A dinâmica dos mercados de combustível

Nasci e ainda vivi no tempo em que o petróleo e seus derivados, bem como a distribuição de combustível, eram pertença do Estado. Assim foi com Salazar, com Marcelo Caetano, durante o PREC.
Os enormes benefícios com que tentaram convencer de que a privatização dos combustíveis e sua distribuição seria um desígnio do livre mercado, de uma economia desenvolvida que promovia uma salutar concorrência e, daí, uma redução dos preços, vingou, felizmente para muitos.

Ora, felizmente para os que acreditam numa economia desregulada, passámos os últimos dias, às tantas mais uma vez felizmente para os mesmos, com uma luz sempre acesa a alumiar-nos o sinal de reserva dos veículos, enquanto as empresas privadas da distribuição se degladiavam com os seus trabalhadores e vice-versa.
Eu, por mim, aguardo ansiosamente e também talvez mui felizmente, [Read more…]

Um conto e quatrocentos por uma garrafa de azeite

e queixam-se do preço da Gasolina.

O preço das gasolinas

preco_gasolina_portugal

[António Alves]

Não, Portugal não tem a gasolina mais cara da Europa. Também não faz parte da lista dos mais baratos. É o oitavo – sim, leram bem: o oitavo – mais caro da Europa. Existem sete países onde a gasolina é mais cara.
Também não é verdade que o aumento dos combustíveis se repercute imediatamente no preço de todos os outros produtos. A fabricação desses produtos usa essencialmente electricidade, energia em que Portugal é praticamente auto-suficiente.
Os custos de transporte também não pesam assim tanto no custo final de um produto.
O aumento do preço dos combustíveis é um problema para as transportadoras rodoviárias e para o transporte individual, vulgo automobilista particular.
No primeiro caso, dado que existe imensa concorrência entre eles, o que acontece é um esmagamento das margens de lucro dos camionistas. Problema deles.
No segundo caso, dado que o mercado de combustíveis é livre, e o governo não intervém nele, só há uma solução: gastar menos gasolina. Se o consumo baixar muito talvez as gasolineiras baixem o preço para recuperar as vendas.
Meter tretas no facebook não adianta nada.

Ano novo, impostos novos

Governo anuncia aumento do imposto sobre os combustíveis
O Imposto Sobre Produtos Petrolíferos e Energéticos (ISP) vai ser aumentado a partir de segunda-feira [amanhã], segundo uma portaria publicada hoje [31/12/2017] pelo Governo em Diário da República. [DN, 31/12/2017]

A taxa do ISP aplicável à gasolina passa a ser, respectivamente, 0,556 euros e 0,343 euros por litro para gasolina* e gasóleo, o que se traduz num aumento de 0,9 cêntimos por litro de gasolina e de 0,6 cêntimos por litro de gasóleo.

Escolher o dia da passagem de ano para anunciar este aumento é uma sacanice em dose dupla. Primeiro, por aumentar os impostos num produto cujo preço já é maioritariamente composto por impostos e, em segundo lugar, por novamente se ir pelo caminho de anunciar medidas quando os portugueses andam entretidos com outras coisas. Pelo andar da carroça, já estou a olhar para o calendário para me preparar para futuras más notícias.

* com teor de chumbo igual ou inferior a 0,013 g por litro

 

Terapia do riso

Gasolina e gasóleo: quanto do preço de venda ao público é impostos

O Preço de Venda ao Público (PVP) dos combustíveis calcula-se assim:
PVP = (x + ISP ) * (1+IVA)
x é o valor dos combustíveis à saída da gasolineira
ISP é o Imposto sobre os Produtos Petrolíferos

Pelas contas que se vêm em baixo, conclui-se que  52% do PVP da gasolina é impostos e que 42% do PVP do gasóleo rodoviário é impostos.

