Democratas não negoceiam com fascistas. Combatem-nos

Portugal não é um país racista, mas o Ultramar pariu uns quantos trogloditas que anteciparam Abu Grahib umas três ou quatro décadas. Num Estado decente teriam sido presos. Mas o Estado Novo não era um Estado decente. Era um gangue de criminosos e fanáticos religiosos, corruptos e crueis, que posava com cabeças de negros empaladas e fazia porta-moedas com as suas orelhas. E é também por isso que a história não pode ser branqueada e que o ódio racial deve ser combatido, sem contemplações. E quem se põe a jeito de fazer cedências ao Chega, o único partido a ter dirigentes que saíram em defesa do homicida de Bruno Candé, está a fazer uma escolha política e civilizacional. Uma escolha sem retorno.

Comments

  1. África Minha... says:

    Realmente, nunca fomos racistas…Valha-me nossa Senhora…

    86Imagem 3: Cine Colonial (Clô Clô) nos anos 70.Fonte: http://marius70.no.sapo.pt/Cinema%20Colonial.jpgMas, quando um cinema permitia a entrada de todos, a segregação se dava na distribuição das cadeiras. Os chamados “indígenas” ficavam nos bancos mais próximos à tela; logo atrás deles, nas cadeiras, sentavam-se os crioulos empobrecidos ou os “novos assimilados”; e, nos assentos mais modernos, muitas vezes estofados, ficavam crioulos mais ricos e os portugueses. Para cada uma dessas seções, o valor do bilhete era diferente19. Jacques Arlindo dos Santos, em seu livro de memórias Abc do Bê Ó (1999), diz que após a inauguração dos cinemas eram vendidos três tipos de bilhetes: superiores (destinado aos brancos), plateias (para os “assimilados”) e gerais (para os “indígenas”). O Cine Colonial, um dos mais frequentados pela população mais pobre, popularmente conhecido como “Clô Clô”, situado no Bairro São Paulo, era o mais democrático, pois, mesmo acabando os bilhetes, quando se tinha a lotação esgotada, as pessoas levavam cadeiras de suas casas ou se sentavam no chão. Nos cinemas de Angola, a separação dos locais destinados a cada grupo era uma prática comum. No Cine Ben-guela, havia uma zona reservada aos indígenas e, além dos lugares demarcados, eles não podiam assistir a todos os filmes. Nos cartazes de propaganda de muitos filmes, a proibição vinha explícito com os seguintes lembretes: “Interdito a Indígenas”20. As distinções entre os cinemas também são destacadas por Arnaldo Santos (1981) no livro Kinaxixe, de 1965. Na última parte do conto “Despertar”, que se passa no fim do período colonial (anos 50-70), o protagonista Gigi, que naquele momento da história já tinha conseguido entrar no Liceu, deixa de ir ao já referido Cine Colonial para ir ao Cine Nacional, localizado na Alta. Gigi então mostra as diferenças entre os frequentadores dos dois espaços. No Nacional “[…] o cinema enchia-se de moças lindas, brancas e cabritas de cabelos ondulados, de fala suave”. Já no Colonial, “[…] a gente que frequentava o Colonial tinha ficado no começo da vida e competia já, desesperadamente, por necessidades primárias”21. De origem humilde, apesar de estudar no Liceu, ele gostava de ir ao Cine Colonial, só não poderia deixar seus colegas saberem, pois estes chamavam os frequentadores deste espaço de mussequeiros. Quando em Angola alguns desses interessados por cinema se reuniam em cineclubes para assistir e/ou debater sobre determinados filmes, dificilmente contava-se com a presença de angolanos negros. O português Francisco Castro Rodrigues, em entrevista a Maria do Carmo Piçarra (2013), diz que os nativos não iam aos cineclubes porque tinham medo, afinal nos outros cinemas eles não podiam entrar. Mesmo quando em alguma situação eles podiam frequentar, não iam, pois se tratava de «coisas de branco»22.19 SANTOS, Jacques Arlindo dos. ABC do Bê Ó. Edições CC. Angola, 1999, p.1920 GOMES, Miguel. Cinema dos tempos que já lá vão. Revista Austral, Luanda. 2010, p.82.21 SANTOS, Jacques Arlindo dos. Op cit.. p.64-65.22 PIÇARRA, Maria do Carmo. A revolução projectada de um cine-esplanada: entrevista a Francisco Castro Rodrigues Luanda e suas segregações: uma análise a partir das salas de cinema (1940 – 1960)

