Hortense Martins, o documento falsificado e o grau de culpa que não foi “particularmente elevado”

Em 2011, já no desempenho de funções parlamentares, a deputada socialista Hortense Martins assinou um documento, no qual renunciava às funções de gestora, exercidas na cadeia hoteleira do pai, apesar de nelas se ter mantido por – pelo menos – mais dois anos. Perante este crime de falsificação de documento, punível com até 3 anos de prisão efectiva, o MP pediu o arquivamento do caso e uma multa de 1000 euros. Mil euros, foi a astronómica quantia que a parlamentar desembolsou para que o seu  crime fosse arquivado. Sem que nada de particularmente incómodo lhe tenha acontecido. Até porque, reza a lenda, o grau de culpa da arguida não foi particularmente elevado.

Quanto ao futuro da deputada, ininterruptamente sentada no hemiciclo desde o primeiro governo Sócrates, lá continuará, serena, a legislar em nome dos portugueses. Num país mais civilizado e digno, teria renunciado ao cargo, ou sido convidada a fazê-lo pela direcção do partido. Como nada disto acontece, neste e em tantos outros casos idênticos que envolvem outros deputados, autarcas e outros representantes eleitos, regra geral do PS ou do PSD, a descredibilização da classe política soma e segue, até ao dia em que acordamos com a democracia no cadafalso, rodeado de evangélicos a skinheads.

O tempo corre contra ela. Contra a democracia, não contra a exemplar deputada. Essa continuará a representar os portugueses, no conforto da Assembleia da República, com uma reforma dourada no horizonte. E enquanto estes casos se multiplicam e perpetuam, os extremismos ganham terreno e ameaçam as (cada vez mais) frágeis fundações sobre as quais assenta o edifício democrático. Pagaremos, todos sem excepção, a impunidade estrutural da grande porta-giratória do sistema político-partidário. E com alguma justiça, diga-se, porque nada disto seria possível sem o nosso silêncio, a nossa cobardia e a nossa bovina submissão.

Comments

  1. Rui Naldinho says:

    Esta família, a deputada Hortense Martins e o ex Presidente da Câmara de Castelo Branco, Luís Correia, seu marido, coadjuvados por alguns familiares próximos, o marido «acabando de ser empurrado para fora da edilidade», pelo Tribunal da Relação.
    São aquilo a que poderemos chamar sem grandes equívocos, o verdadeiro polvo socialista. Não é um polvo grande, mas é polvo.
    Têm uma característica engraçada. Tal como o polvo lança a tinta escura sobre os seus perseguidores, estes também lançam muita poeira para os olhos dos albicastrenses. Tal como o octopoda, estes também se agarram com todas as ventosas à rocha (Poder).
    Se é verdade que o CS Tuga, por vezes, se atira aos socialistas por dá cá aquela palha, este é um caso em que aquilo que transparece é.
    Tive a oportunidade de ir a dois casamento realizados num empreendimento turístico, propriedade deles, uma antiga quinta recuperada, por acaso bastante bonita. Um casamento realizado em 2009 e outro em 2011. A tal que em 2013/14, já em pleno funcionamento, recebeu apoios da CEE.
    Em face destes acontecimentos esperava-se que a oposição em especial o PSD apresentasse um candidato à altura das circunstâncias para varrer esta malta do poleiro. O mais provável é apresentarem um Paulo Portas qualquer lá do sítio, tal como querem fazer em Lisboa, destruindo qualquer hipótese de o elegerem.
    Até parece que em Portugal só temos merda!


  2. Aconteceu num tribunal da região centro/Beiras? Se sim, não me surpreende, o respeitinho é um tradição antiga bonita para respeitar, que as modernices de agora dão sempre maus resultados, criam um mundo mais justo e isso não pode ser, é pecado!


    • Foi como aconteceu no caso da peste grisalha, julgado um última instância pela relação de Coimbra, era preciso defender o respeitinho e cultura ancestral tuga.

    • POIS! says:

      Pois pois!

      No Porto, realmente, a justiça é diferente! Isto porque os juízes, durante o estágio, seguem uma rigorosa dieta á base de tripas e vinho verde que os deixa imunes a estas coisas. Aliás, o mesmo se passa na Madeira, mas aí é preferem os torresmos e a poncha.

  3. Filipe Bastos says:

    Até parece que em Portugal só temos merda!

    Finalmente a chegar lá, Naldinho: tal e qual.

    Nesta pulhítica a que alguns insistem em chamar política, neste esgoto partidário, sobretudo no Centrão Podre, nada, absolutamente nada se aproveita. Tudo merda.

    A começar pelo Paralamento, a casa da partidocracia, indo pelas câmaras, essas fossas de tachistas e corruptos, até ao Paralamento da Euromama, a gamela dourada com que todos sonham, esta farsa mete nojo e fede.

    E ainda assim a carneirada insiste em ir botar o botinho. Ainda assim se chama a constatações tão óbvias ‘conversa de taxista’, ‘populismo’ e outras lérias. Sem partidos não há democracia, dizem os FDP com o focinho metido no pote.

    Só um reparo: isto não é o polvo socialista; é o polvo xuxa. Xuxa vem de xuxalismo, que é tudo o que temos. Jamais cá houve socialismo. Só cá há um Partido Sucateiro.

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