O coreto mais correcto

Crows swoop down into the empty bandstand. I don’t know what they could be looking for.

— Sam Shepard

“Cow that went into them boots musta had the measles, huh? What kinda hide you call that?”

“That’s belly ostrich, sir.”

“Belly ostrich. I’ll be. Ostrich ain’t even a cow, is it?”

Sam Shepard

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Duvido que Ricardo Araújo Pereira tenha pronunciado o correspondente a correto, ou seja, [kuˈʀetu]. Muito provavelmente, pronunciou [kuˈʀɛtu], ou seja, correcto. Aliás, Araújo Pereira tem razões para estar irritado com o «politicamente correto», mas contente com Barreto [barrete+o], forreta, carbureto, jarreta, cloretocoreto e correto, perdão, correcto. Exactamente. Atenção aos ataques ramificados: porque o ‘coreto mais correcto’ funciona, mas o ‘coreto mais concreto’, variante do título, ou até «os teus segredos mais secretos», dos Rádio Macau, nem por isso. Porque, como os crows no coreto e a cow que não é avestruz, «there are more things in heauen and earth Horatio then are dream’t of in your philosophie».

O coreto mais correcto: o da minha infância (http://bit.ly/2G2EO9B). Foto via mapio.net: http://bit.ly/2FUZ0XX

No sítio do costume, já se sabe, não há problemas, é tudo facultativo:

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Politicamente incorrecto

O genial Ricardo Araújo Pereira, em entrevista ao Diário de Notícias.

Reaccionário

«Escreve-se com dois cês». Exactamente. Efectivamente.

O sexismo da Porto Editora já vem de longe

Dicionário da Língua Portuguesa, editado em 1986, Porto Editora

O João Mendes trouxe o texto do Ricardo Araújo Pereira (RAP) no qual se demonstra que, afinal, os cadernos não eram assim tão sexistas como se apregoou. E que o trabalho jornalístico à volta da questão deixou muito a desejar. Na verdade, os meios de comunicação social pegaram numa montagem de duas páginas para, a partir delas, tecerem ilações. E, por fim, a Comissão para a Igualdade de Género (CIG) laureou-se de poderes censórios e, “por orientação do Ministro Adjunto”, Eduardo Cabrita, recomendou à Porto Editora, que “retire[retirasse] estas duas publicações dos pontos de venda”.

RAP desmontou a questão, no programa Governo Sombra, implacavelmente e com graça, conforme se pode visualizar no vídeo seguinte. [Read more…]

Os polémicos blocos de actividades*

Inicialmente, de férias e afastado do mundo real, tomei conhecimento do polémico caso através das redes sociais. A tentação para me indignar foi imediata: havia um plano de discriminação de género em marcha, orquestrado pela Porto Editora e por um qualquer gangue de arrojas misóginos, através de cadernos de actividades que tratavam o macho como alfa e a fêmea como uma patega incapaz de concluir labirintos complexos. [Read more…]

Aquele momento em que o ridículo atinge proporções descomunais

e o humorista faz o seu trabalho.

Além dos fatos: coacções, coações e equações

In der >Propädeutik< weist Hegel dies Wesen der praktischen Bildung, sich ein Allgemeines zuzumuten,  an einer Reihe von Beispielen nach. Dergleichen liegt in der Mäßigkeit vor, die das Unmaß der Befriedigung der Bedürfnisse und des Gebrauchs der Kräfte an einem Allgemeinen – der Rücksicht auf die Gesundheit – begrenzt.

Hans-Georg Gadamer

Ce n’était qu’en Italie qu’on avait élevé des temples dignes de l’antiquité.

Voltaire

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Ontem, o marido de uma ex-ministra foi condenado por «um crime de coação [sic] na forma tentada». Para quem não está a par do assunto, este folhetim gira em torno de uma mensagem com o seguinte teor:

tira a minha mulher da equação, se não vou-te aos cornos.

Já por aqui nos debruçámos sobre equação − ‘e’: daqui a pouco, a imagem servirá de lembrete [Read more…]

Diz que é uma espécie de ortografia

Hoje, quarta-feira, dia 23 de Novembro de 2016, durante este invervalo do confronto entre o Glorioso e o colosso turco Beşiktaş [beˈʃiktaʃ], façamos um balanço sobre o que tem acontecido durante esta semana.

Por exemplo, na segunda-feira, aconteceu isto:
dre21112016a

Contudo, na terça-feira, foi isto que aconteceu:

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Já agora, o que estará a acontecer hoje? Hoje,  [Read more…]

Cheiro a mijo

Quando um jornal de referência publica um título como “Ricardo Araújo Pereira não mijou fora do penico, considera ERC”, o dia está ganho, porque é como se uma pessoa muito circunspecta usasse um palavrão raríssimo e porque permite imaginar uma votação da ERC com o presidente a dizer algo como “Quem considera que Ricardo Araújo Pereira mijou fora do penico? Muito obrigado! Quem considera que Ricardo Araújo Pereira não mijou fora do penico? Certo! Quem se abstém? Pronto, nesse caso, fica aprovado que Ricardo Araújo Pereira não mijou fora do penico. Vamos, agora, analisar a queixa do doutor Marinho e Pinto relativa ao programa de Ricardo Araújo Pereira.”

