O contato, os contatados e os contatos

En quelques secondes j’avais perdu mon père. Ce que j’avais si souvent craint était arrivé, en ma présence. Je ne suis jamais parti donner des conférences en Australie ou en Inde, au Japon ou aux États-Unis, en Amérique du Sud ou en Afrique noire sans penser au fait qu’il aurait pu mourir pendant mon absence. Je songeais alors avec effroi qu’il m’aurait fallu faire un long retour en avion vers lui en le sachant mort. Or, il mourrait, là, avec moi, dans mes bras, seul à seul. Il profitait de ma présence pour quitter le monde en me le laissant.

Michel Onfray

Tanto adiei esse dia que o deixei fugir.

Carla Romualdo

Nous vénérons beaucoup plus les idées que la réalité.

Michel Onfray

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Depois do fim-de-semana, se bem se lembram, tivemos segunda-feira e também houve terça-feira. Entretanto, chegámos a quarta-feira

e tudo continua exactamente na mesma.

A ideia “acordo ortográfico” é venerada pelo poder político de Portugal — todavia, a realidade passa completamente ao lado de quem decide, como passaram os pareceres críticos que previam o desastre e ficaram na gaveta a servir de forro. O Diário da República é simultaneamente a realidade e a sua demonstração, ou seja, uma montra que serve de prova visível, pública e notória do desastre actualmente a acontecer em todas as áreas do “portuguez lingua escripta“. No entanto, a reacção dos decisores, de quem se espera lucidez e a quem se exige coragem, resume-se efectivamente a encolher os ombros, assobiar para o ar e tapar o sol com a peneira.

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Actualização (7/6/2019): ligeira correcção estilística no último parágrafo.

Comments

  1. Fernando Manuel Rodrigues says:

    Mas esta m… não acaba mais? Será possível que os sucessivos governos se estejam todos a marimbar para o facto de o Diário oficial dar erros ortográficos continuamente?

    Não será possível mover uma acção contra os responsávewis do DR (sejam lá eles quem forem) por desrespeito para com o país?

  2. Manuel Pereira says:

    A vergonha de uma língua secular. Uma vergonha nacional. Se Portugal não pode ser dono da língua, porque pode o Brasil sê-lo?