As bolotas e os porcos

Falava uma deputada do Partido Socialista. Falava e enquanto falava acusava o partido Chega de ser racista e xenófobo. Indignados, os deputados da agremiação tasqueira, pediram a palavra: para dizer que é uma ofensa serem chamados de racistas é xenófobos.

A deputada do Partido Socialista que falava é, só por acaso, negra. Como o é, o deputado Filipe Melo, do Chega, mais conhecido como Bidão Galo, por ser largo e transpirar azeite, decide mostrar que não é nem racista nem xenófobo, atirando um “vai para a tua terra” à deputada socialista.

Eva Cruzeiro, deputada do Partido Socialista.
Imagem: Expresso

Ora, a deputada Eva Cruzeiro nasceu em Portugal, tem origens angolanas e cresceu no Seixal. A menos que o ‘deputedo’ chegano queira que Eva Cruzeiro volte ao Seixal, não estou a ver o que mais pode confirmar o racismo e a xenofobia da seita aventurada transformada em bancada ‘para-lamentar’.

Isto ainda vai piorar: para já, a violência é só verbal. Mas tem vindo a escalar, porque o que interessa é ser notícia, aparecer e “mal ou bem, falem de mim”. Filipe Melo, o deputado que deve mais de quinze mil euros ao fisco, já fez as figuras todas da extrema-direita: já foi machista, já foi homofóbico, já foi racista e já foi xenófobo. Agora, só lhe falta ser anti-semita… mas desconfio que quem arrisca o seu dinheiro no Chega não lhe dê autorização para tal. Durante a troca de palavras, Melo levantou-se e estacionou a sua figura de Barrosão na escadaria entre a bancada da seita que representa e a bancada do partido que representa o quase-governo; a estratégia de intimidação é óbvia e não é nova: levantar a voz, primeiro; levantar-se do lugar, a seguir; aproximar-se do inter-locutor, pressionando-o… e já só falta o próximo passo, o qual todos sabemos qual será.

Filipe Melo, deputado chegano. Imagem: Chega.

Quando a nulidade que temos como presidente da Assembleia da República disse que se pode dizer o que se quer e o que bem nos apeteça na casa da Democracia, não antevendo que quem é tolerante com intolerantes acaba comido pelos segundos, a estória já estava escrita: se a carta é branca e a deputada é negra, “vai para a tua terra” é tão legítimo como qualquer outro argumento, até porque o Aguiar é Branco.

O Chega clama por Salazares. Chora por estados novos. Vocifera contra a indisciplina. E fá-lo porque sabe que toda a autoridade está incumbida de branquear as práticas anti-democráticas, inconstitucionais, criminosas e cleptomaníacas do partido de Um Homem Só, qual União Nacional modernizada.

Quando a autoridade é uma bolota, acaba a ser comida pelos porcos.

Aguiar, o Branco. Imagem: SIC Notícias.

Comments

  1. JgMenos says:

    Todo o cretino adora esta cena de associar a cor da pele a racismo e a xenofobia como se fossem uma e a mesma coisa.
    Se o racismo haveria de pressupor argumentos que tudo indica serem negados pela ciência , a xenofobia é o mais óbvio e legítimo dos fundamentos para recusar aproximações ao estranho, ao que mal se entende.
    Mas para o re-béu-béu esquerdalho – resultado de uma cambada de definidores de normas – negar a anormalidade é o cume da intelectualidade!

    • POIS! says:

      Pois tem vosselência toda a razão de queixa!

      A esquerdaria nega Vosselência? E considera isso o cume da intelectualidade?

      Francamente! Como é possível?

    • Por “todo o cretino” está a falar dos bandalhos associados à Chaga, a confundir a cor da pele com a nacionalidade, certo? Até o Salazar era “woke” para esta gentinha.

  2. francis says:

    Que bela deputada temos no Parlamento, uma pessoa de tão bom caracter e capacidade intelectual que afirma/canta……………”Estou-me a cagar para a guerra da Ucrânia, os gajos que se matem……eles não se importam connosco, portanto”………………………………..é um orgulhos termos uma deputada com esta elevação.

  3. Whale project says:

    Claro, o que e preciso é gente com elevação
    Que se esta nas tintas para se mais de 100 mil palestinianos de Gaza foram mortos a bomba e outros tantos mutilados, para se a fome corre solta porque também na Moita se vive mal.
    E mesmo dessa elevação que precisamos.
    E que raio tem a ver as posições da mulher sobre a guerra na Ucrânia, porque aí sim há guerra, com o facto de uma besta a mandar para um sítio a que de certeza nunca foi?
    Vão ver se o mar da Kraken Francis e velho salazarento.

    • JgMenos says:

      A cambada esquerdalhó-cretina sempre se organiza em opor vítimas a carrascos, sendo que sempre os carrascos nunca são vítimas e sempre as vítimas são coitadinhos a coberto da cor da pele ou de outra qualquer vestimenta que lhes assegure essa condição.
      O tipo que a manda para a terra dos de pele escura, começa por ser chamado de racista.
      Os tadinhos de Gaza começam por festejar as barbaridades do 7 de Outubro.
      Nada disso importa à cretinagem!

      • POIS! says:

        Ora pois! Citando, Menos, mas citando…

        “O tipo que a manda para a terra dos de pele escura, começa por ser chamado de racista (…)”.

        Racista? Que coisa mais estúpida.

        Lá na minha terra, o povinho, quando fala em “mandar para a terra” refere-se a sementeira. E “dos de pele escura” será uma de três coisas: ou batatas, feijões ou castanhas.

        Racista? Então, agora, os vegetais também têm raça?

        Qualquer dia os do Quarto Pastorinho ainda por aí põem cartazes a dizer “feijão preto vai para a tua terra”, “as castanhas têm de cumprir a lei”, ou “isto não é um batatal”.

        Francamente!

      • Béu, béu, béu, quero posso e mando, uga buga, se os brancos invasores dizem que foi, é porque é verdade, diz a prémio nobel da propaganda que até já moram na Venezuela, porque não?
        Entretanto, o mundo gira, e os fiéis vassalos ficam sem chips a querer lamber as botas. É a vida dos tresloucados.

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