Romualda Fernandes (Preta)

Um “jornalista” da Lusa, Hugo Godinho, que por acaso costuma acompanhar as iniciativas do Chega, escreve uma notícia sobre a Comissão de Revisão Constitucional.
Nessa notícia, entende qualificar uma das deputadas, Romualda Fernandes, como a Preta. Nenhum dos outros parlamentares é o Branco ou a Branca, mas Romualda Fernandes é a Preta.
O Expresso, a SIC Notícias, o Observador e outros publicam a notícia como a recebem. Provavelmente sem sequer lerem. Como fazem tantas vezes.
Seria de rir se não fosse tão lamentável.
E não, não existe racismo em Portugal.

Comments

  1. Rui Naldinho says:

    Sabíamos que tínhamos um montão de néscios no jornalismo, no comentário político, no desportivo, musical, …
    O problema é quando eles fazem gala em mostrar a sua incompetência e mediocridade, sem que alguém lhes barre o caminho.


  2. Aguarda-se notícia do seu despedimento por justa causa.

    • POIS! says:

      Pois irá ser!

      Mas porque se esqueceu dos outros deputados.

      Devia ter feito assim: Joana Sá Pereira (branca), José Luís Carneiro (branco), Isabel Rodrigues (branca), Carlos Pereira (tinto), Elza Pais (branca), Francisco Oliveira (ás riscas), etc, etc.

      • J. M. Freitas says:

        ” esqueceu dos outros deputados” não esqueceu. A grande maioria dos portugueses são brancos, não é preciso dizê-lo. Normalmente só se salienta o que é excepção. Foi o que se fez.


        • A sério?! A maioria dos portugueses são brancos? Diga isso a um Alemão ou a um Sueco e ouve o que ele te diz.

    • Paulo Marques says:

      Não podem, demitiu-se.


  3. “nota da Agência Lusa: a Direção de Informação da Lusa lamenta profundamente o erro de uma notícia transmitida pela agência sobre a constituição da comissão da revisão constitucional em que uma deputada do Partido Socialista surge identificada de modo inaceitável, contra todas as regras éticas e profissionais constantes do Código Deontológico dos Jornalistas e do Livro de Estilo da Lusa. A Lusa irá proceder a uma averiguação sobre o que aconteceu. A Lusa apresenta as suas desculpas à deputada, ao Partido Socialista e, de modo geral, a todos os clientes e leitores da Lusa.”

  4. J. M. Freitas says:

    Pode-se dizer que um preto é preto? Pode-se dizer que um branco é branco? Se um branco chamar a um preto “preto da mea” é racismo? Se um preto chamar a um branco “branco da mea” é racismo? Se um preto chamar a outro preto “preto da me**a” é racismo? Se eu disser a um chinês que tem cara de chinês, é racismo? Conheço um Senhor que é casado com uma preta. Dirige-se a ela em público chamando-lhe “Ó pretinha”. É racismo?
    Estou a falar a sério porque já não sei bem o que é racismo. Nem sexismo. Sexismo ainda é mais difícil de distinguir porque se confunde facilmente com manifestações do instinto sexual. Por favor esclareçam-me. Os conceitos esfumam-se e diluem-se de tal modo que o melhor é estar sempre calado.
    Vamos discutir isto ou é tabu? E nem se discute?

    • POIS! says:

      Pois discute! Vamos lá!

      Comecemos por essa coisa do instinto sexual. A que horas costuma dar a V. Exa? Já o sentiu depois de comer uma feijoada? Costuma ser mais forte com o branco ou com o tinto?

      • J. M. Freitas says:

        Caro Pois:
        Estas perguntas não têm sentido. Nem interessam coisas da minha vida privada. Não seria melhor uma discussão séria?

        • Cesar says:

          J.M.Freitas
          Identifica-te:
          És Careca?
          És canhoto?
          És anāo?
          É cabelulo?

          Apenas o nome, é insuficiente seguro a tua teoria


    • Há abstrações conceptuais de difícil compreensão para muita gente. Nesses casos, o melhor é não discutir.

      • POIS! says:

        Pois, mas eu diria mais!

        Há conceções abstracionais de ainda mais difícil incompreensão. Nesses casos, discutir é pior.

    • Paulo Marques says:

      Será que alguém a discutir a validade do uso de uma palavra com séculos de desumanização num artigo em que é usada de maneira desumanizadora é racista? A resposta poderá surpreendê-lo!

      • J. M. Freitas says:

        ” A resposta poderá surpreendê-lo!” A resposta de quem? A sua ou a minha?
        Acho que os pretos devem sair do armário e fazer como os do orgulho gay: exigindo que os identifiquem como pretos, lhes chamem pretos e promovendo manifestações sob a palavra de ordem “orgulho preto” imitando o “orgulho gay”.
        Só assim a palavra será deixará de ser desumazidade.
        Parafraseando o Adolfo do CDS: a senhora exige pedido de desculpas por lhe chamarem preta? Não porque é verdade.
        Eu acrescentaria: mesmo que fosse mentira não exigia desculpas porque chamarem-me preto, não sendo verdade, não é desonra nem ofensa. É engano no tom da minha pele.