Da leitura da notícia, é importante, ainda, realçar a seguinte afirmação de Marinho e Pinto: “Não se pode urinar na cara das pessoas num programa de televisão.” Depreende-se, portanto, que possamos dedicar-nos a essa higiénica actividade, desde que não o façamos no pequeno ecrã. Prevejo, a propósito, o nascimento de um novo nicho de mercado, o da produção e venda da fralda-máscara, que uma pessoa nunca mais estará segura, de acordo com a jurisprudência involuntariamente criada por Marinho e Pinto.

Para que o leitor possa também formar uma opinião sobre assunto tão momentoso, seguem-se dois vídeos: o que motivou a queixa e um, mais antigo, em que Ricardo Araújo Pereira entrevistou Marinho e Pinto, correndo, portanto, todos os riscos menos o de levar com um monumental fluxo urinário nas trombas. [Read more…]

Foda-se!

A indecência merece mais respeito [Ricardo Araújo Pereira, a propósito da mania do “fodasse”]

A carta que António Costa podia muito bem ter enviado ao senhor Aníbal

Cavaco

Por último, quero sossegar V. Exa. acerca das medidas que o meu governo vai tomar no sentido de garantir a estabilidade do sistema financeiro. São elas: impedir que qualquer amigo de V. Exa. funde ou administre bancos; propor um aditamento à Constituição que impeça V. Exa. de fazer considerações acerca dos bancos nos quais os portugueses podem ou não confiar.

O resto está aqui. Do genial Ricardo Araújo Pereira.

Passos Coelho bem tentou fugir

mas Ricardo Araújo Pereira não deixou. É tudo muito bonito mas…

Cartazes do PSD explicados por Ricardo Araújo Pereira

Entretanto, soube-se também que as pessoas que aparecem, sorridentes, nos cartazes da coligação, são figurantes estrangeiros. Ao contrário do que alguns pretendem, nada há de desonesto nessa circunstância, antes pelo contrário: é sabido que a governação do PSD e do CDS agradou muito mais a estrangeiros do que a portugueses. É natural que sejam eles a manifestar satisfação pelo trabalho do governo. [Ricardo Araújo Pereira@Visão]

Passos Coelho precisa de um nutricionista de Estado

É a solução de Ricardo Araújo Pereira para o despesismo automobilístico do governo do “rigor”.

Ricardo Araújo Pereira – A Década dos Psicopatas

Paulo Pereira

e Daniel Oliveira – A Década dos Psicopatas.

E o contexto é o de uma sociedade desigual nos sacrifícios e nas vantagens, precária e insegura para a maioria e garantista e blindada para uma minoria.

O problema que aqui me interessa não é apenas ético, apesar da ética também contar. É social. É o de uma elite que vive num mundo à parte, com regras à parte, e é por isso incapaz de perceber a vida dos outros. Poderiam ser ricos e perceber tudo isto. Poderiam ser pobres e não perceber nada disto.

A vida está cheia destas incongruências e não sou dos que acham que alguém que defende a justiça social tem obrigação de levar uma vida espartana e que os pobres têm obrigação de ser socialistas. Mas julgando, como julgam, que os seus privilégios excecionais resultam do mérito, não podiam deixar de julgar que as banais dificuldades dosvideo outros resultam de desmérito. Quem vive confortável na injustiça nunca poderá compreender a sua insuportabilidade. Quem pensa que o privilégio é um direito nunca poderá deixar de pensar que a pobreza é um castigo.

Rui Ramos transformado em anedota

Por Ricardo Araújo Pereira, na Visão. Quem diria que os “argumentos” do historiador eram tão fraquinhos?

Momento RAP

De acordo com o primeiro-ministro, as ideias do Syriza são “um conto de crianças”. É possível, não digo que não. Mas as ideias de Passos Coelho são, como sabemos, um filme para adultos. E o traseiro que o protagoniza, infelizmente, é o nosso. Ricardo Araújo Pereira

Saída limpa

Limpíssima.

O fascismo é como as calças à boca de sino?

Um espantoso monólogo do Ricardo Araújo Pereira no corpo de Maria do Céu Guerra. Imperdível.

Lunaticidade em Portugal e na Venezuela

Temos rido algo sobranceiramente daquelas manias Venezuelanas de antecipar o Natal. Ora, o que se passa aqui é que o FMI vai prolongar a Quaresma. É mais ou menos a mesma coisa, [mas] em vez de [se] antecipar [, perpétua-se]. A época dos jejuns (…), dos sacrifícios, …» RAP, no Governo Sombra.