Algo mudou muito desde que andava semanalmente a fazer estas contas há 2 anos! Dado que os impostos aumentaram (o IVA), e a taxa de impostos sobre o PVP baixou dos 60% e tal para entre 40% a 50%, então isto significa que o valor à saída da gasolineira aumentou. Tal não surpreende, pois o preço do crude tem aumentado. Mas, como refere Sérgio Lavos, a discrepância quando comparado com a restante Europa é assinalável. Algo a investigar.
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Ninguém gosta dos transportes públicos

A moda agora é defender que se acabe com tudo o que dá prejuízo.
Parece-me bem, principalmente se contabilizarmos tudo que temos que contabilizar sempre que analisamos o custo de um serviço.

Eu por exemplo acho que os custos atribuídos ao transporte individual privado estão subavaliados… não consideram quanto tivemos que investir em infraestruturas (nomeadamente autoestradas), o impacto que tem no ambiente (qualidade do ar e não só), o impacto económico das importações de petróleo (que, não, não vão ser compensadas com a construção de mais barragens), o impacto social de ter menos tempo disponível para trabalho/descanso (pelo tempo que passam em filas de trânsito) etc, etc.

Por isso até acho que devíamos aumentar o custo da gasolina (para 2€/l por exemplo) e/ou portagens de forma a incorporar esses custos. A receita extra seria naturalmente para aplicar em transportes públicos.

Não em projecto faraónicos tipo tgvs que não têm nada de público e limitam-se a ser fonte de rendimento para construtoras mas… sei lá… por exemplo para acabar a remodelação da linha do norte (que começou há 20 anos) para os pendulares poderem circular sempre a 200kmh, ou, bem há centenas de pequenos projectos possiveis que poderiam ser feitos.. é só escolher. Mas claro, primeiro é preciso decidir.

Dos rebuçados para a gasolina

Ah, ainda me lembro desses tempos de humildade, em que passávamos a fronteira para comprar rebuçados, chocolates e bacalhau. Do outro lado era mais barato. A peseta estava com um câmbio a jeito e o passeio servia de argumento. Outros tempos.

Hoje, não há peseta nem escudo. Já não vamos ao bacalhau. Nem consta que aos rebuçados ou chocolates. Vamos ao combustível.

Não fosse tão longe e frio e valeria a pena fazer formação profissional, tipo novas oportunidades, na Islândia.

E se nacionalizássemos a Galp de novo?

BE: galp e edp

Um empresa pública que venda com lucro leva à existência de um imposto camuflado.

De vez em quando, em comentários dos jornais, nos blogs e em conversas dou com observações nestes termos: os lucros da Galp são escandalosos e a privatização da empresa ainda os fez aumentar mais.

Sabendo de antemão que nos tempos da Galp pública, os preços eram definidos por decreto e que estes variavam em função das necessidades orçamentais, dei-me ao trabalho de fazer umas contitas.

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Os combustíveis low-cost e a estratégia de desviar a atenção

Da saída da refinaria até à bomba, os impostos fazem os preços da gasolina e do gasóleo aumentarem, respectivamente, 87% e 135%

Alguns deputados do PS estão muito preocupados com a concorrência no que toca a questão dos combustíveis. Em 2008 a preocupação foi de tal forma forte que até acabou por haver um extenso estudo por parte da Autoridade da Concorrência para se saber se as dúvidas repetidamente expressas pelo governo eram ou não fundamentadas. Suspeitava-se então que os preços dos combustíveis estavam inflacionados pela situação de monopólio que existe na refinação de combustíveis. Meses de investigações levaram a uma conclusão que se antecipava: os preços dos combustíveis, antes dos impostos, seguem o que se passa nos outros países.

Agora que estamos numa nova crise de preços, eis que, outra vez, as hostes socialistas se incomodam com os preços que andamos a pagar. Desta vez a ira não vai para os preços à saída da refinaria mas sim para o facto de não haver combustíveis low-cost em todas as esquinas. Bem, pode-se sempre fazer uma lei para isso. Para quem já não não tem mercado a funcionar sem o aval do governo, mais uma já pouco importa.

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Preços gasolina, gasóleo, brent: 2005 a Janeiro 2011

Sendo novamente tema quente, continuo o registo da variação de preços do brent, do gasóleo rodoviário e da gasolina sem chumbo com 95 octanas (IO95).

