Dominicus

Amarelo

É muito curioso o facto de os colégios privados em protesto terem todos escolhido a mesma cor para a camisoleta. Além disso, deve registar-se, com satisfação democrática, o súbito aparecimento, no palco da contestação pública, de instituições que nos últimos anos primaram pelo silêncio, para não dizer cumplicidade, que é uma palavra muito forte, ante a barbárie social que assolou o país. É caso para dizer que quem está vivo sempre aparece.

Primavera II

Numa de ciência e poesia

 (Poema de Ofélia Bomba, minha colega, não de cardiologia mas de psiquiatria) 

 

O ninho

É do azul que parto

Para o percurso único da poesia

Do azul do mar imenso

Do azul intenso

Que banha o meu país

E a minha fantasia

E segue solitário até ao infinito.

Passo pelo roxo da saudade

Nos lírios imortais de Van Gogh

Mistura de óleo e eternidade

De espanto e grito.

Passo, depois, no amarelo vivo

Dos girassóis de Julho em Portugal

E brindo à vida, ao amor cativo

Único, intemporal.

Navego no vermelho. Lume e fogo

Aurora boreal do meu percurso

Em que me perco e quase afogo

E desço à terra, ao castanho baço

Força telúrica a lembrar o curso

Do passado e do presente, num abraço.

Continuo no preto. Tinta-da-china.

Ou numa nuvem carregada de água

Na viuvez duma tarde chuvosa.

Liberto-me no branco em que assisto

À neve, à cal, aos vestidos de noiva

À bata da escola de menina

E paro p’ra pensar. Duvidosa.

Que importa se o teu olhar

É verde ou dourado

Bordado de sol ou de luar

Que importa se o teu sorriso

É um poente

Tinto de promessas quase a naufragar.

Se este poema é um caminho

Tecido de arco-íris e de asas

Onde me aventuro e ouso

E todas as cores do mundo

São o ninho

Em que eu repouso.

Numa de ciência e poesia

 (Poema de Ofélia Bomba, minha colega, não de cardiologia mas de psiquiatria)

 

O ninho

É do azul que parto

Para o percurso único da poesia

Do azul do mar imenso

Do azul intenso

Que banha o meu país

E a minha fantasia

E segue solitário até ao infinito.

Passo pelo roxo da saudade

Nos lírios imortais de Van Gogh

Mistura de óleo e eternidade

De espanto e grito.

Passo, depois, no amarelo vivo

Dos girassóis de Julho em Portugal

E brindo à vida, ao amor cativo

Único, intemporal.

Navego no vermelho. Lume e fogo

Aurora boreal do meu percurso

Em que me perco e quase afogo

E desço à terra, ao castanho baço

Força telúrica a lembrar o curso

Do passado e do presente, num abraço.

Continuo no preto. Tinta-da-china.

Ou numa nuvem carregada de água

Na viuvez duma tarde chuvosa.

Liberto-me no branco em que assisto

À neve, à cal, aos vestidos de noiva

À bata da escola de menina

E paro p’ra pensar. Duvidosa.

Que importa se o teu olhar

É verde ou dourado

Bordado de sol ou de luar

Que importa se o teu sorriso

É um poente

Tinto de promessas quase a naufragar.

Se este poema é um caminho

Tecido de arco-íris e de asas

Onde me aventuro e ouso

E todas as cores do mundo

São o ninho

Em que eu repouso.

Numa de ciência e poesia

(Poema de Ofélia Bomba, minha colega, não de cardiologia mas de psiquiatria) 

O ninho

É do azul que parto

Para o percurso único da poesia

Do azul do mar imenso

Do azul intenso

Que banha o meu país

E a minha fantasia

E segue solitário até ao infinito.

Passo pelo roxo da saudade

Nos lírios imortais de Van Gogh

Mistura de óleo e eternidade

De espanto e grito.

Passo, depois, no amarelo vivo

Dos girassóis de Julho em Portugal

E brindo à vida, ao amor cativo

Único, intemporal.

Navego no vermelho. Lume e fogo

Aurora boreal do meu percurso

Em que me perco e quase afogo

E desço à terra, ao castanho baço

Força telúrica a lembrar o curso

Do passado e do presente, num abraço.

Continuo no preto. Tinta-da-china.

Ou numa nuvem carregada de água

Na viuvez duma tarde chuvosa.

Liberto-me no branco em que assisto

À neve, à cal, aos vestidos de noiva

À bata da escola de menina

E paro p’ra pensar. Duvidosa.

Que importa se o teu olhar

É verde ou dourado

Bordado de sol ou de luar

Que importa se o teu sorriso

É um poente

Tinto de promessas quase a naufragar.

Se este poema é um caminho

Tecido de arco-íris e de asas

Onde me aventuro e ouso

E todas as cores do mundo

São o ninho

Em que eu repouso.

A Partir das Nove da Noite, Vamos Estar Amarelos

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AS CORES COM QUE NOS PINTAM

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Hoje vão pintar-nos de amarelo. A Protecção Civil disse e assim se fará. Vai chover, ventar e fazer frio. Coisa que ninguém sabe o que seja, pelo menos nos dez distritos pintados.

Esta Protecção Civil, que tem de demonstrar o que vale e justificar o que ganha, lá nos vai ensinando a sabermos o que fazer quando o frio chega, o vento sopra ou a chuva cai.

Abençoados.

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Hoje Estamos Amarelos

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AS CORES DO NOSSO QUOTIDIANO

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.A Alta Autoridade da Protecção Civil, decidiu, está decidido.

Hoje estamos amarelos.

O alerta foi dado para o território nacional, em especial a costa. Cinco das nossas barras estarão fechadas, disse o Comando Naval, com ondas que poderão atingir os seis metros. O vento soprará entre os oitenta e os cem quilómetros por hora, e a temperatura máxima estará dentro dos valores normais para a época.

Mas, atenção, vai chover!

E choverá talvez com intensidade e até em alguns casos, forte, em especial a partir da tarde, pelo que quem não sabe, e a Alta Autoridade pensa que são muitos os que se encontram nesse caso, deverá abrigar-se da chuva, não vá molhar-se, ter cuidado com o vento, não vá apanhar uma otite, e não tentar sair ou entrar nas barras assinaladas, pois estarão fechadas.

O que seria de nós sem a Alta Autoridade da Protecção Civil.

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