Tudo bons autarcas I – Pequenas máfias locais

Imagem via Ponte Europa

Após dois anos de negociações, o governo chegou a acordo com a Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) e prepara-se para aumentar substancialmente as contribuições e a transferência de competências para as autarquias, em áreas tão importantes como a Saúde ou a Educação. O acordo alcançado permitirá aumentar até 10% os orçamentos municipais, colocará 7,5% das receitas do IVA nas mãos das autarquias e dará aos executivos municipais o poder de gerir escolas públicas, centros de saúde e habitação social. [Read more…]

Congresso milionário da ANMP

Segundo o blogue Má Despesa pública, a Associação Nacional de Municípios Portugueses gastou cerca de 100 mil euros numa reunião de dois dias, no luxuoso Tróia Design Hotel. E vivam o rigor e a responsabilidade! Haja cofres cheios!

Quem quer uma medalha ponha o dedo no ar

Nas terras pequenas desse Portugal profundo (tão profundo como a caridade de tia Isabel Jonet) há um hábito nobre, por ocasião dos feriados municipais: medalhar os cidadãos que se distinguem do outros, em áreas diversas, supostamente pela contribuição que deram à terra ou à sua gente. É uma espécie de óscares-de-trazer-por-casa em que as Câmaras penduram agradecimentos ao peito de quem lhes parece merecedor.

O problema é que este é para muitos autarcas o último ano de longos mandatos. E então é preciso encher o saco das medalhas até não poder mais, como vai acontecer em Pombal, no domingo, dia de S. Martinho e feriado municipal. Há medalhas para todos os gostos e feitios, num total de 26. Alguns dos que vão ser condecorados são repetentes. Outros há que ainda agora devem estar a perguntar-se por que razão vão ser considerados figuras de ouro no município. Será talvez o caso de Artur Trindade (pai), secretário-geral da Associação Nacional de Municípios, a quem esse barão das autarquias que é Narciso Mota (autarca de Pombal) vai agradecer não se sabe bem o quê.

Numa terra tão dada a fenómenos, o risco de ser medalhado é grande. Tão grande que, depois dos incêndios que há anos devastaram parte do concelho, o executivo homenageou até um falso benemérito, procurado por burla noutros pontos do país. Ou como diria Almeida Garret, se aqui voltasse,

– Foge cão, que te fazem barão!

– Pr’a onde, se me fazem visconde?