Tarde demais, Biden. A menos que…

Biden demorou tempo demais a tomar a decisão inevitável. Travar Trump era já uma missão quase impossível, sobretudo após um atentado que, sendo o resultado directo da sociedade armada que defende, teve o expectável efeito de o transformar num mártir aos olhos do seu eleitorado e de reforçar a propaganda com imagens fortes de punho fechado, sangue na cara e bandeira a esvoaçar atrás.

Agora, parece-me, entramos no território da impossibilidade.

Porque confirma as acusações, até há dias ridicularizadas, de Biden não estar mentalmente apto para disputar a eleição. Ou para governar o país.

Porque faltam apenas 4 meses para as eleições.

Porque as sondagens indicam que Kamala Harris não tem hipótese.

Porque o Partido Democrata não tem outras personalidades destacadas com projecção nacional. Ou que desejem ser atropeladas pelos minions russos de Trump.

Porque o espírito do tempo joga a favor de Trump e da agenda populista da extrema-direita.

Porque Putin e Xi Jinping farão tudo para que Trump ganhe.

Porque a guerra da Ucrânia não está a correr como esperado e o apoio a Zelenskyy não colhe a unanimidade que nos vendem, sobretudo nos EUA.

Porque o problema da imigração existe mesmo e tem um papel fundamental nesta eleição.

Porque a cultura woke causou estragos no centro e isso terá tradução no voto.

Porque Trump é showbiz e os americanos adoram showbiz.

E por tantos outros motivos que nunca mais saíamos daqui.

A verdade é que tudo aponta para uma vitória de Trump, mesmo que tangencial.

Mas existe uma alternativa, uma só, julgo eu, que poderia virar o tabuleiro para o lado Democrata.

Barack Obama.

Veremos o que acontece na DNC, que este ano se realiza precisamente em Chicago, no Illinois, onde Obama se fez político e a partir do qual se lançou numa corrida bem-sucedida até se tornar presidente.

A política americana é feita de plot twists. Tudo indica que Trump ganhará, mas até ao lavar dos cestos haverá sempre tempo para travar o aspirante a monarca absoluto ungido por Deus.

Caso contrário, salve-se quem puder. Vai correr muito pior do que da primeira vez.

Comments

  1. Andy G. says:

    Barack Obama é inelegível como presidente. Nenhum presidente dos Estados Unidos pode concorrer a 3 mandatos. Nem como vice seria possível, pois pela constituição ele não poderia assumir nem interinamente a presidência. Por isso as pesquisas apontaram chances para Michelle Obama e não para ele. Ela só foi primeira dama, pode concorrer (muito embora, creio que ela não o deseja), ele não.

  2. Não te preocupes; seja lá quem ganhar, continuará as guerras que conhecemos, a chacinar e a matar à fome -apesar de já não ter vitórias -, a apoiar a entidade sionista genocida, a enfiar os imigrantes em jaulas, a militarizar a polícia para bater (ou matar, quandos lhes apetece) em manifestantes, a fazer da política ambiental taxar quem a resolve, e a vassalar até ao último cêntimo a desunião europeia – com jeitinho, em breve até ao último engajado -, e a forçar a subserviência de quase mundo inteiro pelo dólar e pelas armas.
    Não há nada a temer para os democratas liberais, ganham sempre, até ao dia em que o monstro é isto e nunca vai mudar.

  3. “Porque faltam apenas 4 meses para as eleições.”

    “Apenas” falta bastante mais tempo do que qualquer outra eleição dura, ou deve durar, quando os eleitores têm exactamente a mesma memória de golfinho. É uma excelente forma, a ser também ela importada de várias formas, de ser impossível mudar alguma coisa, que vem sempre ai o mal maior, e há que fazer sacrifícios para votar contra e nunca votar por.

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