Doha a quem doer, 1-0 para os adeptos do Braga!

Depois de um trocadilho barato com a capital do Qatar, vamos a coisas mais sérias e mais caras. Não por podermos falar de preços absurdos, mas por custarem vidas humanas e não só.

Na semana passada, foi sabido que a Qatar Sports Investements, proprietária do Paris Saint-Germain, adquiriu 21,67% da SAD do SC Braga. Anteriormente, estes mesmos 21,67% eram adquiridos pela Olivedesportos. Felizmente, a SAD do SC Braga viu-se livre dessa gente da Sport TV que não interessa para nada. Fazem com que jogos sejam marcados para horas indecentes, controlam os direitos televisivos e isso parece tudo muito obsceno. É muito melhor ter participação da Qatar Sports Investements, que é subsidiada pelo Estado qatari, chegando mesmo a ser considerada propriedade do Ministério das Finanças do Qatar. E como sabemos, o Qatar é um exemplo de país no que diz respeito a direitos humanos. Estamos a falar de um país que criminaliza orientações sexuais, que não permite pessoas andarem vestidas como querem, que não respeita outras crenças… Mas isto do futebol une as pessoas e como o Mundial é lá, de certeza que tiveram bom senso. Certo? Errado. Recorreram a trabalho escravo que já custou a vida de milhares de pessoas para se prepararem para o Mundial. Entre dezenas de federações e uma FIFA que prontamente expulsou a Rússia de todas as competições, ninguém se levanta perante isto. Todos sabemos que quando se fala de democracia, o Qatar mete a Rússia num bolso. Hipocrisia por parte da FIFA e afins? Não, que ideia.

É esta gente que investiu no futebol português. É esta gente que vai receber um Mundial perante o silêncio de todos aqueles que têm a boca selada com uma nota preta, porque deve ter vindo suja de petróleo. E vermelha do sangue que o Estado qatari tem nas mãos. Mas nem todos aceitaram esta nota.

Ontem, o SC Braga deslocou-se ao terreno do Saint-Gilloise (Bélgica) num jogo a contar para a Liga Europa. O resultado foi uma vitória estrondosa para os adeptos do SC Braga. Enquanto o jogo decorria, os adeptos minhotos exibiram a frase que podemos ler na foto. Devido à pirotecnia utilizada, o jogo foi parado. É uma vitória dos adeptos ver que ainda há quem lute pela mínima decência, e não é só no futebol. Aceitar estes investimentos e normalizar a presença destes assassinos no nosso meio é ignorar todos os valores que proclamamos. Lutar pelos direitos humanos não é só colocar bandeirinhas nas redes sociais quando um país europeu é agredido ou quando é algo que está na moda. Não podemos priorizar vidas humanas consoante a sua referência num catálogo da Robbialac ou como dá mais jeito ao nosso bolso.

Por isso, um obrigado aos adeptos do SC Braga. Haja resistentes nesta luta.

Comments

  1. Paulo Marques says:

    É o mercado, senhores.
    Acho bem, mas quero ver quem vem a seguir, que isto do capital não é para qualquer um.

  2. POIS! says:

    Pois tá bem!

    Os fundo do Qatar investiu no Braga? Ora, é o mercado a funcionar! Mais um prestigiado investidor estrangeiro que vem ao nosso país confiar os seus capitais a entidades nacionais, elevando a sua capitalização e promovendo o investimento e a riqueza!

    Os Drs. Guimarães Pintarola e João Cotrintintin devem estar radiantes de contentes!

    Mas há outra questão a desmentir. Citando V. Exa:

    “Recorreram a trabalho escravo que já custou a vida de milhares de pessoas para se prepararem para o Mundial”.

    “Trabalho escravo”? Nada disso! No Qatar, felizmente, não há essa coisa de salários mínimos, que só distorcem o funcionamento mercado de trabalho. Na realidade, os trabalhadores dos estádios tinham um contrato de trabalho livremente e fraternalmente negociado entre patrões e trabalhadores, produto do livre exercício das respetivas liberdades contratuais.

    E nada de sindicatos, que só atrapalham e nivelam tudo por baixo!

    • Paulo Marques says:

      Se escolheram o Qatar, é porque lhes oferecia a melhor oportunidade de carreira, senão teriam emigrado. Não são preguiçosos como os ibéricos.

      • POIS! says:

        Claro!

        E carreiras muito promissoras! Começavam com turnos de 15 horas, um ano depois passavam a treze, e em três anos chegavam a doze!

        E quanto ao alojamento? Tudo organizado! começavam ao relento, depois a monte num armazém, seguiam-se os contentores sem ar condicionado e, no topo, contentores com ar condicionado!

