Passos Coelhização do PS?

Fonte: SIC Notícias

Depois de António Costa ter saído de uma reunião com a CIP a pedir desculpa aos patrões, qual amigo de quatro patas a aninhar-se junto ao dono, depois de fazer cocó no hall de entrada, eis que é agora Marta Temido, ministra da Saúde, a reagir às demissões no SNS, com, como dizer?… Alguma piada.

Disse assim, a ministra: “queixem-se menos, senhores doutores!”.

O fantasma de Pedro Passos Coelho deixou marcas tão profundas no país que, ao ver o seu partido de pau mole, decidiu infiltrar-se no PS. Realmente, há gente muito piegas

Uma vez que a ministra ainda não sabe, vou então dar-lhe uns conselhos para que se possa resolver o problema do SNS, reforçando-o: 

  1. Aumentar o número de profissionais de saúde no SNS, contratando; 
  2. Exclusividade no SNS com aumentos salariais significativos (impedindo que estes fujam para o privado ou para o estrangeiro);
  3. Redução do horário semanal de profissionais com mais de 55 anos, promovendo a rotatividade e o descanso;
  4. Valorização das carreiras no SNS.

Que tal começar por aqui?

Fotografia: Mário Cruz/LUSA

Comments

  1. Luís Lavoura says:

    Todos os pontos 1, 2 e 3 implicam um aumento de despesa significativo. Quem é que terá que pagar mais impostos?

    Por mais que os aumentos salariais sejam significativos, duvido que os salários se tornem competitivos com os suíços e que portanto os médicos e enfermeiros portugueses deixem de emigrar.

    Eu diria que só há uma opção realista: contratar médicos e enfermeiros na América Latina. São os únicos que aceitarão trabalhar por salários que nós possamos pagar. Se os médicos e enfermeiros portugueses emigram, é preciso que outros imigrem.

    Mas para isso será preciso passar por cima dos cadáveres das Ordens dos Médicos e dos Enfermeiros, que tudo fazem e farão para impedir a imigração de profissionais estrangeiros.

    • João L Maio says:

      Pois, os impostos… se ao menos as Jerónimo Martins cá do burgo não fugissem com os impostos, se calhar era possível. E estou em crer que, se assim fosse, as PMEs não pagariam tanta carga de impostos como pagam, neste jardim à beira-mar. Mas quem sou eu para afrontar os DDTs… o jardim é pequeno mas são os jardineiros abastados que nele mandam.

      Os médicos não vão deixar de imigrar. Como não deixarão de imigrar outros profissionais de outras áreas. Imigrar tem de ser uma escolha, não uma obrigação. Mas gostava de ver, por exemplo, o Ministério da Educação a mandar imigrar os professores… faz sentido mandar imigrar os médicos e os enfermeiros, ou empurrá-los para aí?

      De facto, os médicos sul-americanos têm uma formação excelente, nomeadamente os cubanos. Mas essa não pode ser A opção. Serão bem-vindos, caso queiram vir; mas A opção é formar e ser capaz de segurar as pessoas que cá formamos. Senão, nem formar valerá a pena.

      • João L Maio says:

        Queria dizer, *emigrar.

      • Luís Lavoura says:

        Em nenhum país muito desenvolvido se consegue formar médicos e enfermeiros suficientes. É por isso que países como a Alemanha, a Suíça ou a Inglaterra estão cheios de médicos e enfermeiros portugueses: porque não conseguem formar suficientes. Têm que recorrer à imigração.

        Portugal deve fazer exatamente como eles: recorrer à imigração de médicos e enfermeiros. E não os faltam disponíveis, nomeadamente na América Latina.

        Essa é a opção correta.

        Essa opção será boa para os médicos portugueses (que poderão emigrar à vontade para a Suíça), para os médicos sul-americanos (que poderão vir para Portugal), para os pacientes portugueses, e para os pacientes alemães.

        Se a migração é uma boa solução para os jogadores de futebol, por que raio não há de ser uma boa solução para os médicos??

        • Paulo Marques says:

          Portanto, a solução para um capitalista é sempre explorar o mais fraco. Se o país de origem ficar condenado ao falhanço, fossem europeus.
          Que surpresa. A dúvida é porque é acham que é desta que isso corre bem a um país do meio; a auto-colonização nunca funcionou, mas é desta!

    • Paulo Marques says:

      Bom, e quanto é que custa formar portugueses (e bem, pelos elogios) para emigrarem?