É de ouvir.

Simples

O Professor Louça explicou de forma muito clara e até pedagógica na Sic – notícias.

austeridade

O (des) Governo de Pedro Passos Coelho roubou 32,4 mil milhões aos portugueses desde 2011. A consequência desse roubo no défice foi de 0,5 mil milhões. Isto é, não serviu para nada.

Querem, caros defensores de Pedro Passos Coelhos, continuar a acreditar em tal estupidez. Repito – não está em causa se temos ou não temos que fazer isto ou aquilo. O problema não está no diagnóstico.

Está no medicamento!

Quase me apetece pegar na sugestão do Ricardo: façam lá um risquito na moeda que está no vosso bolso e vão ver que ela vai parar ao bolso de um banqueiro.

Carlos Abreu Amorim perdeu a virgindade

Facto compreensivelmente saudado pelo Ricardo Araújo Pereira.

Adília Lopes

Ontem, enquanto fazia umas pesquisas na internet para algo que queria escrever no Facebook (sim, eu sou uma daquelas que usam o Facebook com bastante assiduidade, sendo até frequentemente o alvo das graçolas dos amigos LOL, :-), <3), cruzei-me com uma tese brasileira interessantíssima (estes estudos são sempre brasileiros, só os brasileiros publicam tanto na net, sem receios de roubos ou apropriações) onde se fala de Adília Lopes e da sua escrita. Claro que pesquisa leva a pesquisa, que isto de surfar na net para pesquisas é viciante, e acabei por encontrar vários poemas conhecidos e outros desconhecidos. [Read more…]

Não comer e calar?

Com a História nada se aprende, tudo se esquece, poder-se-ia dizer, glosando Lavoisier e negando Cícero. Diante de greves e de protestos, com pedradas mais ou menos consentidas à mistura, o governo e satélites vários atribuem a violência verbal ou mineral a agitadores e a profissionais da agitação, reduzindo o povo insatisfeito a uma manada pastoreada por comunistas, sindicalistas e outros canibais infanticidas.

Depois de anos de destruição de um tecido produtivo que nos leva a importar a fruta que poderíamos plantar, depois da especulação descarada com o dinheiro que entregámos indirectamente a uma série de gente que se alimenta das finanças públicas, depois de engenharias financeiras várias que têm transformado os orçamentos de Estado em mentiras oficiais, depois de ver notas de mil a arder nas fogueiras da Expo98 e do Euro 2004, depois de seis anos de socratismo de publicidade enganosa, depois de Passos Coelho se ter feito eleger com base em promessas que quebra todos os dias, obrigando-nos a pagar uma dívida que não contraímos, depois de sermos diariamente roubados graças ao cínico falhanço antecipadamente conhecido de todas as previsões macro e micro-económicas de um ministro das Finanças que seria despedido da garagem onde trabalha, se fosse mecânico e desconsertasse carros ao mesmo ritmo a que se engana nos valores do défice, do desemprego e da receita fiscal, depois desta merda toda e de muita outra que fica por cheirar, a culpa é de quem protesta? Cheira-me, pelo contrário, que a nossa culpa está em protestar pouco ou mal. [Read more…]

O envelhecimento ilícito segundo Ricardo Araújo Pereira

Ricardo Araújo Pereira e o facebook de Passos Coelho, o Pedro

Mixórdia de temáticas: musiquinhas profissionais

A partir do minuto 2:18.

Coisas que coisam os coisos

Cartoon de  Zapiro

Gosto muito de fazer rir. Se tivesse jeito, vocação ou ocasião, gostaria de ter sido humorista e agradeço muito ao Aventar dar-me a possibilidade de compensar, minimamente, esse meu desejo infantil, ao ser-me permitido, por vezes, escrever umas larachas e ficar convencido de que fui engraçado. [Read more…]

Hoje dá na net: Ricardo Araújo Pereira no Brasil

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Com Jô Soares na TV GLOBO – 19-03-2012

A seguir ao corte, na Risadaria 2012.

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A familiaridade do insulto em Portugal

Apercebo-me por uma crónica do Ricardo Araújo Pereira (a que cheguei via Joana Lopes) ter Sócrates chamado mansa à mãe de Vítor Gaspar (numa altura em que provavelmente nem sonhava com a sua existência) e agora Santana ter tido o flope de chamar Salazar à senhora de um ministro das finanças do Esteves*, partindo do princípio que o tio de Fernando Rosas era casado.

O problema de Portugal é ser Lisboa, e Lisboa ser muito pequenina. O resto é paisagem.


* Esteves, alcunha de Salazar; por razões de segurança nunca se noticiava onde o homem ia meter as botas, mas apenas “o sr. presidente do conselho esteve ontem em“… sem ofensa, falta pouco para Cavaco Silva recuperar este hábito lusitano.