Os mísseis ainda estavam quentes mas a verdade absoluta era já inquestionável, excepto para os mais empedernidos putinistas: o Kremlin estava zangado com os avanços ucranianos e com os resultados do Trumpismo nas midterms, e decidiu bombardear um tractor em território polaco, a poucos KMs da fronteira ucraniana.
Os defensores da guerra total não perderam tempo e exigiram a activação imediata do artigo 5°. Não havia dúvidas, não era necessário investigar. Verdades absolutas são isso mesmo: absolutas. E quem questiona não é do bem. É do Putin. Para sua enorme tristeza, nem Jens “warmonger” Stoltenberg parece convencido da culpabilidade dos russos:
“Não há indicação que se trate de um ataque deliberado da Rússia, ou de que a Rússia tenha planeado qualquer acção militar ofensiva contra a NATO”
Meus amigos e minhas amigas: no dia em que o Putin sentir necessidade de atacar o espaço da NATO, o seu alvo não será um tractor. Tomara que nunca cheguemos lá.






“Quem bombardeou o tractor polaco? “””
Na terminologia militar poderíamos considerar a resposta:
“Foi o fogo amigo”
Muito boa gente desconhece que num teatro de operações desenvolvem-se muitas ações militares, grande parte delas dissimuladas, cujo objectivo é atacar um determinado alvo sem ser descoberto pelos meios de deteção do inimigo. Até aí tudo bem. Faz parte da doutrina. Só que, há pormenores na guerra que fogem aos “olhos do mais astuto dos falcões”, como, por exemplo, a camuflagem. Esta pode enganar o inimigo, é para isso que serve, mas também os nossos amigos.
As operações militares são planeadas a nível superior através de “ordens de operações”, integrando vários sistemas de armas combinadas, mas é no terreno em concreto que as decisões mais arriscadas são tomadas, pelo comandante dessa força, alterando-se por vezes os planos iniciais. Os apoios fornecidos em combate quer pela aviação, quer por fogos terrestres de longo alcance, lançados da nossa rectaguarda para a nossa frente, abrindo brechas no inimigo, nem sempre acertam bem no alvo. A camuflagem engana e a progressão no terreno pode não ser a mais rápida, fruto de múltiplas circunstâncias. Por exemplo, o estado atmosférico.
Quando um míssil de defesa anti míssil, por exemplo, os “Patriot”, cuja missão é destruir um míssil inimigo por impacto com este no ar, acaba projectado no solo com danos para as nossas tropas, dizemos que fomos vítimas de um dano colateral do nosso próprio sistema de defesa.
Na doutrina, que vai evoluindo com a tecnologia, o fogo amigo pode causar até 3% de baixas nas nossas forças. Mas já foi mais. Durante a II Guerra Mundial o número era superior.
Hoje em dia o fogo amigo é mais queimar resíduos altamente tóxicos ao lado do quartel, mas como só tem os maiores efeitos depois de os dispensarem, não conta. Basta não pagar a conta que o problema resolve-se rápido, enquanto se mantém a população pobre e recrutável.
Não eram não, isso era a propaganda a desgovernar-se com base num palhaço corrupto e num idiota útil com problemas de sondagens. O que vale é que, apesar de tudo, a Casa Branca sabe com o que conta. Aliás, toda a gente sabe, mesmo os oportunistas, pelo que foi mais uma noite a fazer um caso de coisa nenhuma, mas sempre se atiçou mais a procura da paz pela destruição.
Aparvalhar acontecimentos é o modo favorito dos que sempre evitam julgar os criminosos que lhes dão origem.
Mas se julgássemos o belicismo pró-apocalíptico do Zé não estávamos aqui, pois não?
Guerras Energéticas – A Bomba Relógio Russa VII:
https://portugueseman.blogspot.com/2022/11/guerras-energeticas-bomba-relogio-russa.html