e do óbvio.