Literatura sem bluff

A apresentação pública foi há um mês (a 18 de Maio, para ser exacto, na Livraria Círculo das Letras, em Lisboa), mas, por circunstâncias várias que não vou detalhar, só agora me foi possível lê-lo com o vagar a que me obrigo para com os livros e autores de que gosto.

É, porém, um livro que se devora em pouco tempo. Tão pouco quantas as páginas de que dispõe (cerca de 30, sem numeração), mas que exigem a atenção aguçada e exclusiva do leitor, como é próprio de todas as coisas que valem a pena.

Chama-se, o livro, “Bluff”, e o seu autor António Ferra. É uma história que nos revela, em flashes curtos, os detalhes da vida de uma Graziela casada com um Jacinto bêbado e disfuncional possuído por t(r)emores de vários demónios que sobrevoam os descampados periféricos de um lugar sem nome nem geografia. Vidas feitas dos vários bluffs da vida real, onde se cruzam enganos e sentimentos, incertezas e contradições, seres e pareceres com alma e sem futuro aparente, pequenas coisas e momentos de humana desumanidade. [Read more…]

Educação: pão e circo

No campo da Educação, os poderes, políticos e outros, juntam à ignorância a sobranceria e o exibicionismo habilidoso de um marketing vazio, cheio de palavras melífluas que, em si mesmas, não podem, aparentemente, ser contestadas, de tão consensuais (alguém é contra a inclusão, por exemplo?).

Ao terminar o ano, perto do final de outro mandato desastroso, mais uma vez, não se mexeu na forma de acesso à Universidade (o que garante o lucros de alguns colégios), manteve-se a imposição de novas inutilidades (no caso desta equipa, as provas de aferição) e aprofundou-se o ataque aos professores (roubados em tempo e dinheiro).

O Paulo Guinote chama a atenção para duas cerejas em cima do bolo mal cozido: a criação do Plano Nacional das Artes e a proposta de retirar o exame de Matemática do acesso aos cursos para professores do Primeiro Ciclo. No primeiro caso, haverá pão para alguém; no que se refere ao segundo, é o habitual circo do Conselho Nacional de Educação.