Propinai!

O Ministro da Educação, Fernando Alexandre, em entrevista recente, anunciou a intenção de proceder ao descongelamento das propinas no próximo ano lectivo, considerando que o não pagamento de propinas não é o que garante a equidade.

E que tal ainda não foi feito porque o Governo está a “a avaliar o sistema da acção social”.

A sério?! O mesmo Governo que ainda hoje não sabe quantos são, afinal, os alunos do secundário sem aulas?!

É claro que o descongelamento das propinas dificulta o aceso ao ensino superior. E não faltam já obstáculos bastantes para alguém que quer aceder.

A começar pela quantidade de alunos deslocados, cujas famílias não têm meios financeiros para pagar balúrdios pelo alojamento, dada a especulação actual no mercado habitacional.

Passando pela inoperância do apoio social escolar e a sua desadequação em matéria de critérios de análise e de concessão. Acrescida da falta de meios para dar resposta, mas com a perene promessa de que isso vai mudar.

Continuando pelos constantes atrasos e distorções na atribuição de bolsas de estudo.

Não é à toa que este ano foi anunciado um aumento de 11,73% de abandono escolar no primeiro ano de licenciatura. A mais alta em 8 anos.

O descongelamento das propinas, é, claramente, mais um obstáculo no acesso ao ensino superior e à qualificação da mão-de-obra, ao aumento do valor e da qualidade do trabalho, à inovação, e ao aumento do valor final do serviço prestado ou do bem produzido. Por muito que se prometa mais e melhor acção social, depois, claro está, de se fazer uma panóplia de estudos e análises.

Propinai, pois. A toda a força. Cobrar é preciso. Aprender, não é preciso.

Criem-se elites económicas, e não de mérito, e compense-se com a importação de mentes mais baratas. Façam aos quadros superiores, aquilo que fizeram já aos intermédios e inferiores: os de cá que busquem lá fora melhor salário, que sai mais barato importar quem trabalho por menos.

Porque, isto sim, é governar para as pessoas.

Comments

  1. JgMenos says:

    Pois é claro, isto só lá vai com doutores em quantidades industriais para servirem indústrias decadentes por falta de mão-de-obra qualificada para as tarefas que as compõem.
    Propinas e alojamento gratuito para todos, calinos e grunharia incluída, que este é o país da igualdade porque sim!
    Por isso se fez o 25A, esse movimento redentor de toda a desigualdade, do corajoso abandono das populações africanas, e que hoje nos permite usufruir desta democracia de exaltantes treteiros que nos propicia usufruir das inovadoras formas do comércio povoado de chineses e banglas.
    Dado e arregaçado é o mote que nos guia na senda de um progresso sustentado a impostos e servido por matilhas de assalariados do Estado, assistidas por consultores, observadores, reguladores e auditores de tudo o que ameace mexer!
    A Bem da Nação!

    • POIS! says:

      Pois claro! isto só lá vai com Menos doutores, e em quantidades artesanais.

      Só para os que paguem resmas de propinas e tenham dinheiro para um quarto com casa de banho privativa numa penthouse do Parque das Nações, com direito a mordomo partilhado e isenção de taxas moderadoras para os pais e restante família no caso de ida às urgências por inanição.

      Sigam o exemplo de JgMenos: aos 10 anos entrou num curso de Introdução à Canalização, aos 12 iniciou um Curso Industrial de Manilhas, aos 15 tirou um Curso Especial de Esgotos, terminando com uma Licenciatura em Sanitas e um Mestrado em Autoclismos de Maçaneta.

      A caminho de um Doutoramento em Fossas Sépticas, tendo já publicado um artigo científico na área de Análise da Trampa, abandonou para atender a um pungente pedido de socorro por parte de um grupo de industriais de louça sanitária em esburacada decadência que estavam, literalmente, na fossa.

      Dado e arregaçado, há por aí gente que considera que este é um exemplo de carreira de merda! Treteiros! Chinoqueiros! Bangladeiros!

    • Ó Menos, que estranho, então, que seja quem tenha feito a revolução, e quem se festeja que mal tenha direito a palavra, que tenha previsto as inevitáveis consequências de falta de competitividade, muito baixo valor acrescentado, capital a acumular à sombra do estado (isso ao menos nunca mudou), e pobreza generalizada.
      Afinal, era a liberalização, os serviços, a flexisegurança, lenga-lenga atrás de lenga-lenga de como a eurolândia ia dominar o mundo enquanto semeava as sementes da sua própria irrelevância, completamente ultrapassada por quem manda às malvas o liberalismo económico. Aliás, nem se percebe o desespero, o resto do mundo deve estar já já a colapsar face a tanta liberdade económica.

    • Anonimo says:

      Não se preocupe, que essa malta da história das artes interseccionais que tiram esses tais cursos decadentes terão a sua punição divina no futuro quando entrarem no mercado de trabalho.
      Castigá-los com propinas elevadas é injusto e irrelevante.

    • Tuga says:

      Estimado Salazarento menor

      Fico muito comovido com a defesa que faz aqui neste blog do Governo do Partido de Marcelo Caetano Recauchutado no 25 de Abril. Assim e que é, nunca esqueças as lições aprendidas na Escola da PIDE em Sete Rios

  2. Os senhores mestres em economês esquecem-se porque é que Schengen existe.

    • Anonimo says:

      para que os doutores possam ter os salários que merecem e fizeram por merecer estudando e trabalhando.

  3. Whale project says:

    Já sabemos, salazarento mor. Bons mesmos eram os tempos do salazarismo em que ia meninos aprendiam a ler, escrever e contar a custa de muita porrada e depois iam para os campos e as fábricas com 10 anos ou menos.
    Isso os que tinham sorte pois que em muitas zonas rurais nem se ia a escola porque era para lá do sol posto.
    “O Salazar pôs me a guardar cabras e não fui a escola” lamentou se um idoso quando, num serviço público lhe disseram que tinha de assinar. Lá o funcionário assinou com a menção “a rogo por não saber assinar”.
    Porque agora já nem se pode por lá a impressão digital do infortunado porque já toda a gente parece estar esquecido dos que sobreviveram a esse tempo.
    E sabias minha besta que nos cursos profissionais também se contam propinas e numa escola de hotelaria se paga tanto como quem estuda para “ser doutor”?
    E sabias que se esse desgraçado que quer trabalhar como cozinheiro não for estudar por não poder pagar propinas vai acabar a fazer o mesmo mas por ordenado de miséria? Sem possibilidade de aspirar a mais por não ser “qualificado”?
    E assim sendo só lhe restará emigrar para onde ao menos o salário mínimo não e uma miséria como aqui?
    Vindo para o lugar dele os tais banglas que tanto odeias mas de certeza encomendas
    Uber Eats?
    Já agora, tens alguma coisa contra os doutores? Nunca precisaste de médico ou advogado? Ve la a tua sorte.
    Se não sabes aprende.
    E vai ver se o mar da choco.

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