        Tudo para estimular a motivação e premiar a ambição!

        Não é por acaso que já se fala numa nova escola de gestão: depois do Fordismo e do Toyotismo temos o Camelismo, em homenagem ao desporto nacional do Qatar e à resiliência dos trabalhadores que, bem tijoladinhos, aguentam 12 horas de trabalho só com dois copos de água (fresca!).

  3. POIS! says:

    Pois, citando maisfutebol.iol.pt

    “Dias consecutivos de 12 horas de trabalho sem folgas ou multas por deixar o posto de trabalho para ir à casa de banho são alguns dos abusos sofridos por trabalhadores imigrantes em empresas de segurança no Qatar, alguns deles em projetos relacionados com o Mundial 2022 de futebol, que decorre naquele país, de 21 de novembro a 18 de dezembro.

    A denúncia é feita pela Amnistia Internacional (AI) num novo relatório sobre a situação dos direitos laborais dos trabalhadores estrangeiros no Qatar (…)”

    Ah! Ah! Ah! A habitual histeria esquerdeira!

    O que é que pode impedir um cidadão, liberal e arrojado trabalhador, de aumentar o seu rendimento e a produtividade da sua empresa trabalhando mais horas? Francamente!

    São 12 horas por dia? Restam-lhe outras 12 para descansar!

    7 dias por semana? Do que se queixam? Pensavam que no Qatar a semana era de 8 dias? Aquilo não é uma república das bananas!(*)

    E quanto ás multas: a malta veio para trabalhar ou para cagar? Se não querem ser multados, que evitem de comer e de beber. E usem fraldas! A 40 graus de temperatura, seca tudo!

    (*) Pois! Nem uma coisa nem outra. É uma monarquia dos camelos.

    • Paulo Marques says:

      A Aministia Internacional? É, pá, isso é gente Putinista que diz que o exército ucraniano mata os seus, não é de confiar.

  4. Anonimo says:

    Estes (e outros) adeptos não verão um minuto do mundial, evidentemente.

    Estas tarjas lembram aquele pessoal que reclama que o futebol hoje é só empresários chulos e jogadores milionários, está tudo minado. Mas sentam-se a ver o Liverpool-City, ao invés de irem ver futebol em estado puro, num qualquer distrital.

  5. Rui Naldinho says:

    La Monde

    “ Copa do Mundo de Futebol: antes de se iniciar a Competição há vários pedidos de boicote.
    As principais cidades francesas decidiram não transmitir os jogos da Copa do Mundo de Futebol, que começará no Qatar em 20 de novembro. No passado, vários grandes encontros de futebol foram ameaçados com boicotes, com variados graus de sucesso.
    Denunciando a aberração ecológica dos estádios climatizados ou as suspeitas de corrupção em torno da designação do país-sede, em nome dos direitos humanos e dos milhares de trabalhadores imigrantes que morreram durante a construção dos estádios, várias cidades francesas, Paris, Lille ou Bordeaux, decidiram não transmitir na tela grande o que o prefeito ambientalista de Lyon, Grégory Doucet, qualifica de “Mundo da vergonha”. Personalidades como o ex-jogador de futebol Eric Cantona ou o ator Vincent Lindon também anunciaram que não irão assistir aos jogos.”

    O que se esperaria dos jogadores das seleções apuradas, nomeadamente da França, da Alemanha, Inglaterra, Espanha e Portugal, já não falo sequer do Brasil e Argentina, era um boicote total aos jogos, informando as suas Seleções que não estarão disponíveis para participar no Mundial no Qatar.
    Isso sim, era honra e glória.

    • Paulo Marques says:

      Ufa, só demoraram 10 anos a perceber o que a casa gasta, mas lá conseguiram perceber. Pelo menos, da boca para fora.

      • Rui Naldinho says:

        O meu filho esteve 3 meses em trabalho no Dubai, durante a pandemia, em 2020. Já na altura esta questão era abordada, nos Emirados, não só em relação ao futebol, mas também em relação à EXPO 2020, atrasada pela Covid 19, que se realizou no Dubai no final do ano passado e nos primeiros 3 meses deste ano. Surgiram os mesmos problemas, ainda que sem atingirem a catástrofe do Qatar.
        Toda a gente assobiou para o lado.

    • Anonimo says:

      “O que se esperaria dos jogadores das seleções apuradas, …”

      Sim, o Messi ou o Mbappe por exemplo seriam grandes exemplos.
      Quem pode realmente boicotar são os adeptos. Estafeito, está feito, o máximo é não se repetir.
      Não ver jogos, ignorar, não consumir, é o único boicote que tem impacto.

      • Paulo Marques says:

        Mais um boicote individual vai continuar a não ter impacto em coisa nenhuma.

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