  2. Paulo Marques says:

    Portugal não é racista! Mas deixem-me aproveitar esta oportunidade para vos falar do problema dos ciganos…

    • POIS! says:

      A propósito!

      Qué feito do Pedro Vaz? Desde que foi internado que não se sabem novidades. Lá no hospício não o deixam usar o smartphone? Ou foi atingido por covides sionistas?


  3. Os idiotas fingem desconhecer o tempo em que ser racista era uma atitude suportada na ciência e sempre dão-se ares de ignorar o quanto foi feito para alterar essas convicções
    Os fingidores evocam a selvajaria de lutas selvagens, como se a guerra fosse uma actividade cavalheiresca, como se uma vida ameaçada devesse reagir com a cortesia exigida a um agente de uma operação de fiscalização de trânsito.
    Os coirões, quando sentem o seu discurso de fingidores denunciado, fingem mais completamente, e não tarda que venham erigir o terror de 1961 como a justa luta de povos oprimidos, que logo deveriam ser assentados no poder.
    E sim, vão respigar todo o lixo que possam desenterrar, vão ouvir todo o cretino, sem consideração de tempo ou lugar, para estabelecerem o negrume com que visam cobrir toda a História de Portugal.

    Desde sempre se conheceram tais cretinos, que no tempo em que a palavra Pátria tinha valor, o rótulo que justamente lhes cabia era o de traidores e cobardes.

    • POIS! says:

      Pois é, já entendemos.

      A única guerra cavalheiresca foi a nossa “Guerra do Ultramar”.

      Era costume ouvir-se aliás, às nossas tropas, expressões como “V. Exa. permite-me que o degole e passeie a sua cabecinha para o povo se rir?” ou “tenho aqui uma bala para o curar desse ataque de paludismo” ou ainda “aquela rapariga de doze aninhos é sua filha? Estou loiucamente apaixonado”. Eram outros tempos, a pedofilia só veio depois.

      • POIS! says:

        Pois, e acrescento:

        A pedofilia só veio depois poruqe,parafraseando JgMenos, “Os idiotas fingem desconhecer o tempo em que ser pedófilo era uma atitude suportada na ciência e sempre dão-se ares de ignorar o quanto foi feito para alterar essas convicções”

    • Henrique Silva says:

      Racismo suportado pela ciência? Talvez pela pseudo-ciência que se “desenvolveu” durante a ditadura nazi como forma de dar um ar de legitimidade a um bando de cobardes que precisa de demonizar minorias para criar uma ilusão de relevância.
      É que a ciência a sério, aquela de quem os direitolas conservadores fogem a sete pés, aquela que desmonta sistematicamente todas as suas teorias da treta, a ciência a sério que deu à humanidade anti-conservadores como Einstein, Bohr, Plank, o casal Curie e demais, essa foi a primeira a apontar o dedo às patetices de direita e denunciar as ideias parolas nazis como fantasias.
      A “ciência” conservadora que suporta o racismo não passa de ideias infantis que associam o volume do crânio a inteligência, entre outras correlações tão ou mais idiotas. Ora é fácil de ver como a direita de deixou enamorar por tal ideia. Logo à cabeça conseguem descartar toda a população feminina apenas porque, na raça humana, o crânio feminino é, em média, menor que o masculino. Que lhes interessa que a ciência a sério nunca provou tal correlação, pelo contrário até? Por esta lógica, os cachalotes seriam capazes de resolver equações diferenciais de cabeça e os elefantes só não conceberam a teoria da relatividade geral antes de Einstein porque não conseguem segurar uma caneta com as patas. Talvez com a tromba…
      Aceitar que há racismo em Portugal é reconhecer que ainda temos muito que evoluir, algo que um humano normal faz 3 vezes por dia mas um conservador é simplesmente incapaz de tal. Daí toda esta aflição pelos nabos do país em mudar a retórica quanto antes: reconhecer que Portugal é racista implica necessariamente reconhecer quão inútil e irrelevante a direita portuguesa realmente é.


