A partida

Mariana Seabra da Silva

Hoje, dia vinte cinco de julho de dois mil e vinte e um, morreu um dos mais importantes capitães de Abril, Otelo Saraiva de Carvalho, deixando a dor da partida e a recordação dos seus feitos heroicos.

Numa noite longínqua, a vinte e quatro de Abril de mil novecentos e setenta e quatro, os militares portugueses que formavam o Movimento das Forças Armadas, arquitectado pelo artilheiro Otelo e outros camaradas, também capitães de Abril, invadem vários lugares estratégicos do país, como a Rádio Renascença e o Terreiro do Paço, dando lugar à missão mais importante das suas e das nossas vidas: a luta pela Liberdade, o derrube do regime salazarista e o fim da Guerra Colonial.

É inegável a importância das mentes que estiveram por detrás de um acontecimento tão marcante na vida de todos, não só daqueles que vivenciaram o regime Salazarista ‘in loco’ e a sua queda, como para mim que, só ouço falar na Revolução dos Cravos em documentários, filmes ou conversas de café com amigos, familiares e/ou desconhecidos. Reconheço a liberdade que tenho como resultado da luta contínua de pessoas como o Otelo, que não descansaram até eliminar o fascismo em Portugal, para que hoje, eu, todos e todas possamos falar sobre História e pensar como esta ainda nos afecta. O que fica na memória é a lembrança de alguém que contribuiu, de forma altruísta, para a libertação do povo português e dos povos colonizados.

Apesar dos erros que cometeste, o povo lembrar-te-á pela libertação que lhe trouxeste.

Agora, “Otelo, vencerás porque o povo vencerá”.  Obrigada por tamanha inspiração, Capitão. Até um dia.

Imagem: Centro de documentação 25 de Abril, Coimbra

Comments

  1. Alexandre Barreira says:

    …é pena…..o teu “amigo e camarada” Eanes…..nem um “pio”….!!!

  2. Zé Muacho says:

    Quando se morre, parece ser de bom tom recordar cada traço, atitude e acções positivas, esquecendo tudo o que de mau se fez. No caso de Otelo Saraiva de Carvalho, parece-me pouco elegante e perigoso seguir essa tradição sensata.

    Como podemos aceitar que ter feito parte do 25 de Abril, o enobrece, se a sua intenção fosse o estabelecimento de uma nova ditadura?

    Como podemos, em democracia, celebrar quem demonstrou, de forma tão empenhada, pretender derruba-la ?

    Sobretudo, como podemos respeitar as famílias e os amigos dos que foram assassinados pelas FP 25 de Abril, fazendo elogios públicos ao seu principal responsável, ainda por cima amnistiado?

    Há momentos que aconselham silêncio. Este parece ser um deles.

    Copiado do blog “Corta-fitas”

  3. JgMenos says:

    Tadinha….leu um romance em qualquer lado!

    • POIS! says:

      Pois foi! mas não só um, sabe-se de fonte segura. Aqui vai a…

      Bibliografia:

      “Toma Lá P’ra Tabaco Ó Facho!” (volume um);

      “Toma Lá P’ra Tabaco Ó Facho!” (volume dois);

      “Vozes de Menos Não Chegam ao Céu”.

      Pelo meio leu ainda, pelo Menos, o não Menos célebre romance histórico “A Inolvidável Odisseia de Uma Cadeira de Repouso”, que descreve um atentado perpetrado contra um Alto Magistrado da Nação por um agente do KGB disfarçado de peça de mobiliário.

    • Contra Pides e bombistas says:

      Por falar em romances, recomendo ao Menos o:

      “Queres mamar? Anda aqui ao Salazar!”
      ou
      “Queres levar na pevide? Deixa o trabalho à PIDE”
      ou
      “És mulher, criança ou freira? Vai ao cardeal Cerejeira”

      Óptimos p’ra ti, ó porco fascista.

  4. estevesayres says:

    Quero só recordar, que não enviou tropas para colocar na Prisão os PIDES, como tb não enviaram tropas para libertar os antifascistas presos…Mas reconheço que Otelo foi um dos estrategas do Golpe Militar no 25 de abril74. Mas não fez nenhuma revolução… Por fim:
    (…)”A 28 de Maio de 1975, as tropas do COPCON, na época a 5ª coluna e o braço armado dos social fascistas do PCP, lideradas pelo pistoleiro Otelo Saraiva de Carvalho e comandadas pelo falecido – e tão elogiado pela burguesia que sempre serviu – facínora e fascista Jaime Neves, , invadiram e destruíram, com base num plano meticulosamente levado a cabo, várias sedes do MRPP por todo o país, prendendo mais de 400 dos seus militantes, incluindo o seu Secretário-Geral, o camarada Arnaldo Matos”!

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