«Ensinam quando não estão em greve»

O título deste texto faz parte das palavras cruzadas do último Expresso. A resposta, segundo parece, é “professores”.

Entre muita opinião pública ou publicada, gratuita ou a pagar, há muita gente a criticar as greves dos professores, criando-se, até, a ideia de que a classe docente passa grande parte do tempo em greve, num cenário de caos, com alunos privados de aulas e professores de papo para o ar ou em manifestações acéfalas comandadas por sindicalistas, comunistas e outros monstros.

No início do consulado de Maria Lurdes Rodrigues, um dos secretários de Estado, em dia de greve docente (ou seja, de acordo com o comentarismo, um dia normal nas escolas), resolveu falar em milhões de aulas por dar. Já se sabe que uma palavra como “milhões”, dependendo do que quantifica, pode ser maravilhosa ou assustadora. Na verdade, os milhões de aulas que tinham ficado por dar eram muito menos do que as que foram dadas.

A indignação entre os professores é compreensível, tendo em conta que são profissionais atacados e roubados pelo patrão há vários anos. O Expresso, por outro lado, está no seu direito ao disparate, com as consequências que daí poderão advir, muitas, poucas ou nenhumas.

Tendo em conta tudo o que os poderes, incluindo o quarto, declaram acerca da classe docente, o conteúdo destas palavras cruzadas não é surpreendente, antes confirmando tudo aquilo que escrevem os comentadores das redes sociais ou os miguéis sousas tavares, todos igualmente azedos e ignorantes.

O secretário de Estado, João Costa, no facebook, considerou esta situação “uma vergonha e uma falta de respeito inqualificável!” Confesso que entre um momento de mau gosto de um jornal ou uma equipa ministerial que desrespeitou e massacrou os professores, prefiro o primeiro.

Comments

  1. abaixoapadralhada says:

    Não sei porque é a surpresa. Então o Expresso não é do Dr Balsa Mamão, igualmente o dono do “Laranja Canal”, orgão oficioso do PPD/PSD ?
    Bate tudo certo.
    Ai o Dr Rio é fraquinho, fraquinho, ? Então entram as ordens dos médicos e dos enfermeiros na batalha politica e agora também estes orgãos do PPD

    • POIS! says:

      Há quem fale em boicote ao expresso. Mas..será possível? O café faz muita falta e é bom para a saúde. E o autocarro é o transporte mais barato, pelo menos daqui, para Lisboa.

      Se a coisa resultasse, talvez despedissem o Marcos Cruz. Lá se ia a avença que tanto jeito lhe dá e que não lhe leva tempo nenhum. Até dá para se distrair. Aliás, é uma boa maneira que o Cruz tem de aproveitar o tempo quando vai à casa de banho.

    • miguel fonseca says:

      És mesmo inocente!
      Sabes quem é o director editorial do Expresso?
      Investiga um bocadinho…

  2. Paulo Marques says:

    Passei os olhos pela primeira vez pelo polígrafo hoje, tanto disparate eleitoralista que ali andava também.
    Tanta coisa e o “jornalismo” nunca mais vai à falência.

  3. Mario says:

    A opinião publicada (de quem tem acesso aos media) sobre os professores, não tem sido muito positiva.

    Mas a percepção, que grande parte da sociedade portuguesa tem dos professores, é menos devida a essas opiniões e mais devida às lutas, greves e, sobretudo, ao constante matraquear do inenarrável abencerragem Mário Nogueira, nas TVs.

    Felizmente a maioria dos portugueses não faz a menor ideia da quantidade de professores (quase todos dos mais velhos, diga-se) que passa grande parte do tempo de baixa, e o tempo restante a tentar escapar às obrigações mais “maçadoras” de professor.

    Mas que lhes importa isso? O importante são os 9 anos x meses e y dias…

    • António Fernando Nabais says:

      Ora aqui está o Mário, mais um exemplar do “achista” lusitano, o ignorante que julga conhecer os cangurus, porque viu dois no jardim zoológico. Força, Mário!