      • Sempre a ignorância é prolixa a verter a verrina que querem fazer confundir por saber.
        Para os reconhecer basta atentar aonde querem chegar em final da verborreia.

        No caso todo este lixo vai a colar o racismo a tudo que não cumpra a liturgia esquerdalha.
        O país, as relações com Africa, o bem-estar dos muitos portugueses não caucasianos, nada disso interesse.

        Portugal racista é o mantra do momento; o rebanho faz o de sempre, segue os pastores …

        • POIS! says:

          Para facilitar a expressão do fadista JgMenos, resume-se em verso este comentário:

          Esta coisa do racismo,
          Está a causar muitos danos,
          Coitadinhos dos lusíadas,
          Que,não são caucasianos.

        • Paulo Marques says:

          Então lista lá os estudos a provar a ignorância.

        • CHEGA, Menos! says:

          “O país, as relações com Africa, o bem-estar dos muitos portugueses não caucasianos, nada disso interesse.”

          Nem escrever sabes…

          Só se for o Mithá Ribeiro!
          A tua ignorância roça a indigência intelectual. Achares que os africanos não brancos eram felizes com o colonialismo. Nem os brancos lá residentes se sentiam completamente livres da metrópole, quanto mais os negros e mestiços. Bastava o facto de não termos moeda própria, de estarmos sujeitos aos constrangimentos causados pelo condicionamento industrial, para nos sentirmos limitados na nossa liberdade colectiva.

    • POIS! says:

      Pois, e em resumo:

      Antigamente o racismo era suportado pela ciência, agora nem por isso. Talvez pela parvoíce, pelo Menos.

    • Paulo Marques says:

      O que sempre se conheceu foi a capacidade dos cretinos de utilizarem desculpas esfarrapadas para tratar o outro como sub-humano. E os idiotas úteis que acham que isso os beneficia.

  4. Filipe Bastos says:

    O meu avô esteve uns tempos no Ultramar. Até onde sei sempre em zonas calmas, algumas delas muito remotas.

    Dos africanos dizia que era gente boa, simples, acolhedora, com quem a convivência era pacífica e fácil.

    Por outro lado, eram um pouco como crianças: incapazes de se gerir a si próprios, pelo menos em termos que consideremos civilizados, sem os povos europeus.

    Nada que vi ou li até agora de África contraria esta impressão geral. Se os portugueses lá foram abusar e pilhar, é também verdade que lá criaram a pouca civilização que existia.

    Cabeças empaladas? Horrível, mas leram também das atrocidades do outro lado? As guerras em África, sobretudo entre africanos, não são conhecidas pela moderação e pelos bons sentimentos.

    Se metade que li do assassino de Bruno Candé for verdade, o velho é racista, maluco, vil, facínora. Completamente indefensável. Mas certa malta só sabe falar de racismo e outras causas ‘identitárias’.

    A histeria PC só ajuda o Chega e afins – e o Ventura não é um nazi, é um mero chuleco à cata de tacho. O racismo não é o nosso maior problema. O post anterior fala do nosso maior problema.

    • Paulo Marques says:

      Talvez não seja, mas para saber era primeiro preciso reconhecer que o é. Estamos longe sequer disso.
      E enquanto a impressão geral for que África nunca foi civilizada também não vamos sair disto.

  5. Albino manuel says:

    Se a Pátria tivesse como defensores escumalha da laia de jgmenos, muito mal ia ela.

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