Deus é mentiroso

Rodrigo Moita de Deus, na sua casa de fados, em Cascais, durante a interpretação de “Nasci para ser ignorante”.

 

Pode um mentiroso ser da família de Deus? Será uma questão teológica, mas, em Portugal, se nos referirmos a Rodrigo Moita de Deus é uma questão de (in)decência. Já não é a primeira vez que este parente do Senhor diz, na televisão pública, mentiras e alarvidades sobre os professores.

O comentador televisivo é, muitas vezes, um espécime da linhagem do tudólogo, que fala de tudo, mesmo, ou sobretudo, se não dominar o tema. Rodrigo Moita de Deus é, portanto, parente próximo de Nuno Crato ou de Carlos Guimarães Pinto.

Deixo uma ligação para o vídeo com a intervenção de Deus no Último a Sair e remato, mais abaixo, com um excerto de um texto copiado do facebook do S.T.O.P. (Sindicato de Todos os Professores), para aqueles que quiserem verdadeiramente informar-se.

Os que não quiserem informar-se, podem limitar-se a ver o vídeo com a palavra de Deus. Com gente desta na família, é natural que as pessoas se afastem da Igreja.

 

Retirado do facebook do S.T.O.P.

No programa “O último apaga a luz”, na RTP3 (19 de novembro), a propósito da falta de professores, o comentador Rodrigo Moita de Deus (RMD) proferiu várias afirmações manifestamente falsas e, também, outras, que induzem a erros grosseiros sobre a verdadeira realidade docente. Intervenção caluniosa aqui (3 minutos): https://www.facebook.com/…/12348…/posts/952471678947800/
O S.TO.P. já exigiu a vários responsáveis da RTP o DIREITO DE RESPOSTA nomeadamente pelas seguintes calúnias:
“1 – “BALDAS ÀS AULAS” OU BALDAS À VERDADE?
O comentador RMD afirmou – perentoriamente – que os professores podem faltar 12 dias por ano por conta do período de férias. É fundamental que a sociedade saiba que isso é totalmente falso. Como se poderá verificar no Artigo 102.º do Estatuto da Carreira Docente: “Faltas por conta do período de férias” no ponto 1 (sublinhado nosso), “O docente pode faltar um dia útil por mês, por conta do período de férias, até ao limite de sete dias úteis por ano.” Ou seja, o limite são 7 dias por ano e não 12 dias. RMD também se refere a este tipo de falta como “baldas às aulas”, e em outro momento do programa chega a afirmar que o “professor não avisa que não vai à aula”. Mais uma vez são afirmações falsas como se pode verificar no mesmo Artigo 102.º no ponto 3 (sublinhado nosso): “O docente que pretenda faltar ao abrigo do disposto no presente artigo deve solicitar, com a antecedência mínima de três dias úteis, autorização escrita ao órgão de direção executiva do respetivo estabelecimento de educação ou de ensino, ou se tal não for comprovadamente possível, no próprio dia, por participação oral, que deve ser reduzida a escrito no dia em que o docente regresse ao serviço.”. Ou seja, não são os professores que se “baldam às aulas” mas o RMD é que se balda à verdade.
2 – HORÁRIOS ZERO OU RIGOR ZERO?
Nesse mesmo programa RMD afirma que há professores do quadro que continuam a receber e que têm horário zero. No entanto não disse que esses professores com o chamado “horário zero” são professores que apesar de temporariamente não terem, pelo menos, 6 horas de componente letiva na sua escola de provimento, são obrigados a concorrer anualmente ficando a aguardar colocação através das Reservas de Recrutamento em outro estabelecimento de ensino. Esses professores continuam a ter tarefas fundamentais para o trabalho nas escolas, dando apoios a alunos, coadjuvações com outros docentes, dinamizando grupos de trabalho, biblioteca, atividades extracurriculares (AEC), clubes, aulas de substituição etc. Ou seja, ao contrário do que o RMD afirmou, esses professores têm naturalmente um horário a cumprir, as mesmas 35 horas semanais que todos os outros trabalhadores da função pública. Mais uma vez fica evidente que RMD tem sérios problemas com a verdade e um rigor próximo de zero.
3 – QUOTA SINDICAL COMO CRITÉRIO PARA CONCURSO DOCENTE?!
Em determinado momento, RMD chegou a afirmar que os critérios para o “Concurso Nacional de Professores é a idade e a quota paga ao sindicato” e que “Quanto maior for a quota paga para o sindicato, o professor é que decide para onde quer ir ou que pode ir”. Onde se baseia o RMD para fazer tais afirmações caluniosas? Os critérios para os concursos docentes, como é público, não têm nada a ver com a quota sindical e a idade apenas em situação de empate depois de outros critérios preponderantes.”

