Política de balneário

Num debate parlamentar ocorrido há uns meses, o senhor Primeiro Ministro, quando respondia a uma interpelação do líder da bancada do PSD, achou por bem referir, no contexto do irrelevante assunto em apreço, que ambos eram adeptos do mesmo clube de futebol.
Há uns dias, foi a vez do senhor Secretário de Estado das Finanças ir à televisão filosofar em estilo coaching e auto-ajuda transcendental sobre a operação de estrada levada a cabo pela Autoridade Tributária, a PSP e a GNR, fenómeno para a explicação do qual recorreu a frases lapidares extraídas de um discurso histórico proferido por um treinador de futebol em dia de festa. Hoje foi a vez de um outro Secretário de Estado comentar a circunstância nefanda de um jogador de futebol ter sido assobiado à chegada a um local de estágio.
Uma vez que toda esta gente há-de ter olhos na cara, estando por isso ciente de que quando fala na condição de membro do Governo da República se dirige ao detentor da soberania e não a uma jaula de símios, não será absurdo lembrar que um país não é um balneário, um cidadão não é um sócio de bancada nem membro de claque, e que ter responsabilidades governativas não é o mesmo que gerir um circo.

Rui Rio

Rui Rio tem três problemas fundamentais, sendo que nenhum deles resulta de defeito seu particularmente grave. A saber:

  • É do Porto.
  • É conservador nos costumes.
  • Não voa, mas usa vassoura.

Nenhum destes problemas tem, aparentemente, solução favorável. Rui Rio não vai deixar de ser do Porto, cidade para a qual transferiu o centro simbólico do poder do seu partido. Também não vai deixar de ser conservador nos costumes, pois essa é uma marca fundamental da sua identidade política, muito embora esteja em total contra-ciclo com a dinâmica social vigente. Finalmente, não é expectável que desista a meio do processo de reconfiguração interna que iniciou, uma vez que foi precisamente para o executar que foi eleito presidente do PSD.

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João Félix assobiado e insultado na chegada à concentração da selecção do Brasil

«João Félix assobiado e insultado na chegada à concentração da Seleção». Efectivamente: ‘selecção’ ≠ ‘seleção’.