Ajustes directos, máfias partidárias e corrupção

Concordo com a proposta do CDS para a criação de uma comissão eventual de inquérito à compra de material médico para combate à pandemia, na sequência de uma série de dúvidas levantadas sobre os ajustes directos efectuados nesse contexto.

Bem sei que a urgência da situação implica decisões rápidas, e que a abertura de um concurso público seria incompatível com a celeridade necessária, mas é importante que se dissipem todas as dúvidas, nomeadamente aquelas que gravitam em torno dos contratos que envolvem João Cotta, antigo sócio do Secretário de Estado do Desporto, João Paulo Rebelo, e o Grupo Mello.

O ideal seria aproveitar a oportunidade para criar uma entidade capaz de escrutinar e vigiar todos os contratos públicos que se efectuam neste país, no governo, nas autarquias e nas empresas públicas, em particular quando se tratam de ajustes directos, um dos principais subterfúgios da corrupção que alimenta clientelas partidárias, sejam elas os boys e girls que abanam as bandeiras, sejam os empresários corruptos que prestam serviços e financiam as campanhas dos seus amigos políticos a custo zero, para, posteriormente, serem compensados à custa os contribuintes.

Parte significativa dos contratos celebrados por ajuste directo, bem como os políticos criminosos que os usam para alimentar clientelas partidárias, são um dos maiores cancros sociais e económicos deste país. São um assalto permanente aos cofres públicos, que contribui para enterrar ainda mais as contas deste país, são uma afronta à igualdade de oportunidades e a prova viva de que as máfias partidárias estão, infelizmente, muito bem de saúde. O lugar destes criminosos não é em governos ou câmaras municipais. É na prisão. Sem cauções ou penas suspensas.

Comments

  1. Pedro Vaz (Nacionalista) says:

    E os 850 milhões para o Novo Banco com o teatro do “não sabia!” do Costa + “pedido de desculpa ao BE” (para o disfarçe pois o BE tem que dar a ilusão de ser rebelde)??

    Curioso como viestes para aqui com mais um caso de “roubalheirazinha” mas não mencionas-tes o caso de roubalheira á grande que acabou de ser revelado. Técnicas de controlo-de-danos/distração/oposição-controlada que aprendestes na Open Society?

    • Paulo Marques says:

      Exactamente, quem mais foi a favor de um buraco negro no Novo Banco privatizado foi o BE.

  2. Rui Naldinho says:

    Concordo perfeitamente com um mecanismo dentro da AR, com poderes para fiscalizar todos os ajustes directos, obras públicas ou aquisições de bens e serviços, que envolvam direta ou indiretamente dinheiros do Estado. Contudo, a sua estrutura orgânica e o seu modo de funcionamento, teria de ser bem diferente daquelas Comissões de Inquérito parlamentar, que tendo à partida uma maioria formada, acabam por não dar em nada. Uma palhaçada.
    Já não concordo com a criação de nenhuma Alta Autoridade para os Contratos Públicos, se é que ela já não existe, pela simples razão de que nenhuma delas funcionou até hoje. Apenas deram bons tachos a quem os ocupa.
    Cada partido com o mínimo de quatro deputados, por exemplo, escolheria um deputado para desempenhar essas funções.

  3. Daniel says:

    Fiquei sem saber se era ironia… vindo do CDS, nunca se sabe!…
    É que já há (e já está!) o Tribunal Contas para fiscalizar esses negócios!!

  4. É assim a vidinha... says:

    Eu também concordo com uma comissão de inquérito à roubalheira dos submarinos.
    Sr. João, quem tem telhados de vidro, não deve atirar pedras.

    • Pedro Vaz (Nacionalista) says:

      O frequentador mais famoso do Parque Eduardo VII precisava de uma investigação muito mas aprofundada do que a dos submarinos. Mas é o tipo de investigação que mandava a casa toda a baixo do BE ao CDS.

  5. Julio Rolo Santos says:

    O autor do post só peca por ser tendencioso politicamente porque os AD tinham uma boa razão de ser para aquisições urgentes e inadiáveis só que estes processos generalizaram-se, o que leva a suspeitas fundadas de troca de favores e, com isso, a duvidar da sua autenticidade. Neste caso, o Tribunal de Contas só pode intervir á posteriori mas, em qualquer caso, o processo não vai deixar de ser analisado e julgada a sua pertinência.

  6. Paulo Marques says:

    Acho bem, e importante, que se esclareça tudo. Mas com uma elite minúscula, difícil era que não houvesse coincidências.

  7. Fernando Cunha says:

    Vejam os preços numa das mais conhecidas lojas online chinesas neste momento:

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