 

 

 

Comments

  1. POIS! says:

    Eu sempre desconfiei destes espécimes de casta nobre.

    Afinal, o que é que estará deus a fazer atrás da moita?

  2. POIS! says:

    Bem, mas temos que reconhecer…

    Que o Rodriguinho tem uma vantagem, sobre o autor do “post”, que lhe dá especial autoridade para comentar: a distanciação.

    Nunca ensinou e não se lembra de ter aprendido.

    O que lhe dá uma vantagem epistemológica considerável. Para falar sobre educação? Não! Para tudo!

  3. JgMenos says:

    No ponto 1; quanto falta para ter 1 dia por cada mês em que há aulas? e sempre vale telefonar de manhã a dizer «não fui».
    No ponto 2, picam ponto?
    O ponto 3 importa exigir que o homem se explique.

    • POIS! says:

      Pois tá bem!

      Se V. Exa. tiver um inquilino e ele lhe pagar 7 rendas em cada 10, não faz mal.

      Do mesmo modo, se receber 7 salários ou pensões em cada dez meses, também não é preocupante. A diferença? Um pormenor. Uma paneleirice!

      Quanto falta para lhe pagarem um ou uma por mês? Muito pouco! A bem dizer, nada!

      Alô, alô empregadores! O JgMenos está disposto a vergar a mola pelo salário mínimo salazaresco e só cobra 7 meses em cada 10! É aproveitar, vilanagem!

    • POIS! says:

      Pois, e já agora…

      No tempo do seu amado Oliveira da Cerejeira as aulas começavam em outubro e acabavam logo no início de junho.

      Era, pelo Menos, (passe o pleonasmo) Menos um mês e meio.

      A quantas “baldas” professorais isso hoje corresponderia?

  4. JgMenos says:

    O acerto do que homem diz em final, e a reserva de que obteve a informação ‘à pressa’ não só o desculpa como o recomenda.

  5. Professor B says:

    É mentiroso e está em toda a parte…

  6. Filipe Bastos says:

    No programa “O último apaga a luz”…

    Conheço o programa. É uma converseta semanal entre:
    — a Raquel Varela, que fala geralmente bem;
    — a Inês Pedrosa, a xuxa de serviço;
    — o betinho Moita Deus, o direitalha de serviço;
    — um careca anódino, geralmente ignorado.

    Desconheço o que fez o Moita Deus para ser convidado, e se calhar pago, para deitar postas na TV; mas cumpre a sua função de cultista do mercado. Profere as alarvidades com ar fresco e civilizado, como quem acabou de chegar duma regata no iate do papá.

    Dito isto, Nabais, muito do que ele diz corresponde à opinião geral sobre a classe docente. Sim, pode errar em factos como o nº dias de faltas, ou omitir factos atenuantes.

    Mas se perguntar a dez pessoas na rua, pelo menos cinco dir-lhe-ão algo parecido. E se essas pessoas tiverem filhos na escola, em vez de cinco talvez sejam sete. Ou mais.

    Há uma divisão real entre público e privado, Nabais. Professores e outros FP fariam bem em deixar de ignorá-la. Não é que estejam muito bem; é que outros estão bem pior.

    • António Fernando Nabais says:

      O Filipe é da mesma escola do Moita – tem umas impressões e bolça uns comentários. Cinco em dez? Sete, se tiverem filhos na escola? Com base em quê? Converseta de café. Deixo-lhe aqui um coisinha para ler: https://www.google.pt/amp/s/amp.expresso.pt/sociedade/2019-01-17-Bombeiros-medicos-e-professores-os-profissionais-em-que-os-portugueses-mais-confiam-1
      A ideia de que a função pública vive alheada do resto do mundo também é gira: os alunos que temos à frente não são filhos de ninguém e vêm todos do reino encantado da nossa fantasia. Junte-se ao Moita e fundem o dueto “Sem noção”.

      • Filipe Bastos says:

        Nabais, todos aqui “têm umas impressões e bolçam uns comentários”: isto é um blog, não um artigo científico.

        Parte da FP vive num estado de permanente vitimização. Vi e vejo isso na minha mãe, que lá esteve +40 anos. Claro que é humano, todos puxam a brasa à sua sardinha, e claro que muitos têm legítimas razões de queixa.

        Com os anos, porém, isso torna-se um bloqueio mental que não os deixa ver quão pior estão os outros. E a questão não é quererem melhorar o seu lado: é ser apenas o seu lado, agravando a desigualdade que já existe.

        É outra forma de corporativismo, de ‘eu quero, eu preciso, o resto que se lixe; não tenho nada a ver com isso’.

