Liberal até dizer Chega

Sim: “Pela IL, o ex-líder João Cotrim Figueiredo considerou a moção do Chega como ‘um bocado infantil’”.

Mas: “A moção de censura contou com os votos favoráveis da Iniciativa Liberal ao lado dos dez deputados do Chega.

Comments

  1. Santiago says:

    E foi exatamente por ser infantil que a Iniciativa Lampaneira votou a favor. Aquilo é tudo malta que come à mesma mesa e tem os mesmos país.

  2. balio says:

    Já em janeiro passado a Iniciativa Liberal e o Chega tinham votado em conjunto a favor de uma moção de censura.
    Mas creio que nessa altura esse voto conjunto não levantou tanta celeuma.

    • Tuga says:

      “Mas creio que nessa altura esse voto conjunto não levantou tanta celeuma.”

      Isto quer dizer que ao contrario que alguns “destraídos” dizem, esta segunda votação não foi por acaso.

      Mas é bom, para que as pessoas saibam que os liberocas são os que apontam as armas que os fascistas disparam.

      Fizeram isso no Chile em 73 e noutros lados, vão fazer isso sempre desde que seja para defender os privilegiados a que pertencem.

    • João L. Maio says:

      Não é propriamente a mesma coisa serem os liberais os proponentes de uma moção e a extrema-direita votar a favor da mesma e ser a extrema-direita a apresentar uma moção e os ditos moderados do extremo-centro votarem a favor.

      Quer-me parecer que são coisas diferentes.

      • balio says:

        João L. Maio,

        o que interessa não é o proponente da moção, o que interessa é o que nela está escrito. (Eu creio que as moções têm um texto, mas não sei se têm.)
        Acho eu.

        (Interessa também quais as consequências práticas da moção.)

  3. jose valeriano says:

    Moções de censura para quê?
    Andam aqui a botar criticas pela moção para nada estão todos contentes com o governo que temos.
    Isto será mesmo uma infantilidade do chega apresentar uma moção sabendo que todos os partidos iriam estar do lado do governo mesmo criticando o mesmo.

    • balio says:

      Você tem uma boa dose de razão.
      Sabendo que o PS tem maioria absoluta e que essa maioria está sólida, andar a apresentar moções de censura é uma perda de tempo, uma distração.

    • tuga says:

      São guerras entre o avançado centro e o extremo direito quando a bola está no centro do terreno
      Só serve para show off

  4. POIS! says:

    O neoliberalismo, assim como o liberalismo “tout court” são realidades complexas, e nunca foram correntes monolíticas. Embora não seja um tema que esteja no centro das minhas preocupações, já me tinha interrogado acerca disso.

    Recentemente li, na revista francesa “Alternatives Économiques” um comentário a um livro recentemente saído, “Néo-libéralisme(s). Une archéologie intellectuelle”, da autoria de Serge Audier, que me fez alguma luz sobre o assunto: entre os neo-liberais existem muitos matizes, desde os que recusam de todo a intervenção do Estado, mesmo para corrigir desigualdades gritantes (como é o caso de Hayek), até os que a defendem, mesmo para além dos casos mais gritantes, defendendo posições muito próximas, ou coincidentes mesmo com as dos social-democratas (René Courtain, Jacques Roueff, e muitos outros) (1).

    Mesmo no seio da suposta Igreja Universal Neoliberal, “Sociedade Mont Pèlerin” muitos divergiram de Hayek ou Friedman e ainda mais dos “libertários” ultra-radicais.

    Na mesma obra, o autor justifica a ascensão de Hayek a “supremo sacerdote” do neoliberalismo pelo empurrão dado pelo milionário Harold Luhnow, administrador do Fundo Wolker, que lhe pagou o salário, promoveu os seus livros através de massivas distribuições gratuitas e esteve por detrás da publicação da versão condensada do livro nas Seleções do Reader’s Digest.

    Não admira, portanto, que Hayek tivesse acabado a promover as liberalescas ditaduras da América Latina que tanto agradavam aos USA.

    Ora, quando uma pessoa vê um Guimarães Pinto, entre outros, “rasgarem as vestes” na defesa do vendido e defensor de totalitários Hayek, como aconteceu numa recente polémica com Francisco Louçã, aí temos a ideologia básica da Impetuosa Liberalesca.

    É aquilo a que se pode chamar a ideologia Estaliberalesca.

    E grita o Calhau a plenos pulmões: Hayek está vivo nos nos nossos corações!

    Olha, rimei!

    (1) Se arranjar tempo e paciência para o ler (é uma obra algo exaustiva (630 páginas, e em francês!..) ainda vou pensar em comprar…

    • balio says:

      o liberalismo “tout court” são realidades complexas, e nunca foram correntes monolíticas

      Claro. Dentro do liberalismo há muitas correntes e não poucos debates e discordâncias. É por isso que a Iniciativa Liberal disse (algures numa moção aprovada num seu congresso) que “a Iniciativa Liberal é o partido de todos os liberais”. Dentro da IL há pessoas dos mais diversos matizes de liberalismo, sendo que algumas delas discordam muito de outras sobre muitas coisas.

      Sobre Hayek em particular, uns liberais adoram-no, outros fazem-lhe não poucas críticas, entre as quais, claro, a de ter apoiado a política económica do Chile de Pinochet.