2005 - 2011: Câmbio Dólar / Euro 2005 - 2011: Preço do Brent em euros 2005 - 2011: Preço de Venda ao Público do Gasóleo Rodoviário 2005 - 2011: Preço de Venda ao Público da Gasolina 95 octanas Gasolina, gasóleo e brent 2005-2011

Estes gráficos (clicar neles para ampliar) apresentam dados para o período de 2005 a 10 de Janeiro de 2011:

  1. 2005 – 2011: Câmbio Dólar / Euro
  2. 2005 – 2011: Preço do Brent em euros
  3. 2005 – 2011: Preço de Venda ao Público do Gasóleo Rodoviário
  4. 2005 – 2011: Preço de Venda ao Público da Gasolina 95 octanas
  5. Gasolina, gasóleo e brent 2005-2011

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Gasolina, Gasóleo e Brent: preços 2005 – Jul. 2010 (III)

Este é o terceiro e último texto de uma série de três com uma análise da evolução dos preços dos combustíveis entre 2005 e Julho de 2010:

  • Parte I – apresentação dos dados
  • Parte II – Análise dos dados
  • Parte III – o presente texto: Divagações sobre as "infames gasolineiras"

As duas primeiras partes desta sequência foram de cunho exclusivamente factual, enquanto que esta terceira parte será a minha interpretação dos factos.

Mas antes disso tenho um pequeno segredo a revelar.

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Gasolina, Gasóleo e Brent: preços 2005 – Jul. 2010 (II)

Este é o segundo texto de uma série de três com uma análise da evolução dos preços dos combustíveis entre 2005 e Julho de 2010:

  • Parte I – apresentação dos dados
  • Parte II – o presente texto: Análise dos dados
  • Parte III – Divagações sobre as "infames gasolineiras"

Parte II – Análise dos dados

Na primeira parte desta série, vários gráficos foram apresentados, mostrando a evolução dos preços do brent, do gasóleo, da gasolina e do câmbio dólar/euro:

Gasolina, Gasóleo e Brent: preços 2005 - Jul. 2010 

Os primeiros quatro gráficos têm "apenas" interesse documental, sendo a presente análise baseada no último dos gráficos, aqui reproduzido:

Gasolina, Gasóleo e Brent: preços 2005 - Jul. 2010

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Gasolina, Gasóleo e Brent: preços 2005 – Jul. 2010 (I)

Com este post começo uma série de três onde apresentarei uma análise da evolução dos preços dos combustíveis entre 2005 e Julho de 2010:

  • Parte I – o presente texto: apresentação dos dados
  • Parte II – Análise dos dados
  • Parte III – Divagações sobre as "infames gasolineiras"

 

Parte I – apresentação dos dados

Os gráficos seguintes ilustram as variações dos valores do brent, da gasolina sem chumbo 95 octanas e do gasóleo rodoviário, no período de 14 de Janeiro de 2005 a 19 de Julho de 2010.

 

2005 – 2010: Preço do Brent em euros
de 2005 a 19 de Julho de 2010

2005 - 2010: Preço do Brent em euros

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O Preço do Petróleo Desce, mas os nossos combustíveis NÃO

Para quando uma insurreição?

Ainda não estamos fartos desta trampa?

Uns a ganhar rios de dinheiro e outros que nem emprego têm. Os custos da vida de cada dia a subir, e o governo a querer aumentá-los ainda mais. O problema das Scut e a oposição maior a querer que todos paguemos. Um Primeiro que já deveria ter ido embora mas que ninguém tem coragem de o pôr dali para fora porque ainda não convém. Um Presidente que [Read more…]

Sou a Favor do Pagamento de Portagens (3)

Considerando que o pagamento de portagens nas auto-estradas grátis é “uma questão de justiça, equidade e solidariedade”, alguém me explica porque é que a A25 (litoral-Beira Alta), A23 (Beira Baixa) e A22 (Allgarve) ficam fora do ramalhete justo, equitativo e solidário?

Façam-me um desenho.

Adenda: afinal, as auto-estradas grátis “custam ao país 700 milhões de euro por ano“.