        • Paulo Marques says:

          Sim, se ignorar vários séculos de história e de cultura, é tudo simples. A realidade é outra coisa, e o uso descuidado das palavras carregam-no, porque a linguagem não nasce apoliticamente do nada, é fruto destas.

          • J. M. Freitas says:

            “linguagem não nasce apoliticamente do nada, é fruto destas.”
            “ignorar vários séculos de história e de cultura”
            De acordo mas não é ignorar, é acreditar que há mudanças e que transformações são possíveis …. o que foi não tem que o ser para sempre.
            Como eram tratados os gays até há pouco tempo? E como são desde que assumiram?
            Como eram tratados os pretos? Ainda na década de sessenta no Estados Unidos que são tidos como Democracia avançada? E como são tratados agora?
            Quando é que aparecerá uma preto a dizer que é preto e que assim quer ser chamado?
            Lembra-se daquela mulher (a minha memória não me quer dizer o nome dela) que na década de sessenta se recusou a dar o lugar a um branco num autocarro na América? Um dia aparece um que é o primeiro e que se ri para os séculos passados. Penso que assim vai acontecer com a cor da pele e que em breve terei de deixar de fingir que não conheço a cor da pele do meu interlocutor.

          • Paulo Marques says:

            Enquanto continuarem a arriscar-se a levar porrada, no mínimo, só por existirem, são mal tratados. Não percebo a dúvida.
            Como é que são tratados os negros na América? Bom, depende, primeiro é preciso ver se tem cadastro, se já consumiu droga, se tem emprego, com quem é que se dá, etc, para no fim dizermos que são poucos de bem assassinados pelos homens de farda.

        • Guida says:

          Se puséesseemos toda a Humanidade em fila, uns atrás dos outros,começando pelo preto mais preto e por aí fora, até ao branco mais branco, em que pessoa acabavam os pretos e começavam os brancos? Há alguma pessoa realmente branca (que não esteja morta?)? Há alguma pessoa realmente preta (que não tenha morrido queimada)?

          • POIS! says:

            Pois, mas é preciso cuidado!

            Se puséssemos toda a Humanidade em fila poderia haver problemas. Por causa do instinto sexual. Seria perigoso!


        • “pretos saírem do armário” é uma ideia divertida. Não sei como é que eles entram e permanecem no armário mas a ideia não deixa de ter a sua piada.
          Já agora, existem mesmo movimentos de orgulho negro. Porem imagino que seja má ideia o Sr. Freitas cumprimentar os integrantes do desfile de orgulho negro com um amigável “olá seus pretos”.
          E mais digo que o Sr. Freitas poderá experienciar uma interação muito intensa com os participantes de um desfile de orgulho gay caso teça um cortês comentário como “ena tantos paneleiros”.

          • J. M. Freitas says:

            “o gay caso teça um cortês comentário como “ena tantos paneleiros”.” Há umas semanas li no Público um artigo de António Guerreiro como título “Se eu fosse paneleiro”. Não me consta que ele tivesse sido agredido.
            Quanto ao “Olá seus pretos” já dirigi esse cumprimento a pretos (meus conhecidos) e não aconteceu nada.
            Uma vez ouvi um preto (empregado num bar) dizer para as colegas empregadas: “a trabalhar, que trabalhem os pretos.” Elas ficaram encavacadas e riram, riram….
            Atenção: os pretos e homossexuais são tão educados e civilizados como os outros. Não agridem por receberem uma piada. Essa ideia de que agridem por qualquer trivialidade é …. um preconceito sem jeito.
            Se a um branco disserem “Olá branquelas” que acontece? provavelmente nada. Com pretos é o mesmo. Mas há a ideia de que são maus como as cobras. Errado! (há bons e maus como em toda a parte).

          • Paulo Marques says:

            O contexto importa, é normal que os amigos não se preocupem. Outra coisa é atirar numa notícia sem mais nem menos.
            Aliás, há grupos de pessoas que se cumprimentam com insultos, pela mesma razão de ridicularizar as palavras, e não é por aí que o fazem em situações formais.
            E esta foi tirada do nada, por alguém com historial (que já não encontro outra vez).

  5. Carlos Batista says:

    Haverá racismo em Portugal, mas não pelo facto dum jornalista idiota da Lusa, escrever aquela notícia.
    Nem pelo facto dum jornalista do Aventar dizer que esta notícia “seria de rir”… se não fosse lamentável!