  2. JgMenos says:

    Porque é que estes treteiros nunca dizem que quem for à urgência sem passar por um qualquer outro tipo de assistência e apanhe uma cinta verde, ou paga 20 euros ou vai para casa com com duas aspirinas e uma bisnaga de paracetamol, ou outro pacote equivalente,
    Mais emprego, mais impostos, mais mama, é sempre a solução.

    • João L Maio says:

      A sério, Spínola? E no privado, quanto pagas? Sabes-me dizer, ó monóculo?

      Qual é, então, a solução do teu MDLP para a saúde? Não me digas que vai tudo corrido a bombas!

    • António Fernando Nabais says:

      Tens razão, coiso: não vamos perder a tempo a pensar no número de funcionários efectivamente necessário, vamos, em vez disso, amontoar umas tretas contra a esquerdalhada abrilesca e assim.
      Não comas tão depressa, filho, porque, depois, arrotas muito. Já passou!

    • Paulo Marques says:

      Porque é que os Menos nunca ligam nenhuma às contas à produtividade perdida por doença?

    • POIS! says:

      Pois tá bem!

      Pelo Menos, a tasca só fecha às onze. Os 20 euros ainda dão para uma data de copos de bagaço. Vosselência vai sair daí cheio de saúde!

      Enfermeiros! Querem mama? Toma!

    • POIS! says:

      Pois citando, pelo Menos, Menos…

      “ou paga 20 euros ou vai para casa com com duas aspirinas e uma bisnaga de paracetamol, ou outro pacote equivalente”,

      Eu, por acaso, nunca passei por essa atividade extorsiva lá no SNS. Desconhecia completamente, até este preciso momento. O máximo de extorsão a que fui condenado foi de 80 cêntimos por um estacionamento no Hospital da Guarda.

      Se o mandam sempre para casa com a mesma medicação comprimida e bisnagada será, talvez, porque a doença de V. Exa. é sempre a mesma. Não há outra explicação.

      Agora, se quer escolher outra, é natural que lhe cobrem os 20 euros para consultar o catálogo das doenças. Essas coisas dão despesa e, com todo o respeito pela falta de saúde de V. Exa., acho que tal não deve deve ser pago pelos contribuintes.

  3. Filipe Bastos says:

    Lamento, mas não chega. Mesmo com exclusividade, tal como nos offshores, nenhum país pode resolver a questão sozinho.

    Nunca vamos pagar tanto aos médicos e enfermeiros como o Reino Unido, a Alemanha, ou até a Espanha. Pior: nem têm de ir para fora; basta continuarem a ir para o privado.

    Se é imoral e insustentável alguns países mamarem nos impostos dos outros, como a Irlanda, a Holanda, o Luxemburgo, as ilhas da Mancha e outras, porque seria moral ou sustentável mamar os médicos e enfermeiros formados pelos outros?

    Há dias, nas Vadias, dizia um aventador: um médico cá ganha 4000€ e achamos muito; lá fora ganha 10.000€! Não há competição. Pois não; mas 4000€ é mesmo muito em Portugal. Mais é ganância.

    Entende-se que alguém que ganhe 600€ ou 700€ emigre para ir ganhar mais. Mas não é o caso dos médicos, nem esta é uma profissão qualquer. Estes médicos mercenários têm de acabar.

    E dentro de cada país, como permitir a mama da saúde privada? Se a estratégia é tão óbvia – destruir gradualmente o público para que só reste o privado – como podemos permitir que continue? Somos assim tão tapados… ou tão cornos mansos?

    • Paulo Marques says:

      Sim, ganham todos 4000€ mal saem do berço, tal como os professores, e é só subir por aí fora, sem 150 horas extraordinárias obrigatórias, com plena independência e liberdade de realizar estudos. Uma cambada.

      • Filipe Bastos says:

        Coitadinhos. Um segundo enquanto limpo a lágrima. Pronto.

        4000€ continua a ser quatro vezes o salário médio nacional.

        Continuam a ser mercenários que traem a profissão e o prestígio que esta lhes confere, trocando ética e princípios por ganância. Não todos, claro; mas muitos.

        Médicos devem ter regalias e ganhar bem; mas não vivem num vácuo. Vivem em Portugal, com os salários de Portugal, os preços de Portugal, a realidade de Portugal. A mama privada tem de acabar. A mama abroad também.

        • POIS! says:

          Lá vem o nivelamento por baixo! Desta vez convém!

          Não convém é dizer que há regimes políticos piores que o de cá! Aí não vale!