"O Drama de Uma Estudante Universitária"

“Sem alternativas, Catarina é obrigada a viajar de automóvel particular porque não há outro tipo de transporte. “Temos carreiras que fazem o percurso diário entre Paços de Ferreira e o Porto, mas os horários não são compatíveis com as aulas e, além disso, são muito lentos, porque seguem pela Estrada Nacional e atravessam a serra da Agrela. Nos dias em que tenho aulas só à tarde, se escolhesse o transporte público teria de sair de casa, pelo menos, a meio da manhã”, explica. Por outro lado, Paços de Ferreira não tem uma rede ferroviária e quem quiser viajar de comboio tem de ir de carro até Penafiel ou Paredes, onde existem estações de caminho-de-ferro.” – Jornal de Notícias, 23 de Abril de 2010.

Na sequência do meu post de há dias a propósito do pagamento de portagens nas auto-estradas, venho por este meio mostrar a minha total solidariedade com o governo da República Portuguesa: portagens sim.

Para todos por igual, sem discriminações “positivas” porque ao abrigo das mesmas o Grande Porto tem sido beneficiado e o vale do Tâmega prejudicado. Portagens sim.

Como contrapartida, apenas exijo do meu país que invista os novos 120 a 130 ME no desenvolvimento dos transportes públicos, nomeadamente no caminho-de-ferro.

À estudante Catarina Sousa, agora em vias de pagar as dramáticas portagens, faça-se a si e aos seus eleitos a pergunta: Paços de Ferreira, Lousada e Felgueiras não têm caminho-de-ferro porquê? Já vão longe os anos 30…

ps: um mapa antigo.

Sou a Favor do Pagamento de Portagens (2)

a3+a11+n103

Cabreiros, Braga, Portugal - convergência da N103 com a AE11 e AE3

Nota prévia: no texto que se segue coloco propositadamente vários tipos de “auto-estradas” debaixo do mesmo nome genérico. Elemento comum a todas elas: possuem pelo menos duas faixas de rodagem em cada sentido, separador central de tráfego e desnivelamentos. Também de acordo com o documento abaixo citado, não são consideradas as (eventuais) alternativas ferroviárias aos mesmos percursos.

Parte 1

A 18 de Outubro de 2006, o governo da república faz saber que o “Regime Scut” é  uma coisa boa:

SCUT = auto-estrada “Sem Custo para o Utilizador”.

as SCUT deverão permanecer como vias sem portagem enquanto se mantiverem as condições que justificaram, em nome da coesão nacional e territorial, a sua implementação, quer no que se refere aos indicadores de desenvolvimento socio-económico das regiões em causa, quer no que diz respeito às alternativas de oferta no sistema rodoviário.”

Posto assim, o usufruto destas novas vias de comunicação modernas seria, para benefício de regiões desfavorecidas, sustentadas pelo Estado central e não directamente pelos seus usufrutuários. Nobre princípio.

No mesmo documento, para além da definição numérica do que é uma região desfavorecida, alude-se também ao que são as vias alternativas aos percursos das scut. “Foi assumido um índice de referência de 1,3x, valor a partir do qual se considerou que as vias alternativas à SCUT não constituem uma oferta razoável em termos do rede rodoviária local e regional.” Se bem percebi, o factor “tempo de viagem” seria também considerado na taxação ou não das tais auto-estradas.

O documento refere também “os critérios de discriminação positiva”  a Norte, no Interior, na Costa de Prata, Beira Interior, etc… até mesmo o Grande Porto terá direito a uma discriminação positiva… [Read more…]

Sou a Favor do Pagamento de Portagens (1)

scut

Sou a Favor do Pagamento de Portagens nas auto-estradas “grátis”, só temos aquilo que temos andando mesmo-mesmo a pedir.
As razões do meu apoio ao pagamento de portagens em todas as auto-estradas já a seguir.

Na foto, scut Gafanha da Nazaré-Vilar Formoso, vulgo A25, Agosto 2009 e o Intercidades Guarda-Lisboa na Linha da Beira Alta e o rio Mondego.