Lições do fascismo português: como casar uma professora do Ensino Primário

facho

No tempo do Salazar é que isto era um país às direitas. Literal e orgulhosamente. Reparem no exemplo das professoras do ensino primário que pretendiam casar, e que só precisavam de aprovação do pai, de um parecer positivo do director do distrito escolar e da autorização do Ministro da Educação Nacional. Nada mais. Era ter estas três aprovações e estava resolvido o problema. Nada dessas modernices vagabundas, que estão a destruir a família cristã, em que a mulher escolhe o seu caminho e faz as suas próprias opções. Com Salazar e o seu grupo de forcados, poucas vergonhas como essa não passavam.

Acertados estes detalhes, o pretendente teria que passar por algumas burocracias adicionais, ainda que fundamentais, nomeadamente ter bom comportamento moral e civil (i.e. ser fascista) ou auferir rendimentos em harmonia com os da futura subalterna, perdão, esposa. Saudoso e admirável passado de glórias mil! Portanto, já sabem: se querem regressar aos tempos gloriosos do fascismo, durante os quais o Estado nos libertava do jugo das liberdades e escolhas individuais, e nos ajudava a conseguir um bom casamento, votem André Ventura, que e ele acaba de vez com esta pouca vergonha dos casamentos por amor.

Comments

  1. Rui Naldinho says:

    Acontecia a mesmo com os militares. Os oficiais tinham de solicitar autorização para casar e era necessário referências da “donzela”. Se a mesma fosse “galdéria”, o oficial não devia consumar o casamento para que a boa reputação da instituição castrense não ficasse manchada.
    Depois veio aquela treta dos Cursos de Cristandade, cursos esses que se foram generalizando na Sociedade, com retiros espirituais, para casais que professassem a fé Católica. Numa primeira fase funcionou como uma espécie de atestado de idoneidade e bom comportamento, na ascensão a lugares de chefia e do topo da hierarquia na função pública e em algumas grandes empresas do regime, como a TAP, CTT, Sacor, Sonap, CUF, etc. A prova de que o regime salazarista e a igreja católica portuguesa viviam numa simbiose perfeita.

    • Albino manuel says:

      Bom, se está casado com uma galdéria, parabéns. Sempre sabe mais que uma beata enrolada em terços. Cuidado com a ejaculação precoce.

  2. Julio Rolo Santos says:

    Tudo acabou e ainda bem. Tudo tem as suas épocas e o que está para trás, já se viu, não é nada agradável, o problema é que as professias apontam para a repetição destes e de outros cataclismos e a ultra direita está aí á porta com toda a força sem o regime democrático lhe poder dar resposta.


  3. E houve tempo em que as operadoras da companhia dos telefones, se casassem, eram despedidas.

    No caso, um único fator releva: as condições morais e cívicas requeridas aquando da admissão. haveriam de ter condições de manter-se.
    Agora entra todo o lixo e a toda a perversão se aplica a doutrina do coitadinho.

    • CHEGA, Menos! says:

      A começar por ti, meu bafo de onça!


    • Havia um facho que era tão facho mas tão facho que considerava imoral qualquer queca mesmo se esta tivesse sido abençoada pelo Santíssimo Sacramento do Matrimonio.

      • POIS! says:

        Pois foi!

        Por isso é que Salazar ficou solteiro. Foi para não perder a idoneidade moral.

        Nisso esteve sempre junto a Cerejeira, mas nunca quis tornar tal liame modelo para a sociedade nem dar-lhe inferências legais. Talvez por falta de espaço no Diário do Governo. Nessa altura o papel era muito caro.

    • José Peralta says:

      Ó “menos” !

      Pois claro ! “As condições morais e cívicas requeridas aquando da admissão. haveriam de ter condições de manter-se.
      Agora entra todo o lixo e a toda a perversão se aplica a doutrina do coitadinho”

      As “condições morais” eram “manterem-se fiéis à “santa madre igreja” e as “cívicas” eram a de assinarem aquela declaração de que eram apoiantes do regime vigente e repudiavam todas as formas de “comunismo”..

      E agora, ” o “lixo e as perversas” insultadas, deviam desatrelar-te, e dar-te um enxerto dcom as rédeas e tábuas da carroça…

    • POIS! says:

      Pois era! E tinha de ser!

      Porque quem se casava perdia imediatamente a idoneidade moral e cívica! Como é que ficava uma operadora de telefones depois de cumprir as suas “obrigações conjugais”? Uma badalhoca, claro! E se não fosse para engravidar e perpetuar a raça, ainda pior!

      Mas há uma correção a fazer, em relação ao afirmado no último parágrafo.. Segundo consta, JgMenos nunca entrou, portanto a afirmação é um tanto exagerada.

    • Paulo Marques says:

      Vai estudar, Menos.
      Que raio é que isso tem a ver com ética? É moral, e cada um tem o seu, felizmente.

  4. José Peralta says:

    Ó “menos”

    Mata saudades ! Não tens nada que me agradecer…

    https://ensina.rtp.pt/artigo/o-ideal-feminino-do-estado-novo/

  5. xico says:

    A ditadura do Estado Novo, como qualquer ditadura, foi execrável. Há muito a considerar para o provar. Trazer a lei do casamento das professoras para provar o que quer que seja, contudo, é um tiro no pé. A comparação do Estado Novo faz-se com os seus contemporâneos, não com os dias de hoje. Países da Europa do tempo do Estado Novo, como o Reino Unido, por exemplo, as professoras nem casar podiam, o que significa que Portugal sempre era um pouco mais avançado nesse aspeto. Os costumes nunca foram boa medida para criticar o Estado Novo, pois esses mimetizavam simplesmente o conservadorismo da época.
    https://www.theguardian.com/education/2017/jul/07/married-women-who-worked-as-teachers


  6. O minhas bestas!
    Alguém se interroga hoje em dia se um candidato a professor tem idoneidade moral?
    Alguém articula sequer a palavra moral como critério de selecção no que quer que seja?
    Se estou enganado, dêem-me um caso, um decreto, uma circular, em que a palavra banida do corretês seja usada.
    Anda tudo a toque de registo criminal e tudo que não consta de papel judicial não existe, porque ninguém julga senão o juíz
    (que hoje também se fabricam pelo mesmo critério).

    E o Peralta se lhe falam em moral só vê padres como o debaixodassaias.

  7. luis barreiro says:

    Nos outros países da Europa era também o mesmo, o fascismo, até no reino unido era igual, fascistas britânicos.

    • POIS! says:

      Pois aqui está demonstrado!

      As sequelas que o covide deixa nas mentes dos afetados! Um horror!

      Em solidariedade, gritemos todos a plenos pulmões descontaminados: chega covide! Chega!

  8. xico says:

    Esta imposição de autorização para o casamento das professoras terminou em dezembro de 1969, pelo DL 49473 de 17/12/1969


    • Na maioria dos outros países essa imposição terminou no pós-guerra.
      Por cá teve-se que esperar que Salazar caísse da cadeira.

      • xico says:

        Aí sim, efeitos da ditadura. Embora a imposição nada tivesse a ver com a ditadura mas com a época.

    • esteves ayres says:

      Curioso uns dias antes do 25 de Dezembro para os cristãos o dia de Natal! Para os agnósticos o dia do Pai Natal ,e para os ateus um feriado…Pr fim: Para os fascista um dia do menino jesus mas nas palhinhas

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