          Eu ainda hei-de tirar isto a limpo mas tenho a certeza que, no SNS, a média de salários é muito inferior. No início de carreira (que está bastante afunilada, diga-se de passagem) nem se fala.

          Pronto, a solução vem já. Quando todos os países tiverem uma democracia “mais direta” comandada por Bastos Impolutos, tudo se vai resolver!

          • Filipe Bastos says:

            Pois fico sempre espantado com a alegre e acrítica aceitação da desigualdade. Sobretudo num fórum de esquerda, ou de centro-esquerda.

            Digo desigualdade no sentido mais claro e literal: alguns terem mais que os outros. E talvez espanto não seja o melhor termo; é mais uma constatação recorrente. E deprimente.

            Repare, não discuto a média do SNS, cuja base é de certeza mal paga. Discuto que 2000€, 3000€, 4000€ não seja suficiente num país com um salário médio de 1000€. E que achemos natural que queiram mais; ou que exista saúde privada; ou que países rapinem médicos aos outros, quando fazem falta aos outros.

            Discuto que deixemos o ‘mercado’ contaminar tudo, absolutamente tudo, até a função mais essencial da civilização, pois sem saúde nada mais importa.

            Enfim, nisto como na democracia mais directa, estou claramente em minoria. Às vezes, como os malucos, interrogo-me se verei algo que muito poucos vêem. Mas suspeito que não. Suspeito que os outros vêem; apenas aprenderam a fingir que não.

          • POIS! says:

            Pois fico sempre espantado com a alegre e acrítica aceitação do nivelamento por baixo. Sobretudo num fórum de esquerda, ou de centro-esquerda.

            Estou espantado como ainda não chamou a atenção para os pobres dos bulgaros e dos romenos que t~em um salário mínimo ainda mais baixo que o nosso.

            Uma cambada de mamões é o que nós somos todos! E você não se revolta!

            É essa mansidão que me dá cabo dos nervos!

          • Filipe Bastos says:

            Que podemos fazer pelos romenos, os búlgaros ou os africanos? Que influência temos sobre os seus políticos, a sua economia e sociedade?

            Ainda que pudéssemos, acha que eles iam admitir a nossa interferência? Diziam-nos para cuidarmos da nossa casa e metermo-nos na nossa vida.

            E muito bem: se não reduzimos a desigualdade cá, porque – e como – o havíamos de fazer lá? É absurdo sugerir que um país como Portugal pode resolver isso, e duplamente absurdo esperar por isso para fazer algo cá. É uma desculpa esfarrapada.

            Tal como os salários e a riqueza devem ser limitados por país, com base no salário e na riqueza média de cada país. A Portugal interessa a média de Portugal; não a média da Bulgária ou a da Noruega.

            Porra. Isto não é óbvio?

          • POIS! says:

            Pois não.

            Não é óbvio. Porra.

          • Filipe Bastos says:

            Pois pense, porra.

            Até concordo com o conceito da responsabilidade colectiva: eu e v. somos co-responsáveis pela fome em África. Sabemos que existe e não fazemos tudo para evitá-la. Preferimos não pensar nela. Não é connosco, que havemos de fazer… paciência!

            Ou todos os semi-escravos, dos que cá apanham mirtilos às sweatshops asiáticas, cujos produtos consumimos sabendo bem como são explorados.

            Mais: acredito que isto pesa na nossa consciência colectiva. No fundo, nós sabemos. Sabê-lo e aceitá-lo faz-nos pessoas piores. Um bocadinho FDP, sabe?

            Mas tem de se começar por algum lado; só pode ser pelo nosso país. Acho lindamente que se aumente os médicos, os enfermeiros, os professores; mas temos de impor limites. E reduzir a desigualdade.

        • Paulo Marques says:

          Come propaganda como os gelados, na testa. Quais 4000€, cresça homem.

  4. JgMenos says:

    Cambada mais abstrusa!!!!

    É um mundo de tadinhos e idiotas tão caridosos que nem as jocistas do Cerejeira!

    • Paulo Marques says:

      «In a new report, Prioritizing Health: A Prescription for Prosperity, we estimate that poor health reduces global GDP by 15% each year — about twice the pandemic’s likely negative impact in 2020 — from premature deaths and lost productive potential among the working-age population.

      Prevention is key to achieving health improvements. We find that 70% of the economic benefits could be achieved with cleaner and safer environments, supporting adoption of healthier behaviors, and more access to vaccines and preventive medicine. The remainder would come from treating diseases and acute conditions with proven therapies, including medication and surgery.»
      https://hbr.org/2020/07/research-poor-health-reduces-global-gdp-by-15-each-year

      Dos defensores de tadinhos na… McKinsey?!?

