O código de ética do PS também se aplica a Carlos César?

Fotografia via Rádio Renascença

Parece-me uma dúvida legítima. Segundo o Expresso, o Partido Socialista vai impor aos novos deputados a assinatura do código que ética do partido, como de resto fez no início da actual legislatura. Não conheço o conteúdo do referido código, se se trata de um documento sério ou de uma mera encenação para português ver, mas é sempre de saudar a boa intenção, apesar do Inferno, que, lá diz o povo, na sua imensa sabedoria, está cheio delas.

Sendo transversal a todos os socialistas a exercer funções no Parlamento, imagino que Carlos César também o tenha assinado. E aqui reside a minha dúvida sobre este código, nomeadamente sobre o que dirá acerca de políticos com vários familiares directos a trabalhar na administração pública, em cargos de nomeação. E Carlos César tem – literalmente – uma mão cheia deles: esposa, filho, nora, irmão e primo. E, pelos vistos, ainda existem mais alguns.

Ora, assumindo que este código de ética é, efectivamente, um instrumento com o genuíno intuito de evitar violações ou abusos nesta matéria, questiono-me se terá sido a não-retroactividade do mesmo a valer-lhe, já que as várias nomeações de familiares de Carlos César, à primeira vista, parecem configurar um caso de favorecimento com requintes de nepotismo. Mas isso sou eu, que às vezes me deixo levar por populismos modernos.

Poderá, no entanto, dar-se o caso de estarmos perante uma família de sobredotados, feita dos mais brilhantes génios da arte de administrar publicamente, e o mais certo é serem todos extremamente competentes, bem acima de média medíocre que caracteriza o hemiciclo. E Carlos César, que ao contrário do Bloco não manda no país nem no Parlamento, nada terá a ver com as suas nomeações. Aliás, coisas como o favorecimento, a corrupção ou o tráfico de influência não existem neste país. Pelo menos a julgar pelo número de condenados por esses crimes em Portugal. Só alguém mal intencionado e/ou invejoso poderá pensar tal coisa.

Comments

  1. Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

    Carlos César: “O Autocarro” com lotação até 40 lugares, sentados …

  2. Rui Naldinho says:

    O PS está para a ética, como o ilusionismo está para a realidade.
    Não serão todos, mas ainda assim serão bastantes.

    «Dai, pois, a César o que é de César, e à ética o que é da ética»
    seriam as palavras do Messias, caso ele visitasse Portugal por estes dias.


  3. Ética ! proclamada e não cumprida, a peneira mais perversa com que nos querem tapar o sol !

    .” uma Ética – aquela que nos trouxe até aqui, a este paraíso apocalíptico. ”

    …”uma roda livre que fugiu da carroça, em movimento acelerado e caótico rumo a lugar nenhum.”
    / Bruno Santos dixit

  4. Anonimus says:

    Eu conheci uma rapariga chamada Ética. Toda a gente falava bem dela, todos queriam andar com ela, sempre com gente em seu redor.
    O máximo que conseguiu foi ser sodomizada continuamente, de toda a maneira e feitio, até ficar toda desfeita; se bem que olhando às conversas, continua desejável como sempre.
    Ética? Se calhar era Érica…

  5. vitor manuel marques says:

    Não, caras amigas e caros amigos, eu não tenho que ter “Estados de Alma”, tenho que analisar e pensar sobre as verdades que têm, devem ser ditas.
    O Socialismo e a Social-democracia são ideologias político-programáticas que não só, não se antagonizam como se completam. Aliás temos como exemplo a China, donde cada vez mais a China é um ator comercial importante no Mundo não, por ser o Mestre do próprio jogo, mas por a sua população ser tão adepta do Capitalismo.
    Nos meus mais de 45 anos como cidadão democrático e considerando todas as exigências que recaem sobre um Governo, aprendi a perguntar-me, quando não obtenho boas respostas ás questões idealizadas ou realizadas, interrogo-me agora se, como cidadãos democráticos, não temos sido negligentes na formulação das perguntas certas, talvez nos tenhamos acostumado tanto a obter uma satisfação imediata para os nossos propósitos que perdemos a paciência com o ritmo vagaroso das respostas como da Democracia.
    Possivelmente, permitimo-nos ser manipulados por políticos, vendedores ambulantes, que prometem entregar o Mundo numa bandeja de prata, mas que não têm a mais pequena ideia de como cumprir com as promessas. O Dom da palavra como arma política, o engano, a ilusão.
    Talvez tenhamos permitido (cumplicidade eleitoral) que as aparências, a ilusão das decisões rápidas nos enganem e nos confundam ao ponto de não conseguirmos reconhecer o que é verdade e, em seu lugar, acreditarmos com todas as certezas no que não é.
    Neste ano de 2019, neste ano eleitoral e de campanhas eleitorais próprias, seja o momento oportuno para tirarmos algum tempo e reflectirmos mais cuidadosamente sobre o que queremos quando falamos de conceitos, como grandeza, maiorias, força, confiança, votos e Democracia.
    Disse.
    Muito Boa Noite a todos vós!
    Votos de um Bom Fim-de-Semana!
    Vitor Manuel Marques / Gaia

  6. Julio Rolo Santos says:

    Se não formos nós a ajudarmos os nossos, quem é que os ajuda? A ética impede de o fazermos? Pelos vistos, as leis não o impedem e a verdade é que há milhentos casos semelhantes ao de César.A ética é velha e os costumes também.

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