  6. J. M. Freitas says:

    O que será racismo?
    Lembrei-me de outra que presenciei.
    Num posto de gasolina um cliente falava com o empregado, que era preto, dizendo: “vim aqui há dias e entreguei a encomenda a um colega seu”. Resposta do empregado: “a qual deles?”. O cliente: “não sei o nome”. O empregado: “era um tipo assim moreno como eu?” O cliente: “sim”.
    O empregado (preto) identificou o colega também preto pela cor da pele. Em vez de dizer “preto” disse “moreno”, não sei se foi no gozo. Foi uma manifestação de racismo?
    Se o cliente, que era branco, em vez de dizer “não sei o nome” tivesse dito “era um preto”, seria racismo?
    É claro que se o cliente fosse uma figura pública (um político) e dissesse “preto” (o que era verdade) estaria frito. Sendo político, os dos partidos contrários não perderiam a oportunidade para o reduzir a cinzas.
    E que diriam os blogues e todo o pessoal do politicamente correcto?

  7. Filipe Bastos says:

    As questões do J.M. Freitas são tão pertinentes quanto, nesta casa, fatalmente ignoradas: aqui vive-se e respira-se woke.

    No meio de um grupo de pessoas brancas, uma pessoa negra; como indicá-la facilmente a outrém?
    — Aquela ali, a Romualda!
    — Não sei os nomes delas.
    — A vestida de branco!
    — Há três vestidas de branco.
    — Aquela de estatura média!
    — Todas são de estatura média.
    — A morena!
    — Duas são morenas, a outra assim-assim.
    — A africana!
    — Sei lá onde é que nasceram.
    — A que lembra a Oprah, se a Oprah fosse mais magra, mais nova, tivesse outro penteado e a cara completamente diferente!
    — Deixa-me cá imaginar…

    Claro que não fica bem ler numa notícia “Romualda Fernandes (preta)”, como não ficaria bem “Chico Anzóis (branco)”. Mas a esquizofrenia woke quer ao mesmo tempo ver raça em todo o lado e fingir que raça não existe. Tudo serve para se ofenderem.

    • J. M. Freitas says:

      Caro F. Bastos:
      Concordo consigo. Há muita confusão cujo resultado é deixar de lado o que é de facto racismo (ou sexismo etc.). Disse já que se confunde sexismo com instinto sexual, do mesmo modo acho que põem na categoria de racismo o que é só má criação ou mau gosto. É como o piropo. Como diz a Raquel Varela pode ser só galanteio e eu acrescento, pode ser má criação. Má criação é crime? Então estou como o outro e pergunto: dar uma grande arroto mal cheiroso num Restaurante de luxo é crime? Para não falar num valente traque!
      Ao exigir-se tanta educação e bom gosto caba-se em quê? Acaba-se na supressão da liberdade de falar e numa Moral de sacristia. Digo até que em matéria de sexo, tenho encontrado coisas que me fazem lembrar a Moral da Catequese da minha criancice e o que se dizia a fazia antes e depois do Maio de 68.
      Com estas distracções ficam por combater os verdadeiros problemas e enquanto se atacam moinhos de vento, acaba-se por mudar alguma coisa para que tudo fique na mesma.
      Devemos combater a hipocrisia moralista que por aí campeia. Que vão pregar para a sacristia.

      • Paulo Marques says:

        “Quem importunar outra pessoa, praticando perante ela atos de carácter exibicionista, formulando propostas de teor sexual ou constrangendo-a a contacto de natureza sexual, é punido com pena de prisão até 1 ano ou com pena de multa até 120 dias, se pena mais grave lhe não couber por força de outra disposição legal. ”

        Apenas e só.

        • J. M. Freitas says:

          ““Quem importunar outra pessoa,…”
          Acho aceitável esta lei, talvez um bocado exagerada. Não a conhecia.
          E pensando bem, já mulheres se dirigiram a mim (há muitos anos) em termos em que eu poderia ter beneficiado dessa lei. E teria valido a pena se elas fossem muito ricas ou ocupassem lugares proeminentes na vida pública. Não era o caso e, se calhar, a lei ainda não existia. E o prazo de prescrição? Será que ainda vou a tempo se descobrir que alguma das tais tem massa?
          Suponho que hoje haja quem faça fortuna com essa lei. Nada é perfeito.

          • Paulo Marques says:

            Se houvesse, já estava toda a gente a usar o caso para fazer pouco da lei invés de fazer de conta que é por piropos.
            O importunar está bastante qualificado.

    • Paulo Marques says:

      Portanto, prefere fazer uma caricatura racista quando sabe que podia perfeitamente dizer negro. Sabe perfeitamente que a etnia está no meio da notícia a propósito de coisa nenhuma, mas acha bem porque os outros acham mal.
      Escolhas.

  8. Carlos Pinto says:

    O plumitivo tem que ir a mais iniciativas do ventura para ficar a saber que em Portugal não há racismo.

    • J. M. Freitas says:

      “não há racismo.” Há racismo.
      E tem de se combater em vez de andarmos metidos a moralista. Isso custa, é mais fácil pregar Moral e fiscalizar o vocabulário alheio.
      E não acha que seria melhor raciocinar em vez de chamar nomes, género vá às iniciativas do Ventura? A não ser que pense mesmo que com o Ventura se ataca o racismo. Parece-me que não é o seu caso, mas … nunca se sabe.

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