Sorria como manda a hipocrisia

Estamos num ponto tal em que já nem sequer choca que o líder da extrema-direita portuguesa recite, como se de uma lista de descartáveis ou criminosos incuráveis se tratasse, os nomes de crianças que frequentam as escolas portuguesas; crianças essas filhas de pais estrangeiros, mas muitas delas já nascidas em território nacional.

Façamos, pois, o exercício contrário.

De repente, enquanto se discutia a lei da imigração em França ou na Alemanha ou na Bélgica ou no Luxemburgo ou na Suíça, um qualquer bobo da corte armado em Hitler da loja dos trezentos balbucia meia-dúzia de cagalhões contra pessoas de origens diferentes que frequentam as escolas lá do burgo, grande parte delas nascidas no próprio país e começa a recitar:

  • Luís Miguel Marques
  • Vitor da Silva Fonseca
  • Mariana Santos Travassos
  • Diana Andrade Ribeiro
  • Ricardo André Esteves
  • Tiago Filipe Cunha
  • Rui Miguel Dias Lopes
  • Fátima Campos Rios

E por aí fora.

Há algum português que não tenha familiares emigrados?

A pimenta, no cu dos outros, é sempre refresco. Mas, em tempos de ódio puro àquele que vem de fora (mas que chique usar, comprar e visitar aquilo que vem de fora), convém sempre relembrar que somos sempre estrangeiros nalgum lugar. E que não somos nem daqui, nem dali, somos do Mundo.

Não ser nem ateniense nem grego é não querer ser mais papista que o Papa. Saibamos integrar e adaptarmo-nos, para que sejamos sempre acolhidos e nos adaptemos.

E as percepções continuam a dar abadas à realidade, quando se comprova, agora, que a maioria das nacionalidades atribuídas se deveram à lei dos judeus sefarditas e, também, ao pedido de nacionalidade por parte de brasileiros, entre outros, com avós portugueses.

Volvidos cinquenta anos, Portugal quer voltar a ficar orgulhosamente só – seguindo a lógica dos Donos Disto Tudo, da Rússia à China, dos Estados Unidos a Israel, do Irão à Turquia -, enquanto uma elite radical se apodera da República para a transformar noutra coisa qualquer que com ela se assemelhe.

A tudo isto, o ilustre Dantas que é Presidente da Assembleia da República chama-lhe “liberdade de expressão”. Já antes nos tinha dado a solene lição de que ser racista é mera questão de opinião, agora confirma-o com veemência. “Morra o Dantas, morra! Pim!”

“Sorria como manda a hipocrisia;
Ser escravo e se adequar é bem mais adequado que dizer que não.
E oportunamente as oportunidades surgirão
Para que você também possa escravizar os seus irmãos.

E por ora é razoável não pisar fora do raso,
Não cagar fora do vaso,
E comer merda todo dia.
Mas no fundo quem aceita o inaceitável
É o grande responsável pelo mal do mundo. Você não sabia?”

Comments

  1. Defendo as mesmas ideias…
    Desagrada-me a linguagem…

  2. JgMenos says:

    Se bem me lembro havia uma lista de nomes admissíveis para cidadãos portugueses, algo que sustasse à existência dos Um Dois Três de Oliveira Quatro que se diz ser possível no Brasil.
    Coisa do fascismo, provavelmente.

    • balio says:

      Há uma lista de nomes admissíveis a dar aquando do registo de bebés. Porém, tal lista não se aplica se os pais forem de origem estrangeira.
      Por exemplo, conheço a filha de um austríaco e uma norte-americana que foi registada com o nome Ella, e a filha de um francês e uma polaca que é Gaia. Ambas são cidadãs portuguesas, uma vez que nasceram cá (de pais que já cá estavam há cinco anos).

    • Anonimo says:

      A lista de nomes alarga-se aos nomes dos países de origem dos pais.

    • POIS! says:

      Pois!

      Até porque o “Oliveira” só aparece no nome como homenagem ao conhecido fascista de Santa Comba, que era bastante adorado no Candomblé como o Orixá Oxalácaiasdacadeira.

  3. balio says:

    Uma vez acolhi no meu Centro um cidadão francês que tinha um nome 100% português (dois nomes próprios e dois apelidos, todos portugueses). A dita pessoa não sabia, literalmente, uma palavra de português – veio para Portugal apenas porque lhe foi oferecido cá emprego, não porque tivesse qualquer interesse especial no país, que nada lhe dizia a não ser os pais serem oriundos dele.

    • balio says:

      Também tive uma amiga na mesma situação, cidadã francesa mas com um nome 100% português. Essa emigrou para Portugal, com os pais, no princípio da idade adulta, e posteriormentedecidiu cá ficar. Continuou a ser cidadã francesa e gozava do direito de voto para as legislativas tanto em França como em Portugal.

  4. francis says:

    Vale tudo e há gente que concorda. Rumo á globalização onde deixa de haver caracteristicas, tradições, coisas tipicas de um povo. Passamos todos a ser uma agradavel mistela. Who cares…. ( Eu até me estou borrifando que haja estrangeiros com nomes portugueses, ou que os Emigrantes possam ou não registar os seus filhos com nomes portugueses, problema deles. Aqui, em Portugal, para se registar cidadão português, deveria ter nome português, aceitando-se nome de familia estrangeiro. Ponto.)

    • JgMenos says:

      «Aqui, em Portugal, para se registar cidadão português, deveria ter nome português, aceitando-se nome de familia estrangeiro. Ponto.»
      Condição mínima do português nascido em Portugal.

      • POIS! says:

        Pois claro!

        Poderia chamar-se Menos Singh, Menos Bukari, Menos Oliveirasalazarassian, Menos Passoscuelhastra, Menos Cavacov, Menos Pacobenito, Menos Adolfgehtzumpenis, mas nunca, po exemplo, Jaolatens Menos,

  5. Anonimo says:

    Curioso que elegeu deputado entre emigras, o anti emigra.
    O que também prova que os fachos vao saindo do país, como bons liberachos que são.

    • Tuga says:

      O do cabelo laranja também é descendente de emigrantes e tem ódio visceral, vá saber-se porquê.
      Será que o ex seminarista nazi e descendente de emigrantes ?

  6. Dizer que é uma lista de “nomes de crianças que frequentam as escolas portuguesas” é dar demasiada credibilidade a aldrabões, que, por sinal, foram buscar um texto qualquer que circulava por aí para causar polémica.

  7. Salgueiros says:

    O Apito dourado

    Eu andei anos a pensar que o esquema do “APITO DOURADO” tinha sido feito pelo falecido presidente do clube de ciclismo.

    Afinal o mau da fita era o clube de Gondomar, mas agora passados estes anos e falecido o dono do macaco, o clube de Gondomar estava inocente

    Bandalhos até ao fim, os do clube de ciclismo, Espero vê-los na distrital juntamente com os clubes que destruiram

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