Derrubar o Padrão dos Descobrimentos e outros talibanismos

Não é um fenómeno novo, mas ganhou uma dimensão mediática que, numa era sem redes sociais, não seria possível de forma tão fácil, rápida ou impactante. Falo na tentação dos diferentes poderes, para, em determinado momento, quererem destruir estátuas, edifícios ou registos históricos de uma era ou tempo que rejeitam, ou ao qual se opõem, pelos mais variados motivos, legítimos ou não, que não é nova nem particularmente surpreendente. Mas é, regra geral, uma pulsão que peca por inútil, e que apenas serve para alimentar ódios e divisões, e evitar que as feridas sarem, para que seja possível, de uma vez por todas, seguir em frente.

Não se apaga a história: aprende-se com ela. E a memória viva dos acontecimentos trágicos, sejam eles o Holocausto, a Inquisição ou as diferentes colonizações – e todas as ondas de choque que delas resultaram, até às descolonizações mais ou menos violentas, que levaram ao poder novos facínoras, outrora combatentes da resistência contra as forças ocupantes – devem, em todos os momentos, servir como faróis para que a Humanidade não volte a cometer os mesmos erros. Por muito que a história insista em se repetir.

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Polícia Socialista Parva (PSP)

Este fenómeno muito querido às esquerdas de tentar policiar o discurso e a própria História não é de agora. Aliás, já aqui tinha falado d’A Era do Cancelamento. No entanto, na semana passada tivemos três tentativas de cancelamento por parte da PSP. Digo tentativa, porque por muito que a esquerda transmita a sua ideologia em forma de única maneira decente de pensar, não acredito que consigam apagar a nossa História, para o bem e para o mal.

 

Começámos a semana com a tentativa de cancelar o Ricardo Araújo Pereira, porque este falou mal do PS. Parece-me que isto começou com uma socialista a lembrar que RAP já fez blackface e que usou termos homofóbicos, que “já lhe foi explicado que isso não é ok”. A PSP considera que é propriedade de uma instituição considerar os termos que estão à disponibilidade de Ricardo Araújo Pereira para utilizar nos seus sketchs humorísticos. A mesma esquerda que se pendura à liberdade de expressão para defender um rapper que faz apologia ao terrorismo é aquela que não pode ver uma cara com base a mais ou ouvir a palavra “maricas” num sketch. E nem estou a tomar um lado, estou a mostrar o duplo critério da PSP. Se é para cancelar consoante os nossos gostos, gostava de poder cancelar o Félix, porque ainda não esqueci aquele golo no Dragão. Não há cancelamentos pedidos?

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Ascenso Simões no Twitter

 

 

 

 

 

Ontem, no Twitter, o deputado do PS Ascenso Simões insultou todos os que lhe apareceram pela frente a propósito de uma publicação sobre a Iniciativa Liberal.

A violência da linguagem utilizada, sobretudo contra mulheres, provocou uma censura generalizada. Afinal, trata-se de um representante da Nação com responsabilidades enquanto tal.
Mas a agressividade de Ascenso Simões no Twitter não é de hoje. Ora vejamos:

 

 

 

 

A mesma conta, a mesma linguagem desabrida a chamar a atenção da Comunicação Social e até do Polígrafo.
Ontem, depois da polémica, o deputado do PS veio dizer que aquela era uma conta falsa, que não era sua, etc, etc. Eliminou a conta anterior, criou uma nova e, sem explicar por que nunca denunciou uma conta que era falsa, terminou com uma pergunta:

Quem tem estado atento às intervenções de Ascenso Simões nos últimos anos sabe bem qual é a resposta.