      • Maria says:

        Pois é, Mário. Da classe dos professores nada sabe! Saiba que “ quase todos os mais velhos diga-se” não passam grande parte do tempo de baixa, etc., etc., etc. onde foi desencantar-me essa ideia? Quanto lhe pagaram para emitir essa opinião ? Quando o seu patrão omitir 9 anos do seu tempo de trabalho para a sua aposentação e para ser promovido, nós falamos. Até lá, não fale do k não entende!

    • Luis says:

      O amigo tem razão quando fala em professores que conhecem melhor as leis das baixas médicas do que das matérias que ensinam, fazendo dos atestados médicos profissão.

      Mas não tem razão quando particulariza essa questão nos mais velhos quando são estes que vão segurando as pontas de uma escola pública em crise.

      Mas o número de professores, chamados “baldas” pelos colegas, é um número assustador!!!

      Para os “baldas” todos os expedientes são válidos para não por os pés na escola ou, estando lá, fazer o mínimo possível.
      Baixas médicas durante anos para aparecerem uns dias na escola e desaparecerem pouco depois.
      Atestados na época dos exames.
      Operações cirúrgicas sem urgência e cursos de formação são marcados para datas “convenientes” enquanto outros, com baixas psiquiátricas, passeiam e gozam o bom tempo.

      No entanto as escolas funcionam, o que indica que os professores, maioritariamente profissionais honestos, fazem o seu trabalho e o dos “baldas”.
      Enquanto as escolas não conseguirem distinguir os profissionais honestos dos “baldas”, só estão a desmotivar os primeiros e a premiar os segundos.

      • Professora farta says:

        Não. Enquanto continuarem a enxovalhar assim esta classe profissional, estão a tirar o entusiasmo a todos os que o tinham, a maioria. E como esta profissão precisa de ânimo e de entrega!
        Já esses baldas de quem tanto se fala, que serão uma minoria não representativa, vão continuar a ser quem sempre foram.

    • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

      O Mário teve maus professores. Depois à boa maneira portuga, mete tudo no mesmo saco, tal como Salazar e Mário Soares faziam quando apareciam esses perigosos “comunistas” que comiam criancinhas vivas ao pequeno almoço.
      Grande herança a de Salazar, bem seguida pelo Marocas. E assim vai a opinião pública que confunde a Estrada da Beira com a beira da estrada…
      Olhe, haja saúde…

  4. Catarina says:

    Acho muito bem que se denuncie a quantidade de “baldas” que arranjam doenças cancerosas e esclerose múltipla só para meter atestado prolongado. E os safardanas que têm a sorte de na casa dos 50 e muitos arranjar pais octogenários com demência só para poderem safar-se das suas obrigações de professores. Sem esquecer a desonestidade dos estafermos que vão ao ponto de arranjar uma depressão profunda só para andarem de papo para o ar com atestado psiquiátrico. Que sorte, a destes estupores, não é?
    (Estou a limitar-me aos casos que conheço pessoalmente. Como nunca esquecerei os suspiros de inveja de uma colega pela redução de horário de que um de nós beneficiou durante alguns anos para acompanhar a nossa filha com Trissomia 21, já pouco me espanta…)

    • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

      A Catarina confunde tudo. É uma maniqueísta frustrada. Tenho a certeza que, se alguma das pessoas atingidas pelo seu post nojento se pudessem manifestar a Srª ouviria do que gosta e do que não gosta.
      À boa maneira salazarista, a senhora mete tudo no mesmo saco para fazer valer esta ideia que a opinião pública acabou por colar à generalidade.
      Pobre país que tem aquilo que merece.
      NOTA: perca algum do seu tempo para falar dos corruptos que também a roubam… Não sei se já deu por isso.

      • Ricardo Ferreira Pinto says:

        Era ironia, Ernesto.

        • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

          Ricardo.
          Pode ser que fosse, mas o ar da articulista é simplesmente insuportável. Se eu o tivesse percebido, teria sido o primeiro a pedir desculpa. Essa senhora, de uma só vez demonstra a sua arrogância e má criação (apesar de se considerar maltratada).
          Sabes o que me custa?
          É que eu estou ao lado dos professores, mas há, de facto lá dentro, filho e filha de muita mãe.
          Uma pessoa como a articulista que se diz ao lado dos professores, gasta o latim a apupar quem está do lado dela.
          É isto que me custa. A gente deste calibre ainda por cima, é mal agradecida – porque sabes bem que eu não sou professor, embora já o tivesse sido.
          E depois aparecem por aqui as focas a agitar as barbatanas e que no fundo, são da mesma igualha.
          Quando algo é mal entendido, eventualmente e na resposta leio que o receptor está avariado, só dá para ter pena dos alunos que têm professores deste calibre.
          Abraço.

    • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

      Desculpe lá Dª Catarina:
      A Senhora vem para estas páginas considerar-se insultada por mim esquecendo que no seu post desata a chamar a professores, “baldas”, safardanas, estafermos, estupores, …
      A Srª só pode ser doente, escolhendo a vitimização para lhe dar um ar sério.
      Que lata!!!

    • Paulo Marques says:

      E então aqueles que morrem à meio da época de avaliação só para não trabalharem? Por mim, iam logo para a rua.
      Acho sintomático que mais ninguém tenha percebido o sarcasmo , mas anda assim o mundo.

  5. Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

    Este povo tem o que merece. Segue esta cambada de jornalistas, lambe-cús, cujo objectivo é denegrir e colar-se à direita e extrema direita e descuram o essencial. Os professores têm sido marginalizadas e submetidos a um tratamento social do mais baixo a que, até hoje, assisti.
    Este povo está comandado por princípios de clubite miserável, onde a clubite são os partidos políticos, muito mais perniciosos que clubes de futebol, desenvolvendo um pensamento e espírito de “carneirada” e bandeirinha em punho.
    Basta entrar em acção um dirigente sindical mais activo, que se assiste no imediato a uma contestação. Salazar e Mário Soares, são os grandes responsáveis por esta situação, com todo o mal político que fizeram, actuando politicamente, como verdadeiros racistas.
    Em boa verdade, esta classe dos professores e a sua contestação também tem pontos de crítica. São activos agora – e fazem bem. Mas no tempo de Passos Coelho, eram muito mais comedidos. É mais fácil berrar contra o Costa que contra Passos Coelho e Portas, estes os grandes responsáveis pelo que se passou.
    Mas ainda vamos assistir a que muitos professores acabem por votar, por protesto, em quem os prejudicou enormemente. Este é o objectivo desta decrépita imprensa e acaba por ser aquilo que este povo tem e, de facto, merece.

    • Catarina says:

      Quem recorre ao insulto mostra os argumentos que tem…

      • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

        Desde quando a verdade é um insulto?
        Considerar-se insultada é, de facto, o seu argumento que a senhora acompanha com baba, ranho e bilis… Tem, seguramente, um problema.
        Quer nomes de professores que estão no limite da sua saúde e que continuam a dar aulas?
        A Srª deveria ter vergonha de escrever o que escreveu.
        Não tome a nuvem por Juno. São coisas muito distintas.
        Fique bem.

        • Catarina says:

          Valha-me Deus! Nunca ouviu falar em ironia? Acha que eu ia mesmo insultar os professores? Estaria a insultar-me a mim própria! Obviamente tresleu o que eu escrevi e desatou a disparar sobre tudo o que mexe… Ora volte lá acima e releia o comentário de um tal “Luís”.
          E não recorra ao insulto como primeira arma, nunca é boa ideia.

          • Nina Santos says:

            Catarina, percebi de imediato a ironia do seu texto e não me tenho na conta de alguém esperto.
            Fico completamente tonta quando leio certas pessoas, tipo Ernesto Martins Vaz Ribeiro, que não percebeu pêvas do que leu.
            Para não ranger os dentes de fúria 🙂, opto agora por rir à gargalhada destes pobres coitados, analfabetos funcionais. As caixas de comentários transbordam deste tipo de pessoas.

          • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

            Dª Catarina:
            A senhora que é professora, deverá saber que numa mensagem há sempre um emissor e um receptor. E quando a mensagem não é entendida, isso quer dizer que algo no seu conteúdo está deslocado ou foi mal escrito…
            Não sendo eu o único que a ela reagiu, seria de bom tom tentar perceber – como professora que é – que a mensagem tem ida e volta… sempre.

            De resto, a confissão que a sua mensagem era uma ironia, vem um pouco tarde ou pelo menos, pecará pela falta de reacção.

            É evidente que as “Ninas Santos” deste mundo, iluminadas e inteligentes, mas emboscadas, são doutas até na arte de falarem sobre pessoas, mas sempre por interposta pessoa.
            Chamo-lhes “cuscas”, ou “facebookianas”, sempre à espera de mandar um “tirito” e mostrar o seu douto conhecimento de interpretações irónicas, e sempre na actividade de “fazer claque”, porque de uma forma geral, não sabem dizer nada….
            Infelizmente, “Ninas Santos” é o que mais há neste país 🙂
            Para a Dª Nina Santos envio-lhe a simpatia de mais um smile 🙂 , desejando que a Senhora viva em estado permanente de gargalhada, coisa que lhe fica muito bem.
            Contudo, não lhe permito que me adjective de coitado. A Senhora não me conhece de parte nenhuma.

          • Catarina says:

            De facto, confesso que não contei com a hipótese de um “receptor avariado”… Erro meu, de que peço desculpa.
            Claro que o pedido de desculpas não invalida a crítica ao recurso ao insulto. Podia perfeitamente ter desmontado e rebatido o meu “argumentário” de forma civilizada.

          • Luis says:

            Catarina, cara amiga, já que referiu o “tal Luís” deu-me a importância que eu julgo que não tenho.
            E então aqui estou eu a aproveitar a deixa.
            Sou só um tipo que tem opiniões e que fala do que vê e não daquilo que o politicamente correcto quer que eu veja.
            E vejo muiiiiiiitos(!!!) baldas no ensino a sobrecarregarem com trabalho aqueles que querem ganhar a vida honestamente.
            Admito que a Catarina não seja balda, mas não tem necessidade de o parecer com este discurso demagógico de pavio curto.

          • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

            Dª Catarina:
            Avariada está e anda a senhora.
            Tanta treta cantando a canção da “coitadinha” que foi maltratada e vem para aqui chamar “receptor avariado” a quem leu o que escreveu e que não se apercebeu dos seus (poucos) dotes de “ironia” (com aspas) que a escriba viria a esclarecer umas horas depois.
            Parece, pela quantidade de apreciações que teve a sua escrita, que dá para concluir que quem está e anda avariada (sem aspas, atenção) é mesmo a senhora.
            Ou então a senhora é só mais uma “Nina Santos” de brilhante mente, mas que não aproveita a ninguém.

            Já agora, as suas desculpas, como lhe chama, não são desculpas. São um completo acto de hipocrisia em que tenta passar um tipo de ironia para a qual, já todos perceberam, que a senhora não está minimamente formatada.
            Termino com duas coisas.
            Primeiro, não lhe peço desculpa – e poderia muito bem fazê-lo porque, ao contrário da senhora, considero-me uma pessoa humilde – e não o faço, pela sua postura arrogante.
            Essa do “receptor avariado” fez-me lembrar aquele ser de má memória que nunca se enganava e só raramente tinha dúvidas. O tique, é o mesmo.
            Em segundo lugar para quem, perante um texto mal conseguido, aponta um “receptor avariado”, só dá mesmo para ter pena dos seus alunos…
            Fique bem.

  6. Catarina says:

    É verdade, sim senhor. Fui desmascarada. Sou uma maniqueísta frustrada e uma salazarista nojenta, com tiques cavaquistas que nem mesmo o meu discurso demagógico consegue disfarçar. Tenho a capacidade de ironia de um peixe a andar de bicicleta e apenas solto baba, ranho e bílis, numa infeliz tentativa de vitimização. Desisto. Nesta caixa de comentários já não consigo enganar ninguém.

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