A falsa equivalência

CR (2)

Na narrativa do fascismo do terceiro milénio, a luta por mais e melhores direitos civis, em particular de quem não os tem, representa uma ameaça à sobrevivência da nação e dos patriotas, seja lá o que isso significa para essas pessoas. Depois existem os idiotas úteis, que, não sendo necessariamente mal-intencionados, caem na esparrela da falsa equivalência, abrindo caminho para a normalização da extrema-direita.

O próximo episódio desta série, caso o piloto seja aprovado, pode ser visto num qualquer órgão de comunicação social decente, em países tão distintos como o Brasil, a Hungria ou a Rússia. Fun fact sobre a Federação de Vladimir Putin: em 2020, ainda existe quem acredite, convictamente, que o país é governado pelo Comité Central do Partido Comunista da União Soviética. Guess what: o partido de Putin, o Rússia Unida, é um partido nacionalista de extrema-direita, na mesma linha da Frente Nacional, do Fidesz, da AfD e da Liga, entre outras agências diplomáticas ao serviço do Kremlin, no seio da União Europeia. Será que já recrutaram o Chega? Adorava ver André Ventura assim, Matteo Salvini style, a passear pela Praça Vermelha, todo pimpão com o merchandising do czar.

MS

Comments

  1. Alexandre Barreira says:

    ….a “vacina” é que vai resolver……..!!!

  2. Rui Naldinho says:

    A extrema direita europeia é muito heterogénea. Vai desde o anticomunismo primário ao nacionalismo puro e duro, estilo nazi ou estalinista. No meio disto tudo o racismo e a homofobia são das poucas coisas que os une. No plano económico as coisas já não são tão unânimes.
    Putin continua a ser um comunista, ainda que pragmático. Tal como os líderes chineses do PCChinês. Aceitam as regras capitalistas no domínio económico, mas só numa parte. Tudo o resto é ainda à moda estalinista ou maoista. Qualquer empresário que mande bitaites ou não aceite as regras impostas pelo partido dominante, vai de cana. Alguns desaparecem de vez, do mundo dos vivos.
    Cada extrema direita na Europa e fora dela reflecte o seu passado, com especial incidência o dos últimos dois séculos. As frustrações e as incompatibilidades mal resolvidas de várias camadas das populações. Seja ele o passado colonial, o revolucionário, estalinista/maoista, o capitalista, liberal, etc, etc
    Daí a célebre frase:
    O extremos tendem a tocar-se.

    • Paulo Marques says:

      Uma oligarquia ao servico do estado não é comunismo. Por ex https://en.m.wikipedia.org/wiki/Economics_of_fascism

      “Fascists opposed both international socialism and free-market capitalism, arguing that their views represented a third position.[20][21] They claimed to provide a realistic economic alternative that was neither laissez-faire capitalism nor communism.[22] They favored corporatism and class collaboration, believing that the existence of inequality and social hierarchy was beneficial (contrary to the views of socialists),[23][24] while also arguing that the state had a role in mediating relations between classes (contrary to the views of liberal capitalists).[25] An important aspect of fascist economies was economic dirigism,[26] meaning an economy where the government often subsidizes favorable companies and exerts strong directive influence over investment, as opposed to having a merely regulatory role. In general, fascist economies were based on private property and private initiative, but these were contingent upon service to the state. ”

      Pode ser que seja impossível na realidade, mas que não é isto, não é.

      • Pimba! says:

        Pois exactamente, Paulo, a Rússia é mais que tudo o suprassumo do capitalismo!

        Putin um comunista? O gajo que anda de mão dada com a Igreja Ortodoxa Russa, e que espetou “respeito a Deus” na Constituição da Federação Russa? Muito me contam…

        Num artigo sobre falsa equivalência, o Rui Naldinho apresenta-nos mais uma…


  3. O cartaz é tão idiota quanto a mensagem que equipara os direitos cívicos à p* da doutrina dos coitadinhos.

    Sempre invocam a extrema direita para o mesmo efeito, como se não fosse possível um sistema político e social decente que excluísse uma e outra coisa.

    • Paulo Marques says:

      Um Sistema político é social decente que excluisse os direitos sociais para todos, é isso?

    • POIS! says:

      Pois é deveras lamentável!

      Que V. Exa. se entretenha a insultar a pobre da Maria Doutrina quando ela não fez mal a ninguém. O que ela queria era ganhar o seu dinheirinho, o seu sustento. E V. Exa. bem o sabe, mostra alrvemente ter privado intimamente com ela e depois chama-lhe nomes!.

      Até porque numa coisa tem V. Exa. razão: ela não é esquisita e até consta que faz uns favorzinhos aos menos dotados, que também merecem coitadinhos. E outros, pelo Menos, aproveitam-se! Uma lástima, é o que é!

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