O vírus (2)

Capa do jornal Público, 2020-07-28

Novamente se constata que Portugal é um Estado com leis feitas à medida, o que talvez seja pior do quem um Estado sem leis.

Em causa está a negociata imobiliária do Novo Banco, onde tudo, veja-se só, foi legal. Até o facto de o prejuízo do Novo Banco ser coberto pelos fundos públicos é um sintoma deste país de leis cozinhadas. Alguém reviu e aceitou os contratos que estipulam estas medidas. A questão que se coloca é: quem foi? Não é difícil de saber, apesar de não ser notícia.

As leis são feitas para que acções criminosas ou condenáveis tenham fundamento legal. Esta é origem primária da corrupção. Mas que não haja motivos para preocupações. Daqui a 10 anos teremos na justiça um processo rigoroso, quando tudo tiver prescrito.

Siga-se o rasto do dinheiro, sem esquecer as off-shores que minam todas regras de equidade entre os poucos que têm milhares de milhões e o resto do mundo.

(continua)

 

Comments


  1. «A questão que se coloca é: quem foi? Não é difícil de saber, apesar de não ser notícia.»

    Aguardemos…

    • POIS! says:

      Pois pois!

      Cheirá-se-lhe a esquerdista e JgMenos já sabia perfeitamente quem era. Mas, tratando-se dos seus queridos banqueiros, sobe-lhe uma onda de ternura pelas costas acima, que lhe causa um tão doce frémito, uma tão doce cegueira a ponto de o deixar assim completamente prostrado, orando para que sejam poupados os que tanto se têm esforçado por nos pagar a justa remuneração do nosso carcanhol, os saudosos juros.

  2. Abel Barreto says:

    Pois, aguardemos… Sentados.
    O problema é que se fala muito nas instituições e pouco das pessoas que, à vista de todos ou não, vão dando aval a estas situações. Os verdadeiros ladrões são aqueles que, estando no governo, permitem ou ajudam os “novos bancos” e quejandos.

  3. Manolo Heredia says:

    Foi tudo feito na mais estrita legalidade democrática, diz o relatório do banco vendedor. Não duvido, e só conheço pela rama os códigos de IMT e de Mais Valias. São códigos que favorecem a trafulhice legal.
    Qualquer prédio, urbano ou rural, inscrito na Matriz Predial Urbana – Portugal – devia pagar IMT quando muda de mãos, e devia pagar Mais Valias quando é vendido acima do valor que foi comprado. Sem excessões.
    Este é um país de filhos e enteados, em que os filhos têm tudo e os enteados (os portugueses) não têm nada.

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