      • POIS! says:

        Sim, mas…

        O Paulo não respondeu àquilo das “jocistas do Cerejeira”. Era um ponto muito importante. Nem a McKinsey se debruçou sobre tão candente questão, o que põe em causa a sua competência para propor, consultadoriar, ou mesmo para simplesmente postapescadar.

        Assim, toda a argumentação fica prejudicada! E o JgMenos a rir-se! Isso é que mete nervos!

    • POIS! says:

      Pois foi!

      Lembra vosselência bem as jocistas do Cerejeira. È um episódio pouco conhecido.

      Segundo rezam as crónicas, Cerejeira, por vezes, terá virado as costas a Salazar. Mas há quem diga que Salazar também virou, eventualmente, as costas a Cerejeira.

      As jocistas vieram apenas apimentar esses arrufos. Talvez a leitura dos diários no dê pistas sobre quem virava as costas a quem. A Humanidade está suspensa dessas revelações. Alguns apelidam mesmo esse estado de uma ansiedade parva.

    • João L Maio says:

      Olha… o Menos comprou um espelho e… assustou-se ao ver-se pela primeira vez no reflexo.

  5. J Monteiro says:

    Não há médicos por causa do numerus clausus iniciado com Mário Soares para os proteger, sem qualquer planificação cientifica.

    • Rui Naldinho says:

      Você anda atrasado três décadas.
      Ou será que a ignorância é fatal para algumas cabeças pensantes?

      Portugal tem 7 faculdades de medicina:

      2 no Porto. S. João e Santo António (ICBAS)
      2 em Lisboa. Santa Maria e a Escola Médica de Lisboa
      1 em Coimbra
      1 em Braga
      1 na Covilhã
      Já não vou considerar os Cursos de medicina ministrados na Universidade do Algarve, e os preparatórios dos Açores e Madeira, cursos esse que depois se integrarão em Coimbra e Lisboa, nos últimos anos.
      Quem entra em Medicina vai no mínimo com 17,5, valores de média.
      Antes de 1996 eram 5. Depois de dez anos de Cavaquismo continuaram a ser 5. Hoje tem mais duas. E abriu recentemente um Curso de Medicina para ricos, na Universidade Católica. Mas estes não contam.
      Admitindo ainda assim que alguns desistem do curso, formam-se por ano em Portugal, no mínimo, 500 médicos. Em 10 anos são 5000, distribuídos por várias especialidades.
      Não, não há falta de médicos. O que há é uma imensa hipocrisia por parte do poder político. Já os juizes podem subir o ordenado para valores próximos do PR, ainda que no topo da carreira.

  6. luis barreiro says:

    Comrads, a culpa dos problemas do sns é do psd e do passos coelho, e o muro de Berlim foi construído para impedir os capitalistas do ocidente passarem para o paraíso do socialismo de leste. Só quem não é do broco ganzas de esquerda é que não entende.

    • POIS! says:

      Pois não é bem assim.

      O Muro de Berlim foi construído para depois tirarem uns pedacinhos para ficarem em exposição em Fátima.

      Só que a malta abusou e acabou a vender bocados de cimento “on line”. Há quem até acrescente como brinde fotos do papa nu, mas parece que são falsas.

      E, pelos vistos Vosselência entende muito do assunto, Como não me parece que pertença à tal organização, presumo que também foi por influência da mãezinha. Ela sabe muito. Não é só perita em autodefesa.

    • João L Maio says:

      Há quem, felizmente, tenha memória, libero-facho. E outros há, como o libero-facho Luís Barbeiro, adeptos do sadomasoquismo – vêem o Passos, em sonhos, vestido de látex laranja com o Portas ao colo. Bons sonhos, Luís Barbeiro.

    • João L Maio says:

      Um último conselho: largue o álcool, fume antes uma ganza. Sentir-se-á melhor… e não sentirá impulsos de vir vomitar ao Aventar, pois as ganzas não lhe farão tão mal ao estômago.

    • Paulo Marques says:

      Sim, prender alguém ao serviço não resolve, emigram.
      Paythemmore.jpg

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  1. […] não passa por mais resiliência. Essa solução, em tempos aventada noutras circunstâncias por Pedro Passos Coelho, não serve o país e os portugueses. Chamar piegas aos médicos não resolve nada. O que resolve […]

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