Putin, Trump e seus lacaios europeus: a mesma luta

Pode ser uma imagem de o salão oval

Donald Trump chegou a um acordo com Vladimir Putin, que envolve a compra de gasóleo russo. O acordo surge num momento em que o Estreito de Ormuz se mantém fechado, fruto da guerra lançada por Trump contra o Irão, aliado estratégico da Rússia.

Porque é que isto acontece?

Porque Trump está preocupado com aumento do custo de sobrevivência dos seus súbditos?

Claro que não.

Trump não quer saber de outra pessoa que não ele.

O objectivo é baixar os preços dos combustíveis nos 22 dias que faltam para as eleições intercalares. Porque corre o risco de as perder e sabe que a única opção que lhe resta é destruir o processo eleitoral com a batota que tentou na Geórgia, em 2020, e agentes do ICE à porta dos locais de voto em distritos democratas e swing states.

A condição de admirador de Putin, sendo factual, não explica a concessão de Donald Trump. Trump respeita Putin, quer muito ser respeitado por ele, mas o que realmente conta, para o presidente dos EUA, são os seus interesses.

A parte cómica é que as quantidades anunciadas, neste negócio do século, não chegam para 5 dias de consumo norte-americano. Não falta ali nenhum zero. São mesmo 5.

Mas a questão que se coloca, parece-me, é esta:

Para que serviu este acordo?

Não foi para reduzir a pressão económica e energética provocada por Trump no Irão. As quantidades são residuais.

Para travar Putin também não parece ter sido, na medida em que Kiev foi atacada por Moscovo há poucas horas.

Será que este foi o primeiro passo para o estabelecimento de uma parceria entre as oligarquias dos dois países?

Será?

É que, segundo várias fontes, como a Reuters e o NYT, o plano em cima da mesa determina o levantamento de sanções, o descongelamento de bens e a venda de activos russos a investidores do Médio Oriente, que, por estranha coincidência, são parceiros de negócios da Trump e dos seus enviados, Steve Witkoff e Jared Kushner, que é também seu genro. Com Trump, basta seguir o dinheiro. E a sua rede de corrupção.

Resta saber se Putin estará disponível para alinhar numa encenação do fim da guerra, mediada imaginariamente por Trump, apenas para a recomeçar no dia 4 de Novembro.

Adiante.

Quase em simultâneo, Trump decretou que Zelensky já não deve ser presidente da Ucrânia. Exige eleições. Elon Musk corroborou e os amigos da AfD, entre outras dependências dos tecnofeudalistas, aplaudiram de pé.

Mas Zelensky não só não cedeu como atacou data centers russos, fundamentais para a performance da sua Google, a Yandex. Trump não gostou, os colaboracionistas – tu sabes, praticamente TODOS os aliados internacionais de Ventura – também não, mas os grandes prejudicados pelo ataque ucraniano foram as troll farms russas que fornecem os populistas europeus.

Por toda a UE, a propaganda pró-extrema-direita nas redes sociais esteve em queda desde o ataque. As páginas de partidos como a AfD, o RN, o Vox ou a Lega registaram uma queda abrupta nos comentários, “gostos” e partilhas. Até a página de Elon Musk no falecido Twitter teve uma quebra de “engajamento”.

Não há bots, não há likes.

Poético.

E nem vamos falar sobre o impacto que o incêndio nas fábricas de perfis falsos russos pode ter nas midterms. Fica para outro dia.

No meio de tudo isto, sabes o que me intriga?

Não ver um jornalista, dos inúmeros que entrevistam André Ventura todas as semanas, confrontá-lo sobre a sua “habilidade” de conciliar a narrativa anti-Kremlin e pró-Ucrânia com a reverência religiosa a Donald Trump e o apoio incondicional aos seus amigos putinistas. Pode ser que a crise nos data centers russos chegue cá.

Comments

  1. Paulo Marques says:

    Custou, mas, sim, o objectivo da NATO com a expansão a leste, tal como no Médio Oriente, tal como na Venezuela, tal como as preocupações com a balança comerciam, é o controlo da energia pelos oligarcas do bem pertencentes ao complexo militar imperial, explanado em muitos documentos desde Wolfowitz para o novo século americano. Percebe-se que a Eurolândia fique muito chateada ao ficar só o moralismo oco e com a conta da energia que não vê, mas são sacrifícios que se fazem em nome de uma tal de Democracia com valores ocidentais. Aqueles valores agora a aplicar a vigilância e a violência contra o comunismo globalista islamita anti-semita importada da colónia.

    Certo é que, mais do que o novo indicador da propaganda do bem, com a razoabilidade digna de um prémio da banca sueca, qualquer eleito seguirá, como qualquer outra Meloni antes dele, as ordens para defender a NATO, a UE, a desumanização do “pântano” e o empobrecimento permanente a bem da classe Epstein mal chegue o primeiro ordenado.

    • JgMenos says:

      imagina que a Nato não se tinha expandido a Leste.

      Já tínhamos o Putin a meio da Europa com o seu serventuário apêndice comunista a consolar os idiotas esquerdalhos, eternos órfãos soviéticos.

  2. Paulo Marques says:

    A ver se nos entendemos: se uns likes e perfis falsos, venham lá de onde vierem – que ainda vai voltar a chover em Tel Aviv – influenciam eleições, é porque o regime está moribundo. E não é pela falta de censura ou sanções, nem pela falta de vontade de continuar a aumentar o seu número.

    • Paulo Marques says:

      Vai-se a ver, era mais uma aldrabice da guerra de propaganda a tentar convencer os europeus a continuar a empobrecer e a ir morrer pela classe Epstein.

  3. Julio santos says:

    A Europa precisa de bater o pé a essa ratazana perigosa que está sentada no cadeirão da sala oval nos EUA, sem receio porque este intruso já demonstrou receio por quem lhe lhe dá o merecido abanão. A não ser assim, a Ucrânia e, por arrastamento, a Europa vai sofrer as consequências.

  4. Paulo Marques says:

    Sim, sim, bater o pé a aumentar a dependência e o controlo por parte de todo o capital que o financia, a qualquer custo para os seus cidadãos. Depois lá se iam as carreiras na NATO e nas suas ONGs.

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