      • POIS! says:

        Desculpe mas…

        O apoio a Pinochet não se limitou à “política económica”. Houve visitas a Pinochet, à Junta Argentina e Brasileira em plenas ditaduras, a saber-se o que aconteceu com a repressão terrorista e o seu cortejo de “desaparecidos”.

        Mas, coitadinho, foi enganado, esconderam-lhe a coisa. E ele, nessa altura, não lia jornais, por falta de tempo e para não ficar deprimido com a realidade. Principalmente quando estava a escrever o belo folhetim “O Caminho da Servidão” que, como todos sabemos, é sobre uma menina muito pobrezinha que rejeitou ser funcionária pública, para não cair na horrível servidão. Em alternativa, empenhou-se em tentar o “elevador social” e conseguiu!

        Foi através do casamento com um senhor que era tesoureiro das finanças. Leia, “balio”, leia, que vai gostar. Eu fartei-me de chorar, tenho de confessar.

        Quanto ao resto, fiquei a saber que na Iniciativa Liberalesca há lugar para os Estaliberalescos e os “Simplesmente Liberalescos”. Tá bem! Mas quem pede tanta coerência aos esquerdistas, e se opôs com tanta veemência à vinda do Lula e apresenta votos de condenação de Cuba a torto e a direito, defender Hayek…

        • balio says:

          Repito que a Iniciativa Liberal não é o partido dos Amigos de Hayek. Sem dúvida que deve haver na IL admiradores de Hayek, mas muitos outros membros da IL não o são. A maior parte, aliás, nem deve saber minimamente quem foi Hayek…

          Nem sei, aliás, onde viu algum membro da IL pronunciar-se sobre Hayek. Não é pessoa de quem se costume falar, em Portugal…

      • Nightwish says:

        Estranhamente, são todas a favor de uma sociedade hierarquicamente organizada em que quanto mais mérito maioritariamente hereditário tiverem, mais direitos e menos obrigações têm, à força policial e do resto do estado se for preciso.
        Coincidência que votem da mesma forma…

  5. Anonimo says:

    A moção tem mais ou menos valor conforme o partido que a promove?

    • POIS! says:

      Ora pois!

      Mas isso só poderemos verificar se passarem a ser cotadas em bolsa.

      O Calhau e o Cidadeberço Pintainho já estão a pensar no assunto.

      A seguir ao fim do selo do carro, que é imbatível, vai ser o maior sucesso da Impetuosa Liberalesca.

  6. Salgueiros says:

    Ora ai estão eles

    Bastou ganharem em casa a um clube de um Pais que esta em guerra, sem precisarem de desligar o VAR, no prolongamento, para embandeirarem em arco e festivo

    Diz Pinto da Costa

    Se alguém não soubesse nada sobre o desporto português aterrasse em Lisboa e ouvisse o que por lá se diz sobre o FC Porto ficaria com uma imagem muito distorcida da realidade. Já disse isto muitas vezes, mas as campanhas permanentes contra o FC Porto obrigam-me a repeti-lo: os métodos utilizados para nos tentar abater não são sérios e até alguns portistas acabam enganados. Também ouvimos os papagaios do costume, a propósito do mercado, dizer que o FC Porto não tinha capacidade para se reforçar nem para gerar valores relevantes em transferências”, começou por escrever o dirigente portista.

    E os outros é que são papagaios

    Ele há cada convencido

  7. whale project says:

    O liberalismo tout-court só pode ser implementado com uma ditadura ou, quando muito com uma democracia bem musulada, ou um Código Penal assassino pródigo em aplicar penas de morte,. a exemplo do inglês. Porque as desigualdades que cria são efectivamente gritantes e é preciso uma didatura para esmagar as revoltas ou um Código penal assassino para meter na cadeia e escravizar a criminalidade desesperada. Em democracia, democratia a sério, com respeito por todos e todas, o liberalismo não funciona. O problema é que os liberais sabem muito bem fazer cócegas nos ouvidos prmetendo a tal liberdade de não pagar impostos. Toda a gente acredira que vai ficar rico se não pagar impostos e é esse o grande engodo dos liberais. Para mim gente como Hayek, Friedmann e os Boys de Chicago não passam de vendedores de banha da cobra muito mais perigosos. Porque a banha da cobra não faz bem nem mal, mas as políticas neoliberais são piores que o dum-dum. Matam que se fartam. E só a ditadura ou a democracia rambolesca podem implementá-las..

    • balio says:

      Em democracia, democratia a sério, com respeito por todos e todas, o liberalismo não funciona.

      Pois não. Em democracia a sério, se o povo vota no partido nazi, então os judeus perdem a liberdade toda.

      É bem sabido que há uma potencial contradição entre a democracia e o liberalismo. É por isso que as modernas democracias são chamadas “democracias liberais”: porque são democráticas, mas respeitam um mínimo de liberdades fundamentais, as quais ficam resguardadas do voto popular.

      É claro que, dentro desta conjugação de opostos que são as democracias liberais, se pode puxar mais para as liberdades, ou mais para a democracia. Nada de novo.

      • Paulo Marques says:

        Ainda bem que não votou, mas, de qualquer forma, o whale falou em respeito por todos, e não respeito pela vontade da maioria. Por exemplo, é possível respeitar que aos capitalistas sejam garantidos direitos sociais ao mesmo tempo que respeitar a vontade de não controlarem tudo e todos na sua desesperada tentativa de não se sentirem inadequados.

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