        Obrigado pelo link, deixo-lhe também um: https://expresso.pt/politica/2018-09-14-Sondagem.-69-dos-portugueses-estao-contra-exigencias-dos-professores

        • António Fernando Nabais says:

          Entre não ser um artigo científico e bolçar, pode haver muita coisa pelo meio, como, por exemplo, a diferença entre as opiniões de um idiota como o Moita e um professor com mais de trinta anos de serviço.
          Os professores são vítimas e sabem que há outros que estão muito pior, mas não adianta escrever coisas como “os professores sabem que há outros que estão muito pior” (e nem vale a pena acrescentar que os professores lidam com os filhos de todos os que estão muito pior, ficando a saber tanto da vida desses que estão pior), porque haverá sempre alguém que consegue transformar essa frase numa afirmação como “os professores não conseguem ver que os outros estão pior”.

        • Paulo Marques says:

          E sabia que há Somalis muito pior que você, e ainda se queixa? Vá mas é criar riqueza para o patrão e cale-se.

    • Paulo Marques says:

      Portanto, se os portugueses se baseiam em mentiras para acreditar, os visados é que estão mal.
      Confere, de facto

      • Filipe Bastos says:

        Algumas mentiras, algumas meias-verdades: serem 7 dias em vez de 12, por exemplo, mas podem faltar.

        O que está em causa não são os direitos ou as regalias dos professores; é o seu desfasamento da larga maioria das profissões e trabalhadores. É manter o fosso entre público e privado, é certa mentalidade de privilégio e egoísmo.

        A esquerda instalada continua de olhar fixo no umbigo. Qual caminhada para o socialismo; qual sociedade.

        • Paulo Marques says:

          Continua a não ser a mesma coisa; são, no fundo, 7 dias em que não aparecem no trabalho, mas boa parte deste tem que ser cumprido na mesma.
          Podia continuar o desfasamento pelo ordenado, pela falta de autoridade, pela falta de autonomia, pela falta de progressão da carreira (hoje, em 2021), pela repetição de contractos precários por trabalho altamente especializado; mas não, fica pelo que tem inveja.
          Qual sociedade, de facto.

          • Filipe Bastos says:

            Experimente ‘não aparecer no trabalho’ na maioria dos trabalhos, logo vê o que lhe acontece.

            Ordenado e precariedade: a maioria dos professores devia ganhar mais; uma minoria no topo devia chular menos. E o resto do país, acha que ganha bem? Acha que no privado há emprego para a vida?

            Falta de autoridade e autonomia: de acordo, mas que podemos fazer? V. é que vota nestes pulhíticos.

            Falta de progressão na carreira: e em 99% do privado como é essa progressão automática e maravilhosa?

            Inveja: também já anda com a inveja na boca? E os outros é que são direitalhas?

          • António Fernando Nabais says:

            Ó Filipe Moita de Deus, os dias em que não se aparece no trabalho correspondem a faltas justificadas por conta dos dias de férias – não é o mesmo que ‘não aparecer no trabalho’.
            Quanto ao resto, lá vamos nós outra vez: se tivermos uma entorse, devemos ficar calados, porque há quem tenha partido uma perna.


  7. Desde há anos, um crescente nº de imbecis, ignorantaços e ultra-convencidos têm vindo a fazer pronunciamentos manhosos sobre a problemática do ensino, fingindo que sabem bem do que falam. Alguém certamente os convenceu a espalhar a sua ignorância crassa. Era como se eu agora me arvorasse em especialista de aeronáutica e começasse a mandar vir sobre gestão aérea. Já não há mais pachorra para tanta estupidez. De lamentar é que apenas uma única estrutura sindical, o STOP, tenha vindo a terreiro protestar. E os outros 22 sindicatos estarão a dormir? Porque será????

    • Professor B says:

      Alguns sindicatos parecem preferir discutir 0,1 0u 0,2% de aumento.

    • Paulo Marques says:

      Ufa, ao menos ainda são menos que os especialistas em epidemiologia. E futebol, claro.

    • JgMenos says:

      22 sindicatos?
      Só de sindicalistas em importantíssimas tarefas de faltar às aulas, fazia-se um agrupamento escolar..
      Dormir será uma das tarefas a desempenhar com afinco.

      • Paulo Marques says:

        Não se apoquente, os portugueses de bem fardados estão quase lá, com muito menos membros.

        • Paulo Marques says:

          É quase como que o sistema não queira um único sindicato forte a lutar por todos, seja lá por que razão.
          Mas, olhe, apoio a iniciativa, deviam, e devíamos, todos pertencer ao mesmo.

      • POIS! says:

        Pois…22 sindicatos?

        Deve estar a confundir os professores com os polícias.

        Aí é que há umas dezenas. E alguns são dirigidos por venturosos adeptos do Enviado. Até havia um em que todos os membros eram dirigentes. Há lá maior democracia?

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